...Miguel Rodrigues...
A luz pálida da madrugada começava a filtrar pelas cortinas quando eu abri os olhos. Como sempre, eu acordei cedo, antes mesmo do sol nascer. Levantei-me da cama com a determinação de sempre e me preparei para encarar mais um dia de trabalho árduo.
Após um café rápido, coloquei meu chapéu de cowboy e saí para o quintal, onde a fazenda aguardava silenciosa. Os primeiros raios de sol banhavam as colinas verdejantes ao meu redor, criando uma paisagem de tranquilidade e serenidade.
Minha primeira parada era o curral, onde o gado precisava ser alimentado e cuidado. Eu os contei enquanto eles se moviam preguiçosamente, ainda sonolentos pela noite. Após garantir que todos estavam bem, dirigi-me aos estábulos para cuidar dos cavalos, escovando-os e verificando seus cascos.
Em seguida, inspecionei as cercas ao redor da propriedade, reparando qualquer dano causado pelo vento ou pelos animais selvagens durante a noite. A segurança do gado era minha prioridade, e eu não deixaria nada ao acaso.
Enquanto trabalhava, minha mente vagava para meus pais, cuja presença ainda pairava sobre a fazenda, mesmo após suas mortes trágicas em um acidente de carro. A cicatriz em meu peito era uma lembrança constante daquele dia fatídico, mas eu não permitia que isso me definisse. Em vez disso, usei minha dor como motivação para honrar o legado deles, cuidando da fazenda com todo o meu coração e alma.
À medida que o sol se erguia no céu, iluminando o campo com uma luz dourada, eu sabia que havia muito trabalho a ser feito. Mas eu estava pronto para enfrentar os desafios do dia, como sempre fizera, e fazer o que fosse necessário para manter viva a herança de minha família. A fazenda dos Rodrigues era meu lar, meu sustento e minha vida, e eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para protegê-la e fazê-la prosperar.
Enquanto cuidava do meu cavalo no estábulo, deixei escapar um suspiro de contentamento. Não trocaria a paz que tinha na fazenda por um canto na cidade grande. Isso jamais. A vida simples e tranquila do campo era tudo o que eu precisava para ser feliz.
— Então, meu amigo, essa noite temos uma grande corrida, o que acha? Está pronto para correr? — perguntei, dirigindo-me ao meu cavalo altaneiro enquanto acariciava sua crina.
Sempre conversava com meu fiel companheiro antes das corridas. Ele era mais do que apenas um animal, era um parceiro leal e confiável. Juntos, tínhamos conquistado muitas vitórias e enfrentado desafios incontáveis ao longo dos anos.
Hoje será especial. Tínhamos uma corrida de cavalos de alto nível, onde o vencedor levaria para casa um prêmio generoso de 5 milhões de dólares. E eu sempre fui o ganhador.
Tirei o Altaneiro do curral, coloquei uma sela nele e montei.
Enquanto eu cavalgava pelos campos, supervisionando os afazeres das fazendas dos Rodrigues e dos Monteiros, sentia o peso das responsabilidades sobre meus ombros. Não era apenas a minha própria fazenda que eu tinha que cuidar, mas também a dos meus vizinhos, os Monteiros. Eles confiavam em mim para garantir que tudo corresse bem na ausência deles. Eles me pediram esse grande favor.
De vez em quando, o senhor Elias Monteiro vinha pessoalmente verificar o andamento das coisas, mas na maior parte do tempo eu era o único responsável por manter tudo em ordem. Era uma tarefa árdua, mas eu estava determinado a não decepcioná-los.
No entanto, havia algo mais que pesava em minha mente naquele momento. Elias deixou escapar que Isadora estava noiva, prestes a se casar com um riquinho da cidade. Aquela notícia me abalou profundamente. Por um instante, permiti-me sentir uma pontada de tristeza e melancolia ao pensar na mulher que sempre fora uma parte tão importante na minha infância, agora prestes a seguir um caminho diferente.
No entanto, eu sabia que não podia me deixar abater por isso. Eu desejava sinceramente que Isadora fosse feliz, mesmo que não fosse ao meu lado. Eu aceitaria qualquer decisão que ela tomasse, desde que a fizesse feliz. No final das contas, era tudo o que importava.
Parei um pouco na fazenda dos Monteiros e amarrei o Altaneiro em uma árvore na qual eu e Isadora sempre brincávamos.
Enquanto me encosto contra a cerca de madeira, deixo minha mente vagar pelas lembranças de minha infância naquela fazenda. Um sorriso brota em meu rosto ao recordar das brincadeiras intermináveis que eu costumava ter com Isadora e outras crianças da vizinhança. Nós corríamos pelos campos, construímos fortalezas de feno e inventamos aventuras sem fim.
Desde pequeno, senti uma conexão especial com Isadora. Enquanto outras crianças a viam como apenas mais uma amiga, para mim, ela sempre foi algo mais.
Um dia, enquanto brincávamos perto do riacho, fiz uma promessa que nunca esqueceria. Olhei nos olhos brilhantes de Isadora e disse com toda a seriedade de um garoto de 12 anos.
— Quando crescermos, vou me casar com você, Isa.
Os pais de Isadora riram da audácia da minha declaração, achando adorável minha determinação em expressar meu amor pela garota. Eles trocaram olhares cúmplices e balançaram a cabeça, achando graça na ingenuidade infantil.
Essa promessa sempre permaneceu em minha mente. Para mim, era mais do que uma simples brincadeira de criança. Era uma expressão genuína de meus sentimentos por Isadora, mesmo que na época eu não compreendesse completamente o que significava amar alguém.
Eu sofri bastante na época em que ela foi embora daqui. Isadora queria estudar e buscar uma vida melhor para si mesma. E quem era eu para pedir que não seguisse seus sonhos? Isadora me via apenas como um amigo, e éramos bons amigos. Mas em meus pensamentos, ela era mais do que isso. Ela era meu primeiro amor, um amor de infância.
É interessante ver como nossos caminhos tomou um rumo diferente, e de uma formas inesperada. Quando Isa partiu para a cidade grande, eu passei algumas temporadas na Itália. Lá, tive uma noite muito louca com uma das mulheres de uma das boates locais, e essa mesma mulher acabou engravidando. Tentei refazer minha vida com ela, mas não consegui, acabando por deixá-los. Atualmente, apenas pago uma pensão para o meu filho, e está tudo bem.
Apesar de ter feito de tudo para que desse certo, as coisas nunca foram para frente. Então, optei por ficar sozinho mesmo. Nunca consegui ficar muito tempo em uma relação com a mãe de meu filho sem pensar na Isa naquele momento.
Imagine, eu, um cara de 32 anos, sozinho. Isadora arrumou um casamento, está vivendo a sua vida e provavelmente está esperando um filho. E eu não me adaptei a ninguém. Que ótimo, e tudo por causa de sua presença.
Montei em meu cavalo e fui para minha casa, tenho que estar mais cedo no Rodeio. Hoje não iria à sede da máfia, por esse motivo.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Elizabeth Fernandes
Ansiosa para o encontro deles
2025-03-13
0
Rosemare Araujo
ansiosa pelo encontro do casal😍
2024-10-08
1
Jessy Carvalho🌻
é filho dele mesmo ?
2024-07-18
1