O padre ficou esbravejando de ódio. Porque nunca foi desafiado por alguém em toda sua vida. E eu sabia que tinha que me preparar para o pior. Mas eu estava bem armado caso ele tentasse alguma coisa. É claro que eu não tinha nenhuma arma de fogo para atirar em alguém. Mas a arma que eu tinha estava longe da compreensão deles todos. A ideia do padre era que todos avançassem sobre mim, e me amarrassem como fizeram com a pobre mulher indefesa.
Ele fez um discurso inflamado para que o povo da cidade me odiasse como fizeram com a pobre mulher, eu não estava entendendo porque eu estava me compadecendo de uma mulher que nem conhecia. Se ela era de fato uma bruxa, era a minha chance de vingar a morte do meu irmão e do meu tio que passou vinte anos bebendo por causa de um feitiço que fizeram para ele. E sem contar que meu pai quase morreu por causa de uma bruxa.
E para dizer a verdade, eu estava naquele lugar com o propósito de investigar o tal casarão. E não esperava encontrar aquela multidão querendo queimar uma pobre mulher. Afinal de contas, não era da minha conta, mas já estava envolvido até o pescoço. Eu provoquei a ira do padre, então eu tive que arcar com as consequências. Ou não? Talvez o que me levou aquela pequena cidade tenha outras razões desconhecidas que eu ainda não sabia do que se tratava.
— Povo dessa cidade! Como vocês estão vendo, mais um forasteiro está aqui para trazer o mal. E peço que dêem uma lição nele igual a essa mulher.
O estranho que não senti medo de nada, o que me deixou mais irado quando vi que o padre realmente estava decidido a cometer não só um assassinato, e sim dois ao mesmo tempo. E pelo que eu percebi ele tinha a cidade nas mãos, e todos obedeciam. Tentei argumentar de que eu tinha vindo investigar o casarão assombrado.
Mas não adiantou eu argumentar. As pessoas em volta estavam se dirigindo a mim com as tochas de fogo querendo me queimar vivo. Então eu percebi que de fato aquelas pessoas eram escravas do medo de um padre autoritário. O que me deixou mais furioso. Só que eu tinha que controlar a minha raiva que podia voltar contra mim tudo o que eu planejava fazer.
Porque quando eu olhava o padre, eu não enxergava um homem, e sim um demônio que havia se apoderado dele, de alguma forma mesmo que ele fosse um demônio, a capa com poderes não deixou que ele percebesse quem eu fui em outras encarnações, e os poderes que a capa preta exercia.
Saí do carro e falei para todos dessa forma para ver se eu conseguisse acalmar os ânimos deles, para que ninguém fosse atingido pela minha fúria que estava prestes a explodir dentro de mim. Porque eu estava decidido que eu não ia deixar aquilo passar em branco. Vendo aquela mulher ser queimada não estava nos meus planos. E algo me dizia que essa cena eu já presenciei em outras encarnações.
Restava saber com quem, mas as cenas me levaram a um passado distante sem saber em que ano foi. Mas tudo levava crer que aconteceu muitas vezes, em que eu chegava no exato momento em que mulheres estavam prestes a serem jogadas numa fogueira enorme a mando do Vaticano.
Aquela cena era apenas um sinal de que muitas batalhas eu havia enfrentado, e tudo indica que tem haver com aquela capa preta e falando no Vaticano algo que não sai da minha cabeça que existem muitos mistérios em torno do Vaticano. Mas essa parte deixo para depois, primeiro preciso sair dessa armadilha antes que eu seja queimado, e um erro meu pode ser fatal. Estou de fora do meu carro vestido com a capa preta me preparando para me defender dos ataques que estava por vir.
— Escutem o que eu vou falar para vocês, eu não tenho intenção de prejudicar ninguém, vim apenas para investigar um casarão mal assombrado que tem nessa cidade. E vim em paz. — Então o padre gritou.
— Esse moço forasteiro é um mentiroso, ele veio com essa conversa mansa para enganar vocês. Não permitam que um estranho chegue de longe querendo tomar o que é nosso.
Eu vi que nada que eu dissesse ia convencer eles que eu era uma pessoa do bem. Eu estava sendo cercado de todos os lados, as pessoas de uma fé cega que tudo o que padre mandava elas faziam. Eu estava no meio delas em circo e vendo que haviam abandonado a mulher. Para virem na minha direção, mas na verdade eles queriam me prender e amarrar junto com a mulher. Então eu lembrei daquele casarão atrás da montanha em que eu venci todos os vampiros que havia naquele lugar.
Só que lá eram vampiros, e onde eu estava agora eram seres humanos. Porém eu não tinha mais tempo a perder, ou eu agia ou era a próxima vítima. Na hora percebi nos olhos das pessoas o medo do padre caso elas não cumprissem o que ele determinava, e no fundo eu senti pena delas, então deixei que me prendesse. Eu estava tão confiante de que nada aconteceria comigo que deixei que me amarrassem e me deixassem perto da mulher que eu estava prestes a salvar daquela loucura insana do padre.
Meu medo na hora que eles pudessem tirar a minha capa, aí sim eu estaria morto sem poder reagir, mas felizmente eles só me amarraram e me deixaram perto da mulher, eu queria saber até onde ia a loucura daquele padre que se julgava um Deus. Que decidia quem vivia e quem morria, eu precisava testar o poder dele, e se de fato ele era um demônio disfarçado de padre. Sim, se ele fosse um padre do bem, jamais faria o que pretendia fazer, a maioria dos padres que eu conhecia ensinava perdoar seus inimigos.
Então eu constatei que de fato ele era, e eu precisava livrar essa cidade de um demónio mesmo. E que aquele casarão mal-assombrado tinha a ver com o padre, e essa mulher de alguma forma ameaçava ele. Restava saber porquê?
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Atualizado até capítulo 51
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