Uma chocante descoberta

A respiração de Christopher, carregada e sincronizada com o rugido crescente do mar, formava um perfeito cenário propenso a sentimentos controversos. Embora o calor da sua fúria fosse palpável, eu não recuava. Estava determinada a extrair as respostas que precisava. Medo não era uma opção.

Cruzei os braços, arqueando uma das sobrancelhas.

— Você pode me responder agora e poupar seus ouvidos o resto da viagem, o que acha? — Estendi a mão, tentando estabelecer uma aliança. Christopher revirou os olhos e, por um momento fugaz, vi um sorriso esboçado em seus lábios.

Com sua mão esquerda, Christopher suavemente tomou a minha, trazendo-me para mais perto dele. Com a outra, envolveu minha cintura, assegurando-se de que eu estivesse completamente presa ao seu corpo. Elevou minha mão até seus lábios e depositou um beijo delicado no nó dos meus dedos.

— Você é encantadora, Sara. — Sua expressão já não exibia mais fúria, seus olhos recuperaram a leveza e o brilho, e sua voz tornou-se a habitual, ainda carregada de intensidade e um toque rouco. Subitamente, me soltou e voltou em direção ao carro, andando relaxado, com a mão nos bolsos de sua calça social,suas costas voltadas para mim. — Mas não imaginava que conseguia ser irritante para cacete! — Exclamou.

Corri atrás dele, puxando seu pulso, obrigando-o a parar e virar-se para mim.

— É, você tem toda a razão, eu consigo ser irritante quando eu quero, principalmente quando minhas dúvidas não estão sendo sanadas. — Falei entre-dentes, meus dedos apertando a manga da camisa social dele. — Você não entende o meu lado porque não é a sua vida que está sendo ameaçada, Christopher! Então, ou você me responde o que eu quero saber ou eu corro Daytona Beach afora, gritando que um maluco está tentando me sequestrar.

Christopher puxou seu pulso com agressividade e estralou o pescoço de uma maneira que me deu aflição. Em seguida, sua mão foi parar no bolso detrás de sua calça, tocando de maneira ameaçadora no local em que eu sabia estar o revólver.

— Você morre se tentar.

Ele estava blefando, é claro. Se quisesse me matar, teria feito em sua casa. Ele tinha algum motivo para estar me levando consigo, talvez fosse só empatia, ou algo mais. Eu não sabia, e não me interessava em saber, porque no momento só uma coisa rondava a minha cabeça: O que é o império Volkov.

— Eu vou morrer de qualquer jeito, não vou? — Provoco-o, me aproximando sem medo.

Christopher suspira alto, passando os dedos pelos fios de seu cabelo. Talvez essa fosse sua mania quando ele estivesse se sentindo tenso.

— Tá legal. — Ele se rende, levantando as mãos e colocando-as no ar, ao lado de sua cabeça, suas sobrancelhas arqueadas demonstrando tamanho aborrecimento pela minha constante insistência. — Entra no carro.

Com uma sensação de triunfo, mas esforçando-me para não deixar isso transparecer, aguardo que ele entre no carro para que então eu possa ir em seguida. Não sou ingênua, se entrasse primeiro, ele poderia facilmente me trancar lá dentro. Christopher dá partida e eu respiro fundo para fazer a pergunta:

— O que é o império Volkov?

Ele alarga a gola de sua blusa, pigarreando antes que começasse a falar.

— Não te soa familiar?

Consulto a minha memória e, apesar de não encontrar nada relevante sobre aquele nome, tenho a bizarra sensação de que ele não me é estranho.

Dou de ombros, fazendo um gesto para indicar que ele continuasse.

— Os Volkov...— Christopher começa, não de fato interessado por sua própria resposta. Subitamente, uma vaga lembrança me vêm a mente.

Estávamos em um clube de tênis a alguns meses atrás, Paul e Ethan conversavam muito discretos enquanto eu os observava de longe, entediada com o ambiente. Lembro-me de ouvir Paul expressar, com seu semblante profissional, a preocupação sentida graças a um acordo recentemente feito, na época.

— Eu só preciso ter certeza de que eles são confiáveis. Que nos beneficiariamos com a quantidade ofertada é fato, porém ainda tenho um pés atrás em relação aos Volkov.

