Parte 18

 • Nove anos antes •

Com os longos cabelos negros espalhados pelo tapete, a xerife encarava o teto com um desespero que seria palpável, não fosse sua falta de reação com os olhos parados como um corpo sem vida. Em seu rosto, as marcas eram de alguém que não dormia há dias e não se alimentava bem.

Caitlyn havia ficado sem muitas opções ao que sua investigação a respeito do paradeiro de Jinx era um total fracasso com uma série de pistas encobertas, a levando a conclusão de que o trabalho da polícia seria completamente inútil em um caso onde o crime está em níveis bem mais elevados que aparelhos de alta tecnologia.

• Flashback ON •

Nossas mentes ansiosas mereciam um descanso de tanto trabalho. Eu imaginava que Jinx agia impulsivamente movida por sua loucura, mas me enganava profundamente com ideias tão vagas sobre alguém tão mais complexo como ela. Cada movimento tinha sido planejado, embora suas reações físicas fossem sempre incertas.

Os bolinhos assados foram enfeitados calmamente por mim, como se em meio a tudo o que estávamos fazendo, eu ainda pudesse relaxar com algo que me fazia parecer estar em minha antiga vida, sem crimes, sem planos malucos, sem estar trabalhando com uma delinquente.

O cheiro delicioso dos cupcakes de massa fofinha preencheram a sala assim que levei a bandeja, chamando a atenção de Jinx, que descansava no sofá, enquanto fazia um movimento com a cabeça seguindo o ritmo de uma música imaginária.

— Você quer um?

— Não, obrigada — Jinx foi rápida em sua resposta.

Achei estranho, já que estaria com fome depois de tantas horas e que a jovem costumava atacar qualquer comida sem um convite formal. Mesmo assim, sentei com paciência para desfrutar meu trabalho na cozinha, encarando os cupcakes tão bonitinhos enfeitados, antes de pegar um deles e levar até a boca.

Meu corpo deu um salto com a pequena explosão que fez todo o glacê sujar meu rosto e a massa se despedaçar em minha mão. Apenas fechei os olhos e fiquei ali alguns segundos com o rosto coberto pelo doce sem uma reação, enquanto a risada escandalosa da garota tomava conta do ambiente.

Baixando a mão agora vazia e apenas suja com o bolo, usei a outra para tirar o glacê dos olhos e poder encarar com raiva a de cabelos claros, me perguntando como ela havia conseguido aquele feito sem que eu  tivesse notado e mais ainda, sem estragar a beleza da obra de arte culinária. Permaneci em silêncio até que a risada cessasse e Jinx se aproximasse.

— Como você fez isso?

Embora furiosa, a curiosidade foi maior na hora de me expressar.

— Ah, coloquei o explosivo por baixo e o bolo de volta na forminha. Ninguém notaria. Acho que se você não notou, ninguém notaria mesmo — o elogio suavizou um pouco a minha expressão, mas continuava receosa quando Jinx se sentou em meu colo, encarando meu rosto de perto — Hmmmm, você parece tão apetitosa assim, chapeleira!

Mesmo com o rosto coberto de doce, foi possível ver a sobrancelha arqueada do meu rosto curioso com o tom que a conversa tomava. Logo a língua molhada da garota deslizou por cada parte onde o glacê estava, me levando a fechar os olhos novamente e me inclinar para trás, até que as lambidas se tornaram mais lentas e sensuais, descendo por meu pescoço e causando arrepios que me fizeram arfar.

Em seguida, foi a vez de Jinx pegar a mão lambuzada e deixar sua atenção ali, lambendo e chupando meus dedos bem devagar. Sentia aos poucos a raiva dar lugar a outras sensações e logo usei a mão limpa em uma carícia, tirando a franja comprida que tampava parte do rosto da mais nova e a ajeitando gentilmente antes de levar as costas da mão em um carinho leve por todo o contorno ali, analisando de perto cada traço, os olhos tão incomuns pela cintila, as sardas sutis que pintavam seu rosto, o sorriso atrevido que acompanhava os movimentos de sua língua.

O sorriso que esbocei não foi malicioso, estava simplesmente feliz com a companhia daquela menina tão incomum e que causava tantas coisas diferentes e intensas.

“Eu não quero executar nosso plano, não quero que isso acabe, não quero chegar do trabalho e não ter você, não quero ter que me afastar, mas também não posso me atrever a dizer o que penso! Foi o destino, tão cruel comigo, que fez com que eu beijasse seus lábios pela primeira vez e nunca mais conseguisse esquecer? Ou foi só você, que com sua destreza, fez tudo tão propositadamente, me encurralando em um jogo armado desde o início? Eu sou assim, tão estupidamente previsível? Ter a policia de Piltover nas mãos sempre foi o seu plano? Ou só... A policial? O que esses olhos arroxeados escondem de mim, que não posso ver, mesmo tão perto, Jinx?”

