...Isadora Monteiro....
Observo o horizonte tingido pelos tons dourados do pôr do sol, perdida em minhas lembranças dolorosas enquanto me balançava suavemente no alpendre da casa dos meus pais. A brisa morna da tarde acaricia meu rosto, trazendo consigo as memórias de um casamento que nunca aconteceu.
Quando conheci Sérgio, pensei que havia encontrado o amor da minha vida. Ele era charmoso, atencioso, o tipo de homem que você pensa que só existe nos filmes. Nós éramos inseparáveis, construindo castelos no ar e acreditando que nada poderia nos deter.
Mas então veio o dia do casamento, um dia que deveria ser o mais feliz de nossas vidas. Eu estava radiante de felicidade, pronta para começar uma nova vida ao lado dele. Mas quando olhei para o altar, ele não estava lá. Sérgio simplesmente desapareceu, deixando-me sozinha e envergonhada diante de todos.
Por que ele fez isso? Por que me deixou plantada no altar sem uma palavra de explicação? Essas perguntas ainda me assombram até hoje.
Há dias estou tentando ligar para ele, desesperada por uma explicação. Uma única palavra que possa lançar luz sobre o que aconteceu naquele dia. Sinto que mereço saber por que ele me deixou plantada na igreja, diante de todos os nossos familiares e amigos.
Cada chamada não atendida, cada mensagem não respondida, apenas intensifica a angústia que me consome. Será que ele sequer se importa com a dor que causou? Será que algum dia terei as respostas que tanto anseio?
Um ano se passou desde aquele dia que mudou minha vida para sempre, e ainda me vejo presa às memórias e à dor daquela traição. Apesar do tempo que se estende entre nós, sinto como se o peso daquela experiência ainda estivesse fresco em minha mente e em meu coração.
Não importa quantas vezes tentei me convencer de que seguir em frente seria a melhor opção, a verdade é que ainda não consegui superar completamente o que aconteceu. Cada dia parece uma batalha solitária contra os fantasmas do passado, e às vezes me pergunto se algum dia conseguirei encontrar a paz que tanto anseio.
Tentei retomar minha vida, seguir em frente como se nada tivesse acontecido, mas a sombra daquela traição continua pairando sobre mim, impedindo-me de encontrar verdadeira felicidade. Às vezes me sinto como se estivesse presa em um ciclo interminável de dor e desespero, incapaz de encontrar uma saída.
Mas apesar de tudo, mantenho uma centelha de esperança dentro de mim. Uma esperança de que um dia, talvez, eu consiga encontrar a força para deixar o passado para trás e abrir meu coração para novas possibilidades. Porque mesmo nas profundezas da escuridão, sempre há uma luz que espera para nos guiar de volta ao caminho da felicidade.
A porta da frente se abriu, interrompendo meus pensamentos, e minha mãe entrou na varanda, sentando-se em uma cadeira em frente a mim. Seus olhos, tão cheios de compreensão, encontraram os meus, e eu soube que era hora de enfrentar uma conversa difícil.
— Minha querida, faz um ano desde aquele dia — começou ela, sua voz suave ecoando no silêncio da tarde. — Você é jovem, linda, e tem todo o futuro pela frente. Não deixe que essa situação a defina, minha filha.
Eu abaixei o olhar, sentindo o peso de suas palavras.
— Juro que estou tentando sair disso, mãe. — murmurei, buscando desesperadamente por palavras que pudessem expressar a profundidade da minha luta interna. — Mas parece que quanto mais tento, mais afundada nessa escuridão eu fico.
Sua mão gentil encontrou a minha, oferecendo conforto silencioso.
— Eu sei que não é fácil, minha querida. Mas você é forte, e eu acredito em você. Não desista de si mesma. Um dia, a luz voltará a brilhar em sua vida, eu prometo.
Talvez eu tenha sido demasiadamente apegada ao Sérgio, por ele ter sido meu primeiro amor. Nos conhecemos na escola, e eu sempre fui apaixonada por ele desde que o vi no grupo de futebol dos garotos populares da escola. Me apeguei ao seu amor, ao seu carinho. Digamos que ele me fez me acostumar com ele, para depois me deixar da pior forma.
