Ana
O som insistente do despertador ecoou pelo meu quarto, me despertando, ainda meio sonolenta, estendo a mão até o criado-mudo e desligo o despertador. Suspiro profundamente, tentando me aconchegar novamente na cama, mas sou interrompida pelo grito da minha mãe:
— Ana! Levanta! Você tem aula!
Resmungo baixinho, mesmo sabendo que ela não pode me ouvir debaixo das cobertas:
— Só mais cinco minutinhos, mãe.
Como se tivesse ouvido meu pedido, ela grita novamente:
— Anda logo, garota! Você precisa levar seu irmão à creche ainda. Arrume-se e desça, estou saindo para trabalhar.
Mesmo relutante, com a voz da minha mãe ecoando no quarto, percebo que não há escapatória. Arrasto-me para fora da cama, espreguiçando-me lentamente. Apanho meu celular no criado-mudo e verifico as mensagens, piscando para me adaptar à claridade.
Esfrego os olhos enquanto caminho até o banheiro. O ritual matinal se inicia, mas a lembrança da sensação de ser observada naquela floresta persiste. Após o banho, dirijo-me ao armário, pensando na roupa para o dia.
Opto por uma calça jeans surrada, uma camiseta larga com uma estampa divertida e um cardigã leve, combinando estilo e conforto para encarar as atividades.
Visto-me rapidamente e desço as escadas, onde minha mãe já está pronta para sair. Ela olha para mim, uma mistura de preocupação e pressa refletida em seu olhar.
— Anda, Ana! Você sabe que precisa levar seu irmão para a creche antes de ir para a escola. E sempre se atrasa. — Sua voz é urgente, como sempre.
Engulo em seco, lembrando-me das responsabilidades do dia. A sensação de ser observada na floresta continua a me assombrar, mexendo com meus pensamentos de maneira inexplicável.
Pego minha mochila, dou um rápido beijo na bochecha da minha mãe e ajudo meu irmão Pedro, de apenas 4 anos, que terminava de tomar seu café da manhã. Antes de sair, pego rapidamente uma maçã e encaminho-me para começar o cotidiano dia de uma adolescente de 17 anos.
Depois de deixar meu irmão na creche, verifiquei o horário no celular e percebi que estou muito atrasada para a escola. Mesmo morando perto dela, quase sempre acabo me atrasando. Começo a correr, tentando evitar chegar ainda mais tarde.
O pensamento sobre a primeira aula com o professor Blackwood, o mesmo que foi tão rude quando ofereci ajuda, invade minha mente. A lembrança da sua frieza me incomoda, e só espero não ser repreendida por causa do atraso.
Ofegante pela corrida, entro apressadamente na sala de aula, pedindo licença enquanto todos os olhares curiosos dos alunos se voltam para mim, criando uma leve agitação na atmosfera.
O professor Adrian interrompe sua aula, seu olhar firme e severo direcionado para mim. Temendo uma repreensão, me adianto:
— Desculpe pelo atraso, professor — murmuro, tentando manter a compostura.
Ele responde, sua voz firme ecoando na sala:
— Espero que não se repita, senhorita Monteiro. Por favor, tome seu lugar e não se atrase novamente.
Sob seu olhar penetrante, sinto-me desconfortável, como se sua observação fosse além do simples atraso, como se ele pudesse perceber algo além da superfície, algo que me perturba mais do que o próprio atraso.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
teti andrade
gosto do fato Adrian ser professor de Ana e lobo ao mesmo tempo isso faz ser tudo mais interessante, tenho certeza que ele sentiu falta dela na sala de aula kkkkkk
2025-03-01
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Claudia Claudia
nossa adoro quando vc entrar em um lugar e todos te olham da vontade de sumir 😖😣😖😣
2025-01-29
0
Ivanilde Garcia Garcia
Iniciando a leitura, 30/07/24, estou amando.
2024-07-31
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