Adrian
Enquanto entro no meu carro nesta manhã de sexta-feira, os vidros escuros me isolam e me pego refletindo sobre ela mais uma vez. Por que essa conexão tão intensa com uma humana, especialmente minha aluna? É uma pergunta persistente, uma incógnita que me consome.
Talvez seja meu lado lobo percebendo algo nela que meu lado humano não consegue entender. Enquanto dirijo e pondero sobre isso, avisto-a. Ela está segurando a mão de um pequeno garotinho, abraçando-o ternamente antes de se despedir.
A fachada do local revela a palavra "creche". Certamente, é seu irmão mais novo. Observo-a caminhar, provavelmente imersa em música, enquanto mexe em seu celular com fones nos ouvidos. Discretamente, reduzo a velocidade do carro e começo a segui-la.
Analiso seu visual, notando o vestido vermelho xadrez que parece um pouco curto para um dia escolar, uma pequena bota preta nos pés e a mochila jogada despreocupadamente sobre os ombros.
Enquanto a observo indo em direção à escola, luto para entender essa conexão estranha que sinto. Rapidamente acelero o carro, tentando afastar o desconforto dessa ligação incomum. No entanto acabo, chamando sua atenção com o ronco do motor, deixando-a visivelmente surpresa.
Passo por ela em alta velocidade, chego à escola, tentando dissipar a confusão interna que essa ligação estranha parece causar em mim. Dirijo-me à sala dos professores, organizando o material para a aula, mas a imagem dela continua a ecoar em minha mente.
Após alguns minutos organizando os materiais para a aula, caminhei diretamente para a sala de aula onde teria minha primeira aula do dia, que coincidentemente era a sala dela.
Ao entrar na sala, deparo-me com uma cena de certa desordem: alunos conversando alto, alguns sentados nas carteiras, outros desatentos. Minha presença repentina os silencia, e todos rapidamente retornam aos seus lugares, assumindo posturas corretas.
Faço uma varredura visual na sala, tentando identificar cada aluno, até que meus olhos encontram os dela. Há um breve momento de conexão entre nossos olhares, mas ela desvia rapidamente, causando um certo constrangimento em mim.
Mantenho a compostura ao caminhar até a mesa, organizando os materiais enquanto preparo mentalmente o início da aula. A estranha sensação de uma ligação incomum persiste, mas faço o esforço para focar no ensino e na condução dessa aula.
Após a explicação da matéria, a sala cai em um silêncio completo, mas murmúrios sutis chamam minha atenção. Dirijo meu olhar na direção de onde vêm os murmurinhos e então percebo Ana, voltada para a mesa de sua amiga próxima a ela, trocando sussurros e sorrisos contidos.
Pigarreio discretamente, sentindo a necessidade de abordar a situação:
— Senhorita Monteiro, percebi sua atenção voltada para algo interessante. Talvez queira compartilhar conosco?
O silêncio na sala se torna palpável enquanto ela me encara, surpresa e momentaneamente sem palavras. Entretanto, nunca esperaria uma resposta tão sarcástica e direta.
Com um sorriso torto, olhando-me fixamente, ela respondeu:
— Desculpe, professor. Eu estava apenas dizendo para minha amiga que, a caminho da escola, fui seguida por um estranho. É sempre bom ficarmos atentos, não é? Nunca sabemos que tipo de lunático pode estar por aí.
Surpreendido com a resposta dela, me vi momentaneamente sem palavras. Uma risada abafada ecoou pela sala, alguns alunos olharam para ela com uma mistura de surpresa e curiosidade.
Sem esperar por essa reviravolta na resposta, recuperei minha compostura, mantendo um semblante sério, mesmo sabendo que o "lunático" a quem ela se referia era eu. Então, disse:
— Sem dúvida, senhorita Monteiro. Devemos todos estar atentos ao nosso redor. E agora, retornando ao nosso conteúdo...
Decidi seguir em frente, sem prolongar um momento que se tornara constrangedor. Voltei à matéria, mas internamente, minha mente ainda tentava decifrar o que exatamente está acontecendo entre nós dois - uma complexidade que vai além do que parece. No entanto, farei o possível para manter distância, pois ela é muito jovem, é minha aluna, e eu preciso esconder quem de fato sou.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
teti andrade
Já Deu pra ver que Ana tem uma personalidade forte e não vai ficar de mimi, Adrian agora você é o professor lunático kkkkkkkk
2025-03-01
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Valdercina Rodrigues
Já gostei da Ana
2025-02-28
0
Claudia Claudia
kkkkkk já gostei da garota curta e direta 😁😁
2025-01-29
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