...• Sarah Coppola...
Klaus havia entrado aqui apenas para aplicar os remédios, e dizer iríamos a um jantar, que Ele precisou adiar, na sede da máfia. Eu passei os últimos quatro dias em uma angústia sem fim, por que eu sei que sou odiada apenas por ser uma Coppola.
Eu já estava enclausurada de ter somente essas paredes, estava em um quadro ansioso, andando de um lado para o outro. Mas isso não era novidade, eu ficava assim a maior parte do tempo no colégio por ser considerada um mal exemplo, as freiras não deixavam outras garotas se aproximar.
Eu passava o dia odiando o Klaus, uma mulher nunca se esquece como é tratada, e andar o dia todo com uma toalha para não estar completamente nua é humilhante, o que ele espera? Que eu ajoelhe e peça absorventes quando menstruar?! Isso estava me irritando tanto, e hoje eu estava ainda pior, por que me lembrava da pior data da minha vida, o dia que perdi a minha mãe.
Foi eu que a encontrei, no chão do quarto, sua boca estava cheia de espuma, seus olhos estavam arregalados, depois disso toda vez que dormia tinha pesadelos com aquela cena. Não demorou um mês e já havia outra mulher na cama do meu pai, e ela sempre arrumava desculpas para me maltratar, a solução dela foi o colégio e demorou dois anos para que o meu pai fosse me ver. Todas as garotas voltavam para casa nas datas comemorativas ou feriados, menos eu, era como se não existisse para aquela família, nem mesmo recebia uma ligação nos meus aniversários. As poucas vezes que fui para casa era apenas para ser desprezada e humilhada.
Eu sabia que iria explodir em breve, e foi dito e feito, essa noite quando ele entrou trazendo o jantar, eu joguei tudo da bandeja nele, sem me importar com a sopa fervente, sem me importar com os cacos de vidro pelo chão, mas isso não era tudo, por que eu segurei aquela bandeja de inox e joguei em direção a ele, tudo o que eu queria era fazer ele sentir dor, ele desviou da bandeja, mas não podia desviar de mim, acertei um tapa no rosto dele.
— O que deu em você?
Ele rosnou, segurando minha mão, e impedindo o segundo tapa.
— Maledetto! Eu te odeio! Eu te odeio e se eu pudesse eu matava você agora mesmo!
Gritei.
— É mesmo?!
Ele disse enquanto gargalhava como se eu tivesse contando uma piada.
— Eu não hesitaria.
Disse, e quando a toalha escorregou eu encostei na parede e me sentei no chão encolhida, chorei e continuei gritando que odiava ele. Eu estava enlouquecendo. Por que eu esperava um ato de bondade do homem que me odiava tanto? Eu nem mesmo sei por que ele odeia tanto os Coppola, nunca estive por dentro de nada do que acontece dentro da casa do meu pai. Eu nem mesmo conheço a história dele, o que levou ele a fazer tal coisa.
— Levanta Sarah. Seus pés estão cheios de vidros.
— O que? Quer me usar de novo? É por isso que tem me deixado assim? Para facilitar o seu trabalho? Para me humilhar ainda mais? Sai daqui!
Gritei. Mas ele não moveu um músculo sequer, as minhas mãos estavam trêmulas pelo nervosismo. Levantei e fiquei a ponta dos pés encarando seu rosto.
— Vamos? Faça o que veio fazer. É para isso que estou aqui não é?
Bati no peito dele com os pulsos cerrados. O silêncio dele me irritava por que fingia a condescendência que ele não tem, eu queria que ele revidasse para eu continuasse a gritar.
No entanto, ele me pegou no colo, e me colocou na cama. Tirou os cacos de vidro que estavam no meu pé, e foi em busca de uma caixa de primeiros socorros e depois de fazer os curativos, outra funcionária entrou trazendo outra bandeja de comida, que eu ignorei, eu não tinha ânimo para comer, embora a dor já começasse a surgir.
— Sarah.
— Sai daqui.
Eu disse me encolhendo na cama, e me cobrindo com o lençol. Ele não saiu, parece que estavamos fadados a irritar um ao outro. Fechei os olhos ignorando sua presença.
