Flashback
Eu estava grávida!
Ethan e eu havíamos tentado tanto e finalmente poderíamos ter um bebê só nosso, uma carinha gorda que me alegraria nas noites solitárias, um ser humano no qual eu depositaria todo o meu amor e cuidado...
Ao ver os dois pontinhos, meu coração encheu-se com adoração. Logo, Ethan contou para a sua família e todos pareciam muito animados. Pela primeira vez na vida, eles pareciam se importar comigo, como uma família de verdade...
Meu marido e eu estávamos fortalecendo nossa relação, ele havia parado de me trair e eu estava explodindo de felicidade por tudo estar dando tão certo.
Fomos ao médico para fazermos a ultrassonografia e antes mesmo de entramos na sala, Ethan estava tão emocionado que suas lágrimas lavavam sua bochecha. Eu não pude me conter e chorei com ele, já fazendo planos sobre o enxoval, o quarto, a educação, a alimentação e organizando tudo nas caixinhas da minha mente.
— Eu sinto muito em informá-los, mas o teste feito foi um falso positivo...
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Após praticamente fugir da mesa em que estava com a desculpa de que iria ao banheiro, me escondi de todos num dos cantos escondidos do belíssimo jardim. Era um lugar calmo, coberto por diversas flores, plantas e pássaros. Sentei-me em uma das namoradeiras, encarando minhas próprias mãos enquanto a voz do médico ecoava em minha mente.
Falso positivo.
"Eu deveria ter processado a porra da empresa responsável por aquele teste... Por que justo comigo? O que fiz para merecer isso?"
As lágrimas, ameaçando sua chegada, causaram uma ardência leve nos meus olhos. Não me preocupei em contê-las, permitindo que carregassem toda minha amargura à medida que caíam.
— Ótimo esconderijo você tem aqui. — A voz de Christopher interrompeu todos os meus pensamentos melancólicos e até mesmo o ambiente tão sereno. Normalmente, eu enxugaria as lágrimas rapidamente e colocaria a minha máscara mais feliz para esconder todos os sentimentos embaralhados, mas não queria fazer isso agora. Só precisava chorar um pouco.
— Não é um esconderijo. — Falei, apertando as mãos com força.
— Não? — Christopher questionou, mas sua voz não apresentava o tom intenso habitual, estava suave. Esse fato me irritou, ele com certeza estava sentindo pena de minha postura deplorável diante de tudo.
Sentou-se ao meu lado, mas seus olhos pareciam fixos na árvore à nossa frente. De certa forma, sentia-me aliviada por não estar sendo meticulosamente observada por suas órbitas tão atentas que me desnudavam frequentemente.
— Não. Só precisava respirar um ar que não fosse carregado por perfumes caros. — Tentei fazer com que minha voz soasse mais descontraída, mas era óbvia a conotação chorosa.
Ao contrário do que eu jamais imaginaria, Christopher riu e relaxou na namoradeira, dando de ombros.
— E conversas sobre crianças?
A forma despreocupada com que aquelas palavras foram ditas, como se Christopher não de fato de importasse com o tema, me surpreendeu. Eu suspirei de alívio ao examinar sua face e não encontrar um sarcasmo estampado, ele parecia apenas fixado na imagem do pássaro que formava seu ninho em um dos galhos da grande árvore.
Com um grunhido, concordei.
— Não entendo a fixação que as pessoas têm por esse assunto. — Comentei, baixinho.
Christopher concordou, manejando a cabeça.
— Elas gostam de ditar os passos alheios. — Ele falou, passando os dedos sobre seu cabelo leve e jogando-o para trás. — E com suas perspectivas burras e estreitas.
Percebi então que as lágrimas que escorriam feito chuva pelas minhas bochechas cessaram lentamente.
— Acha que filhos são uma perspectiva estreita? — Questionei, encarando a forma como parecia tão perdido em seus próprios pensamentos. Era a primeira vez que o via tão centrado e ele emanava uma atratividade cósmica.
