A Curiosidade Matou o Gato

Ele citou suas regras, ditando-as como se fosse uma ameaça não segui-las. O problema é que, no geral, eu podia ser muito teimosa. Porém, mesmo sabendo de minhas características, elas não precisavam ser expostas para aquele homem na minha frente, que me olhava tão hipnotizado por meu corpo. 

— Tudo bem. — Respondi. — Vou seguir todas elas, não se preocupe. — Menti. 

Coloquei meus pés no chão de cerâmica gelado e, em seguida, me curvei para que meus joelhos também atingissem o frio daquele piso. Cruzei os braços abaixo dos seios, juntando as minhas mãos em um ato de suplica. 

Vê-lo naquela posição, com tamanha autoridade sobre os sentidos do meu corpo, era mais do que extraordinário, era recompensador. 

Seu abdômen era tão tonificado que parecia ter sido esculpido diretamente pelas mãos de Michelangelo. Implorei, baixinho, sentindo um pouco de timidez por estar tão submissa a um homem. 

Durante grande parte da minha vida, eu sempre fui uma mulher que não gostava de seguir as convenções impostas pela sociedade, sempre desafiando a ordem natural das coisas. Ethan casou-se comigo justamente pelo meu senso aventureiro. Mas, ao me tornar uma Sinclair, foi como se toda a minha personalidade ao poucos se esvaísse do corpo, e então virei alguém apta aos sofrimentos que me eram oferecidos. Tornei-me alguém fria, que escondia os seus sentimentos por detrás de uma máscara de uma mulher esnobe. Era mais seguro assim, não ter impulsividade e sempre se manter dentro da zona de conforto me garantia uma proteção das ações exteriores. 

Contudo, naquela noite em que fui impulsiva pela primeira vez em muito tempo, conheci Ethan e ele resgatou um pouco dessa personalidade em mim. Esse pequeno fragmento do meu eu do passado me fez ter comportamentos que eu nem imaginaria, como enfrentar minha sogra e confrontar a verdade diante de toda aquela família: que talvez EU não fosse o problema. É claro, o preço a se pagar foi alto, como evidenciava o curativo sobre o meu nariz. Eu ainda sentia meu coração despedaçado, mas aqui, com esse homem, parecia que nada disso importava. Tampouco a dor, mesmo que temporariamente.

Christopher me tomou para si de uma forma que nenhum homem antes fez, explorando cada espaço nunca explorado, seja com seus dedos, boca ou seu membro rijo, que ainda me fazia questionar como conseguia aguentar algo daquele tamanho. 

Nossos corpos, unificados em prol do prazer mútuo, percorrendo um caminho de intimidade e entrega, ardor e paixão, compartilhando um êxtase inexplicável. 

O ar da minha garganta foi impedido pela mãos fortes de Christopher. Ele apertava meu pescoço, quase tirando-me os sentidos, mas aquilo era bom. A escassez de oxigênio causava um sentimento prazeroso de quase inconsciência, intensificando todas as outras sensações que eram causadas por ele, em outras partes do meu corpo.

Ele libertou meu pescoço de suas mãos, apenas para direcioná-las à outra região. Colocou-me de quatro, me tomando com uma potência perturbadora. Doía tanto, e aquela posição acentuava isso. 

Mas, Deus, como era bom!

Meus cotovelos se desequilibraram e minha face enterrou-se no colchão. A mão esquerda do homem começou uma série de tapas brutais depositados sobre minha bunda. A sua mão direita levantou minha cabeça no colchão, agarrando meus cabelos e puxando-me para trás, até que minhas costas e o seu abdômen estivessem grudados. 

O barulho de nossos corpos suados, colidindo um contra o outro, era como a música que pairava sobre o cômodo, além dos tapas e gemidos constantes, é claro. 

Sua boca se direcionou a limiar entre meu ombro e meu maxilar, enterrando seus dentes sobre aquele espaço, sem piedade. A mordida implacável penetrou como um raio de aflição aguda, percorrendo meu corpo em um choque eletrizante. Seus dentes eram afiados e fortes, principalmente suas duas presas, que conseguiram causar um corte superficial sobre a minha pele. 

Para impedir que um grito alto saísse de minha boca e ressoasse pelo cômodo, mordi forte meu lábio superior. Era como um desafio para que ele fizesse novamente, e com o dobro da força. 

E ele de fato fez, focado em me fazer gritar. Dessa vez, eu gemi como um animal ferido. 

Lágrimas escorriam de meus olhos, mas ainda, sim, eu adorava a sensação.

No fim da noite, eu estava completamente destruída. Cada centímetro da pele que cobria os músculos da minha bunda ardiam, assim como meu pescoço, coberto por marcas das mordidas de Christopher. Ele, por sua vez, nunca pareceu tão satisfeito. Seu corpo reluzia sob a luz do luar. Havia gotas de suor escorrendo sobre todo o seu corpo, deixando-o úmido e muito gostoso. Seus músculos pareciam relaxados, mas seu peito se movimentava rapidamente, um tempo curto se dava entre uma respiração e a outra. 

