O desconcerto de pensar no quão bizarra era a sintonia entre nossos corpos, como se eles fossem peças complementares, me deixava moderadamente zonza.
Na noite anterior, Christopher havia explicitado sua selvageria na cama, mas ainda, sim, tamanha libidinagem me impressionou a ponto de revirar os olhos por completo. Era como se Christopher houvesse descontado todo o estresse que eu lhe causei, estocando e batendo brutalmente.
Duas horas depois, estávamos suados e destruídos sobre a cama. Minha bunda ardendo, porém, a pulsação enviando ondas de prazer mesmo depois do fim.
Me levantei, apanhando uma das toalhas do armário e indo em direção ao banheiro. Os pensamentos guiados para o meu futuro, que parecia cada vez mais incerto.
— Me convidar para um banho era o mínimo que você deveria fazer, sabia?
Paro, já na porta, e me viro para encarar Christopher, sentado sobre a cama, com as costas relaxadas na cabeceira. Seu corpo molhado me deixava sem fôlego, seus músculos tão tonificados que eu me perdia na contagem dos gominhos.
Cruzo os braços, me encostando no batente.
— Eu não me importo com as suas necessidades. — Imito a maneira como ele falou algo semelhante, na noite anterior. Ele solta uma risada gostosa, parecendo mais disposto do que antes, mesmo que tenha feito o triplo do esforço durante o sexo.
Christopher se levanta e vem em minha direção, me pressionando contra a parede e depositando em meus lábios um beijo intenso. Em seguida, tenta entrar no banheiro, mas eu o impeço com os braços.
— Seja cavalheiro, Chris.
Deixo a água quente cair sobre o meu corpo, tentando não pensar em temas que causassem receio para com a minha vida.
Ir para a França não significava deixar Ethan de uma maneira por todas, afinal o seu sobrenome ainda enfeitava o meu. De certa forma, sabia que, mesmo sofrendo as consequências, um dia eu poderia voltar para casa e reconquistar a minha estabilidade. Eu me sentia presa a ele, como o anel em meu dedo.
Saio do banho, vestida com as únicas peças que tinha no momento. Meu cartão de crédito seria muito útil para fazer compras numa situação como essa, não gostaria de chegar em Paris usando um suéter e uma calça jeans.
Christopher dormia profundamente, jogado na cama com os braços abertos, as costas escondidas sobre a colcha bege. Não roncava, mas eu podia ouvir sua respiração pesada.
O que havia ali atrás? O que seria aquilo que ele, mesmo nem percebendo, escondia?
Balancei a cabeça, afastando tais pensamentos e me deitei no canto da cama, encolhida feito uma borboleta no casulo.
Quando acordei, no dia seguinte, Christopher estava no banho. Eu resolvi dar uma olhada no meu celular, mesmo sabendo que era uma péssima ideia. Procurei por ele, mas foi inútil, não estava em lugar algum. Eu não havia esquecido na casa de Christopher, havia? Valor que não, eu o trouxe, carregando-o próximo aos seios, preso na toalha. Certo?...
Quando ele saiu, já com suas roupas, o questionei sobre isso.
— Ah, é. Você trouxe. — Respondeu ele, enquanto calçava seus sapatos pretos e elegantes. — Porém, eu o destruí. Tive um mau pressentimento. Se o seu marido maluco estivesse rastreando-o, os Bratva facilmente nos encontraria.
Por um momento, fiquei brava e preocupada por estar totalmente incomunicável com o exterior, mas ao ouvi-lo fazer uma ligação de Ethan com os Bratva, lembrei de minha questão. Me sentei na ponta da cama, com as mãos juntas e os cotovelos apoiados no joelho.
— Você não me respondeu à pergunta que fiz.
Ele franziu o cenho.
— Me lembro de dizer que só responderia a uma. — Desdenhou, olhando as horas no relógio. Pelo sol escaldante lá fora, devíamos estar entre as 9:00 e as 10:00.
Dei de ombros, meu cenho preocupado.
— Eu sei, mas... É sobre os Sinclair, você não acha que eu, como uma, mereço saber?
Ele arqueou as sobrancelhas, dando tapinhas no próprio sapato e se levantando, abrindo uma fresta na cortina e checando o exterior, muito discreto e cuidadoso.
— Ah, é sobre essa pergunta. — Fechou novamente as cortinas e se virou a mim. — Me diz, você não tem estranhado o fato de os lucros terem redobrado nos últimos dois anos?
Pensativa, percebi que isso não me preocupou antes. Tinha achado que talvez isso só se desse graças ao trabalho duro dos Sinclair. Mais uma vez, a ingenuidade evitou a inteligência.