Deu de ombros novamente, voltando sua atenção ao meu rosto vermelho.
— Acho. — Desdenhou. Arqueei as sobrancelhas. Ele não parecia nada paternal, a julgar por sua personalidade. Suas maneiras indicavam que sua zona de conforto era a perdição.
— E o que a sua namorada pensa disso?
De repente, a expressão habitual libidinosa decorou os traços marcantes de seu rosto. Abriu um sorriso ladino e suas sobrancelhas franzidas indicavam certa curiosidade sobre a minha pergunta, mesmo eu a tendo feito sem nenhuma segunda intenção camuflada.
— Namorada? — Soltou uma risada nasal, divertindo-se com minha expressão confusa. — Lizzy não é minha namorada, boneca. Eu só estou me divertindo.
Pensei em perguntar a ele se ela também compartilhava desse modo de pensar, mas a resposta era obviamente negativa a julgar pelos olhares contantes e desconfiados que a mulher lançava sobre mim. Christopher se divertia com Lizzy, mas ela não queria só se divertir.
— E você? É do tipo que sonha em ter uma cambada de pirralhos?
Aquela pergunta, vinda de qualquer outro, seria como uma afronta para mim, uma lâmina brincando com minha ferida, mas inacreditavelmente, não me senti daquela forma.
— É... Que clichê, né? — soltei uma risada nasal fraca, relaxando minhas pernas tensas. — Mas eu ainda não consegui ter nenhum, então por enquanto estou limitada a sonhar. — Encarei minhas mãos suadas.
Christopher me deu um empurrãozinho com o ombro. Suas sobrancelhas estavam franzidas em descontentamento.
— Aposto que o banco de porra do seu marido é ineficaz.
A frase tão ridiculamente genuína me fez soltar uma risada alta. Ele era o primeiro que apontava o meu marido como o defeito e não eu.
Christopher e eu compartilhamos um momento breve de risadas, até que elas cessassem.
Mesmo minha visão sobre Christopher estar se deteriorando, havia uma parte de mim que me sentia grata por ele estar ali, ao meu lado, mesmo que falando idiotices. Sua presença aliviou toda a carga que eu carregava, mesmo que por ora. Porém, algo me deixava muito curiosa. Por que ele veio até mim? Se preocupou comigo?
Improvável. Ele não parece ser do tipo empático.
Então por que ele pareceu estar tentando me deixar confortável?
— Por que você veio?
— Eu sou um cavalheiro. — Sua frase era regada de ironia, mas ali percebi que ele não me responderia diretamente, então decidi abandonar a questão.
— É claro que é. — Sorri com sarcasmo. Me levantei da namoradeira, tirando da minha calça alguns pedaços de folha seca que caíram sobre ela. Encarei as órbitas verdes de Christopher, um pouco envergonhada ao saber que ele me viu num estado tão vulnerável.
— Eu espero que você não conte para ninguém o que viu.
Christopher arqueou uma das sobrancelhas, forçando uma expressão confusa.
— Porém, eu não me lembro de ter visto nada.
Droga, como ele podia ser tão adorável e tão canalha ao mesmo tempo? Não consegui impedir que um sorriso genuíno pintasse meus lábios.
— Você já vai? Achei que teríamos uma daquelas aventuras de novo.
O sorriso prontamente se esvaiu de minha face, dando espaço a uma expressão cínica.
— Deus do céu, você não existe. — Falei, entre risos, indo em direção às mesas novamente. Christopher riu, seguindo-me e mantendo uma distância apropriada entre nossos corpos.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Rayane isolina
este homen me faz suspirar kkkk
2024-07-16
0
Mary Lima
/Grin//Grin//Grin//Grin//Grin//Drool/
2024-04-16
2
Fernanda Marins
kkkkk
2024-03-07
1