Parte 16

• Momento Presente •

— Esse fio vai aqui, é só isso que falta pra conectar a voz — explicando para Diana sobre a nova invenção da menina, Jinx tinha uma empolgação invejável e estava distraída o suficiente para não perceber a presença de Caitlyn na sala.

“Tem um laboratório gigantesco no subterrâneo, mas elas preferem espalhar tudo no tapete da sala, sempre assim!”

— E esse fio aqui — a criança perguntava com a mesma empolgação, vendo seu novo amigo tomar forma ao longo de várias semanas.

— Ah, esse é só a luz. Vai acender com os comandos certos quando você quiser.

— E se eu conectar o da voz onde fica a luz? Posso fazer ele falar com sinais de led?

— Hmmmm... — a atiradora analisou a placa que sua filha segurava, admirada com o raciocínio diferente, mas rápido e genial — Pode, mas por que faria isso? Seria muito trabalhoso decifrar tudo. Preguiça!

— Seria um idioma novo, que só eu saberia! Isso é muito útil, como os códigos da mamãe, quando a gente brinca de detetive e só nós sabemos — Diana respondeu confiante, exibindo um sorriso pra alfinetar Jinx.

— Arrrgh, mais códigos secretos que eu não sei! Maravilha! Adoro! Daqui a pouco você vira adolescente e vai ter umas mil línguas pra falar coisas que não posso saber. Vou ter que proibir! Não vai rolar, mocinha!

Pela primeira vez Caitlyn se fez notar com uma risada baixa. Sem perceber, a xerife estava envolta de um conforto inexplicável ao assistir a cena, como se apenas isso já aquecerem seu coração o suficiente. Mais uma vez, seu corpo tinha as memórias perdidas por sua mente.

— Comunicação por sinais de led. Essa menina devia estar trabalhando em tecnologia Hextec nos laboratórios da universidade — comentou a policial.

— Devia! Pra roubar todos os projetos que não consegui!

— A genética fez um ótimo trabalho — a confissão da mais velha foi só o que conseguiu o olhar de Jinx, que inevitavelmente sorriu.

— Você acha mesmo?

— Claro que sim. Nós temos aula de piano, idiomas, boas maneiras, história, arte, mas olha só pra você — se aproximando das garotas, Caitlyn sentou na ponta da mesa de centro, pela primeira vez prestando mais atenção em Jinx do que em Diana — Aprendeu tudo isso sozinha, sem livros e ainda consegue ensinar de um jeito que... Bem, até eu entendi e tecnologia não é o meu forte.

— Isso porque você não sabe de quantos circuitos eu torrei, ou todas as explosões que causei conectando coisas do jeito errado, maaaaaas... Isso é um elogio da senhorita sem memórias. Será que ouvi bem?

— Não sei por que ela não quis saber de tudo pela Tai. Tem registros tão completos e tem até imagens, apesar de eu não poder acessar tudo — o rosto da menina se voltou bravo para Jinx por um momento — Né???

— O que iria mudar se eu soubesse de tudo o que aconteceu sem lembrar?

Uma das mãos da xerife pousou no cabelo macio de Diana, que continuava sentada no tapete concentrada no que fazia, mas com seus ouvidos atentos na conversa que tinha com Jinx.

— Ia saber que sua esposa é uma heroína, que luta pelo bem com as guardiãs estelares e manda na porra torra, além de ser a melhor atiradora de toda a Runeterra, por exemplo — foi Jinx quem respondeu de imediato.

— Eu nem sei o que são as guardiãs estelares!?

— Vamos ali, que eu te faço ver estrelas, gatinha — o sorriso malicioso veio com uma piscadinha para a morena.

— EEEEEEEEEI, EU AINDA TÔ AQUI — a criança contestou com os braços cruzados, como alguém que dava uma bronca.

— Você não era pra entender esse tipo de indireta, criança — Jinx respondeu, revirando os olhos.

— Mas eu entendi — Caitlyn passou a encarar a menina com a sobrancelha arqueada — Eu já até beijei um garoto na escola.