— Você é linda — sussurrei naquele momento de fragilidade emocional, já não me importando com o resultado das palavras que dizia, que eu bem sabia não serem dois por cento do que estava imaginando dizer — Você é muito linda!

Jinx sorriu, deixando claro ao desviar seu olhar a sua falta de jeito em receber elogios, mesmo que ela própria se enchesse deles facilmente.

— Deveria ser um crime VOCÊ dizer isso, Caitlyn.

Quase nunca a ouvia dizer meu nome, por isso gostava quando ele saía de seus lábios, mais do que qualquer outro som que já havia alcançado meus ouvidos.

— Caitlyn... tlyn... tlyn... — rimos juntas, nem sei dizer por quanto tempo.

Guardei esse momento em meu coração porque tenho certeza de que lembrarei dele até o fim dos meus dias.

• Flashback OFF •

O grito perturbador ecoou pelo interior das paredes de madeira quase vazias, ao que Caitlyn gritou com todas as suas forças, com seu corpo se retorcendo no chão, como alguém que havia levado um golpe fatal, mas seu golpe era na mente e no coração, não físico.

Embora a mulher pensasse que o ato de gritar a faria sentir melhor, isso não aconteceu, só trouxe sua dor à beira de seus sentidos.

Quase implorou para Sarah informações sobre o navio desconhecido, mas tal tecnologia nunca fora presente em Águas de Sentina, terra comandada pela capitã Fortune. A visita tinha sido proveitosa apenas pelo raciocínio apurado da ruiva, que acabou revelando coisas que Caitlyn, com seu coração em cima do caso, não tinha sido capaz de ver.

“— Algo tão sofisticado assim só pode ter vindo de Noxus, ou até de Piltover. Você acha mesmo que Águas de Sentina tem navios gigantescos de ouro e aço? Vem aqui de novo para salvar a Jinx, quando até a Vi já imagina que ela esteja morta? Por acaso ela tem esses mesmos sentimentos por você? Ou por alguém?”

As questões levantadas pela ruiva fizeram a xerife pensar e é claro que ela própria já havia entrado em tais pensamentos inevitavelmente. Jinx faria o mesmo por ela? Ou ao menos sentia alguma coisa?

“Você é um grito, eu sou só um sussurro.  Você é uma borboleta e eu é que sou uma prisioneira. Nada disso parece certo!”

Assim que Jinx colocou os pés dentro do enorme navio, depois de ser liberta da rede de aço, um sorriso travesso enfeitou sua face. O anel dado por Caitlyn tinha a parte de metal formando uma ponta afiada depois de ser moldado pelos dentes da garota.

— Eu vou afundar essa coisa junto com todos vocês, babacas! Não deviam ter me soltado!

— Então essa é a protegida do Silco? Parece que ele está morto e nós finalmente a encontramos — o homem com sua bengala chique deixava de lado o charuto para encarar melhor o corpo magro a sua frente — Tragam ela!

Jinx passou as costas da mão pelo rosto, colocando de volta o objeto de metal em seu dedo com um sorriso sádico. Bastou um movimento para rasgar o rosto do homem, como um gato. Teria feito um estrago muito maior, se dois outros não a tivessem agarrado pelos braços e levantado do chão. 

— Eu vou te dar cicatrizes mais profundas do que essa, garotinha — nervoso, o sujeito bufava como um cão.

— Eu já tenho, velhote. Você acha que me encontrou onde? No parque?

As risadas da menor ecoaram pela sala com sua pose indestrutível e até despreocupada, mas por dentro, Jinx se dividia entre o medo e o impulso insano de matar a todos, como se duas mentes pudessem coexistir no mesmo lugar, uma irritando a outra em um conflito interminável.

— Eu vou acabar com você, todos aqui vão estar em pedacinhos logo, vai ser divertido — a de cabelos azuis sussurrava baixinho, mas sem encarar alguém diretamente — Ninguém me coloca numa maldita caixa de metal, eu não sou a Vi!

• Dois anos mais tarde •

A figura esguia encostada da parede sequer parecia um humano, mas sim uma sombra com longas tranças azuis que percorriam o chão frio como cobras. Jinx era inexpressiva, mas não podia dizer que sua mente tinha sido consumida pelo tédio, já que uma personalidade imaginária de si mesma dividia sua cela com ela, assim como os rostos conhecidos de vários amigos.

Foi só quando uma explosão ecoou no ar em um estrondo ensurdecedor do lado de fora é que a atenção da garota foi roubada.

— O que é isso — a voz masculina questionou ao longe.

— Não sei, parece um... Chapéu?

