Nos encaramos por alguns segundos. Ele, como sempre, me desnudando com seu olhar profundo e investigatório. Engoli em seco, sentindo toda a minha vulnerabilidade exposta.
Mordi o lábio inferior, afastando pensamentos preocupados com a minha aparência.
— Entra. — Christopher finalmente quebrou o gelo inquietante, um pouco atordoado. Coçou a nuca, abrindo espaço para que eu entrasse enquanto me observava dos pés a cabeça, analisando-me. Senti que eu era como uma refém de seu julgamento.
Com os pés ainda um pouco vacilantes, mas tentando esconder esse fator, adentrei a grandiosa casa, que, de dentro, apresentava um certo toque industrial. O piso, por sua vez, era revestido de uma cerâmica lisa e branca, contrastando com a rusticidade do restante da decoração.
Ouvi a porta ser fechada e continuei a explorar com os olhos cada detalhe da casa. Não havia separações visíveis entre os cômodos, apresentando uma ambientação estilo aberta. A maioria dos móveis eram feitos de madeira polida e metal, ou os dois juntos, um estilo tão característico que me causou uma admiração hipnotizante. Algumas plantas bem colocadas pela casa me levaram a ponderar se Christopher era o responsável por cuidar delas, já que não avistei nenhum sinal de funcionários.
— Aceita café? — Ele questionou, indo em direção à cozinha. Quando alcançou a cafeteira, apanhou uma cápsula de sua gaveta e colocou na máquina. Mesmo envolvido na tarefa, seu corpo se mantinha em minha direção, assim como suas órbitas que não desviavam de mim nem por um segundo. No entanto, notei a ausência de seu sorriso típico.
— Esperava um convite para um uísque, achava que você era desse tipo, confesso. Mas para a sua sorte eu adoro café. — Comentei, me aproximando da ilha e me debruçando sobre a bancada enquanto seguia seus passos com meu olhar. O bom humor na minha frase era uma maneira quase desesperada de encontrar em seus lábios um sorriso, e quando ele o fez, eu me aliviei instantemente.
Chris se aproxima, com a xícara do café que solta vapor de tão quente, com um cheiro levemente achocolatado. Ele a coloca suavemente perto das minhas mãos, sobre a bancada, e se apoia nela, mantendo os olhos fixos em mim.
— Bem, eu normalmente sou desse tipo. Mas quando uma mulher, que não deveria saber seu endereço, aparece repentinamente na sua porta, machucada e no início da noite, você presume que ela já bebeu demais, certo?
Aquela era a maneira descontraída do Harrington de expor o quão péssima eu parecia. Apesar disso, eu não me senti ofendida. Os olhos brilhantes dele deixavam claro que minha aparência atual não importava.
Antes que eu pudesse responder, percebi que a atenção de Christopher desviara de mim para alguém que descia as escadas de metal. Os passos ecoavam sobre o ambiente e eu presumi que fosse Lizzy. No entanto, para minha surpresa, era uma mulher completamente diferente e desconhecida por mim.
A mulher vestia apenas uma blusa social três vezes o seu tamanho, obviamente pertencente a Christopher. Era linda, seus traços delicados, feito um anjo, sua pele bronzeada e seus cabelos cacheados esvoaçantes pelo ar, mas sua expressão foi de animada, para intrigada — de uma maneira negativa — com a minha presença.
No entanto, me cumprimentou de maneira educada, sorrindo para esconder seu incômodo. Uma faísca de empatia se acendeu sobre mim ao perceber que ela parecia gostar muito do Harrington, já que a mágoa causada pelo ciúme era visível em seus olhos castanhos.
— Você e o Christy são amigos? — Questionou, enquanto se enroscava no abraço do homem.
— Sim, somos.
— Algo do tipo. — Respondeu ele, com um maldito sorriso ladino no rosto. Revirei os olhos, escondendo minha expressão na xícara de café.
Tomei um gole do delicioso café, descobrindo que não era só o aroma, mas também o gosto apresentava uma pontada de chocolate meio amargo. Uma combinação deliciosa. Me afastei um pouco, segurando a bolsa na cintura.
— Eu sinto muito, não sabia que ele estava acompanhado. — Sorri fraco, colocando a xícara sobre o balcão. — É melhor eu ir.
É claro que eu não queria ir, mas vê-la tão apaixonada me tornou sensível demais para continuar ali, disputando pela atenção do homem.