— O quê — a pergunta veio em um uníssono das duas mulheres igualmente incrédulas.

Foi Jinx quem levantou primeiro em um salto e pegou sua arma de choque de forma decidida, mas a xerife compartilhava do mesmo sentimento e foi atrás de seu rifle.

— Na verdade foi ele quem me beijou — a menina encolheu os ombros com uma expressão de quem estava encrencada, levantando parte do lábio superior e franzindo o nariz.

— Quantos anos tem esse garoto — questionou a policial, que embora preocupada, tinha as sobrancelhas juntas em um semblante sério.

— Tem seis.

A gargalhada de Jinx ecoou pela sala, deixando Diana com uma cara emburrada.

— Qual é a graça — os olhos azuis da mais alta se voltaram para sua esposa. 

— Seis anos???? Cadê a sua vergonha, Diana — Jinx ainda ria.

— Talvez eu devesse procurar a minha também — dessa vez foi a morena quem cruzou os braços com os olhos estreitos ainda direcionados para Jinx, se referindo a diferença de idade que tinham que era exatos nove anos.

— Eu tenho pena desse menino, se gostar dessa pestinha aí.

— Qual é a parte que você não entendeu de não ter graça nenhuma em crianças se beijando?

— Ah, não deve ter sido um beijo de verdade, Cait.

— Foi sim — rebateu Diana, mas logo se arrependeu.

— Cala a boca , peste! Eu tô tentando te ajudar aqui! Arrrgh...

— Eu resolvo isso mais tarde — Caitlyn terminou o assunto com algo em mente.

Mais tarde, a morena se sentiu confortável pela primeira vez em ter a companhia de Jinx na cama, mesmo que calada.

Apesar de notar o quanto a caçadora estava reflexiva, nada disse. Qualquer frase mal dita acabava com o clima bom que tinham, desde que ela perdera a memória.

— É estranho isso, mas me apaixonar por Diana fez com que eu gostasse mais de você automaticamente — Jinx encarou Caitlyn com a sobrancelha arqueada, mas deixou que ela concluísse sua fala — Me encantei com o jeito dela, a inteligência, a genialidade na verdade, o humor, o ótimo gosto pra filmes, pratos e acabei percebendo que muito do que ela tem que me encanta veio de você. É mais estranho ainda dizer isso, mas essa não foi a Jinx que conheci há tanto tempo.

Novamente, nenhuma resposta de Jinx, o que só abriu espaço para Caitlyn continuar.

— Você bagunçou a minha biblioteca, livros sobre política e economia, quase todas as páginas, o que não significa que você os leu, mas prefiro acreditar que sim.

— Já disse, você me obrigou — a policial riu — Eu não queria ler aquelas porcarias, mas também tava cansada de não entender como funcionava o mundo de vocês ricos insuportáveis! Mas eu me vinguei e fiz você ler sobre engenharia! Graças a isso, tem umas duzentas tecnologias diferentes no seu chapéu agora!

A morena estava deitada de lado e era evidente o quanto se divertia com o que ouvia, mas a mais nova continuava virada pra cima, encarando o teto e evitando qualquer contato. Foi Caitlyn quem entendeu a mão para tocar o rosto da garota com as unhas em uma carícia leve.

As unhas da xerife deslizaram devagar pelo rosto de Jinx, quase sem tocá-la em uma carícia suave, mas provocativa, descendo ainda por seu pescoço, seios e pela lateral de seu corpo até alcançar a coxa.

A garota engoliu a seco, repassando em sua mente um plano para escapar dali, mas seu raciocínio falhava junto com o esforço que fazia em não demonstrar sua excitação. 

— Para... — foi só o que sua voz fraca conseguiu pronunciar ao sentir que a morena insistia, enquanto fechava os olhos e apertava o lençol fora do campo de visão de Caitlyn.

— Eu estou planejando muitas coisas nesse momento, mas nenhuma delas inclui parar de tocar você — respondeu a caçadora com sua voz grave propositadamente, fazendo com que a mais nova saltasse da cama em um pulo, ofegante e confusa.

— Não chega perto de mim — Jinx advertiu.

