...• Sarah Coppola...
Devagar.
Miseravelmente devagar, o tempo não passa. Ninguém entrou aqui, e eu desisti de gritar por uma ajuda que eu sei que não vem, todo o meu corpo dói, os meus pulsos doem de tanto me debater, e a cabeça do Alex à minha frente já não incomoda tanto quanto a dor.
Eu não sei a quanto tempo estou aqui, mas estou cansada, rouca, com frio e fome. Mas isso nem mesmo chega a ser o pior, a dor na minha pelve só piora, é humilhante ter que urinar dessa forma, sinto um cheiro metálico de sangue exalar de mim, e uma ardência terrível, os calafrios indicam febre, eu realmente estou em um estado deplorável, gemendo baixinho.
— Queria que tivesse dado tempo Alex. Quando tudo aconteceu... Eu ainda pensei que era você. Só caiu a minha ficha quando colocaram as correntes em mim. Agora eu sei por que não estava lá aquele dia. Você já estava morto. Eu nunca tive chance né? Nunca tive a chance de ser livre.
Os meus lábios estavam trêmulos, e eu realmente estava tentando me manter acordada. Mas para que? Uma parte de mim queria que tudo cessasse, mas a outra queria lutar e sobreviver, é uma droga que tenhamos esse mecanismo de auto preservação.
Minha boca está tão seca, ouço um ruído de longe vozes alteradas, eu não consigo reagir, abro os olhos um pouquinho.
— Dois dias porr*a! Dei ordens para que tirassem ela daqui a dois dias atrás.
Sua voz era como um trovão cujo estrondo faz o corpo tremer.
— Não recebemos tais ordens senhor, eu nem mesmo tinha ciência de que havia alguém aqui no porão.
— Chamem a porr*a de um médico! E tragam aquela vadia aqui.
Os 'clacks' do salto feminino era um som odioso na minha cabeça que doía. A voz doce era irritante.
— Essa porr*a não era para acontever, eu te dei ordens para leva-la ao sótão.
— Desculpe senhor Klaus, eu entendi tudo errado... Eu.. Eu... pensei que... Por favor...
Vejo um clarão seguido de um barulho estrondoso que faz meus ouvidos doerem, ele matou alguém? Ouço o barulho das minhas correntes sendo soltas.
— Não toque em mim!
Balbucio quase inaudível. Eu vou ser a próxima? Já não basta tudo?
— Tirou a única coisa que ainda me dava esperança. Eu te odeio tanto.
Deliro, o meu corpo todo treme, procuro o ar, mas eles não enchem os meus pulmões.
— Sarah, não dorme.
Seu tom tempestuoso se abranda ele me chama várias vezes, enquanto sinto o meu corpo sendo chacoalhado, como se estivesse em movimento, mas não consigo de forma alguma abrir os olhos, nem ao menos consigo respirar direito, ouço tudo a minha volta mas não consigo reagir.
— Que Merda Klaus! O que está acontecendo?
— Chame o médico, Luigi!
Ele gritou, e dessa vez uma ponta de desespero surgiu na sua voz.
— Disse que iria tirar ela daquele lugar Klaus, dois dias Klaus, nós ficamos fora dois dias por causa dos malditos ataques. E que porr*a esta fazendo? Seus pontos vão arrebentar seu idiota.
— Minhas ordens não foram acatadas Luigi. Eu disse para tirarem ela de lá assim que saí.
Esse tom de voz era de culpa? Não. Ele mesmo me colocou lá, sem se importar com meu estado. Senti o meu corpo sendo deitado, e eu não conseguia controlar os espasmos.
— Ela está ardendo em febre, o médico chega em meia hora.
— O que eu faço Luigi?
— Dê um banho frio nela, não vai demorar e ela vai começar a convulcionar.
Sinto água fria anestesiado meu corpo dolorido. Quando eu acordo novamente estou no sótão, abrindo os olhos devagar, vejo um soro ligado ao meu braço, Klaus está na poltrona à minha frente, tem outro homem no quarto, vestindo um jaleco branco. Ainda sinto a boca seca e a primeira coisa que faço é pedir por água, fiquei desacordada dois dias depois de ter sido tirada daquele lugar.
— Água, por favor, água.
— Ela acordou?
Klaus disse, se levantando.
— Ela acordou agora senhor.
— Para sua infelicidade.
Praguejo, enquanto levanto a cabeça para beber água no copo de canudinho.
— Mande trazer o almoço dr. Liam.
— Eu não entendo.
— O que?
— Me tranca naquele lugar, depois manda me tratar, servir almoço.
— Preciso de você viva. Por enquanto.
Olhei para o fermento em seu ombro, lado esquerdo ele estava sem camisa, sorri amargamente.
— Deveria ter sido mais em baixo.
Klaus se inclinou me encarando com aquele mesmo olhar de ódio.
— E o que pensa que aconteceria? Acha que seria livre? Estamos ligados, é bom torcer para que eu volte vivo cada vez que sair por aquela maldita porta.
Ele usou aquele mesmo tom sarcástico que me fazia odia-lo ainda mais.
Eu sei, não deveria fazer o que estou pensando. Acho que não aguentaria mais um dia naquela solitária. Mas levei o polegar até seu ferimento e usei toda a força que tinha arrebentando cada ponto dele, fazendo o sangue respinga em mim. Klaus urrou com a dor, segurou minha mão e com a outra mão livre agarrou meu pescoço.
— Porr*a! Maledetta!
— Precisa de mim viva. Por enquanto. Se vai tornar a minha vida miserável é justo que eu o retribua.
Ele apertou um pouco mais, e se ele não precisasse mesmo de mim, eu não duvidaria que ele iria torcer meu pescoço. Por um instante seus olhos fixaram nos meus, seu olhar era intenso, profundo, segurei a mão dele o lembrando que eu ainda precisava respirar caso ele me quisesse viva.
— Que Merda Klaus, solte ela.
Ele deu um passo para trás, enquanto eu tossia e procurava o ar.
— Sente-se.
Ordenou, enquanto os outros dois homens entravam no quarto, o médico trazia uma bandeja de comida.
— Vai precisar refazer meus pontos dr. Liam.
Ele me encara, ao tentar me sentar a mesma dor lacerante na pelve não apenas retorna como fica pior, e eu resmungo.
— Sente dor?
O médico perguntou, eu olhei para o Klaus e para o homem parado ao lado dele.
— Responda a pergunta porr*a.
— S-sim.
— Onde dói?
O médico pergunta pacientemente. Mas admitir aonde estou sentindo dor é constrangedor. Não respondo nada. Porém outro grito do Klaus soa pelo quarto,mandando que eu responda aonde dói. Pouso a mão em cima de ventre, fazendo o médico pigarrear.
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Atualizado até capítulo 110
Comments
Lucimar da Penha de Jesus Reis
ESTOU AMANDO ESTES PERSONAGEM ♥️🌻💎
2024-09-02
2
Evily Santos
kkkk
2024-08-15
0
Nashira🙏🏽(Muslimin
EU AMO ESSA MULHER, EU JÁ DISSE QUE EU A AMOO??
2024-08-12
9