Jinx levantou rapidamente, removendo a placa de metal da janela abrindo um pequeno espaço de não mais do que dois centímetro, o suficiente para ver a figura de fumaça que enfeitava o céu na cor azul escuro formando perfeitamente uma cartola, que se dissipou de forma lenta.

— Eu tenho que sair daqui — sussurrou baixinho.

— Não antes de eu acabar com você porque a gente sabe que sou muito melhor — respondeu Vi do outro lado da sala, se aproximando com os punhos fechados.

A silhueta imaginária nas sombras derrubou o corpo da menina, que caiu se contorcendo, enquanto a arma de choque atingia seu corpo sem pausas.

O grito alto invadiu os corredores, chamando a atenção dos guardas. Embora Jinx sentisse a luz das descargas elétricas ofuscar sua visão, assim como a queimadura e espasmos frequentes do choque, os homens nada viram além de seu corpo inquieto em uma espécie de convulsão.

— Temos que fazer alguma coisa, se ela morrer vamos perder o emprego —  o maior pontuou.

— Isso ia demorar meses, o chefe nem vem até aqui!

Com certa hesitação, eles abriram a cela, segurando os ombros da garota de Zaun contra o chão, mas seu corpo ainda se movia violentamente, até que parou. Os olhos revirados encaravam os dois sujeitos, a boca espumando se moldou em um sorriso e a arma com tranquilizante já havia sido disparada contra o pescoço de um deles.

— Você tá errada, eu sou melhor e muito mais brilhante — com um movimento rápido, o cabo da arma foi de encontro ao rosto do segundo homem enquanto a garota se levantava — VOCÊ SÓ SABE QUEBRAR AS COISAS! NÃO TEM NADA DE ESPECIAL NISSO — gritou furiosa, acertando o rosto de seu oponente repetidas vezes.

Já no corredor, Jinx pôde ver a porta pesada de metal voar longe e atrás dela estava a figura da mulher de cabelos rosa mais uma vez, carregando suas enormes manoplas brilhantes. Deixou a cabeça pender pro lado por um momento, acreditando ser outra de suas visões.

— Você ficou diferente dessa vez — os olhos púrpura analisavam Vi de cima a baixo.

— Powder, vamos sair daqui — a mais velha se aproximou com calma, mesmo com suas mãos metálicas gigantescas nada sutis.

Outra explosão fez todo o lugar tremer, comprometendo sua estrutura ao que alguns pedaços do teto começaram a cair.

— O que é isso — Jinx perguntou, séria e desconfiada de seu próprio cérebro tumultuado.

— Eu explico depois, você precisa vir comigo!

O chão começou a se inclinar devagar, como se estivessem no interior de uma caixa em movimento.

Sem nenhuma paciência e com suas emoções borbulhando dentro do peito, Violet agarrou com sua manopla a cintura fina de sua irmã a arrastando de uma só vez para a saída.

— Arrrrgh, me larga, mãozuda! Eu não preciso da sua ajuda pra escapar — a garota se debatia inutilmente.

— Minha ajuda? Nesse momento tem forças de três cidades atrás de você. Sarah trouxe seu navio com tecnologia Hextec que Caitlyn preparou e estamos SENDO BOMBARDEADAS POR ELA! Então eu acho melhor a gente ir — os braços de Jinx caíram com o que ouvia, assim como seu corpo, que agora estava inerte enquanto encarava o rosto furioso da irmã, que concentrada, mostrava os dentes enquanto falava — Caitlyn está lá fora derrubando um a um como baratas correndo e eu procurei você por cada canto dessa carcaça de lata! Se eu tivesse uma sugestão, diria pra ficar quieta e fazer o que eu digo, se quiser sair daqui!

Do lado de fora, a de cabelos claros não viu exatamente de onde os disparos estavam vindo, mas os homens caíam exatamente como Vi tinha dito, como bonecos inanimados, todos com um tiro na cabeça.

Uma bota marrom impediu sua passagem e só então a garota percebeu a mão estendida em sua direção. Aquilo era estranho, mas bom. A sensação de estar sendo ajudada daquela forma incomodava Jinx profundamente, mas por algum motivo apenas segurou a mão de Fortune e se jogou em seus braços em um abraço que não tinha dado nem mesmo em Violet depois de tanto tempo.

— Eiii, eu não ganho abraços — a dona das manoplas reclamou.

— Usando essa coisa? Nem ferrando! Onde estão as minhas armas?

— Servem essas — foi a vez da ruiva levantar suas armas com uma pose confiante, fazendo os olhos de Jinx brilharem por um momento.

— Esse é o melhor dia da minha vida com alguns contra tempos, como vocês aqui, mas...

Antes que Fortune desistisse da oferta, Jinx rapidamente pegou suas armas, atirando sem parar em tudo o que encontrava em volta. Mesmo em êxtase pelo combate, sua vingança e a sensação de liberdade, a mais nova sentiu um abraço forte por trás de seu corpo, Vi não usava mais as manoplas e a apertava com força.