Pressionando um pequeno botão no colar que usava, Kiramman acionou Tai e sussurrou algo inaudível para a jovem do outro lado do quarto. Logo as portas e janelas se fecharam em um sistema de segurança que fez cair várias camadas de placas de aço tornando a saída da mansão impossível, assim como do quarto.

— O que você tá fazendo?

Os olhos estreitos acompanharam a figura de Caitlyn na cama, que nem se movia e também não fez questão de responder. Em vez disso, a morena desceu sua mão, da forma como estava de bruços na cama, alcançando sua intimidade sem que a curta peça quase transparente atrapalhasse.

Jinx só teve certeza do que via quando um gemido alto e bastante audível ecoou pelo cômodo, seu olhar mais atento percebeu como uma das mãos da xerife agarrarava o travesseiro com força e aquela visão, mesmo que a mulher estivesse parcialmente vestida e de costas, obrigou a mais nova a desviar o olhar.

No momento em que tentou dar um passo a frente para escapar de onde estava, a de cabelos claros sentiu seus tornozelos presos ao chão com algemas hextec.

— Mas que porra é essa — a indignação instantânea de Jinx arrancou de Caitlyn um sorriso, mesmo em sua expressão tomada pelo prazer — Eu vou acabar com você! É bom não me soltar porque vou te matar! EU JURO!!!! ARRRRGH!!!!

Ignorando totalmente as ameaças, a policial continuou se tocando, enquanto sua mente criava ótimas novas "memórias" com as reações que sabia que a garota tinha ao ver e ouvir o que fazia, movendo o quadril lentamente de propósito.

Inicialmente os olhos violeta se prenderam no corpo da mulher, observando cada movimento, mas logo Jinx perdeu a paciência que ainda restava, tentando escapar com toda a força que tinha, soltando gritos e rosnados furiosos.

Quando viu o corpo de Caitlyn se contorcer em espasmos que anunciavam que estava prestes a gozar, a garota desistiu de tentar se libertar das algemas e recorreu a outros métodos desesperados.

— Cait, por favor... Eu faço qualquer coisa, se você me tirar daqui! Eu prometo que faço tudo o que você pedir — disse baixinho, com seu olhar preso no que a xerife fazia com as mãos, enquanto passava sua própria pelo rosto e depois por entre seus cabelos, suspirando baixo involuntariamente.

Decidida a ir até o fim com sua sessão especial de tortura, Caitlyn fez questão de prolongar seu orgasmo, tocando seu nervo sensível até sentir que seu corpo não aguentaria, gemendo alto e bagunçando a cama.

Sem perceber, a mais nova cravava as unhas na própria coxa, as afundando em sua pele para aliviar a tensão palpável que sentia, prendendo o lábio inferior entre os dentes por um bom tempo.

Ainda sentindo seu íntimo pulsar forte, a morena respirou fundo e ficou com os olhos fechados por um tempo. Ao abrir outra vez, viu um pirulito em cima do móvel no lado da cama que pertencia à Jinx, o que fez outro sorriso surgir.

— Não — a mais nova arregalou os olhos ao combinar a expressão maliciosa de sua esposa com o objeto que ela agora tinha em mãos — NÃO! Eu não vou olhar...

Com toda a determinação que tinha, Jinx virou o rosto, mas Caitlyn sabia que se ela não visse, iria ao menos ouvir e isso era o suficiente. Sem demora, tirou a embalagem e colocou o doce na boca, se posicionando bem à frente da garota com as pernas abertas e os intensos olhos azuis em seu rosto.

Primeiro deslizou sua língua de forma provocante pelo pirulito, que tinha um gosto forte de cereja, notando que a mais nova dava apenas uma rápida olhada, mas logo virava outra vez, deixando aquilo mais divertido do que ela teria imaginado no começo.

— Não vai olhar? Só por que eu estou imaginando você me fodendo com toda a sua força?

Jinx voltou a encarar o rosto da policial com os dentes à mostra e o ar passando por entre eles com dificuldade. 

— Você tem suas memórias de novo? Por que isso agora?