— Vamos, levante-se daí. Você já terminou seus estudos e é uma mulher solteira, linda, de 28 anos. Não tem filhos pequenos para cuidar. — minha mãe me puxou, erguendo-me da rede.
— Eu sei de tudo isso, mamãe. — respondi, oferecendo-lhe um sorriso discreto.
— Mas você não sabe que vamos viajar hoje mesmo para a nossa fazenda, depois de tantos anos.
— Pior do que minha vida atual é ter que passar tempo em uma fazenda que não oferece nada. Não posso ir, não suporto viver no meio do nada. Eu não vou. — Retornei a me sentar na rede, firmando minha decisão. — Viemos de lá quando eu ainda era uma criança mamãe, já me acostumei aqui na cidade.
— Tudo bem, então fique aí sofrendo. Enquanto seu pai e eu nos divertimos sem você. — Ela respondeu, entrando em casa.
Não tenho nada contra quem ama viver em uma fazenda. Mas eu, definitivamente, não pertenço àquele lugar. Alguns se adaptam por estarem acostumados, outros nascem em cidades e não se adaptam à vida no campo. E há aqueles que, como eu, vivem na cidade e não se encaixam mais em uma fazenda. É assim que me sinto. O que há de bom em estar em um lugar com sol escaldante, rodeada pelos sons de porcos, galinhas, cavalos e vacas? Prefiro ficar aqui, chorando pelo meu ex. E depois, eu vim de lá quando era uma garota, deixei alguém que amava tanto, amor de garota já se sabe. E prometi não retornar para lá.
Me deitei novamente na rede e fiquei olhando para o teto, perdida em meus pensamentos. De repente, um impulso repentino me fez levantar. Caminhei até meu quarto e subi em cima do guarda-roupa para pegar as malas.
Comecei a arrumar minhas roupas com determinação, uma ideia firme martelando em minha cabeça: se eu não gostasse da vida no campo, eu voltaria por cima de pau e pedra. Nada iria me impedir.
Assim que terminei de organizar minhas malas, dirigi-me ao banheiro para um banho rápido. Logo depois, escolhi um vestido casual para vestir. A tarde já começava a cair quando desci para a sala.
— Estou pronta, que horas vamos? — Perguntei, observando minha mãe colocar suas malas no canto da sala.
— Minha querida, você está linda. — Meu pai disse, cortando uma laranja ao meio.
— Obrigado meu herói. — Eu o abracei roubando uma banda de laranja.
Minha mãe virou-se para mim, seus olhos se iluminando com uma mistura de surpresa e satisfação.
— Isadora, querida, você mudou de ideia? — ela perguntou, seus lábios se curvando em um sorriso esperançoso.
Assenti, tentando transmitir confiança mesmo que minhas próprias dúvidas continuassem a me assombrar por dentro.
— Sim, decidi ir com vocês. Não quero ficar para trás. Se eu não gostar, eu venho embora, simples assim.
Meu pai se aproximou e colocou uma mão reconfortante em meu ombro.
— É ótimo ter você conosco, filha. Vai ser uma aventura e tanto. Vai gostar, tenho certeza. — disse ele. — Também vai gostar de ver aquele seu amigo de infância, que você adorava brincar com ele.
— Quem pai? Foram tantos amigos que brinquei. — comecei a rir.
— Miguel Rodrigues. — disse ele fazendo meu coração pulsar forte no peito.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Alvaneide Campos
Se o ex dela aparecer,o Cowboy mafioso, põe ele pra correr!! Começando mais um livro 06/02/2025
2025-02-07
0
Rosemare Araujo
o pior é esse ex aparecer p perturbar, no momento em que ela estiver envolvida cm o gostoso do cowboy mafioso!!
2024-10-08
1
Conce Mota
Minha linda vai lá pegar o seu lindo fazendeiro gostoso pra caramba 😂😂😂😂😂🥴
2024-07-04
3