CAPÍTULO 3

Desde criança eu amava ficar na casa dos meus tios. Até hoje me pergunto porque eu amava tanto eles? Eu não tive uma boa relação com meu pai. Tive sim com a minha mãe. Eles morreram ainda jovens com 55 anos de idade, meu pai de câncer no estômago. E um ano depois morreu a minha mãe com depressão aguda. E para dizer a verdade, desde que eles morreram eu nunca mais voltei para minha terra.

Embora a minha relação com meu pai não fosse das melhores, mas que perdi o interesse de voltar, as lembranças me sufocam e me levam para um buraco negro dos meus pensamentos. Odeio ficar deprimido e castigado por algo que eu fiz e deixei de fazer.

As lembranças me atormentam de tal forma que nunca tive coragem de voltar, pelo menos visitar meus tios. Talvez aquela visão da mulher de branco me perseguindo durante a viagem seja o peso na minha consciência. Ou quem sabe seja alguém de outro mundo vindo para me punir. Acho que estou pensando bobagem. Agora na casa dos meus tios curtindo eles, e matando a saudade, me sinto mais seguro. Pelo menos por enquanto. Como eu não consegui dormir durante a noite devido ao incidente que aconteceu durante a minha viagem, cheguei na casa dos meus tios cansado e com fome.

E como a minha tia Joana me conhecia bem, fez um lanche gostoso, lanche? Na verdade, não era um lanche, e sim um banquete. Na minha terra sempre foi assim, café da manhã, almoço, e jantar era a mesma coisa. Tudo que se possa imaginar. Carne suína, e bovina, e ave natalina. Era uma tradição. Quando chega alguém da cidade grande fica espantado com tanta fartura na mesa.

Sabe aquela história quando alguém do interior chega na cidade grande e fica admirado com as novidades? Pois é. É a mesma coisa quando alguém da cidade grande chega no interior, e fica admirado com aquela fartura toda na mesa. A tradição não muda desde que eu me conheço por gente, sempre foi assim. A hospitalidade das pessoas no interior é outro nível. Não tem comparação, é muito bacana as pessoas do interior, a maneira como elas tratam as pessoas que vem de longe, só falta elas te colocarem no colo.

Às vezes sinto falta do carinho, e do calor humano. A hospitalidade, a generosidade, a lealdade, e a compreensão que eles têm. A forma como elas têm de lidar com a vida. Sinceramente eu estava sentindo falta disso, eu não entendi porque demorei tanto para voltar ver meus tios que eu amo tanto. Essa saudade gostosa de dar um abraço apertado no meu tio Pedro e na minha tia Joana que para mim foi a segunda mãe.

Pelo fato de eu não ter uma boa relação com meu pai. E mesmo assim sinto falta dele. Dos bons momentos que eu vivi com ele quando eu era criança. Ele me levava para cidade mais próxima, e alegria que eu sentia quando ia com ele. Foi um dos melhores momentos da minha vida que eu passei ao lado do meu velho pai, outras coisas ruins eu não quero lembrar.

A minha mãe como sempre foi carinhosa comigo quando eu era criança.

Ela gostava de catar piolho na hora de eu dormir, e de contar histórias. E muitas histórias interessantes. E outras vezes eu fugia para casa da minha avó Júlia, e para casa do meu tio Pedro, que também adorava contar as histórias. Bom, vamos mudar de assunto. Dormi um pouco para recuperar meu sono perdido. Quando acordei já era noite levantei e tomei banho e voltei a sala para conversar com meus tios.

Segundo o que falou meu tio, a cidade estava na maior tranquilidade. Dizendo melhor estava! Até a minha chegada. Porque coisas estranhas começam acontecer, deixei meu carro na garagem do meu tio, e sem explicação meu carro estava cercado por inúmeros cães latindo como se eles estivessem vendo alguma coisa. E não parava mesmo. E meu tio gritando da janela porque ele tem três cães de guarda. E que não agiam assim como estavam agindo. Além de outros cães da vizinhança.

Estavam em grupos e todos na mesma direção que era o meu carro. Os latidos eram estarrecedor que não dava nem para conversar. O meu tio estava impaciente assim igual eu que não dava para conversar. Não consegui entender porque eles estavam latindo tanto. Meu tio pegou uma espingarda e deu um tiro para ver se espantava os cães que cada vez vinham mais, e fizeram um cerco em volta do meu carro. Nem eu e nem meu tio conseguimos entender o que era.

Eu imaginei que fosse algum animal ou quem sabe uma cobra.

Mesmo assim, não fazia sentido, porque meus tios disseram que eles nunca latiram tanto assim naquela noite. Até que a minha tia fez um comentário que me deixou sem chão.

— Eu acho que deve ter algum espírito rondando seu carro, talvez seja aquele espírito da mulher de branco. — Quando ela me falou aquilo senti um frio na espinha, mas eu não conseguia desvendar o mistério. Fiquei calado tentando buscar respostas para aquele mistério.

— Porque a senhora acha que pode ser um espírito? — Perguntei sem eu mesmo acreditar na minha própria pergunta.

— Porque algum espírito está querendo se manifestar para você, ou quem sabe tentar te avisar de algum perigo que você esteja correndo!

— Bom, depois o que eu vi eu não duvido de mais nada, mas a propósito de qual perigo a tia está se referindo?

— Não sei meu querido sobrinho, talvez você tenha algum inimigo que queira o seu mal.

— Mas eu não tenho inimigos que eu saiba. — Ela ficou pensativa e pediu para que meu tio contasse uma história que aconteceu com ele.

— Que história é essa que aconteceu com meu tio Pedro?

— Conta para ele, Pedro! Disse ela olhando para o meu tio.

— Joana, eu acho que ele não vai acreditar.

— Tenta contar meu tio, quem sabe eu entenda o que está acontecendo de fato.

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Comments

Eva venenosa 💮🌸🌿🌱🐍

Eva venenosa 💮🌸🌿🌱🐍

certeza absoluta que estão vendo e não é algo bom

2025-01-01

0

nimorango

nimorango

deveria queimar a capa

2024-02-29

0

Fabiana Dantas

Fabiana Dantas

História envolvente, muito bom.

2024-02-29

1

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