...Miguel Rodrigues...
A mulher diante de mim estava um pouco incomodada com o beijo que uma das fãs me roubou ontem. Mas fiz questão de deixar claro que o beijo não significou nada para mim, assim como não significou realmente. Ela murmurou sobre o beijo, e eu entendi perfeitamente.
— Eu vim para conversarmos, preciso te falar algo muito importante para mim, não sei se para você também será. — confessei.
Observei Isadora ajeitando o pequeno filhote em seu lugar para dormir. E após isso, ela me deu atenção.
— É algo tão importante assim?
— Sim, muito importante. — Mostrei-lhe um sorriso tranquilo.
Isadora estava um pouco distante, alguns metros para ser exato. Me aproximei dela, pegando em suas mãos que estavam bastante suadas e frias.
— Eu... Bom, você sabe que eu sinto algo por você desde a nossa infância. E quero que saiba que o que falei sobre casar com você quando formos adultos é verdade, não pense que eu esqueci.
— Não faça isso Miguel, por favor. — disse ela tirando suas mãos das minhas.
Senti um aperto no peito quando Isadora retirou suas mãos, seu gesto me atingiu como um golpe. Seus olhos transmitiam uma mistura de tristeza e desconforto, e eu me senti imediatamente arrependido por ter trazido à tona um assunto tão delicado. Ela me disse que o casamento não deu certo, Talvez ainda esteja ferida.
— Isadora, você sempre foi especial para mim. — continuei, olhando-a nos olhos com sinceridade. — Desde que éramos crianças, eu sabia que havia algo especial entre nós. E essa promessa de casamento que fiz na infância... Para mim, nunca foi apenas uma brincadeira. Sempre foi algo que eu levei a sério.
Vi uma emoção sincera refletida nos olhos de Isadora enquanto ela me ouvia atentamente, e isso me deu forças para continuar.
— Eu sei que pode parecer estranho trazer isso à tona agora, mas eu precisava te dizer — acrescentei, com um nó na garganta. — Porque, mesmo que tenhamos crescido e seguido caminhos diferentes, o que sinto por você nunca mudou. E eu estou disposto a lutar por nós, se você estiver.
— Por favor, Miguel, não torne isso mais difícil. — ela murmurou, sua voz embargada. — E também passei por uma situação complicada, não acredito mas no amor, eu ... Eu não acredito em casamento, essas coisas não são para mim. — confessou saindo da minha frente.
Diante da resistência de Isadora, meu coração se apertou ainda mais, mas uma determinação ardente queimava dentro de mim. Segurei-a firme, colando seu corpo ao meu, enquanto meus olhos buscavam os dela, procurando desesperadamente por uma faísca de esperança.
— Dei-me uma chance, uma chance apenas. Eu não sou ele, sou diferente. — sussurrei entre seus lábios. — Eu quero curá-la e jamais te magoar.
Senti suas mãos espalmadas em meu peitoral, seus olhos brilhando com lágrimas contidas. Nossas respirações estavam sincronizadas, assim como as batidas do nosso coração.
— Miguel...— Ela sussurrou, sua voz tremendo com emoção. — Nunca ouvi dizer que se cura um antigo amor, com amor novo.
Não esperei mais, tomando seus lábios em um beijo ardente, deixando minha língua explorar sua boca em busca de resposta. No início, Isadora resistiu, relutante em me dar passagem, mas aos poucos, senti suas barreiras começarem a ceder diante da intensidade do nosso desejo mútuo. Pode ser que ela tenha razão, de que um amor antigo não é curado com um amor novo. Mas eu estava disposto a mostrar a ela que sim, é possível. Eu posso curá-la desse fantasma do passado.
Isadora me afastou suavemente e, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, seu pai apareceu.
— Bom dia. — cumprimentou ele, caminhando até nós com um sorriso caloroso.
— Bom dia, senhor Monteiro. — respondi, tentando disfarçar meu desconforto ao encontrar o olhar de Isadora.
Ela permaneceu em silêncio, seus olhos evitando os meus. Eu não conseguia deixar de me perguntar o que ela estava pensando.
— Estou um tanto surpreso com a sua visita, Miguel. — continuou o senhor Monteiro. — Aconteceu algo?
Olhei para Isadora, que me encarava, esperando que eu dissesse algo. Eu sabia que deveria ser sincero com seu pai e admitir que foi Isadora quem me motivou a estar ali, que foi por ela que saí do meu conforto e tomei a iniciativa de vir até sua casa, como se eu fosse um adolescente apaixonado.
Mas pela forma como ela me olhava, claramente não queria que eu falasse sobre o assunto. Então, tive que inventar qualquer outra coisa.
— Bom, vim cumprimentá-los e dar-lhes as boas-vindas pessoalmente, mas vi Isadora aqui e vim cumprimentá-la logo. E esta cabritinha fofa. — comentei, observando a expressão dela suavizar diante das minhas palavras improvisadas.
— Obrigado, meu querido amigo. Você é muito bem-vindo em nossa fazenda. — respondeu o senhor Monteiro, com gratidão evidente em seu tom de voz. — Cuidou muito bem dela, e eu gostaria que passasse em meu escritório para conversarmos. Quero lhe dar um agrado por ter cuidado tão bem. — Mostrou-me um sorriso tranquilo.
— O que acham de um jantar esta noite? — opinou a senhora Monteiro, adentrando também o galpão.
— Mãe... — Isadora disse, revirando os olhos.
— Seria ótimo — falei, olhando para ela, e depois direcionei minha atenção para o casal à minha frente, que pareciam felizes por eu ter aceitado o convite.
Depois de concordar com o convite para o jantar, os pais de Isadora saíram, deixando-nos sozinhos no galpão.
Isadora parecia um pouco nervosa, brincando com as mãos enquanto evitava meu olhar.
— Bem, acho que devo ajudar minha mãe na cozinha. — ela finalmente quebrou o silêncio, sua voz um pouco trêmula.
Me aproximei mais dela, encurralando-a levemente contra a parede.
— Percebo que te deixei muito nervosa. — comentei, observando seus olhos se encontrarem com os meus.
— Não... eu não estou nervosa. — ela respondeu, tentando passar por mim.
Um sorriso tranquilo surgiu em meus lábios. Ela não queria admitir, mas eu sabia que de alguma forma mexia com ela.
— Saiba que não vou desistir de você, Isa. Você vai aceitar meu amor de livre e espontânea vontade, quando estiver no auge do prazer. — falei, vendo suas bochechas corarem.
— Do que está falando? — ela indagou, confusa.
— Você entendeu. — respondi, dando-lhe um último olhar antes de sair dali.
Montei no cavalo e, com a mente ainda turbulenta pelas emoções do encontro com Isadora, segui em direção à minha casa. O som dos cascos do cavalo ecoava ritmicamente enquanto eu galopava pelos campos, perdido em meus próprios pensamentos.
Por mais que tentasse afastar os sentimentos que ainda nutria por Isadora, era difícil ignorar a intensidade da conexão que existia entre nós. Eu sabia que precisava resolver essa questão, e farei isso hoje a noite.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Elizabeth Fernandes
Miguel é decisivo tem atitude
2025-03-13
0
Rosemare Araujo
tô ansiosa
pela
pegada de Miguel na isa😍🔥
2024-10-08
0
joana Almeida lima
Como um tanto surpreso? Miguel tomou conta da fazenda dele por anos e visitar pra conversarem não seria nada estranho.
2024-06-25
1