Sejamos Discretos

Gia Willians aparentava escassez de vida, os seus olhos eram frios, mesmo que muito amáveis. O rosto impassível olhando para seu marido parecia o rosto de alguém vazio, sem perspectiva de melhora. Houve uma pontada de dor em meu peito ao sentir certa compatibilidade.

— Está tudo bem? — Perguntei, mesmo que receosa. Não costumava interessar-me pelo bem-estar das pessoas ao meu redor, mas Gia estava despertando minha empatia adormecida. Ela esboçou um sorriso tedioso.

— Não se preocupe, querida. Meu marido é um canalha e isso não é mais privado, não me choca a sua falta de decência. Afinal, ele é só um homem. — Engoliu seco, voltando seu olhar a mim. Concordei com a cabeça, soltando uma risada nasal fraca.

Encarei as garrafas de vinho caro estampadas na prateleira do bar, devaneando.

— Por que continua com ele? — A pergunta repentina causou assombro até mesmo a mim, que a fiz. Pigarreei, reformulando a frase:

— Quero dizer, você é linda Gia. Não só linda, você esboça uma inteligência rara, é imponente, importante no mundo dos negócios e era rica antes mesmo de se tornar uma Willians. Por que continua com um traidor quando poderia ter qualquer um?

A mulher arqueou sua coluna, bebericando um pouco mais de seu vinho. Deu de ombros, como se nem mesmo ela soubesse a resposta.

— Ele é um ótimo pai, talvez seja isso que me prenda.

— Talvez?

Gia me observou com seu olhar amável e colocou sua mão sobre a minha, que estava apoiada no balcão.

— A vida tem muitos desses mistérios insolúveis. No meu caso, aceitar é a única maneira de seguir em frente, mas não precisa ser a sua. — A última frase me deixou muito confusa. Como Gia poderia saber sobre o meu caso? Ethan estava sendo tão óbvio assim? Me senti envergonhada, mas mais ainda, furiosa. Gia apressou-se em me acalmar, apertando levemente minha mão e me lançando um sorriso compreensivo.

— Não se envergonhe pelas ações dele, querida. Ethan esconde bem, ao contrário de Julian, mas ele carrega consigo o mesmo olhar covarde de meu marido. E você... você tem a mesma frieza que carrego há esses anos. — Ela respirou fundo, seus olhos fixos no salão. — Mas, como eu disse, aceitar não precisa ser a sua saída. Você tem muitas opções, querida, ainda é jovem... e uma de suas opções não para de te observar.

Ao acompanhar o olhar de Gia, meus olhos encontram os de Christopher, brilhando intensamente. Um sorriso discreto e ladino estampa seus lábios ao perceber que eu também o encarava.

— Ele... não é uma opção, não a longo prazo. — Respondo com desdém, ainda com as órbitas fixas nas de Christopher. Observo-o umedecer seus lábios com a língua e sinto algo subir das minhas pernas para meu peito, algo quente.

— E por que não? — O tom de voz de Gia apresentou um quê de diversão. No fundo, senti satisfação por proporcionar a ela um momento leve.

Minha resposta entalou-se na garganta ao ver Christopher caminhando lentamente até um dos corredores vazios da mansão. Seus lábios gesticulando uma palavra que enviou um choque repentino por todo o meu corpo.

“Venha.”

Engoli seco, tentando ignorar a montanha-russa de emoções que aquele homem me fazia sentir, mas falhando miseravelmente.

— Ele é só uma diversão. — Meu pescoço gira a maneira que Christopher se distancia. Uma batalha interna se desenrola, entre um apelo insistente para seguir Christopher que meu coração emite e a voz sensata da minha razão que implora para que eu fique e não arranje problemas.

Gia solta a minha mão, mas antes dá um leve tapinha em meus dedos.

— Então vá se divertir. — Seu sussurro é descontraído, mas também sério. A observo de relance e ela aponta com a cabeça para a direção em que o homem acabara de sumir. Me levanto, respirando fundo e colocando algumas mechas atrás da orelha.

Desfilo entre as várias pessoas do salão, tentando não entrar no campo de visão de Ethan.

“Caralho, isso vai dar tão errado” penso, enquanto me direciono ao corredor em que Christopher entrou. “Mas, caralho, eu preciso dele de novo”.

Ao finalmente entrar no corredor, este me parece apenas um longo caminho escuro repleto de escutas artísticas, mas nenhuma delas é Christopher. Franzo o cenho, confusa, porém antes que eu pudesse dar meia volta, uma mão me puxa agressivamente para um recanto próximo da parede e sinto meu corpo se ajustar a outro, um forte e muito confortável.

