— Você está ficando louco? Eu pensei que... Você tinha um plano, mas só parece estar tomando decisões impulsivas.
Christopher riu alto, sua risada carregada de incredulidade. Por algum motivo, a minha frase tinha soado como uma piada para ele e isso me irritava.
Eu já estava há tempo suficiente fora de casa para que Ethan ficasse louco a minha procura. Ele precisava me manter sob controle e se não conseguia, perdia toda e qualquer sanidade. Exatamente por isso, evitei olhar as milhares de mensagens que eu sabia que ele havia mandado, mas evitar vê-lo por um dia era muito diferente de evitá-lo por sabe-se lá quanto tempo.
Sim, minha vida estava em jogo, mas se eu fosse para Paris, todo o meu controle estaria fora das minhas mãos.
— Não vou para Paris.
A língua de Christopher passou por todos os seus dentes superiores e ele desdenhou, dando de ombros.
— Sabe, uma decisão impulsiva salvou a sua vida. Se você não quer ir para a França, que é um dos únicos países fora da influência do Bratva, que seja. Morra na Flórida.
— Eu não posso deixar Ethan.
Dessa vez, Christopher semi-cerrou seus olhos até que não fosse possível reparar na cor verde que os pintava. Ele agarrou meu pescoço e me puxou em sua direção. Nossas testas se grudaram e ele apertou minhas narinas, exatamente em cima do curativo.
A dor, que se ausentara nas últimas horas, voltou repentinamente, causando-me lágrimas nos olhos. Me afastei de maneira bruta, entre-abrindo a boca e colocando levemente os dedos sobre o nariz, grunhindo de dor.
— É, imaginei que ainda doesse. Da próxima vez, seu maridinho não vai ser tão gentil e, um dia, não importa o quanto duvide, ele vai exagerar tanto a ponto de te deixar irreconhecível. — Christopher se afastou, enojado. — É esse idiota que você não quer deixar?
Em toda a minha vida, nunca me senti tão nua, mesmo que totalmente vestida. Minha pele queimava com a sensação de vulnerabilidade em que Christopher me deixou. Um desconforto nauseante pairou sobre o meu estômago e eu pensei, por alguns segundos, que ia vomitar.
Ele havia percebido tudo, mesmo que eu pensasse o contrário. É claro, ele não era burro. Eu quem fui ingênua em achar que talvez estivesse encenando tão bem a ponto de ele esquecer totalmente meus hematomas. Engoli em seco, olhos arregalados em choque.
Não conseguia sequer formular uma resposta. O que diria? Como justificaria o injustificável? Que precisava de Ethan, um marido covarde, agressivo e muito manipulador, para sobreviver? No lugar mais profundo do meu âmago, algo me indicava uma contradição. Que eu não precisasse dele... Talvez, eu só estivesse com medo de sair da minha zona de conforto e ser rejeitada pela sociedade que já havia me rejeitado antes.
Afinal, quem gostaria de uma garota miserável, filha de um pai viciado e uma mãe louca, sem nenhuma qualidade além das que fingia ter?
— Se não quer ir, eu deixo você na...
— Eu vou. — Respondi, determinada, engolindo o choro que indicava a sua chegada. Meu coração batia rápido, e um alívio se postou sobre o meu ser. Era como se aquelas duas palavras houvessem me libertado.
Chris não falou nada, apenas assentiu com a cabeça e deu partida no carro, dirigindo mais rápido do que nunca.
A viagem longa e silenciosa, com apenas o barulho dos pneus sobre a estrada vazia, teve como destino um hotel glamouroso em uma cidade urbana, porém pouco movimentada.
Mesmo que a postura ereta de Christopher pudesse esconder seu cansaço, as pálpebras de seus olhos caiam levemente, como se lutassem contra o sono que parecia se alastrar cada vez mais pelo seu corpo.
Adentramos o hotel, passando pela fachada luxuosa, que continha um letreiro minimalista e elegante escrito "Monet". No lado de dentro do lugar, havia uma luz discretamente amarela, os pisos eram perfeitamente brancos, como se polidos recentemente, assim como as paredes. Havia algumas poltronas e mesinhas de centro em um canto de espera, todas num tom próximo ao da parede. O balcão revestido por uma pintura branca se estendia pela sala, apresentando apenas a atendente, uma mulher de meia-idade usando um uniforme muito bonito.
