...• Sarah Coppola...
Eu ouvia tudo a minha volta. Mas não conseguia reagir, como poderia? Aqueles homens estavam em cima de mim, aquela mulher olhava com expectativa para me ver sofrer. Mesmo vendo o Klaus eu pensei que aquele seria o meu fim. Eu ouvi quando ele deu a ordem para tirar aqueles homens do quarto, mas a angústia era tão grande que não senti alívio algum. Eu sentia dor em cada mísero pedaço de mim, mas não era for física, era dor na alma, eu não conseguia parar de pensar em como minha família era monstruosa, eu também era? Eu disse que Klaus tinha merecido o que aconteceu. Eu jamais deveria ter dito isso, ninguém merece passar por algo assim. Ninguém.
Só agora me caiu a ficha, todas as vezes que Leonardo me forçou, Alex estava presente. Eu pensei que ele não reagia por causa da maldita aliança ser mais importante que o meu bem estar. Mas não, ele não só era acostumado com aquilo, como também era um maldito estup*rador.
Quando acordei Klaus estava ali, parecia ter montado um acampamento na minha cela, eu me sentei na cama sem conseguir reagir, como se o meu corpo estivesse anestesiado, o quanto de dor eu ainda conseguiria suportar?
— Sarah, você precisa comer.
Ele disse, quando uma funcionária entrou trazendo uma bandeja. Balancei a cabeça em negativa, essa comida não era nem de perto o que eu precisava nesse momento.
— É assim que me vê?
Olhei nos seus olhos, procurando a negativa para a minha afirmação. O peso de ser uma maldita Coppola era demais para carregar. Eu odiava esse nome mais do que tudo, odiava cada gosta de sangue que corria em mim, por que todas as vezes que esse nome era pronunciado, vinha carregado de ódio, repulsa, e cobrança por dívidas das quais não sou responsável.
O silêncio pairou entre nós, mas era como uma resposta. Por que eu jamais poderia deixar de ser quem eu sou. É por isso que ele precisa da máscara. Talvez ele só tenha adiado o que aconteceu hoje, por que ainda precisa de mim. Mas e quando não precisar?
— Eu quero ficar sozinha.
Disse, voltado a me deitar.
— Sarah.
Sua voz estava branda, muito diferente de seu tom autoritário e imponente usual. Quase poderia me fazer acreditar que ele se importava.
— Eu estou cansada.
Desabei em lágrimas, e eu odiava estar vulnerável diante dele. Klaus pousou a mão na minha perna, dessa vez não havia malícia no seu toque, mas isso era pior. Por que ele me oferecia o consolo que jamais poderia me dar de verdade.
O telefone dele tocou, fazendo o mesmo sair do quarto.
E eu não o vi por dias, e a cada dia eu me via sendo arrastada para uma angústia sem fim, toda a vez que eu fechava os olhos entrava em pânico, com a visão recorrente daqueles homens em cima de mim, e quando acordada tudo o que rondava a minha mente era a escuridão. Eu poderia definhar de tristeza nessa cama, não havia uma única pessoa nesse mundo que se importava comigo e isso era solitário demais.
Olhei para o vidro de remédio ainda lacrado e cima da mesa, deixado pelo doutor essa tarde, eu não conseguia comer, era como se essa necessidade tivesse deixado de importar. Mas ainda precisava estar viva, então imagino ser esse o motivo de cada soro.
Quase cai no chão ao tentar me levantar, nem mesmo meu corpo me obedecia, peguei aqueles remédios.
Nesse momento, segurando esse vidro eu lembrei, do pequeno vidro nas mãos da minha mãe. Acho que ela fez o que estou prestes a fazer, ela também não aguentou a pressão.
...Feche os olhos amor, e cante aquela canção. Lembra da regra: se abrir os olhos você perde, não importa o que você ouça....
Com as mãos no ouvido eu cantava repetidamente ouvindo sons abafados, ela sempre sumia depois disso. E por vezes eu dormia depois de tanto cantarolar e esperar.
Mas eu cresci. E mesmo que ela tentasse manter o que vivia em oculto, os meus ouvidos ficaram mais aguçados, e a curiosidade se alastrou, e na única noite que eu deixei o quarto, foi para ver o que eu vi, por que ela não suportava mais.
Eu também não aguentava mais.
...Oh, espero que algum dia eu consiga sair daqui...
...Mesmo que demore a noite toda ou cem anos...
...Preciso de um lugar para me esconder, mas não consigo encontrar nenhum por perto...
...Quero me sentir viva, lá fora não consigo enfrentar meu medo...
...Não é adorável, estar completamente sozinha?...
...Coração feito de vidro, e a mente feita de pedra...
...Rasgue-me em pedaços, da pele ao osso...
...Olá, bem-vindo ao meu lar...
^^^Lovely - Billie Eilish^^^
Engoli cada comprimido que consegui, e deitei no chão, sentindo o corpo amortecer, desligar. Se viver como eu queria estava fora de cogitação, ao menos escolheria como deveria morrer.
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Atualizado até capítulo 110
Comments
Silvana Dos Santos
livro muito bom não consigo parar de ler
2025-01-01
1
Alissa Gilsseli
Exatamente
2024-08-22
0
Evily Santos
tadinha
2024-08-15
0