Capítulo 10

CATARINA NARRANDO

Quando o senhor Castelã se ofereceu para nos levar até o hospital, respirei aliviada. Eu teria que esperar um ônibus e atravessar a cidade até o hospital estadual. Isso iria demorar ainda mais. Quando ele perguntou qual hospital, eu falei que era o infantil do Estado, mas ele nos levou para o Royal Hospital Chelsea, o hospital mais caro do país.

Na mesma hora, me preocupei. A consulta nesse hospital deve ser o meu salário do mês. Fiquei nervosa e pensei em pedir para ele dividir em parcelas, mas fiquei com vergonha. Acabei falando que não ia receber nada, e o senhor Castelã disse que não iria cobrar.

O que eu não acho justo. Quando estiver mais calma, vou conversar com ele e pedir para descontar do meu salário. Quando chegamos ao hospital, o senhor Castelã pediu um atendimento premium e ainda exigiu o melhor pediatra do hospital. Na hora, meu queixo caiu. Quando ele pediu os documentos da Lavínia, eu estava totalmente sem reação. Virei de costas e pedi para ele pegar na mochila.

Minha filha foi atendida pelo melhor pediatra, que a medicou, e a febre dela já começou a baixar. Quando saímos da sala do médico, Lavínia falou com o senhor Castelã como se o conhecesse.

Ele comprou os remédios da minha filha, e mais uma vez eu insisti para ele descontar do meu salário. Para quem passou meses desempregada, mais um mês apertado não vai fazer nenhuma diferença.

O senhor Castelã nos levou em casa. Convidei-o para entrar por educação e ele aceitou. Fiquei morrendo de vergonha pela simplicidade da minha casa. Com certeza, o meu chefe está acostumado com mansões e hotéis luxuosos.

Gisele deixou quatro fatias de pizza em uma vasilha em cima da mesa. Eu amo pizza fria e ela sabe disso. Minha felicidade chegou ao nível máximo. Lavínia também ama pizza fria. Ofereci ao senhor Castelã, morrendo de vergonha, porque só tinha isso mesmo para oferecer.

Ele não aceitou e ainda me perguntou como eu conseguia ser feliz com tão pouco. Essa é uma pergunta bem curiosa. Respondi que a felicidade não está no que a gente tem, mas no que a gente sente. Não vejo motivos para reclamar. Dificuldade todo mundo passa em alguma área da vida. No meu caso, tem sido financeiro, mas olhar para minha filha e ver que ela é saudável, acordar todos os dias, respirar e ter a oportunidade de correr atrás do que nos falta, isso é motivo para agradecer e ser feliz.

Quando o meu chefe foi embora, tranquei a porta. Tomei banho com a Lavínia e nos deitamos.

Lavínia mamou um pouco, devia estar bem cansada e ainda sob o efeito do remédio. Também dormi logo em seguida.

Acordei e fiz toda a nossa rotina. Quando cheguei na empresa e fui deixar a minha filha no berçário, a tia que sempre recebe as crianças estava com o rosto vermelho, parecia estar chorando.

— Bom dia! Está tudo bem? — perguntei, realmente preocupada, pois ela sempre recebe as crianças com um sorriso.

— Bom dia, está tudo bem, senhora. Não se preocupe. Vem, princesa — ela pegou a Lavínia e abriu um sorriso para minha filha.

Achei estranho, ela nunca me chamou de senhora. Vai entender. Me despedi da minha filha e corri para o elevador, fui direto para o décimo primeiro andar, que é o meu novo setor de trabalho. Assim que entrei, tinha uma moça falando com a dona Lola.

— Bom dia — cumprimentei as duas, entrando no andar.

— Bom dia, Catarina — Dona Lola respondeu.

— Bom dia para você, que vai ficar no bem bom, e eu, que estou no seu setor, tenho que passar o dia todo correndo igual uma louca — a mulher que estava com uma farda igual à minha falou e cruzou os braços.

Olhei bem nos olhos dela e analisei se valia a pena dar uma resposta. Posso ter cara de boba, mas não aguento desaforo de ninguém.

— Se você está insatisfeita com o trabalho, devia reclamar no setor de RH ou aproveitar que está aqui no andar e falar com o chefe. São eles que determinam quem trabalha onde — respondi e fui para a copa, que é o meu lugar.

Dona Lola me pediu para servir um café ao senhor Castelã. Fiz na medida que ela me ensinou, preparei a bandeja e levei. Assim que bati na porta, ele me mandou entrar.

Servi o seu café e ele perguntou pela Lavínia. Respondi que ela estava bem e no berçário. Me impressionei com a pergunta dele.

— Posso vê-la no berçário? — ele perguntou e eu olhei em seus olhos.

— Claro que sim, ela vai gostar de ver o senhor — respondi e abaixei a cabeça.

Pedi licença e me retirei. Aqui no décimo primeiro andar, o trabalho é tranquilo. É só quando o senhor Castelã ou a dona Lola me chamam. Também cuido da limpeza, que não é nada pesado nem difícil.

No horário do almoço fui direto para o refeitório, onde encontrei o Eduard que me chamou para sentar junto com ele. Almoçamos conversando. Depois fui direto para o berçário, onde Lavínia não teve febre. Estava brincando com as outras crianças. Faltando alguns minutos, voltei para o meu setor de trabalho.

A tarde foi bem tranquila. O senhor Castelã estava em reunião no décimo andar, dona Lola passou o dia sentada em sua mesa, cuidando do seu trabalho. Eu entendo a insatisfação da moça que teve que trocar de andar comigo, mas ela tem que entender que a culpa não é minha. Eu não tenho poder de mudar nada.

Continuei limpando algumas vidraças quando a dona Lola veio me chamar a mando do chefe. Agradeci pelo recado e fui ver o que o poderoso chefão queria comigo dessa vez, além de café e água.

— O senhor mandou me chamar — falei ainda parada na porta, que estava aberta.

— Entre e feche a porta — ele falou.

Entrei e fechei a porta. O senhor Castelã apontou para a cadeira que estava à sua frente. Me sentei e ele ficou me encarando.

— Senhor, se for pelo que o senhor pagou ontem para minha filha, não se preocupe, pode descontar do meu salário. Eu não faço questão — falei nervosa.

Ele continuou olhando dentro dos meus olhos, o que me deixou ainda mais nervosa.

— Você realmente quer pagar? — ele perguntou e eu respondi que sim.

— Então aceite a minha proposta.

— Que proposta? — perguntei.

— Aceite ser minha namorada por três meses.

Mais populares

Comments

Marilena Yuriko Nishiyama

Marilena Yuriko Nishiyama

😳😳a proposta do senhor Castelã para Catarina é ser namorada por 3 meses🤔🤔,sera que ela irá aceitar🤷🏻‍♀️🤷🏻‍♀️.... aguardando os próximos capítulos autora ☺️☺️

2024-06-12

253

Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

Essa proposta da Catarina ser a namorada do Andrew por 3 meses, irá se transformar em uma linda paixão 🥰 e depois nascerá um lindo Amor 💜❤️ no coração 💖 dos dois

2025-03-07

0

Lia Esposito❤️

Lia Esposito❤️

Eu faço pizza aqui em casa e separo o que vou comer e ponho na geladeira para comer no dia seguinte. Adoroooo😋

2025-02-17

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!