— Bem vindos ao Monet! Em que posso ajudá-los? — Ela tinha um sorriso muito gentil. Semi-cerrei os olhos para enxergar em seu crachá dourado prendido a roupa, o nome "Claire Terrence".
Christopher não parecia tão interessado no que estava escrito naquele pequeno objeto. Ele tirou de seu bolso uma grande quantia de dinheiro em espécie, talvez o dobro do valor de uma diária.
Estendeu aquelas notas sobre o balcão, depositando-as no mármore branco sem o menor interesse.
— Dois quartos. — Informou, seus olhos pesados como chumbo.
Claire olhou para as notas com brilho nos olhos, e então voltou sua atenção ao homem à sua frente, com o canto da boca virado levemente para baixo.
— Eu sinto muito, pensei que fossem um casal. Todos os nossos quartos estão ocupados essa noite, com a exceção de uma suíte.
— Tanto faz, apenas me dê a droga da chave. — O seu estresse parecia crescer com seu sono. A mulher sorriu novamente, feliz de conseguir gorjetas tão boas. Eu não questionei a ideia, apenas a aceitei, meu corpo tenso implorando por um banho.
Pegamos a chave da suíte, subindo o elevador até alcançar o 10.º e último andar. Andamos até o final no corredor e encontramos nosso quarto. Uma suíte majestosa, digna de todo aquele dinheiro. A cama era extensa, o que me aliviou. Apesar de eu já ter compartilhado o sono com Christopher antes, aquela situação parecia diferente agora. Eu não queria me envolver mais com ele e mergulhar mais fundo no que poderia causar o meu fim.
Além da grande e aparentemente confortável cama, o piso era completamente revestido com tapete felpudo, havia alguns armários embutidos na parede, que contavam com algumas toalhas e plantas bem cuidadas. À frente da cama, duas poltronas reclináveis próximas do frigobar. O janelão era tão grande quanto o do quarto de Christopher, dando-nos uma vista exclusiva de um parque verde entre alguns prédios pequenos e casas bonitas.
Christopher se sentou na cama, exausto. Tirou seus sapatos e desabotoou dois botões de sua blusa social. Eu o observava, perdida em pensamentos e questionamentos.
— E agora? — Pergunto, insegura com a resposta.
— E agora... — Ele continua desabotoando mais botões, seus dedos muito ágeis e cuidadosos. O peitoral musculoso é exibido após a abertura completa da blusa. — Vamos dormir. Amanhã, iremos para o hangar mais próximo e voaremos em um jatinho até Paris.
— E em Paris? O que faremos lá? — Mantenho-me no mesmo lugar, feito uma estátua. Apenas meus olhos se moviam e iam do peitoral de Christopher para a sua boca, úmida e muito avermelhada.
— Pare de fazer tantas perguntas.
— Nunca. Não até entender toda a situação, cada ponta solta. Certas vezes, sinto que elas são deixadas por você de propósito, para que eu morra de infarto antes de ser morta pela máfia. Ótima estratégia, devo reconhecer.
Christopher apoiou suas mãos na cama para se levantar e tirou o resto da blusa, vindo até mim. Os nós de seus dedos passaram levemente sobre minha bochecha gelada e uma desconhecida sensação de conforto se apossou de cada célula viva em mim. Fechei os olhos, visando a intensificação daquele sentimento gostoso. Agora, ele aproximou todo o seu corpo do meu e segurou em meus ombros, massageando de maneira leve os locais em que passava, enquanto ia subindo, até alcançar minha mandíbula.
Era como se um feitiço sensual estivesse se apossando do meu corpo, atiçando meus sentidos, tornando-me hipnotizada por cada toque e, com eles, removendo minhas preocupações. Uma sensação leve, deliciosa.
— Não se preocupe com isso agora.
Ele encosta seus lábios nos meus, se acomodando com um selinho e então tornando tudo mais intenso, firme.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Sheyla Cristina
que mulher chata todo hr fazendo pergunta, se eu fosse ela já ñ queria saber ms de nada, quanto menos souber é melhor
2025-03-30
0
Mary Lima
Ele mais apaixonado que nunca /Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/
2024-04-17
1
Simone Silva
ela está mais perdida q cego em tiroteio kkkkkkkkkkkk
2024-04-16
1