...Isadora Monteiro...
Tá, eu não deveria me sentir abalada só por ouvir o nome de Miguel Rodrigues. Brincamos bastante na infância, eu sei. Mas eu levo isso apenas como brincadeiras de crianças que tinham que acontecer. Afinal, quando uma criança vê outra, é isso que pensam: em brincar.
Enquanto ajudava meus pais a colocar as malas dentro do carro para a viagem iminente, uma lembrança repentina atravessou minha mente. Foi durante esse momento de atividade frenética que a imagem de Miguel, um garoto de apenas 12 anos na época, veio à tona.
Enquanto organizamos nossas coisas, uma sensação de nostalgia tomou conta de mim. Lembrei-me vividamente da cena de nossa infância, quando Miguel, com uma determinação infantil em seus olhos, fez uma declaração surpreendente na frente de nossas famílias.
Ele segurou minha mão com firmeza e proclamou, com toda a sinceridade de uma criança, que casaria comigo quando fôssemos adultos. Naquele momento, sua promessa provocou risadas calorosas e sorrisos entre os presentes, e nossos pais acharam adorável a inocência de sua declaração.
Mas agora, enquanto olhava para trás, percebi que aquelas palavras, ditas há tanto tempo, ainda ecoavam em minha mente. Parte de mim se perguntava se havia algum significado real por trás daquela promessa de infância, ou se era apenas uma brincadeira inocente vindo de sua parte.
No entanto, independentemente do que aquilo pudesse significar na época, eu sabia que agora era apenas uma lembrança distante, um momento de nostalgia em meio à agitação.
Chegamos à fazenda já no final da tarde, o sol começando a se pôr no horizonte. Enquanto meu pai estacionava o carro, ele não parava de falar sobre um rodeio que aconteceria nas proximidades naquele dia. Mesmo cansado da viagem, ele estava animado para participar. Meu pai sempre gostou dessas coisas - a adrenalina, a competição, a sensação de liberdade que vinha com o cavalo sob ele.
Revirei os olhos com um sorriso divertido enquanto ouvia seu entusiasmo, antes de pegar minhas malas e começar a levá-las para dentro da casa. As lembranças da infância corriam pela minha mente enquanto eu caminhava pelo quintal familiar, cada árvore e cada construção evocando recordações vívidas de tempos mais simples e felizes.
Enquanto eu depositava minhas malas no chão do meu antigo quarto, senti uma onda de gratidão e contentamento me envolvendo. A fazenda sempre foi um refúgio para mim, um lugar de paz e tranquilidade onde eu podia escapar das pressões e preocupações da vida cotidiana. Mas ao mesmo tempo eu não queria estar aqui, vai entender.
Enquanto eu arrumava minhas coisas no quarto, meu olhar foi atraído para o canto onde estavam minhas bonecas antigas, cuidadosamente dispostas sobre uma prateleira. Eram bonecas feitas de pano, com rostos sorridentes e roupas coloridas, que haviam sido minhas companheiras de brincadeiras durante toda a infância.
Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios ao vê-las, as lembranças de inúmeras horas de diversão e imaginação inundando minha mente. Eu adorava brincar com aquelas bonecas.
Com um gesto de carinho, alcancei uma das bonecas e a segurei em minhas mãos, sentindo uma conexão instantânea com minha infância e com as memórias preciosas que ela representava.
O suave som de batidas na porta interrompeu meus pensamentos enquanto eu contemplava minhas antigas bonecas. Ergui os olhos para ver meu pai parado ali, com um sorriso gentil no rosto.
— Toc - toc...— ele disse, imitando o som das batidas na porta.
Respondi com um sorriso tranquilo e acolhedor. Rapidamente, coloquei as bonecas de volta no lugar, organizando cuidadosamente cada uma delas.
Meu pai entrou no quarto e se aproximou, observando as bonecas com ternura.