Não quis levantar no dia seguinte, nem mesmo comer, era hoje o tal jantar, digamos que eu não estava nem um pouco ansiosa por ele, eu já tinha pensado em mim possibilidades do que poderia dar errado e sempre surgia mais uma.
No meio da tarde, uma das funcionárias entrou no quarto.
— Senhora, hoje é o jantar, tem uma equipe esperando para arrumar você.
Era a primeira vez que me tratavam amigavelmente, ela entrou no quarto e colocou um roupão ao meu lado.
— O meu nome é Bianca, eu fui designada para cuidar de você. Não comeu nada, praticamente o dia todo, posso preparar algo específico para a senhora.
— Não estou com fome, vou tomar um banho rápido.
— Vou esperar a senhora aqui do lado de fora.
Depois do banho, eu coloquei o roupão, era a primeira vez que saia desse sótão sem ser arrastada. Ela me levou até um dos quartos,
— Ain como você é deusa!
Um cabeleireiro se aproximou, e me girou. Ele estava animado, será que ele sabe quem eu sou? E a maldição que o nome Coppola carrega?
— Só não te beijo, pois certamente encontrariam o meu corpo em uma vala amanhã.
Ele deu risada.
— O Lord Klaus deixou alguma recomendação?
Lord? Está mais para demônio.
— Sim, discreto e modesto.
Bianca disse.
— Não, ele disse poderoso e extravagante.
Me animei, ao ver mais uma oportunidade de contraria-lo. Bianca segurou o meu braço olhando para mim, e sussurrou em uma súplica.
— Não faz isso senhora, ele vai me matar.
Mas eu já disse, o quanto costumo ser irredutível? Escolhi um vestido com uma fenda lateral, e um decote V, eu nunca usei algo assim, certamente a madre me mandaria rezar no milho por um mês. Quando terminaram a produção eu mal me reconheci, estava deslumbrante como nunca estive. Coloquei uma capa por cima e esperei naquele quarto, até Klaus chegar.
E ele chegou, vestido em um terno slin azul marinho, seu perfume tomou conta do ambiente. Ele se aproximou parando a minha frente.
— Todo conselho odeia você.
— Reconfortante.
— Não beba nada, mantenha essa sua língua afiada dentro da boca, e não saia do meu lado. Levante-se, e por que diabos está usando uma capa?!
Ele perguntou, já removendo ela. Passou língua nos lábios, e eu não sabia decifrar o que havia em seu olhar.
— Você recebeu minhas recomendações?
— Sim senhor.
— E porque não acatou a porr*a das minhas recomendações?
— Por que eu não quis.
— Não quis?
Disse em um tom frio, enquanto arqueava uma das sobrancelhas. E eu tive a insolência de confirmar novamente que recebi sua ordem e ignorei completamente.
— Tudo bem.
Ele disse, mas não foi em concordância, seu olhar fez a minha espinha congelar, eu estava encrencada, muito encrencada.
Klaus tirou uma gargantilha com uma argola no meio.
— Não vou usar isso. Parece uma coleira.
— Não parece. Isso é uma coleira.
Ele disse já colocando em mim, segurou a minha mão e me como sempre me arrastou para fora do quarto, me fazendo tropeçar no tecido, além do que estava com um salto enorme.
— Eu sei andar. Que Droga, você sempre me arrasta.
Ele abrandou os passos. Não falou nada durante todo o caminho, e cada vez que ele me olhava eu pensava o que ele faria? Me trancaria? Talvez iria me afogar, ou me dar choques, arrancar minhas unhas, e até mesmo cumprir a promessa de enfiar alfinetes no meu olho.
Ele desce primeiro e estende a mão para mim, seus soldados o reverenciam, mas nem mesmo olham para mim que estou ao seu lado. E quando algum olhar é direcionado a mim, expressam rancor. Essa noite vai ser infernal. Por que o meu rosto, é o rosto de uma inimiga.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 110
Comments
Euridice Neta
Coitada, menina não desafia esse demônio e se prepara esse evento não vai ser nada agradável...
2025-02-04
1
Evily Santos
gostei
2024-08-15
2
Judes Nascimento
se cair nas mãos do Leonardo vai ser pior , não está bom, mas pode melhorar
2024-07-23
3