A resposta veio em um gesto negativo que Caitlyn fez com o rosto junto com um sorriso de canto, seguido de um sussurro.

— Eu não lembro de nada além do que já mencionei.

Já era de manhã  quando adormeceram trocando beijos e carícias, mas ainda antes de pegar no sono, Caitlyn ouviu Jinx sussurrar baixinho próximo de seu ouvido.

— Eu vou me vingar por isso, você pode ter certeza, chapeleira! Você tá... Você tá muito ferrada!

A mais velha apenas sorriu, sem conseguir abrir os olhos, sentindo cada músculo doer, no fundo desejando muito que a garota cumprisse com sua ameaça.

A noite quase voltava a cair e os momentos em frente ao espelho nunca eram bons para Caitlyn, que demorou um pouco mais fazendo caretas enquanto analisava no próprio reflexo as marcas de expressão que surgiam em determinados momentos.

Sua atenção foi roubada pelos gritos extremamente agudos e altos na sala, vindos de Diana, que corria derrubando coisas por todos os cantos. Por mais que não estivesse vendo, Caitlyn soube o que acontecia com exatidão pelo barulho, mas jamais imaginou o que estaria por vir.

— Diana, cuidado! Você se mach...

Assim que parou no topo da escada, a fala da xerife foi interrompida pelo que viu e para manter seu corpo em pé, teve que segurar no corrimão.

Sua filha corria, tentando fugir de Vi, que se movia rapidamente encurralando a menina por fim sobre o sofá.

— VOCÊ VAI VER SÓ, NÃO PODE FUGIR DE MIM! EU SOU O MONSTRO DO MAR COM GARRAS ENORMES! AAAAAARRRRRGH — a mulher saltou mais uma vez, pegando o corpo pequeno da criança e o jogando pra cima antes de afundar o rosto em sua barriga, assoprando em uma sequência de cócegas que a faziam gritar mais.

— SAI MONSTRO DO MAR, SAAAAAI — a menina gritava em meio aos risos descontrolados, se contorcendo.

Caitlyn sequer percebeu que estava parada todo esse tempo com os olhos fixos na mulher de cabelos rosa em cada detalhe diferente que conseguia capturar.

Demorou para que Vi notasse que era observada e cessasse com as brincadeiras.

— Caitlyn, tá tudo bem? Você tá pálida e assustada — o rosto da visitante inesperada demonstrava preocupação.

A xerife engoliu em seco e vacilou em sua fala.

— Eu... Eu já volto! Preciso de um instante.

Sem mais explicações, a policial correu para o banheiro de onde tinha saído, sentando no sofá de couro preto que decorava o ambiente e ouvindo todo o alvoroço retornar com sua ausência com mais gritos das duas no andar de baixo.

Jamais imaginou que sua ex namorada ainda fizesse parte de sua vida de alguma forma, ainda mais depois de seu casamento com Jinx, mas só o fato de tê-la visto fez seu coração bater mais forte.

— Ei??? Tá tudo bem aí?

A voz de Vi seguiu de batidas leves na porta, mas Caitlyn não soube como respondeu de imediato e apenas levantou de forma desajeitada, derrubando uma pequena mesa com um vaso de plantas.

— Sim, está! Tudo bem aqui, não precisa se preocupar.

— Você tá aí tem um tempão e eu te conheço. Jayce disse que estava com problemas, mas não quis dizer o que era. Caitlyn, abre a porta, vamos conversar.

Fechando os olhos por um momento, a morena se concentrou na voz abafada do outro lado da porta, lembrando dos bons momentos que tivera com Vi de forma inevitável.

—  Não precisa, eu já disse que... — logo a xerife ouviu um barulho mais forte na maçaneta antes de ver a porta voar pelo banheiro — Eu tô bem.

— É muito engraçado brincar com a Diana, me traz boas lembranças do tempo que a Pow... A Jinx era criança. Elas se parecem muito, você não acreditaria — a mulher entrou ainda em uma postura relaxada, mas assim que sentou ao lado da policial no sofá, tinha um semblante mais sério — Conta, o que aconteceu.

