...Isadora Monteiro...
Ao escutar o que Miguel disse, senti meu coração congelar no mesmo instante. Como assim ele tem culpa na morte da minha mãe? Não pode ser.
Eu me senti desesperada, então peguei a Nina e a levei de volta para seu lugar no galpão. Fiquei de olho no tal Havier; assim que ele saísse, eu iria entrar e perguntar, olhando em seus olhos, o que ele tem a ver com a morte da minha mãe.
Passei alguns segundos, até que Havier saiu, e eu fui até lá. Entrei na casa dele sem pedir licença; os guardas que estavam na porta, que nem pensei que ele tinha guardas, quase me impediram de entrar, mas eu passei por eles do meu jeito.
Miguel me convidou para entrar, e seu semblante se suavizou ao me ver. Sem perder tempo, me aproximei dele e perguntei diretamente, olhando em seus olhos, como ele tinha a ver com a morte da minha mãe. A tensão no ar era palpável enquanto aguardava sua resposta.
— Miguel, o que você tem a ver com a morte da minha mãe? Por favor, me diga a verdade. — minha voz tremia enquanto eu fazia a pergunta.
Miguel pareceu surpreso com minha pergunta, seu olhar se tornou sério e pesaroso.
— Eu... Eu não sei do que você está falando. Eu jamais faria algo para machucar você ou sua família. — ele respondeu rapidamente, sua expressão mostrando genuína confusão e preocupação.
— Mas eu ouvi você conversando com Havier. Você disse que minha mãe morreu por sua causa. — retruquei, sentindo uma mistura de frustração e desespero.
Miguel suspirou, parecendo buscar as palavras certas.
— Então quer dizer que você anda ouvindo as conversas alheias? — Disse ele com um sorriso mínimo, me fazendo ficar desconfortável.
Ele se aproximou de mim, enquanto eu dava alguns passos para trás até topar com a sua mesa feita de carvalho.
— Droga. — Pensei mentalmente, assim que Miguel repousou seus braços de cada lado do meu corpo, me encurralando contra a mesa.
Seu rosto agora muito próximo ao meu, e pude sentir sua respiração. Minha mente estava uma confusão de emoções, entre o medo e a atração que agora sentia por ele.
— Você não deveria ficar ouvindo conversas alheias, é feio. — Sua voz era firme, mas ainda carregada de uma estranha suavidade. — Precisa entender... — ele começou a dizer, sua voz rouca.
— Não, Miguel. Eu preciso de respostas. Eu preciso saber o que está acontecendo. — interrompi, minha voz soando firme apesar do nervosismo.
Ele me olhou nos olhos por um momento, como se estivesse avaliando o que dizer em seguida.
Me senti presa em seu olhar penetrante, lutando para manter a minha sanidade, enquanto a minha mente estava uma confusão.
— Veja bem, quando digo que sou culpado por alguém estar em certas situações, não quero dizer que matei a pessoa. É apenas um modo de me expressar. — ele disse, ainda olhando dentro dos meus olhos, às vezes seu olhar descia para os meus lábios. — Se eu estivesse em qualquer outro lugar da casa, que não fosse no escritório com seu pai, isso jamais teria acontecido com sua mãe, e eu me sinto culpado. — explicou.
Ele parecia sincero, mas ainda havia muitas dúvidas em minha mente. Suspirei, sentindo-me sobrecarregada com toda aquela situação.
— Entendo... — murmurei, desviando o olhar por um momento. — Mas como podemos ter certeza de que não vai acontecer novamente? Como podemos confiar que você não está envolvido em algo mais sombrio?
Miguel soltou um suspiro pesado, retirando os braços que me cercavam e dando um passo para trás.
— Eu entendo suas preocupações, Isa. E eu vou fazer o que estiver ao meu alcance para garantir sua segurança, a segurança de seu pai e a segurança da fazenda. Você pode confiar em mim. Prometo.
Seus olhos transmitiam determinação, e uma parte de mim queria acreditar nele. Mas ainda havia uma vozinha de dúvida dentro de mim, que persistia em questionar suas intenções.
Miguel se aproximou novamente, seu rosto agora a poucos centímetros do meu. Senti minha respiração ficar mais rápida, meu coração batendo descompassado no peito. Era como se estivéssemos presos em um momento intenso de desejo mútuo, incapazes de resistir à atração que nos puxava um para o outro.
Nossos lábios quase se tocavam quando um ruído repentino quebrou o momento, nos fazendo recuar abruptamente. Mas ele não ligou, alguém do outro lado da porta bateu levemente enquanto anunciava uma visita. Miguel disse que está um pouco ocupado e que irá depois.
— Você sente isso? — Ele murmurou voltando a olhar para mim. A sua voz rouca carregada de intensidade, os olhos fixos nos meus. — Essa conexão entre nós, tão forte que chega a pulsar nas veias.
— É, tenho que ir. Tem alguém que quer falar com você.
Miguel nada disse, e dessa vez não me impediu de sair do escritório. Eu sinto sim, um desejo ardente de estar com ele, de me entregar a ele, mas não posso fazer isso. Estou confusa com tudo o que está acontecendo, com relação aos meus sentimentos, à morte da minha mãe e, principalmente, com a fazenda que está desmoronando aos poucos.
Passei pelo imenso corredor, a casa dele é tão aconchegante, tão bem organizada. É enorme que quase me perdi. Eu ia entrando em uma porta que pensei ser a saída, mas fui puxada por mãos fortes, que me encostaram na parede.
— Miguel... — sussurrei, minha respiração pesada.
— A saída é por aqui. — disse, quase tocando meus lábios novamente. Quando pensei que ia ser beijada, ele se afastou. — Venha. — seguiu em minha frente ajeitando seu paletó.
Assim que chegamos na sala, vi que a visita se tratava de meu pai. Estava com os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Ele estava assim há semanas.
— Isadora, minha filha... — meu pai começou, sua voz embargada denota toda a dor que carregava. — Precisamos conversar. Há algo importante que preciso falar com vocês dois, e já que está aqui, fique e vamos conversar. — continuou.
Não sabia o que meu pai queria nos dizer. No começo achei estranho, e percebi que Miguel também achou, pois franziu o cenho. Ele apontou para o sofá, nos convidando a sentar. Logo em seguida, chamou uma moça muito bonita chamada Leonara e pediu para que ela preparasse um café para nós. Ela logo se retirou e então meu pai quebrou o silêncio.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Elizabeth Fernandes
Será que o pai dela tbm deve pra crápula mafioso
2025-03-13
0
Rosemare Araujo
será que isa vai entender que não é culpa dele?
2024-10-08
0
Fatima Maria
MENINA 👧 AINDA TEM MUITA COISA E MUITA CONFUSÃO PRA SE DESVENDAR
2024-05-10
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