• Nove anos antes •
Do ponto mais alto de Piltover, Jinx encarava suas explosões coloridas como um espetáculo, enquanto os cidadãos aterrorizados, corriam movidos pelo pavor que sentiam com outro ataque da criminosa, ainda que não tivesse deixado feridos dessa vez.
A xerife se posicionou no telhado silenciosamente, apontando seu rifle para a garota e notando pela lente que ela usava o anel com o diamante à mostra e era notável o quanto havia gostado do presente, já que ele destoava completamente de seu look gótico.
— Parada aí, Jinx — alertou a mais velha em seu tom grave, advertindo a jovem sobre não deixá-la escapar.
Com um sorriso satisfeito, a garota se virou para encarar a mulher com seu chapéu, sentindo a excitação aumentar ao se ver na mira de seu rifle.
— Woooow, olá xerife! Eu explodi aquele prédio ali e talvez tenha machucado muitas pessoas, então você vai ter que me seguir e me prender, né? Que chato!
Mais habilidosa pelo treinamento melhorado em esportes e artes marciais, Caitlyn desceu mais rápido do que de costume, conformada de que iria sofrer bem mais nas ruas sem isso, já que ter somente uma mente brilhante não a salvaria sempre.
— O que você quer — questionou a mais velha em seu tom firme, indicando que estava levando seu trabalho à sério, apesar de as coisas terem mudado entre as duas.
— Estava com saudade de chutar esse seu traseiro gostoso, chapeleira! Por que não vem me pegar?
As provocações, por mais que parecessem divertidas para Jinx, arrancavam suspiros entediados da xerife, que só tinha mais trabalho por culpa da arruaceira rebelde.
Lançando uma das mãos pra frente junto com um passo largo, a morena tentou agarrar as roupas da garota, que esquivou rapidamente, se inclinando pra trás e girando o corpo. Os olhos azuis se estreitaram na direção do sorriso provocante de Jinx e Caitlyn mais uma vez avançou com um golpe direto na costela.
— Uhhhhh... Você quer brincar de lutinha? Tá aprendendo é — a de cabelos claros guardou sua arma no coldre, se colocando em posição de defesa — Eu praticava bastante com a Vi, mas ela sempre me deixava de fora da melhor parte! Você parece um poodle de madame com essas roupas brancas e cheirosas, não sabe bater pra valer!
De novo, a xerife avançou mostrando os dentes em um gesto furioso e colocou o cano de sua arma entre as pernas da jovem, usando o ombro apoiado em seu peito para jogar Jinx por cima de seu corpo no ar, a levantando com a ajuda se seu rifle, a jogando com as costas no chão com tudo e apoiando o salto da bota em seu pescoço.
— Arrrgh, mas que porra foi isso — Jinx reclamou com uma expressão que misturava dor e vontade de rir, levando uma das mãos entre as pernas, onde Caitlyn tinha encaixado sua arma para levantá-la dolorosamente — Eu não tenho ovos aqui embaixo, mas esse negócio dói, sua maluca! Hmmm... Será que eu consigo fazer também — a jovem sentiu a sola da bota pressionar mais seu pescoço e encarou a morena de baixo — Sabia que eu consigo ver sua calcinha daqui? Parece um paraquedas, acho que consigo usar pra saltar do prédio, se precisar, é enorme!
A mão de Jinx subiu pela saia que a policial usava, compondo seu uniforme requintado, tocando a parte interna de sua coxa, fazendo com que ela recuasse alguns passos.
— Não é uma calcinha — rebateu Caitlyn, ainda séria, mas visivelmente incomodada com a piada de mal gosto.
— Hmmmm... Então usava alguma coisa mais sexy com a Vidiota? Mesmo o sexo sendo ruim?
— Nunca foi ruim, eu já disse! Ainda a amo, mas nossos objetivos estão muito distantes para que a gente tenha uma vida juntas.
— Ainda ama ela?
Jinx sentou, incrédula, sentindo seu íntimo queimar em uma aflição repentina e seu estômago se retorcer, resultando em uma careta que misturava raiva e dúvida.
— De um jeito bem diferente, mas sim.
— VOCÊ ME PEDIU EM CASAMENTO!
— E você não aceitou.
A xerife deixou sua arma de lado, a apoiando no chão com uma mais sobre a ponta do cano. Desejava ser sincera sobre o que sentia, mas sabia que isso seria incompreensível para Jinx.
— Eu tô usando o maldito anel que você me deu e que agora não quer sair do meu dedo — a mais nova tentou remover o acessório sem sucesso.