Percebendo a chateação estampada em meu rosto, disse:
— Seu marido, Ethan, e seu irmão estabeleceram uma parceria com a Bratva. A organização utiliza a empresa como um meio para legitimar os fundos que lucraram por meio de atividades ilícitas nos Estados Unidos. Em contrapartida, vocês desfrutam de uma participação nos rendimentos. — Explicou sem rodeios, indo ao ponto como se isso não fosse grande coisa. — Agora, percebi que fiz uma boa escolha ao selecionar eles, já que você tá com uma cara de quem não imaginaria isso.
O choque tomou conta de mim, tanto pela explicação quanto pelo fato de Christopher ter sido responsável direto por isso, mas como ele poderia? Eu pensei que sequer era envolvido nos negócios da família.
— Você foi o responsável por isso. — Afirmei, abalada.
Christopher revirou os olhos e cruzou os braços, seus ombros sendo beneficiados pela posição que fazia eles aumentarem de tamanho.
— Se vai ficar brava, melhor que fique em outro momento. São negócios, Sara.
Me levanto indo em sua direção, o cenho franzido e as sobrancelhas juntas no centro da testa. Meu nariz doía levemente.
— Não estou brava, apenas fui tola em pensar que, talvez, você não estivesse envolvido nas atividades da Bratva. — Não demonstrava, mas questionando sem de fato questionar era a minha estratégia para que ele explicasse por conta própria.
O homem mantém sua postura, agora sua expressão fora tomada pelo mais puro desdém
— Você achou mesmo que eu fosse só um sócio da Sinclair Propertiers? Eu sou um sentinela, patrulhando cada ação que os Sinclair têm para que andem na linha. Afinal, eu sou o herdeiro, Sara, e tomo conta dos negócios que são feitos nesse país.
Ele caiu na minha armadilha de forma tão precisa que dissipou algumas das minhas dúvidas. Christopher estava, de alguma forma, agindo como um representante do seu pai aqui nos Estados Unidos. No entanto, ainda havia algo que não se encaixava... Por que ele estava fugindo comigo? Por que, naquele dia, se recusou a voltar para a Rússia? Se auxiliava o pai nos negócios, o que o impedia de prestar assistência no país de origem dos Bratva?
— Você é encarregado dos assuntos da Bratva nos Estados Unidos, mas parece que essa não é a vontade do seu pai, considerando o fato de ter enviado três homens atrás de você e estar lhe ameaçando para retornar à Rússia. Ele deseja que você assuma o comando de toda a organização, não é? — À medida que eu expunha essas revelações, fiquei estagnada com as descobertas que pareciam surgir enquanto eu ligava todos os pontos.
Percebi que os olhos de Christopher brilharam intensamente. Ele deveria estar bravo após eu ter feito pontos tão intrusivos, mas parecia estar nutrindo uma certa admiração por mim. Estava impressionado com a minha habilidade de investigação, dado o grande sorriso esboçado em seus lábios.
Nega com a cabeça, estalando a língua.
— Você é boa nisso, Sinclair, mas saiba que esse jogo em que está entrando é mais perigoso do que imagina.
Ele pediu para que eu me apressasse a fazer a minha higiene matinal, porque partiríamos logo para o hangar.
Depois de uma hora, nos dirigimos a uma padaria italiana na cidade. O ambiente, mesmo que pequeno, era aconchegante e bem iluminado pela abundância de janelas.
Na mesa, o silêncio era palpável. Desde minhas descobertas, eu estava tão pasma que esse sentimento havia roubado todas as palavras da minha boca. Christopher, ao contrário de mim, parecia estar devaneando sobre questões que eu talvez nunca descobrisse.
Finalizamos a refeição e pegamos 20 minutos de viagem para chegarmos a um hangar grandioso. Sentei-me em uma das poltronas da recepção, enquanto observava Christopher negociar o aluguel de um jatinho particular com o elegante dono. Eles pareciam conhecidos, porque riam enquanto conversavam e o outro não poupava toques sobre o ombro do Harrington.
Não demorou muito para estarmos dentro do jatinho particular, um verdadeiro luxo em forma de aeronave. As poltronas eram revestidas em couro suave e com também reclináveis. O espaço era amplo, permitindo-nos mover-nos com liberdade pelo interior.
Uma elegante aeromoça estava a postos, pronta para atender a qualquer pedido. Atrás dela, prateleiras bem organizadas ofereciam uma seleção de bebidas e petiscos.
As janelas amplas permitiam uma vista deslumbrante das nuvens e do céu. Estávamos sobrevoando sobre a Flórida e logo chegaríamos na Europa.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Mary Lima
É minha linda vc estar entre a cruz e a caldeirinha.
Fique sempre atenta e de olhos bem abertos de agora enviaste.
2024-04-17
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