CAPÍTULO 9

E como acontece essa lenda? É o seguinte. Diz a lenda que se o homem pisar no rastro do bicho ele se perde pelas matas. É levado por uma força misteriosa que ninguém consegue explicar porque isso acontece. E não aconteceu só com meu tio irmão da minha tia que é casada com meu tio Pedro. Acontece com muitos que bebem e chegam em casa e batem em sua mulher e nos filhos.

Quando bebem ficam alucinados e valentões querendo brigar com todo mundo. E por uma razão inexplicável eles quando vão embora, não conseguem chegar em casa por desvio por esses caminhos estranhos. E esses caminhos estranhos são as matas fechadas cheias de espinhos, e quem se atrever a entrar sai todo arranhado. Para eles há uma estrada cheia de luz brilhando. É larga que se pode até passar de carro tranquilamente. Isso na visão deles que vão entrando mata adentro. E ficam a noite inteira andando pelos matos fechados. E o mais estranho é que para quem ver isso acontecer é assustador.

A pessoa que pisa no rastro do saci pererê não sente nada, e sim a visão dele vê somente uma luz clara como raios de sol, embora sendo da cor branca. E não sente nada quando está sendo arranhado pelos espinhos que há sobre a mata. E quando perguntavam no dia seguinte o que aconteceu, a pessoa não se lembrava de nada, e não acreditava quando os familiares contam o acontecido. E para se ter uma ideia, ainda ri daquele que presenciou o fato ocorrido.

Se eu não tivesse presenciado algo semelhante com um vizinho que morava perto, não acreditaria no que meu tio Pedro falava a respeito. Aconteceu da seguinte forma. Ele se chamava Valmir. Que também tinha problemas de alcoolismo. E quando bebia agia da mesma forma que muitos, batia na mulher e nos filhos. Estava eu e meu outro tio irmão do meu pai, que já morreu.

Ele nos acompanhou até uma altura e inexplicavelmente ele desviou o caminho dizendo que era aquele caminho. Para a nossa estranheza era um barranco de dez metros de altura. E ele foi subindo numa velocidade igual a um macaco que sobe nas árvores. Meu tio tentou segurar alegando que não era aquele caminho. E ele segurou uma pequena árvore e nem eu e meu tio conseguimos tirar ele de lá. Meu tio vendo que não tinha força o suficiente para tirar ele de cima do barranco desistiu, e ele subiu numa árvore de 50 metros de altura.

E ficou a noite inteira em cima dela gritando assustadoramente e não deixava as pessoas dormirem, os gritos dele era tão forte que dava para ouvir aproximadamente há um quilômetro. Outra história que aconteceu é mais assustadora que só lugares como esse acontecem. Até hoje eu me pergunto se foi mesmo que aconteceu, ou se tudo não passou de imaginação minha? Mas infelizmente aconteceu comigo. Coisas como essa nunca saíram da minha mente. Quando eu trabalhava na lavoura, costumava sair de madrugada.

Aconteceu da seguinte forma. Eu trabalhava para meu pai, e para mim, e enquanto não chegava o plantio da soja, costumava trabalhar em outras lavouras, e ganhava um dinheiro extra. Eu trabalhava por dia. Levantei cedo, 5 horas da manhã, tomei meu café e fui trabalhar na lavoura do senhor Otávio. Um homem rico com muitas terras. E pagava bem para peões de fora que não tinham nada o que fazer.

Então segui andando pelas estradas boiadeiras. No interior não havia asfaltos, o chão era de barro e pedras pedregulhos. A estrada era estreita com dois metros de largura, e ficava no meio da mata. 5 horas da manhã em pleno inverno. Era escuro, a única luz era a lua, ou as estrelas. Mas como a lua ficava atrás das árvores ficava mais escuro. Até hoje eu me lembro de uma imagem que nunca esqueci. Eu tinha 17 anos, jovem determinado, e corajoso que não tinha medo de nada. Histórias sobrenaturais, eu não acreditava. Seguindo o caminho quando olhei de lado vi um homem agachado fumando um cigarro num campo aberto à beira da estrada. Não dava para saber se estava sentado ou fazendo necessidades fisiológicas. Ele ficou me encarando com aqueles olhos vermelhos parecendo fogo. Senti um frio na barriga.

Meu Deus quem poderia ser. Encarei, e ele ficou me encarando. Segui o caminho sem olhar para trás, mas toda vez que eu olhava para trás ele ia se levantando e ficava de curva, eu seguia o caminho, e mais uma vez eu olhava para trás. E ele se levantava ainda mais. Confesso que nunca senti tanto medo como aquela sórdida madrugada. Até que ele ficou de pé com aqueles olhos vermelhos encarando sem dizer nada. Eu perguntei porque estava me olhando? E ele misteriosamente sumiu das minhas vistas. E fui seguindo caminho. Afinal, às 8 horas eu tinha que estar na fazenda do seu Otávio que me aguardava para dar início aos trabalhos.

Mesmo assim, quando eu pensava que podia seguir em frente deparei com um homem de preto. Falei dizendo “bom dia”. Mas o homem não respondeu e seguia com um cigarro aceso no meio dos seus dedos. E fumou e jogou a fumaça em meus ouvidos que eu senti coceira nos meus olhos, e eu coçava, e quando olhei cadê o homem que sumiu da minha presença. Vi que não ia conseguir ir adiante, cheguei numa escola rural onde eu estudei. Entrei e dormi na área da escola até o dia amanhecer.

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