Após o incidente quase catastrófico no corredor, Christopher e eu resolvemos voltar ao evento furtivamente, sem levantar maiores suspeitas.
Eu fui ao encontro de Ethan, que se deletava em me expor para todos os convidados como sua querida esposa troféu, enquanto Christopher juntou-se com um grupo de homens importantes.
Mesmo ciente de seu cúmplice olhar sobre as minhas costas, resolvi ignorá-lo completamente. Nunca fui uma mulher tão impulsiva, mas algo em Christopher despertava em mim esse lado e eu não queria sofrer maiores riscos ou o evento da noite seria a traidora Sara Sinclair.
O baile arrastava-se ao longo da noite, com conversas banais com pessoas que eu não conhecia e nem mesmo tinha o interesse, com Ethan e suas carícias forçadas, toda a família Sinclair reunindo-se para questionar a minha fertilidade e outros eventos tão tediosos quanto. Sinto que qualquer evento sem Christopher se tornava tedioso.
Ao término da noite, Christopher fez suas despedidas aos Sinclair e se aproximou de mim, depositando um beijo carinhoso em minha mão. Tive que me esforçar para conter a vontade quase irresistível de segui-lo pelo jardim afora e me contentei em apenas observá-lo ir.
No dia seguinte.
Após toda a minha rotina matinal, desci as grandiosas escadas para tomar o café da manhã e houve uma irritação instantânea ao ver Ethan sentado à mesa. Quando notou minha presença, Ethan rapidamente puxou uma das cadeiras para eu sentar e eu o fiz, desdenhosa com seu cavalheirismo.
Ao ver-me mais cedo no espelho, pude perceber que o machucado continuava lá e todas às vezes em que tocava nele, lembrava daquela noite e nada poderia fazer com que eu a esquecesse naquele momento. Ethan nada podia fazer, sua imagem era como um borrão cinza em minha mente, e estava em um dos lugares mais sombrios.
— Pensei que estaria na empresa hoje. — Questionei, desinteressada, pegando uma xícara de chá e algumas frutas.
— Sim, mas decidi passar o dia com você. Faz tempo que não nos dedicamos um ao outro. — A mão dele veio em encontro a minha, mas logo afastei-a.
Como ele podia ser tão hipócrita?
Respirei fundo, mantendo a calma. Meu dedo indicador tocou a minha pálpebra inferior como se num ato instintivo e Ethan notou. Sua expressão antes alegre murchou feito um balão envelhecido.
Vi sua garganta se mover com o engolir seco.
— Está doendo? — Sua voz estremeceu, indicando que o choro forçado logo chegaria.
Neguei com a cabeça, tentando não entrar naquele assunto. Eu seria incapaz de manter a calma.
— Eu... me perdoe, querida, por favor. Eu me estava me sentindo tão perdido e inseguro... E acabei descontando em você, sem querer. Minha mente pode ser um caos. Mas você é a rocha que me sustenta e sei que posso contar com seu apoio, certo querida?
Suas palavras acertaram-me como aquele golpe, a lembrança do momento em que Ethan atingiu seu punho em minha face tornou-se mais uma vez vivida e ira ferveu dentro de mim como a lava de um vulcão prestes a entrar em erupção. Tentei respirar, mas aquela altura do campeonato nada funcionava, nem mesmo minhas próprias unhas cravadas na pele de minhas mãos. Eu estava cansada de ignorar o problema.
— Você quer meu apoio, Ethan? — Expressei, entre dentes. Meus pés começaram a balançar para cima e para baixo ansiosamente. — Não acha que eu estou velha demais para cair em suas manipulações? — Meu tom de voz aumentou bruscamente. Ethan enrijeceu o corpo, mas respirou fundo e levantou-se, ficando de joelhos em minha frente e seus olhos azuis começaram a marejar.
— Meu amor, eu entendo que esteja chateada com essa situação... Sei que isso te abalou profundamente, tanto que está afetando até mesmo seu discernimento, mas saiba que eu nunca mentiria para você. Machucar você por vontade própria é algo impensável para mim. — Suas palavras podiam soar sinceras, mas conseguia identificar a tamanha manipulação em cada uma delas, afinal conheci perfeitamente seu caráter em 7 anos de relacionamento. — Sim, eu cometi um erro, mas me arrependo tanto que penso se não encontraria a melhor redenção na morte. Mas eu escolho viver apenas para te provar que eu vou ser um marido melhor, um que você mereça. — As lágrimas começaram a cair em sua bochecha branca. Ethan agarrou minhas mãos e começou a beijá-las desesperado, implorando pelo meu perdão. Eu engoli em seco, vê-lo naquele estado era quase deprimente.
Dei tapinhas de consolo em suas costas e acaricie sua bochecha, assentindo com a cabeça.
— Está tudo bem... — Minha voz esboçava o cansaço mental que sentia. — Está tudo bem...
Apesar de todo o ressentimento furioso que pairava sobre meu coração, eu reconhecia que era necessário um espaço para o perdão. Se eu não o fizesse, arriscaria perder a estabilidade de um casamento de aparências. Mesmo que não o amasse mais, eu não me via sem Ethan ou sem a nossa união matrimonial. Era tudo o que eu tinha, tudo o que eu era. Ser a senhora Sinclair estava diretamente entrelaçado ao meu ser, por mais sombrio e torturante que fosse carregar esse título nas costas.
Foram necessários alguns minutos até que Ethan finalmente se acalmasse e então pudemos tomar café da manhã sem interrupções, mesmo que estar perto dele não me agradasse.
Após o café da manhã, enquanto meu marido dedilhava uma nova soneta no piano, conversamos sobre temas triviais sem nos aprofundarmos em nada de fato. Trocamos algumas carícias em nosso tempo juntos, mas estas pareciam costumeiras e escassas de paixão, até mesmo nossos beijos eram breves e frios.
Pouco depois, Ethan decidiu que iria se dirigir a empresa para tratar de certos assuntos inacabados com seu irmão, o vice-diretor de tudo. A ausência de sua presença me causava um alívio instantâneo.
Sentei no grande sofá de nossa biblioteca, lendo um livro qualquer, aproveitando o momento de paz.
— Senhora? — Chamou-me Gilliard, aproximando-se cautelosamente com uma bandeja de chá em mãos e depositou a xícara na mesa. Tirou do bolso o telefone residencial e me ofereceu. — Uma mulher chamada Gia Willians está na linha. Ela gostaria de falar com você.
O nome de Gia me prendeu a atenção. Ela nunca havia me ligado antes, era um evento para lá de inédito.
— Gia? Bom, ao menos não é minha sogra. — Diverti-me, tomando um pouco de chá antes de pegar o telefone.
— Ah, senhora, se fosse, tenha certeza de que não eu não estaria com um sorriso estampado no rosto. — Respondeu Gilliard, com sua língua afiada. Ao perceber o que falara, censurou-se com a mão na boca, ação esta que me fez soltar uma risada sincera.
— Não se preocupe, é o nosso segredinho. — Dei uma piscadela para Gilliard, que riu baixinho, retirando-se do cômodo e me deixando a sós com o telefonema enigmático de Gia Willians.
— Gia? — Chamei, recebendo uma resposta da voz amável que vinha do outro lado da linha.
— É uma ligação inesperada, eu sei, mas eu preciso de sua ajuda.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca
tomará que seja ele
2024-12-10
0
Alessandra Almeida
Acredito que quem infértil seja Ethan.
2024-11-11
1
Simone Silva
será q ela tem alguma ligação com Christopher???
2024-04-16
3