— Lembro-me quando você costumava brincar com essas bonecas o tempo todo. — ele comentou, seus olhos brilhando com lembranças de tempos passados.
Assenti, compartilhando o mesmo sentimento nostálgico.
— Sim pai, eram bons tempos. — respondi, lembrando-me das horas intermináveis que passava imersa em minhas fantasias de infância.
Por um momento, ficamos ali, perdidos em nossas lembranças compartilhadas, antes de meu pai quebrar o silêncio.
— Estou feliz por estarmos de volta à fazenda. — ele disse, sua voz carregada de emoção. — É bom estar em casa.
Eu simplesmente concordei com a cabeça.
— Bom, minha querida, sua mãe está se arrumando para irmos ao rodeio. Vai conosco?" ele indagou gentilmente.
Meu pai me olhou com um semblante compreensivo enquanto eu ponderava sua pergunta.
Respirei fundo, sentindo o cansaço da viagem pesar sobre mim.
— Estou muito cansada, papai. — respondi sinceramente. — Acho que não vou hoje. Tenho certeza de que haverá outras oportunidades, não é? Deixarei para a próxima.
Meu pai assentiu, aceitando minha decisão sem questionamentos.
— Claro, querida. Você precisa descansar. — ele concordou, colocando a mão gentilmente em meu ombro. — Não se preocupe, haverá muitas outras vezes para aproveitar.
Agradeci-lhe com um sorriso, senti-me grata por seu apoio e compreensão. Enquanto ele saía do quarto para se juntar à minha mãe, fiquei sozinha com meus pensamentos, apreciando a ideia de ter uma noite tranquila de descanso após a longa jornada até a fazenda.
Enquanto o som do carro se distanciava, eu sabia que meus pais já haviam partido para o rodeio. Decidi tomar um banho para relaxar, aproveitando para cuidar da minha pele com meu creme favorito. Era um ritual que eu gostava de seguir todas as noites antes de dormir.
Após o banho, vesti uma camisa social que recentemente comprei, ainda me perguntando por que gostava tanto de dormir com camisolas. Antes de me deitar, fui surpreendida por uma batida na porta da sala. Quem poderia ser a essa hora? Será que meu pai esqueceu de algo?
Desci as escadas e, ao abrir a porta, me deparei com um par de olhos castanhos fixos em mim. Era um homem de aparência impressionante, com cabelos tão escuros quanto a noite e olhos castanhos claros que pareciam percorrer todo o meu corpo. Por um instante, senti-me hipnotizada por seu olhar antes que ele desviasse os olhos, queimando de vergonha.
Ele limpou a garganta, um gesto nervoso, e estendeu a mão para me entregar algumas chaves. Seus olhos evitavam os meus enquanto ele falava.
— Perdão, senhora Monteiro. — começou ele, sua voz um pouco trêmula. — Vim trazer as chaves da casa. Seu pai havia me dado quando eu estava cuidando de tudo. Mas já que ele está aqui, não vejo necessidade de continuar com elas.
Meu coração deu um salto quando percebi quem era.
— Miguel? É você? — murmurei, minha voz um sussurro cheio de emoção. Ele estava ali, na minha frente, tão lindo e tão diferente desde a última vez que o vi. Por isso não o reconheci de imediato.
— Eu mesmo. — respondeu ele, sua voz suave e familiar. — Seja bem-vinda de volta.
Mas antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele se virou para sair.
— Espere. — Chamei, minha curiosidade, superando minha hesitação. — Por que está me ignorando?
A pergunta saiu antes que eu pudesse pensar melhor sobre ela, mas eu precisava saber. Por que ele estava agindo dessa maneira estranha? E por que meu coração batia tão forte na presença dele?
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Elizabeth Fernandes
Porque pensa que vc é casada
2025-03-13
0
Rosemare Araujo
Ele a está ignorando pq pensa que ela é casada!
2024-10-08
2
Conce Mota
Que lindo 😍😍
2024-07-04
2