...ESMERALDA SALLES...
Caminho pelas ruas sentindo o frescor da noite. As luzes da cidade iluminam cada esquina, e a vibração do Havaí me encanta de um jeito que não consigo explicar. Patrick insistiu para que eu fosse de carro, mas recusei. Queria aproveitar cada detalhe, observar as ruas e as pessoas.
Depois de andar um pouco, encontro uma sorveteria que também funciona como bar. Parece perfeito! Decido entrar e me permitir um pouco de diversão. Afinal, é a última noite aqui. — Patrick, Bill, sintam-se à vontade para tomar algo. Por conta da casa — digo com um sorriso, sabendo que Jhon bancará a conta no final.
Enquanto provo um drink leve, sinto-me relaxar. O gosto doce e suave me faz sorrir, mas logo sou interrompida por uma mulher que se aproxima com passos graciosos. — Será que posso me juntar a você? — pergunta ela, com um sorriso calculado, quase artificial.
Observo-a por um instante e, sem ver maldade, faço um gesto com a cabeça, permitindo.
Patrick, no entanto, não parece confortável com a situação, mas permanece discreto. Continuo saboreando minha bebida, enquanto a mulher pede algo ao garçom.
— Parece que você aprecia bons drinks — comenta ela, com tom casual.
— Dá para perceber? — brinco, tentando manter a conversa leve.
— Sim — responde, sorrindo de maneira estudada. — Como você se chama?
— Esmeralda. E você?
— Que nome encantador. Eu sou Ferdinanda — diz, tomando um gole de sua bebida. — Você é daqui?
— Não. Estou apenas de passagem... lua de mel com meu marido — digo, sem dar muita ênfase.
— Que romântico! — exclama ela, quase teatral. — Mas onde está ele?
Por que tantas perguntas? Tento esconder meu desconforto, mas respondo: — No hotel. E, com todo o respeito, a senhora não precisa saber de mais detalhes.
Ferdinanda sorri, embora claramente tenha percebido o tom cortante da minha resposta.
A chegada de Jhon
Estamos conversando há alguns minutos quando Jhon entra no bar. Sua expressão séria e o olhar penetrante tornam impossível não notá-lo. Ele caminha até mim com passos firmes, ignorando o ambiente ao redor.
— Pensei que fosse só tomar um sorvete — diz ele, a voz baixa e firme.
— As pessoas mudam de ideia — respondo com um leve deboche, observando como ele permanece inabalável.
— Parece que há tensão entre vocês ou é impressão minha? — Ferdinanda intervém com um sorriso malicioso.
— Isso não é da sua conta! — Jhon rebate sem hesitação, o tom gelado e incisivo.
Ele segura minha mão, indicando que quer que eu vá com ele. Por um momento, hesito, mas me levanto. — Desculpe, mas preciso ir. — Dou a Ferdinanda um sorriso falso.
— Tem certeza? Ele parece... agressivo — provoca Ferdinanda, claramente tentando criar mais confusão.
Seguro o braço de Jhon, tentando contê-lo antes que a situação saia do controle. — Srta. Ferdinanda, com todo o respeito, acho que não cabe a você opinar sobre o meu casamento. Seja o que for que você e ele tiveram ou têm, não me interessa. Apenas mantenha distância de mim.
— Por que acha que tivemos algo? — Jhon pergunta, com um olhar curioso.
— Está na cara. Eu posso ser impulsiva, mas não sou ingênua. Agora, vamos embora. Você já estragou minha noite por causa dela. — Seguro sua mão e puxo-o para fora.
Enquanto nos afastamos, ouço a risada de Ferdinanda ecoando pelo bar, e sinto minha paciência se esgotar ainda mais.
No quarto da pousada
Entro no quarto furiosa, arrancando os sapatos e atirando-os para o lado. Jhon tenta falar comigo, mas ignoro-o. Minha cabeça está prestes a explodir.
— Será que pode me ouvir? — Ele pergunta, mantendo a calma que só aumenta minha irritação.
— Não acredito que você me fez passar por isso — começo, virando-me para encará-lo. — Foi constrangedor e desnecessário.
— Eu não quis constrangê-la. Fui até lá para fazer companhia, mas percebi que aquela mulher estava tentando causar problemas. Eu precisava resolver isso — explica, enquanto desabotoar os punhos da camisa.
— Resolver? Puxando-me na frente de todos como se eu fosse uma criança? — Solto uma risada sarcástica. — Escute, Jhon, eu não me importo com o que você faz ou com quem faz. Apenas me deixe fora disso.
Ele permanece calmo, mas percebo que meu desabafo o faz refletir.
— Tudo bem. Tem razão. Não deveria ter agido assim. — Ele tira a camisa, revelando seu físico impecável, mas minha irritação ainda é maior do que qualquer outra coisa. — Isso não vai se repetir.
Com essas palavras, ele pega uma toalha e entra no banheiro.
Suspiro, tentando acalmar os pensamentos. Por que Jhon consegue ser tão enigmático? Às vezes, ele é frio e distante; outras vezes, parece... humano. O que me assusta ainda mais é perceber que estou começando a sentir algo por ele.
Preciso manter distância emocional. Este casamento é uma farsa, e a última coisa que quero é sair machucada.
Uma noite tensa
Jhon sai do banheiro apenas de toalha. O vapor da água quente ainda paira no ar, e ele se deita na cama como se nada tivesse acontecido.
— Não vai vestir algo? — pergunto, incrédula.
— Está calor, e estou de cueca por baixo. Não precisa se preocupar — responde com um leve tom provocador.
— Maluco... — murmuro, tentando não encará-lo.
— Se não acredita, posso mostrar. — Ele faz menção de levantar a toalha, e, num impulso, pulo na cama para impedir.
Acabo tropeçando e caio diretamente sobre ele. Por um momento, ficamos em silêncio. Nossos olhares se cruzam, e sinto meu rosto queimar.
— Está vendo? Não é nada demais. — Ele diz com um sorriso de canto, mas sua voz soa mais baixa, quase suave.
Afasto-me rapidamente, ajustando minha postura. Jhon apenas ri baixinho, como se estivesse se divertindo com meu embaraço.
— Boa noite, Esmeralda — diz ele, virando-se para o lado.
Deito-me, tentando ignorar a sensação de estar perdendo o controle. Preciso me lembrar: este casamento é apenas um acordo. Nada mais.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Maria Silva
será que ele tá gostando dela tbm porque ela já sente algo por ele e só espero que as cobras não infernize a vida deles
2025-03-23
3
Eliene Lopes
as cobras podem até atacar mas do jeito que ela é vai quebrar todas ao meio....bom a menos que do meio pro fim ela fique idiota que as vezes é o que acontece
2025-03-27
1
Maria Silva
E espero que ela saiba colocar as cobras no devido lugar
2025-03-23
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