— É por isso que eu sou muito melhor, você é sentimental demais, Vidiota — sussurrou com um sorriso, olhando por cima do ombro.

— Do que você tá falando? Eu nunca disse que era melhor, sua pirralha — os fios azuis foram bagunçados pela mais velha, que exibia um sorriso divertido, mas feliz.

• Horas mais tarde •

— Por mais que você não goste, Capitã, esse ainda é o lugar mais seguro — a voz de Caitlyn no corredor fez com que Jinx levasse seu olhar na direção da porta, já inquieta no sofá — E não é como se tivesse sobrado alguém vivo.

— Ah, claro que não sobrou, a xerife fez questão de atirar com disparos letais em todos eles. Você, uma assassina fria de alto nível, quem diria.

— Sabe que eu não sou mais a xerife.

Jinx baixou o olhar para as próprias mãos. Mesmo depois do banho, se sentia estranha sem suas roupas, esmalte, acessórios, ou suas armas. Tampouco sabia o que dizer para Caitlyn. Sentia o mesmo? Ou só estava lá para ajudar? Estaria com outra pessoa?

A mais alta parou na porta em silêncio, observando cada parte da garota, otimista por não ver nenhum ferimento, ou cicatriz visíveis. O movimento que deu na direção do sofá fez apenas com que seu corpo caísse de joelhos entre as pernas de Jinx, que permaneceu sentada e acuada a qualquer contato, até que a morena segurou seu rosto com ambas as mãos e a beijou sem aviso.

Com os lábios da caçadora contra os seus, a mais nova sentiu finalmente o alívio de todos os seus medos, como se nada precisasse ser dito. Transformou o beijo urgente e carinhoso de Caitlyn em algo mais excitante ao invadir sua boca com a língua e puxar seu corpo mais pra perto pela camisa. Jinx pouco se importava com a presença dos demais na sala e começou a abrir os botões da blusa de Kiramman, que se afastou um pouco sem jeito, tentando impedir as mãos inquietas da mais nova que prosseguissem com suas ações impulsivas.

— Jinx — Caitlyn a advertiu em tom baixo, encarando só por um instante a expressão sem graça de Violet, que evitava olhar a cena — Como você está? Como se sente?

A mais nova não tinha refletido ainda sobre como se sentia, a verdade era que não tinha pensado sobre isso nos últimos dois anos, já que se pensasse, toda a sua força iria embora.

Permaneceu com o olhar perdido encarando os azuis da caçadora, sem se dar ao trabalho de procurar uma resposta, embora fosse o que todos esperavam.

— Eu só quero foder com você até esquecer toda essa merda e não tô nem aí se a minha irmãzinha tá aqui, ou comendo a sardinha enlatada de cabelo ruivo. Vocês... — com um longo suspiro, fechou os olhos por um momento apenas — Fizeram a coisa mais foda que eu já vi na vida e eu nem achava que merecia ser tirada de lá.

Vi revirou os olhos, encostando na parede e cruzando os braços.

— Olha só, você pode fazer o que quiser com a minha ex namorada, ela é gostosa, eu já sei! Mas façam isso em outro lugar porque eu não tô afim de participar dessa suruba aí — a de cabelos rosa foi direta, deixando Sarah intrigada pela forma como falava.

Jayce interrompeu limpando a garganta com o rosto completamente corado, se voltando para Caitlyn, a única ali que também não compartilhava da sinceridade e vocabulário ousado.

— Eu não posso dizer que concordo com a suruba, mas um joguinho seria bem divertido, eu trouxe uma garrafa de rum — confessou Fortune, mostrando a enorme garrafa sobre a mesa, que até então ninguém parecia ter notado — Temos que comemorar o êxito da nossa missão e a xerife estava certa. A tecnologia Hextec de Jayce caiu “como uma luva", a localização de Caitlyn estava correta e Vi é ótima em... Quebrar coisas!? Nós conseguimos!

Todos sem exceção se permitiram sorrir e comemorar, por mais que tivessem diferenças, o trabalho de todos permitiu um resultado excelente para o que estavam dispostos a fazer juntos.

— Na verdade eu trouxe a Mel — Jayce coçou a nuca, se referindo a sua noiva, que sem que ele soubesse, já estava em suas costas adentrando a sala.

— E quer que a gente disfarce e finja que somos mais certinhas na frente da sua noiva — questionou Vi.

— É — afirmou o rapaz, ainda sem jeito.

— Me sinto ofendida — foi a vez de Mel responder, deixando Jayce sem jeito e provocando as risadas de todos.

Mais populares

Comments

Viper

Viper

finalmente te achei aqui.

2023-10-24

3

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!