CATARINA NARRANDO
Quando olhei para o senhor Castelã, me senti envergonhada. Esbarrei no chefe mais cedo e ainda pedi para ele sair da minha frente. No meu primeiro dia, eu derrubei a água dele. Se aquela garrafa estivesse aberta, teria molhado o poderoso chefão.
Saí da sala e puxei a porta, fui correndo para a copa, nem sabia onde enfiar a minha cara. Respirei fundo e fiquei repetindo para mim mesma que incidentes acontecem.
Retomei o meu trabalho, comecei fazendo o que me compete. Sempre ligam na copa pedindo café, água, biscoito, um pano; estou sempre pra lá e pra cá. Por isso, quando chego em casa, só quero a minha cama.
Me ligaram da sala da diretoria da equipe de marketing pedindo café. De todas as salas, esses são os que mais tomam café; é o dia todo. Daqui a pouco, vão estar com uma gastrite. Nunca vi tomar tanto café.
Quando deu o horário do almoço, eu já estava tremendo de fome. Desci para a copa, fiz um pratão e comecei a comer quando um rapaz sentou do meu lado e começou a puxar assunto.
— Posso me sentar aqui com você? Odeio comer sozinho — ele falou, e eu concordei com a cabeça. — Muito prazer, me chamo Eduard — ele estendeu a mão para mim, e eu apertei.
— Prazer, Eduard, me chamo Catarina — Ele olhou para mim e para o crachá que estava em cima da mesa.
Começamos a conversar, e ele trabalha no setor de TI. Lógico que eu falei que sou copeira. O Eduard é uma das poucas pessoas que não me olhou atravessado por isso. Muito pelo contrário, ele conversou como se fôssemos do mesmo setor.
Assim que acabei de comer, pedi licença, coloquei o prato no lugar indicado e fui correndo para o berçário ver a minha filha. Assim que entrei na sala e a Lavínia me viu, correu para me abraçar.
Peguei a minha filha no colo, que já procurou mamar. Lavínia está na fase dos dentes; quando é assim, ela quase não come, só quer saber de mamar. Sentei em uma cadeira para amamentar a minha filha, fiquei um pouquinho com ela, achei-a febril.
— Eu vou dar um remédio para febre para ela, que está na bolsa, mas por favor, se a febre aumentar, me chame — falei com o coração apertado.
Dei o remédio para febre para ela, entreguei-a para a tia e tive que voltar ao trabalho.
Assim que cheguei, já havia um aviso no quadro. Comecei a preparar as coisas para a próxima reunião. Servimos água e café. Nessa havia menos pessoas. Voltei para a copa para agilizar as coisas. Aqui não dá para parar nem um segundo; só consigo sentar no meu intervalo, e olhe lá.
De repente, chegou uma senhora muito elegante na porta da copa e me chamou.
— Catarina, eu sou Lola, secretária do senhor Castelã. A partir de agora, você vai trabalhar conosco no décimo primeiro andar — ela falou, e eu abri e fechei a boca algumas vezes, não consegui formular uma palavra sequer.
Acompanhei-a até o décimo primeiro andar. Assim que entramos, fui caminhando atrás dela. Ela deu duas batidas em uma porta e ouvi uma voz grossa mandando entrar. Eu ainda não tinha ouvido a voz do senhor Castelã.
— Senhor, Catarina está aqui, o senhor deseja falar com ela? — Dona Lola perguntou, e eu fiquei rezando para que ele dissesse não.
— Sim, peça para ela entrar e feche a porta — engoli seco e entrei na sala. Minhas pernas estavam pesadas.
— Pois não, o senhor quer falar comigo? — Passei no mínimo cinco minutos para formular a pergunta, de tanto que as minhas pernas e minhas cordas vocais tremiam.
Ele apontou para a cadeira de frente à mesa. Sentei-me rapidamente antes que minhas pernas falhassem.
— Catarina, a partir de hoje você vai trabalhar exclusivamente neste andar, servirá apenas a mim e a dona Lola. Vi que você já me conhece, sabe que eu não tolero atrasos, como também não tolero ousadia, intromissões e nenhum tipo de intimidade descabida — ele falou bem sério, olhando nos meus olhos.
Meu coração estava tão acelerado que a cada segundo eu dava um gole seco para engolir o coração de volta.
— Sim senhor, o que depender de mim serei sempre profissional — falei e abaixei a cabeça. Ele me pediu para levantar a cabeça e olhar em seus olhos.
— Ótimo, agora, por gentileza, leve esse café que está uma porcaria e me traga um novo — ele falou, e eu concordei.
Levantei-me, peguei a xícara e o pires em cima da mesa, pedi licença e saí rápido da sala da presidência. Perguntei para dona Lola onde fica a copa. Eu nunca tinha entrado neste andar. Ela me mostrou tudo.
— Tenho uma medida exata para o café do senhor Castelã? — perguntei, porque eu não queria errar e nem queria que ele falasse que o meu café não presta.
— Apenas uma colher rasa de café, duas gotas de adoçante. Decore essa medida e nunca faça para mais nem para menos — ela falou sorrindo e voltou para sua mesa.
Preparei o café do jeito que a dona Lola falou. Eu espero que ela tenha dito a verdade. Coloquei a xícara sobre o pires e enchi com o café, peguei uma bandeja e levei até a sala do senhor Castelã.
Dei duas batidas na porta, ele me mandou entrar. Servi o café para ele. Ele me mandou esperar e deu um gole no café.
— Pode ir, qualquer coisa eu lhe chamo — ele falou e bebeu mais um pouco.
Pedi licença e me retirei. A copa aqui é arrumada. Só tem a sala do senhor Castelã para servir e a mesa da dona Lola. Dá até para passar uma boa parte do tempo sentada. Um pouco depois, a dona Lola me pediu para servir água ao chefe.
Servi a água, recolhi a xícara. Quando cheguei na copa, já lavei e coloquei no lugar certo. Não me chamaram nenhuma vez. Quando deu o meu horário, fui direto bater o ponto.
Corri para o berçário. Lavínia estava dormindo, minha filha estava com febre. Enrolei-a em uma manta. Agradeci às meninas do berçário. Quando eu estava saindo, ouvi alguém me chamando e, quando virei, era o senhor Castelã.
— O que aconteceu? Por que a sua filha está assim, toda enrolada? — meus olhos se encheram de lágrimas e eu respondi:
— Ela está com febre, vou levá-la ao hospital — respondi e encostei minha bochecha na sua testa, que estava quente.
— Vamos, eu levo vocês.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Marilena Yuriko Nishiyama
como a Lavínia é linda,oh meu deuso 🥰🥰❤️..... é agora Catarina que vc vai ver todos os dias o senhor Castelã ☺️☺️
2024-06-11
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Maria lourdes Jesus
dói o coração quando se trata de uma criança doente /Grievance/
2025-01-24
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Patrícia Barbosa Ferrari
Tanto a Catarina,como a Lavínia já conquistaram o coração ❤️ do Andrew Castelã.
2025-03-07
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