CAPÍTULO 4

Meu tio ficou confuso sem saber se contava sua história. Embora eu soubesse que ele passou 20 anos bebendo cachaça que nem água. Eu mesmo sou testemunha do que ele passou. Ele tinha 16 anos quando começou a beber. Até então ninguém sabia o porque um jovem feliz bonito cobiçado por todas as garotas das redondezas eram apaixonadas por ele. Não havia motivos para ele beber. Diz a lenda que uma jovem se apaixonou perdidamente por ele, mas que foi rejeitada.

Então por vingança ela procurou uma bruxa que morava naquela região. E como tudo é lenda, mas que às vezes são mais reais do que se possa imaginar. Deixando a lenda de lado e vamos aos fatos. Segundo dizem. Essa tal bruxa que se chamava Lourdes, uma senhora de 55 anos. Ela lidava com magia negra. E os feitiços que ela fazia era quase irreversível de tão poderoso que era. Bom, essa jovem revoltada com a rejeição pagou caro para ela fazer um feitiço de que se meu tio não casasse com ela não se casaria com ninguém.

E para isso ela mandou a jovem colocar cinza de cigarro na bebida. E numa festa ela conseguiu fazer com que meu tio bebesse um copo de vinho, já que ele não bebia, ele bebeu o copo de vinho que estava enfeitiçado por ela. E a partir daquele sórdido dia ele se tornou alcoólatra. Começou a beber dos 16 anos até os 36 anos. 20 anos bebendo, perdendo toda a sua juventude por causa do vício do álcool.

Ele passou uma semana bebendo e dormindo dentro dos matos que havia naquela região. Correu sérios riscos de ser picado por cobras venenosas, e outros animais rastejantes, assim como aranhas negras, que tinham o veneno nas mesmas proporções que as das cobras. E sempre foi salvo graças ao cão que ele tinha que se chamava banzé.

Um cão branco que não deixava meu tio sozinho, e sempre acompanhava onde meu tio ia.

Havia uma família que eu não quero relatar nomes e nem sobrenomes por serem fatos reais que aconteceram. E essa família era muito estranha que levantava suspeita sobre as más condutas. Eram em todo Sete pessoas nessa família, o casal e mais cinco filhos homens, que quando cresceram gostavam de fazer arruaças por onde passavam. Quando havia festas, ou bailes, com certeza se eles estavam presentes, era confusão na certa.

Eram metidos a valentões, mas que sempre apanhavam, mesmo assim não aprendiam ser pessoas melhores, ou que mudassem de comportamento. Certa vez meu tio tomou um porre, e dormiu na beira da estrada, e dois dessa família passaram pelo local e viram meu tio deitado, e óbvio que queriam passar por cima do meu tio a cavalo, mas os cavalos recusaram a passar por cima.

Não satisfeitos, eles insistiam e batiam com chicotes para que os cavalos obedecessem e passassem por cima do meu tio. Os cavalos levantavam as patas dianteiras derrubando todos eles que caíram para trás rolando morro abaixo. E pra dizer a verdade, meu tio nunca soube disso, e só foi descobrir 25 anos depois que um deles estava com câncer, e estava prestes a morrer quando mandou chamar meu tio para ir até o hospital que ele precisava falar urgentemente. E tinha algo a revelar.

— O que tem de tão importante para me falar? Perguntou o meu tio Pedro seriamente, porque não confiava naquela gente.

— Eu preciso do seu perdão antes de eu morrer.

— Perdão do que se vocês nunca me fizeram nada?

— É que o senhor não se lembra, foi há 25 anos atrás quando o senhor bebia.

— Sim, mas o que isso tem haver? Não estou entendendo onde quer chegar com essa conversa sem sentido?

— Eu estou morrendo e preciso do seu perdão por algo terrível que eu, e meus irmãos fizemos a você!

— Meu tio não estava entendendo nada, o que ele no leito de morte estava querendo dizer.

— Por favor, fale de uma vez o que está acontecendo?

O homem estava entre a vida e morte consumido por um câncer maligno jovem ainda, nem tinha completado 55 anos, e ele ali na frente estava meu tio esperando alguma resposta o que ele queria com meu tio Pedro.

— O senhor não lembra, mas um dia bebeu e caiu na beira da estrada, e estava dormindo. E nós queríamos passar por cima a cavalo, mas eles se recusaram. Nossos cavalos devem ter visto alguém do seu lado que não deixou eles passarem por cima, ou pisotear.

— Eu não lembro disso!

— O senhor estava dormindo bêbado, por isso que não se lembra, eu não vou morrer enquanto não me perdoar.

— Embora eu não consiga me lembrar, entretanto se está mesmo arrependido está perdoado! — Após meu tio ter dito que havia perdoado o homem, finalmente morreu. Após ouvir aquela história fiquei mais calmo, mas os cães continuavam latindo em volta do meu carro.

E isso estava me deixando angustiado, me passou algo terrível na minha cabeça. A primeira coisa que me passou foi que colocaram alguma droga no meu carro a ponto dos cães estarem latindo tanto? Não teve jeito, eu tive que sair e ver o que realmente estava acontecendo. Quando cheguei perto do carro eles me olharam disfarçados. Dei um grito.

— Saiam daqui!

Eles saíram resmungando como protesto. Abri a porta do meu carro e revisei todo ele, e não encontrei nada que pudesse ser tão assustador. Fiquei horas dentro do carro, e os cães sumiram de perto, fiquei pensando o que poderia ter acontecido a ponto dos cães latiram tanto. E pensando bem na história que meu tio contou. E depois em outra história que a minha tia me contou. Ela me falou que meu tio passou mal e foi parar no hospital. E segundo os médicos ele precisava fazer uma cirurgia porque tinha um tumor maligno na bexiga.

A cirurgia foi um sucesso, mas teve que ficar no hospital até se recuperar. Mesmo assim, a dor era insuportável depois que passou o efeito da anestesia. A minha tia naquela época era uma mulher que não acreditava em Deus, e mais, era racista. E, no desespero, ela rezou intensamente pedindo ajuda para que a dor que meu tio sentia passasse.

Meu tio estava gemendo de dor quando ela saiu e foi buscar água que meu tio pediu. Então ela saiu e no corredor do hospital havia um bebedouro. Chegando perto do bebedouro havia um senhor negro que ofereceu água e ela recusou. Então o senhor disse:

— Mesmo na hora da dor, a senhora não aprende a ser humilde. A pouco estava rezando para que a dor que seu marido estava sentindo passasse. — Minha tia ficou assustada, e pensava com ela mesma.

— Como ele sabe que eu rezei?

Ela arrependeu-se e pediu a água que o senhor estava oferecendo e levou para seu marido beber. E quando meu tio bebeu ficou curado imediatamente. Ela voltou para agradecer o tal senhor negro, mas ele desapareceu misteriosamente, e ela perguntava a todos do hospital, se não haviam visto o tal senhor, mas todos alegaram que não viram senhor negro algum. Até porque naquela cidade não havia negros.

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Comments

Eva venenosa 💮🌸🌿🌱🐍

Eva venenosa 💮🌸🌿🌱🐍

tá ficando interessante

2025-01-02

1

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