— Não amo a Vi como minha namorada, só como alguém que passou pela minha vida deixando coisas boas. Não é como se eu sentisse por ela o mesmo que senti quando pensei que fôssemos morrer naquela explosão. Não senti medo pela minha vida, senti pela sua! Mas... Isso não faz com que a Vi seja ruim na cama instantaneamente, sabe. Nós nem tivemos mais do que um beijo pra que eu possa comparar, ou algo assim — a morena completou em um tom de provocação, zombando de Jinx — Além disso, me custa muito acreditar que você com essa pouca idade possa ter alguma experiência no assunto. Por que nós estamos falando disso de novo?
— Olha, eu posso não ter muita experiência, mas estive em lugares que você jamais sonhou em estar! Eles até vendem pessoas naquela espelunca, é meio ruim essa parte, mas sabe como é, eu preciso das armas.
— Vendem pessoas — questionou a policial, com o semblante mais concentrado.
— Oops, não posso revelar essas coisas, você é a xerife.
Sem dizer mais nada, Jinx saltou para a rua de forma ágil, descendo por um cano enferrujado na parede, fazendo com que Caitlyn deixasse escapar um suspiro cansado em reprovação.
— Jinx, espera!!!
Olhando mais uma vez pela lente de sua arma, a morena pegou a visão a tempo de ver a criminosa virar por uma rua à frente. Hesitando entre descer pelas escadas e repetir o mesmo movimento feito pela mais nova, Kiramman agradeceu mentalmente por estar usando suas luvas e arriscou a longa descida pelo cano também na tentativa de a seguir.
“Preciso mudar esse uniforme! Não dá pra fazer essas coisas com uma saia assim.”
A intensa corrida de Jinx levou a xerife para o cais abandonado e por mais que estivesse distante, Caitlyn teve êxito em subir em uma velha estrutura de madeira para uma melhor visão com seu rifle. Seus instintos a deixaram em alerta para ficar ao longe, quando percebeu a presença de um navio e vários homens de uniforme escuro.
“O que é isso? O que Jinx faz aqui? Quem são essas crianças e esses homens de preto?”
As muitas perguntas ficariam sem respostas, mas a atenção da policial estava em cena mesmo assim e quando uma luta se iniciou, os disparos foram rápidos a favor da garota, que também se livrava dos golpes com a mesma agilidade notável.
Demorou para que Caitlyn sentisse o perigo em seu intimo e começasse a atirar pra matar, movida por uma força que nem ela mesma compreendia.
Ainda que tivessem muitas baixas, os soldados não paravam de descer do enorme navio, mas a caçadora apenas saiu de sua posição ao ver o corpo esguio da garota ser rodeada por uma rede que a prendeu com um cabo de aço que partia de um mecanismo no alto do casco do navio.
Sem pensar muito, a xerife se jogou de onde estava sem nada como apoio, deixando para trás seu chapéu em uma queda de quatro metros que nem sequer sentiu. Abaixada no chão, Caitlyn apoiou seu cotovelo no próprio joelho para segurar sua arma para os próximos disparos, que um a um, derrubaram os homens restantes.
Só então ela correu na direção da menor, não se importando com as tábuas apodrecidas debaixo de suas botas, ou o movimento que seu peso causava nelas ao correr, enquanto via a garota se debater incessantemente de um jeito descontrolado e furioso, como um animal aprisionado dentro da rede que se arrastava pelo chão, sendo puxada até o navio.
A primeira reação de Kiramman foi agarrar o cabo de aço, do qual era feita toda a rede e o puxar com toda a força que tinha, mas isso só fez com que fosse arrastada junto com suas botas deslizando agora na parte de concreto do qual o chão era feito.
— Eu vou tirar você daí.
— Não tem como — Jinx agora havia desistido de tentar escapar.
— Tem que ter um jeito — a morena agarrou a rede e tentou puxar com a mesma força, mas sentia o metal de forma dolorosa contra suas mãos, mesmo com as luvas.
— Caitlyn, você precisa fugir. Não vai ajudar em nada se for capturada também.
— Não! Eu não vou deixar você aqui! Posso subir lá e atirar neles!
Os olhos da xerife em nenhum momento pararam em Jinx, mas sim ao redor, procurando alguma solução. A rede agora estava próxima da água e logo bateu no casco do navio, cada vez subindo mais.
Foi só ao ver que não poderia libertá-la, que os olhos azuis se prenderam no rosto da mais nova, vendo o medo pela primeira vez em sua face, mas era Caitlyn quem estava ofegante e aflita, agarrada ao cabo com seu corpo também subindo junto com a rede e as botas agora apoiadas à estrutura metálica na sua frente.