Era isso! Eu sabia que esse nome não era estranho. Foi ali que o ouvi pela primeira vez, através da boca do meu cunhado, mas não era possível que fossem os mesmos Volkov, ou isso significaria que a empresa Sinclair estava relacionada à criminosos.

Mesmo eu tendo pouquíssima participação nos negócios, tinha acesso as prestações de conta e a todos os sócios que se aliavam à Sinclair Propertiers Company e eu saberia se estivéssemos envolvidos com alguma atividade ilegal... Eu acho.

— ... São os Bratva.

Soltei uma risada alta, olhando para Christopher e negando com as mãos, obviamente cética de que eles fossem os líderes da segunda maior máfia do mundo. Era loucura! Como ele poderia achar que eu acreditaria em algo t ão delirante?

Christopher não riu, nem um minúsculo sinal de piada em sua feição.

— Você está brincando, não é?

Sequer uma resposta, ou um sorriso indicando uma pegadinha tola. O silêncio, bruto e total, pairando no ar.

Então era verdade...

Os Volkov revelaram-se muito mais do que jamais poderia imaginar! E para complicar ainda mais, tinham conexões com a empresa do meu marido.

— Meu Deus. — Meus olhos se arregalaram, fixando-se em pontos aleatórios do veículo. Eu lutava para assimilar tudo o que estava acontecendo, engolir aquela avalanche de informações e aceitar a verdade, por mais alucinada que fosse.

— O que vocês querem com a Sinclair Propertiers?

Eu pudia pressentir um segredo obscuro que fora guardado de mim por tanto tempo, e talvez essa traição doesse mais do que as mulheres que Ethan desposava quando não estava em minha presença.

Sobrancelhas grossas quando franzidas, em contraste com um sorriso tão arrebatador, me desconcertavam. Engoli em seco, retomando rapidamente a intensidade do sentimento de traição que preenchia o meu vazio coração.

Ele movimentou a boca para falar, mas ante mesmo de uma mísera palavra ser produzida, um som estridente de ligação pairou sobre todo o carro. Não me dei ao trabalho de checar se era o meu, já que este estava constantemente no silencioso. Christopher rapidamente apanhou o seu aparelho da gaveta e verificou a tela com uma expressão desconfiada, atendendo em um seco "alô"

Eu não conseguia ter acesso às palavras que saiam do aparelho, porque estavam em um tom exageradamente baixo. O fato de eu não saber do que aquela ligação se tratava e nem de conseguir desvendar as entrelinhas da face estranhamente neutra de Christopher me causavam uma ansiedade chocante.

Meus pés começaram a balançar, assim como minhas mãos que coçavam os pequenos ferimentos nas palmas, causados recentemente.

Finalmente, o homem esboçou uma reação, mas eu não precisava analisar para saber que, seja lá do que se tratasse a ligação, não era coisa boa. Ele rapidamente freou o carro, sem aviso prévio, e meu corpo foi impulsionado para frente.

— Mande todos os seus homens e os veja sendo exterminados pela sua própria criação, pai.

Christopher abriu a janela e jogou seu celular longe, em seguida começou a distribuir socos no volante, fazendo com que o barulho da buzina incomodasse meus ouvidos.

Apesar de subentender o fato de que ele falava com seu pai, o líder supremo dos Bratva, o que me assustou foi a forma tempestuosa como expôs a sua ameaça, a verdade cortante expondo-se através de todo o seu ódio.

Esse pensamento me causou um arrepio.

— Porra! — Exclamou, obviamente transtornado. Lutei para manter meu corpo estático, tentando não mover nem mesmo o diafragma enquanto respirava. Se eu chamasse sua atenção, provavelmente aquela fúria seria direcionada para mim.

Esfregou o queixo um pouco forte demais a julgar pelas marcas que ficavam sobre a pele branca e a barba bem amparada. Passou o polegar pelo lábio inferior, respirando fundo.

— Mudança de planos. Vamos para a França.

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Comments

Mary Lima

Mary Lima

Nossa que história cativante é cheia de mistérios.

2024-04-17

2

Fernanda Marins

Fernanda Marins

🤔🤔🤔🤔🤔

2024-03-07

1

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