CAPÍTULO 19

Tudo que eu precisava era não me apaixonar naquele momento decisivo da minha vida. Não sei o que a vida estava querendo comigo, as coisas estavam saindo do controle e acontecendo fatos misteriosos rápido demais. Sempre fui um homem solitário que nunca gostei de me envolver com ninguém, prezei sempre a minha liberdade. Eu me conhecia bem, e sabia dos meus limites, e uma paixão como aquela podia atrapalhar a minha vida. Mas também eu tinha consciência que uma hora eu tinha que ter alguém na minha vida para compartilhar bons e ruins momentos.

Eu preciso parar de fugir do meu destino, não nasci para semente, se a paixão atrapalha meu desenvolvimento, talvez seja pela minha covardia. Pela minha covardia eu deixei de lutar pelo amor de Nadia. E essa culpa eu carrego até hoje, mas aí cheguei a conclusão de que eu fiz a coisa certa, quando eu pensava que Deus me odiava por me separar dela. Na verdade ele me poupou de coisas bem piores que talvez eu não tivesse estrutura mental para suportar a dor da perda caso ela viesse a viver comigo. Havia algo que me fazia me afastar dela quando ela se aproximava de mim.

E hoje pensando bem eu fugi de uma armadilha do destino. Resumindo, agora eu tenho a oportunidade de viver intensamente sem medo de nada, juntando as peças desse quebra cabeça Deus esteve sempre comigo, mesmo eu sendo um ateu que nunca acreditei em Deus por razões óbvias.

De achar que ele tirou de mim a mulher que eu mais amei na vida. Ele se manifesta através das coisas mais simples. E cada dia que passa eu entendo melhor. O que Deus quer de nós. Viver na simplicidade e na humildade é a melhor forma possível de se viver em paz consigo mesmo. Não buscais nas coisas do mundo as riquezas que são cobiçadas pelos ladrões. Caso fizer isso estará sempre na mira da morte, ou seja, você, ou alguém mais próximo de você.

Mas como eu estava dizendo eu caí na armadilha do destino, estava fisgado pelo amor que estava sentindo por Samantha. A presença dela estava me deixando perturbado. Eu era o herói que salvou ela de ser queimada viva por uma multidão de fanáticos religiosos. Só que na verdade, não era eu o homem que a salvou, e sim a capa preta que escondia segredos de poderes sobrenaturais, e eu tinha que manter aquele segredo antes que mais pessoas pudessem estar em perigo caso caísse em mãos erradas.

Ela percebeu que eu estava inquieto que andava de um lado pro outro tentando buscar respostas para tantas perguntas que martelavam a minha mente confusa. Me senti na obrigação de proteger aquela mulher, e também eu sentia que ela guardava muitos segredos. E talvez ela pudesse me ajudar a desvendar os mistérios da magia negra que matou meu irmão e meu tio que sofreu vítimas do alcoolismo por vinte anos. Eu estava mais enrolado do que eu mesmo suponha.

Mas o primeiro desafio era resistir a tentação diante dos meus olhos, eu acreditava que se me envolvesse com ela eu estaria colocando a minha missão em perigo, ou quem sabe ela poderia me ajudar a desvendar mais mistérios. Só eu não podia revelar o segredo da capa preta. Ela era linda demais, eu me senti preso na teia da aranha. Eu tinha certeza que ela era a Helena de outras vidas. Mas não fazia sentido. Não podia ser Helena ou Nádia. Porque Nadia morreu vinte anos antes apenas, e Samantha tinha uns 25 anos.

Mais um mistério que eu precisava desvendar, uma coisa era certa Nadia e Samantha não eram a mesma pessoa, e uma das duas não era a minha amada Helena, restava saber qual das duas era Helena. O que eu estava sentindo por Samantha era bem diferente do que eu sentia por Nadia. Nádia era uma mistura de sentimentos confusos, era paixão e ódio ao mesmo tempo.

E com Samantha era mais parecido com o que eu sentia por Helena. Samantha era morena clara, cabelos pretos lisos e longos brilhosos pela oleosidade. Ela tinha rosto largo, olhos castanhos cor de mel, não era gorda e nem magra. Altura média, coxas grossas, e lindas pernas. O que me chamou atenção foi quando ela estava preparando um lanche para nós dois, e estava com uma bermuda curta acima do joelho. Percebi que havia uma mancha na perna, parecia um desenho, mas que não era tatuagem.

E sim era uma marca de nascença. O desenho era um formato de uma ameixa seca. Aquilo não saiu da minha cabeça. Senti a sensação de que eu vi a mesma marca, mas não lembrava da onde. Me fez ter a certeza que eu já conheci ela em outras ocasiões. Só não tenho certeza se é nessa encarnação, ou se foi em outras. De repente me senti seduzido por ela, meu coração começou a bater forte em meu peito que achei que ia ter um ataque cardíaco. Senti uma forte emoção sem entender porquê.

Eu caí na armadilha, nunca fui homem de fugir, mas naquela noite me senti num beco sem saída, se correr o bicho pega, se parar o bicho come. Eu não podia revelar as minhas fraquezas. Mas que desculpa eu daria caso ela quisesse saber porque eu estava fugindo dela. E com certeza eu ia magoar ela, já que ela tinha eu como um herói que salvou a vida dela. Eu não entendia porque eu tinha medo de me envolver com ela? Eu fui covarde uma vez e não seria desta vez. O que eu precisava era dizer o porque estava indo embora, e porque estava abandonando ela.

— Porque quer ir embora? — Perguntou ela para mim com seus olhos espantados.

— Porque você comigo estará correndo risco de vida. — É claro que era uma desculpa para fugir do que eu sentia por ela.

— Não mente pra mim, você está fugindo de mim! — Pensei comigo mesmo. “Como ela sabe que estou fugindo dela?

— É sério, eu preciso ir embora, você estará segura. — É claro que ela não se convenceu.

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