— Eu vou investigar, vou levar todos os meus homens, nós vamos te encontrar! Eu não vou desistir até encontrar você! Tá me ouvindo??
A mão da mais nova passou pela abertura e os dedos gelados tocaram o rosto da policial em uma carícia leve, por algum motivo, Jinx acreditava nela desde a última vez em que Caitlyn voltou para o prédio desabando por sua causa.
Com a única mão que tinha livre, Caitlyn puxou o rosto da garota pra perto e capturou seus lábios em um beijo demorado e intenso, como se fosse a última vez que se tocariam, embora tivesse certeza de que cumpriria sua promessa. Ainda que fossem como fogo e gelo, quando seus olhares e seus lábios se encontravam de perto, era como se seus corpos entrassem em uma forte reação química inevitável.
— Caitlyn, você precisa ir.
— Eu não quero deixar você aqui! Esse anel tem uma esfera de energia, você pode usar pra escapar...
A xerife sequer havia percebido que o navio se afastava lentamente do cais, retomando seu trajeto para o mar.
Jinx sorriu, como se apesar de toda a situação em que se encontrava, estivesse realmente feliz.
— Ah, para com isso! Você precisa pegar de volta o seu chapéu e sua arma que ficaram pra trás! Como eu vou te chamar de chapeleira, sem o chapéu?
Os olhos marejados da caçadora se fecharam por um instante e ela respirou fundo.
— Eu vou encontrar você — sussurrou mais uma vez, antes de se soltar e deixar seu corpo cair na água.
O rosto de Jinx encontrou a tristeza novamente apenas ao ver os longos cabelos escuros cortarem o ar com a queda da policial, tendo certeza de que ela não podia ver.
Algo no semblante de Caitlyn também havia mudado, como se ela fosse agora uma peça diferente no mesmo tabuleiro, tomado por uma determinação palpável. De volta ao cais, pegou seu rifle e as armas de Jinx do chão, atravessando o lugar completamente vazio em busca também de seu chapéu.
“As crianças que Jinx salvou, eu preciso encontrá-las! Terão alguma resposta!”
Quando os pés da xerife pararam no assoalho de madeira na entrada da cabana, suas roupas já haviam secado no corpo. As lembranças a invadiram de uma só vez, a levando para um dia antes do ataque à torre.
• Flashback ON •
Antes mesmo de chegar na pequena casa, era possível ouvir a música alta que misturava solos de guitarra com batidas techno, que quanto mais eu me aproximava, mais insuportável ficava pela altura.
Jinx movia o corpo no mesmo ritmo rápido em uma dança desconexa, enquanto segurava um enorme aparelho também barulhento pelo potente motor, mas que não a incomodava pelos fones que certamente abafavam o som.
Todas as paredes da sala tinham sido lixadas com algo improvisado pela jovem e agora tinham aparência nova. Tinha vontade de observar a cena por mais tempo, mas assim que encontrei o aparelho de onde o som estava vindo, o desliguei, junto com o motor que a garota segurava, causando um alívio imediato para os meus ouvidos.
— Ficou ótimo!
— Viu? Mais uma coisa em que eu supero você — a voz irritante fez com que me arrependesse do comentário positivo na hora.
• Flashback OFF •
Nas próximas horas, a xerife usou do mesmo aparelho improvisado para lixar o resto da madeira na tentativa de cansar seu corpo para que os problemas de sua mente inquieta fossem menores. A ideia era de que talvez a exaustão física a tirasse de seu estado emocionalmente vulnerável e a situação desastrosa em que estava.
Os cabelos presos em um rabo de cavalo estavam tomados pela poeira feita dos pedaços de madeira que escapavam do pesado aparelho, mas Caitlyn pouco se importava com isso. Já era madrugada quando resolveu parar e sentiu seus músculos queimarem como o inferno, mas se enganou ao pensar que isso iria diminuir sua raiva e preocupação.
Sem conseguir dormir, partiu cedo para Zaun em busca de informações, sem dar muitas explicações para a sua ausência no trabalho, o que àquela altura já era frequente.
“— O que você faria se eu desaparecesse? Sei lá, sumisse, fosse sequestrada, ou qualquer coisa assim.
— Faria do seu jeito, como aquele dia na torre do reservatório. Não sei, talvez o desenho de um chapéu gigante no céu para que soubesse que quero encontrá-la.”
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Jinxed
Cara, tá incrível pqp
2023-10-07
1
Mzyy
cap novo que felicidade\(◎o◎)/
2023-10-03
2
Maria Andrade
mais autora
2023-10-02
3