...Isadora Monteiro...
O homem continuava se aproximando, seus passos pesados ecoando enquanto eu recuava, tentando desesperadamente manter uma distância entre nós. Cada vez que ele se aproximava, eu dava mais alguns passos para trás, minha respiração rápida e entrecortada pelo medo que me dominava.
— Pare caramba...— ele gritou, o som do disparo próximo ao meu pé me fazendo saltar de terror. O cheiro acre da pólvora encheu o ar, misturando-se com o odor do medo que pairava sobre mim.
Eu estava tão perto da porta de casa, podia quase senti-la sob meus dedos trêmulos. Meu coração pulsava descontroladamente no peito, uma mistura de desespero e determinação me impulsionando para frente. As lágrimas corriam livremente pelo meu rosto enquanto eu me afastava do perigo iminente, meus pensamentos consumidos pela terrível visão de minha mãe caída no chão.
Ele parou, e eu sabia que iria atirar. Fechei os olhos e pude ouvir novamente um disparo, mas não senti nada. Ao abrir os olhos lentamente, deparei-me com o homem caído no chão. Olhei para trás de mim e vi Miguel ainda com a arma apontada, uma expressão séria em seu rosto.
Meu pai veio até mim e me abraçou. Enquanto isso, Miguel se aproximou do homem caído no chão e começou a verificar algo nele.
— Minha menina, está bem? — perguntou meu pai, preocupado.
— Estou com medo, papai — respondi, enquanto ele me segurava em seus braços. — Minha mãe está ali no meio do mato — acrescentei, e fomos até ela.
Meu pai tentou revivê-la, mas sem sucesso. Ele a pegou em seus braços e desabou em lágrimas, seu lamento ecoando na noite. O silêncio da morte envolveu a cena, interrompido apenas pelo som das lágrimas e dos suspiros entrecortados pela dor da perda.
Me ajoelhei ao lado do meu pai, que chorava copiosamente. Senti uma mão em meu ombro, reconhecendo de imediato o toque pelo perfume masculino e marcante de Miguel.
Eu me levantei, sentindo uma leve tontura, e acabei desmaiando pela forte emoção que acabara de sentir.
Quando recobrei a consciência, estava deitada em minha cama, com meu pai ao meu lado, segurando minha mão com preocupação estampada em seu rosto. Olhei ao redor e vi Miguel na porta, observando silenciosamente.
— Como você está se sentindo, querida? — perguntou meu pai, com a voz embargada pelo choro.
— Estou bem, papai... Só um pouco atordoada ainda... — respondi, tentando me sentar lentamente.
Miguel se aproximou, visivelmente preocupado, e disse:
— Foi um momento terrível. Estamos todos chocados com o que aconteceu.
Assenti, ainda tentando processar tudo o que tinha ocorrido. Minha mente estava turva, mas uma sensação de gratidão tomou conta de mim ao perceber que Miguel tinha agido rapidamente para me proteger.
— Obrigada, Miguel... Você salvou minha vida... — murmurei, sentindo as lágrimas voltarem aos meus olhos. — Eu te devo essa. — falei.
Ele me lançou um olhar reconfortante e segurou minha mão com gentileza.
— Farei tudo o que estiver ao meu alcance para protegê-la, Isadora. Você pode contar comigo.
A presença de Miguel ao meu lado trouxe um conforto que eu não sabia que precisava naquele momento de dor e incerteza. E enquanto eu me recuperava física e emocionalmente, sabia que teria muito a agradecer por ter me salvo.
Passaram-se uma semana desde aquele acontecimento, a fazenda estava envolta em um clima sombrio. A perda de minha mãe era um golpe duro para todos nós, e a tragédia deixou cicatrizes profundas em nossos corações. Meu pai parecia um casco vazio, perdido em sua dor, enquanto eu tentava me manter firme para apoiá-lo.
Aquele homem forte, conhecido como Elias Monteiro, meu pai, agora era um homem cheio de dores e angústia, mergulhado completamente em garrafas e garrafas de bebidas.
Miguel permanecia presente, oferecendo seu apoio incondicional. Seus olhares silenciosos e gestos gentis eram como bálsamo para minha alma ferida. Embora eu ainda lutasse para entender meus sentimentos em relação a ele, sua presença constante era reconfortante.
Enquanto isso, a investigação sobre o atentado que tirou a vida de minha mãe estava em andamento. A polícia realizava interrogatórios e investigações, mas a identidade do assassino ainda era desconhecida.
Em meio à dor e à incerteza, a vida na fazenda continuava. As tarefas diárias exigiam nossa atenção, e mesmo que o luto pesasse sobre nós, tínhamos que continuar seguindo em frente.
Praticamente estou cuidando da casa sozinha. Meu pai tem chegado bêbado altas horas da noite e emagrecido bastante por não querer comer.
A fazenda está cada dia pior, mas só não acabou completamente porque Miguel está cuidando dela, como sempre fez na nossa ausência.
Bem, Miguel estava sempre por perto, mas algo havia mudado nele também. Ele se tornou mais reservado, mais fechado, como se estivesse carregando um peso nas costas. A tragédia nos afetou profundamente, e mesmo com o tempo, as feridas pareciam não cicatrizar. A sombra daquela noite fatídica pairava sobre nós, como uma nuvem escura que não queria se dissipar. E eu me perguntava se algum dia encontraríamos a paz novamente.
Sim, era perceptível que algo perturbava Miguel. Sua expressão carregada e sua distância eram evidências disso. Às vezes, eu o pegava olhando para o horizonte com um olhar vago, como se estivesse perdido em pensamentos profundos. Tentei me aproximar, perguntar se estava tudo bem, mas ele sempre desviava o assunto ou respondia de forma evasiva. Era como se ele estivesse travando uma batalha consigo mesmo, e eu me perguntava o que poderia estar acontecendo para deixá-lo tão atormentado.
Fiz um leite para nina e fui até ela alimentá-la, mas não a encontrei. Procurei por toda parte e, desesperada, passei pelo arame que dá acesso à propriedade de Miguel para procurá-la. Achei-a perto da casa dele.
— Você está explorando os quintais alheios, nina, sua danada. — comentei, pegando-a em meus braços.
Assim que me levantei, ouvi algumas vozes de homens conversando. Era Miguel e outro homem que desconheço.
— Eu não posso, Havier. Não queria tê-la dessa maneira. Planejei uma coisa e acabou que aquele canalha botou tudo a perder. — Miguel confessou, passando as mãos nos cabelos. — A mãe dela era inocente e acabou morrendo por culpa minha, entende?
— Você tem que ter calma, pensa um pouco. Dessa forma não vai resolver nada. — disse o tal Havier.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Giorgia
Ele é mafioso, mas o pai dela também acho que é, assim como o seu ex-noivo.... Que deve ter desaparecido por isso....E agora, está havendo acertos de contas....
2025-01-28
0
Elizabeth Fernandes
Tem mais mistérios por trás disso e a ansiedade tá a mil pra descobrir tudo
2025-03-13
0
joana Almeida lima
Essa garota não pergunta quem era aquele homem e o que queria não? Não pergunta porquê ele já chegou atirando? O que poderia querer?
2024-06-25
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