Meu rosto está grudado no peito largo de Christopher. Ouço sua risada preguiçosa enquanto ele me encurrala na parede e coloca seus dedos sobre o meu queixo, levantando-o.

— Pensei que não viria.

— Considerei não vir. — Tento parecer calma, mesmo que meu coração esteja batendo anormalmente rápido.

Christopher deslizou sua mão suavemente sobre meu rosto e seus dedos delinearam meus lábios, enquanto os seus se aproximavam de maneira travessa de meu pescoço. Senti vontade de puxá-lo para mais perto e perder a linha sem me importar com o mundo de pessoas lá fora. No entanto, tento me recompor.

Era preciso provocá-lo e deixá-lo frustrado, para que nunca mais agisse como se estivesse no controle.

Coloco minhas mãos sobre seu peitoral musculoso e o encaro com um olhar exageradamente inocente.

— Não seja um garoto mau. — Subo minhas mãos pelo seu pescoço, esfregando propositalmente meus seios em seu tórax. Entre minhas pernas, consigo sentir a elevação do membro de Christopher. Sorri com a língua sobre os dentes, puxando levemente o cabelo do homem. Ele me encarou com suas órbitas, que ficaram escuras pela escassez da luz.

— Não brinque comigo.

Meu sorriso se alarga ainda mais. Uma das minhas mãos desce até a rigidez grossa entre as pernas de Christopher e começo a acariciar aquela coisa grande pelo tecido de sua calça social. Ao encará-lo novamente, percebo suas mandíbulas tensas e seus dentes pressionando o lábio inferior.

— Senhora Sinclair... — O sorriso travesso finalmente enfeita sua expressão irritada. — Esse sobrenome é uma desgraça.

Christopher segura meu pulso com firmeza e o coloca acima da minha cabeça. Podia-se ouvir nossas respirações pesadas, sobressaindo a música clássica que tocava no salão. Estávamos tão perto de sermos descobertos, mas a presença de Christopher fazia com que eu esquecesse desse fato e simplesmente aproveitasse o momento que estávamos tendo agora. Ele me deixava sedenta.

— O que vai fazer agora? — Pergunto, minha voz saindo como um sussurro manhoso. Ele sorri, se aproximando até que a ponta de nossos narizes se encostassem. O ardor que eu sentia em meu peito não me permitia esperar mais, então cravei meus dedos em seu pescoço e o puxei para mais perto. Nossos lábios se encontraram, famintos. Sua língua explorava cada parte de minha boca, deliciando-se com meu gosto. Enquanto o beijo tornava-se cada vez mais intenso, Christopher fez com que eu rodeasse sua cintura com minhas pernas e me apoiou na parede. Suas mãos fortes apertavam ferozmente minha bunda e as minhas puxavam levemente seus cabelos negros. Estávamos incendiando o lugar com nosso calor e nada ao redor parecia importar, nem mesmo um dos garçons que nos observava, petrificado, em choque.

Quando encerramos o beijo, já sem fôlego, Christopher notou o homem com uma bandeja e alguma taças vazias na mão. Ao acompanhar seu olhar, senti meu coração sair pela garganta e o desespero fez de meu corpo sua posse. Imaginei como seriam os próximos minutos e as próximas horas, o meu caso sendo revelado publicamente por Ethan, a humilhação que sofreria de toda a sua família e... Minha, mesmo que terrível, única familia sendo desfeita por minha causa.

Christopher me colocou no chão com calma e, diferente de mim, não parecia nem um pouco desesperado.

O garçom, ao sentir tamanha atenção sobre si, tentou continuar seu trajeto, mas foi barrado por Christopher que o segurou pelo colarinho traseiro de sua blusa social branca. A bandeja caiu no chão, mas graças a música, nada foi ouvido no salão.

— D-desculpe. — Gaguejou o homem, visivelmente assustado. Christopher apenas sorriu, dispensando as desculpas com um gesto desdenhoso.

— Suas desculpas são dispensáveis, afinal não aconteceu nada aqui, certo? — Apesar do sorriso estampado na cara de Chris, seus olhos eram tão ameaçadores quanto o de um leão observando sua caça. O garçom apenas concordou repetidamente com a cabeça, sorrindo forçado.

— N-nada aconteceu, s-senhor.

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Comments

Claudia

Claudia

ainda não entendi porque ela não se separou desse idiota do Ethan... tão sem sentido....

2025-04-05

0

lua 🌙

lua 🌙

acho que ela poderia lar o marido, e depois se envolver com outro

2025-01-11

0

Rayane isolina

Rayane isolina

gente que loucura kkkk

2024-07-16

1

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