Christopher se desvencilhou do abraço, aproximando-se de mim e segurando em meu ombro, apertando-o levemente.
— Não se preocupa. A Hannah já está indo. — Ele voltou sua atenção a ela, seus olhos parecendo gentis, mas suas palavras a representação perfeita de sua canalhice. — Não é, amor?
A mulher o encarou, chocada. Seus olhos encheram-se de lágrimas.
— É Brianna, idiota! Qual o seu problema? A gente fica, sei lá, uns 5 meses, e você nem sabe meu nome? E pior, ainda me troca por essa vadia? — Brianna me encara, sua fúria evidente nas sobrancelhas franzidas. Christopher não responde, apenas estala a língua, desdenhoso. Eu nem mesmo pude ficar ofendida pelo comentário dela. Estava claro que a fúria era mais forte do que qualquer outra emoção no momento. Observei-a subir as escadas apressada e depois retornar com suas roupas e bolsa sobre os braços. Dirigiu-se à porta, mas antes de sair, fez questão de levantar o dedo do meio para Christopher.
Não fazia ideia de como reagir diante de toda aquela situação, apenas mantive minhas sobrancelhas arqueadas, em choque.
— Ser um otário é seu passatempo?
Ele me olha de relance e dá de ombros, não parecendo nem um pouco ofendido pelo comentário feito. No armário da bancada, ele pega uma garrafa de uísque, dois copos de vidro também. Coloca os copos sobre a superfície e serve, empurrando um deles para mim.
— A questão é que parece que essas mulheres têm a tendência de pensar que sou propriedade delas, mesmo quando deixo claro que não sou.
Arqueio as sobrancelhas em um ato sarcástico, entre-abrindo minha boca.
De repente, meus olhos se guiam em automático para o peitoral definido de Christopher. Sua pele, meio amarelada pela luz do ambiente, pareceu ainda mais macia. Acompanhei o caminho de pelos finos que iam de seu umbigo até o interior de sua calça e me obriguei a parar, pegando rapidamente o copo e tomando todo o líquido em um gole só, balançando a cabeça com a sensação de queimação descendo pela garganta.
Ele percebeu o que eu estava fazendo dado o seu sorriso largo, expondo seus dentes brancos e perfeitamente alinhados. Quando sua língua passou por cima de seus dentes, um arrepio percorreu toda a minha espinha.
E o jogo começou.
Christopher aproximou-se de mim, até que nossos braços se encostassem. Nossos rostos não estavam tão perto, mas era como se seu olhar tão assíduo diminuísse toda e qualquer distância.
— Você tem sido um problema para mim, Sara. Já é a segunda mulher que me deixa em situações complicadas por sua causa. — Comenta, enquanto massageia a borda do copo com seus dedos. Nego com a cabeça, soltando uma risada.
— Minha ou sua causa?
Vejo um olhar desafiador sendo lançado sobre mim e me aproximo mais ainda de Christopher.
— Você é o problema, amor. — Sussurro, pertinho da boca deliciosa e com um aroma de menta e uísque do homem.
— Você veio aqui para debater sobre minha vida amorosa ou porque precisa de mim?
Dou de ombros, me afastando novamente.
Chris toma um gole de seu uísque e limpa a boca com as costas de sua mão. Em seguida, finca suas mãos em minha cintura, puxando meu corpo para mais perto do seu, até que quase fôssemos um só.
— Tem uma questão interessante pairando sobre a minha cabeça. Você precisa de mim para o quê, exatamente? Porque, nesse exato momento, eu tenho devaneado sobre as posições em que eu gostaria de te comer nessa cozinha. — A voz dele sai como um sussurro desesperado e ofegante. Ao ouvir tais palavras, sinto minha calcinha ficar molhada.
Nossos olhares, como ímãs, parecem incapazes de se separar por um instante sequer. A eletricidade no ar é palpável, o fogo do tesão se alastra por nossos corpos. Cada centímetro da minha pele anseia pelo toque dele, minha boca seca pela necessidade de senti-lo.
— E você está esperando o quê para fazer isso?
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Atualizado até capítulo 43
Comments
lua 🌙
que mulher sem amor próprio. pegar resto de outra
2025-01-11
0
Mary Lima
Uauuuuuuuuuu,vamos que vamos.
2024-04-17
1
Fernanda Marins
🔥🔥🔥🥵🥵🥵
2024-03-07
2