Os passos de Christopher ecoaram pelo quarto quando ele se dirigiu ao banheiro, andando de maneira relaxa. Olhei atentamente, e pela primeira vez, percebi que nunca havia visto suas costas. Não era como se ele sempre se movimentasse estrategicamente para que eu não pudesse ver, mas era estranho ter essa informação dado o fato de Christopher ser sempre tão desinibido e de não se importar em exibir seu corpo. 

Agora, com a camisa jogada sobre o ombro, tampando à esquerda de suas costas, ele seguiu em direção ao banheiro. Um ponto em meu cérebro ficou em alerta e despertou curiosidade em saber o que havia debaixo daquela blusa. Mesmo não tendo certeza de que ele de fato tinha algo ali, minha intuição me fazia pensar que sim.

Tentando afastar esses pensamentos, afinal, eu não deveria me importar se ele escondia algo de mim ou não, encostei minha cabeça no travesseiro fofinho da cama, aconchegando-me sobre o que deveria ser o móvel mais libidinoso da casa. Então, exausta e machucada, desmaiei, sentindo uma mistura de vulnerabilidade e satisfação, enquanto a escuridão do quarto envolvia tudo ao redor. 

Meu despertador pessoal, um horário específico que se mantinham guardado na minha mente e me acordava todos os dias, fez com que eu abrisse os olhos. 

Explorei o cômodo com o olhar. A luz estava escassa, apenas alguns raios solares passavam por entre as brechas da cortina que cobria o janelão. Na noite anterior, aquela cortina estava aberta, dando a entender que Christopher fechou. 

O quarto, um pouco iluminado, era tão industrial quando o resto da casa. As paredes eram de tijolos feitas de tijolo, enfeitadas por alguns quadros em preto em branco. Um deles me chamou atenção, era o maior do cômodo, que estava posto em um dos quadrados da estante metálica de livros. Era uma paisagem mórbida, composta por um caminho sombrio de gramas-pretas, que continha apenas uma árvore morta. Haviam também algumas plantas, um grande guarda-roupa que eu lembrava muito bem, por observar nossos corpos naquele espelho. E, no teto, havia lustres redondos e dourados.  

Apesar de ter observado tudo naquele quarto, não encontrei o dono. Mesmo não o encontrando, eu precisava sair dali. Comecei um caça pelas minhas roupas, mas logo lembrei que todas as peças estavam lá embaixo.

Praguejei mentalmente, apanhando uma toalha cinza que pendia num cabideiro. Envolvi-me nela, sentindo o agradável perfume cítrico do Harrington. Ao abrir a porta, percebi Christopher no meio de uma discussão acalorada com três homens na sala. Surpreendentemente, ele parecia visivelmente irritado, algo que eu nunca imaginaria. Ele parecia ser do tipo de homem que sempre estava relaxado. 

Os três vestiam ternos negros, como naqueles filmes de espiões, e notei, tal qual nos filmes, as pistolas disfarçadas em seus bolsos. Decidi me aproximar cautelosamente, para escutar melhor sobre o que falavam. Nunca fui intrometida, mas o fato de aqueles homens parecerem perigosos me causou uma curiosidade alarmante. 

— Manda o velho se fuder. — Esbravejou Christopher, suas sobrancelhas franzidas e o maxilar notavelmente tensionado. 

Um dos homens, o do meio, negou com a cabeça. Ele parecia ser o único a esboçar algum tipo de expressão, já que os outros dois pareciam duas estátuas ambulantes. 

— Você é herdeiro do império Volkov, Christopher. Deve retornar à Rússia, mesmo que não deseje. — O homem falava com um sotaque carregado, obviamente russo. 

Herdeiro? Império? 

Então Christopher era de uma família russa? Como era possível, se não existia sequer um pingo de sotaque em suas falas? E seu sobrenome era Harrington, obviamente americano.

Tudo parecia muito confuso. Semi-cerrei os olhos para ver a reação de Christopher. Ele arqueou as duas sobrancelhas, abrindo um sorriso ameaçador, do tipo que nunca vi em seu rosto antes. Havia uma fúria velada naquele sorriso. 

— Eu nunca vou voltar para aquele inferno de novo. E se não saírem daqui, eu vou me certificar de que vocês desapareçam.

— Tudo bem, desde que certifique-se de que a mulher que nos observa também desapareça. 

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Comments

Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca

Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca

a curiosidade matou o gato sara

2024-12-10

0

Rayane isolina

Rayane isolina

e Sara lascou agra

2024-07-16

0

Mary Lima

Mary Lima

/Skull//Skull//Skull//Skull//Skull//Skull/

2024-04-17

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