Caitlyn abriu a boca para dizer algo, mas as palavras não saíram. Apenas correu o olhar pelo rosto da de cabelos rosa, controlando a vontade de saltar em seus braços e contar  quanto era confuso tudo aquilo.

— Você tá me assustando, é sério! Por que tá me olhando desse jeito?

No andar de baixo, Jinx foi surpreendida por Diana abraçando sua cintura assim que entrou, anunciando a presença de sua tia e a  deixando com cara de poucos amigos.

Ao parar na entrada do banheiro, que não tinha mais porta, cruzou os braços e lançou um olhar de reprovação para o que viu.

— Vi, você pode me dar um minuto? Eu preciso falar com a Caitlyn e a Diana tá esperando você quase tendo um ataque de ansiedade lá embaixo.

— Ninguém vai me falar o que tá acontecendo aqui — Vi se voltou para Jinx dessa vez realmente indignada — Então quer dizer que eu sou só a babá pra horas aleatórias?

— CAITLYN PERDEU A MEMÓRIA DOS ÚLTIMOS NOVE ANOS, ELA AINDA TE AMA E AINDA ACHA QUE EU SOU UM MONSTRO — a mais nova gritou, descontrolada, fechando os punhos com força e cravando as unhas na própria pele, antes de sair com passos pesados.

Sem conseguir mais encarar Vi, Kiramman baixou o olhar e respirou fundo, deixando a mulher confusa e inerte onde estava.

— Nossa, eu não sei o que dizer — a voz de Violet era mais mansa e até indicando o quão pensativa estava — Foi por isso que ele disse pra eu não vir.

— Não se preocupe, eu estou lidando bem com esse imprevisto — a morena disfarçou.

— Ah sim, eu vejo! Parecia que tinha visto um fantasma lá na escada. Você nem consegue olhar pra mim — a mulher voltou a se sentar do lado da xerife, encarando o chão como se procurasse as palavras — Mas estamos bem, é sério. Eu e você não... Não ia rolar de qualquer jeito. Pode parecer loucura, mas o casamento de vocês foi o que me fez enxergar que precisava ter uma boa relação com a Jinx porque pra mim só existia a Powder e ela tinha morrido!

— Sabe, Vi, estar com você ou não estar não é o que me assusta em tudo isso. O que me assusta de verdade é ver que sou outra pessoa que nem eu mesma conheço e não saber como me tornei essa pessoa.

Sem dizer mais nada, a xerife levantou e foi atrás de Jinx, sem querer voltar ao passado que havia deixado para trás, mas que ainda era tão doloroso.

Ao entrar no quarto, mais uma vez Caitlyn encontrou Jinx diferente, encarando um ponto vazio, como se fosse alguém interativo, a garota fazia movimentos involuntários e repentinos sem nenhum sentido, como se estivesse conversando com a parede.

Com os braços em frente ao rosto, a jovem tentava escapar das visões que a atormentavam.

— Não! Grrr... Sai daqui! Eu não sou idiota a esse ponto!

A morena se aproximou com cautela, de forma que seus passos nem foram notados, então abraçou por trás com cuidado o corpo pequeno da outra mulher.

— O que você tá fazendo aqui? Vai lá com a sua namoradinha — a resposta veio em tom raivoso, mas Caitlyn não se importou, só a apertou mais no abraço.

— Eu posso não lembrar de tudo, mas lembro do que aconteceu ontem, lembro do que aconteceu nas últimas semanas e isso é suficiente para que queira ficar aqui e em nenhum outro lugar.

— Você tá mentindo!

— Nada me impede de ir embora, se não quiser ficar, ou impede? Bem... Talvez uma tatuagem na bunda com o seu nome — a xerife tentou a piada na intenção de melhorar o humor da mais nova, em vão.

— É difícil olhar pra minha irmã e saber que você hoje tem mais ela em seus pensamentos do que tem a mim — Jinx saiu do abraço, andando para longe — Mais do que isso, saber que eu sou a pessoa que você odeia!

— Eu faria qualquer coisa pra lembrar de novo — a xerife respondeu em tom extremamente triste, encarando o chão — E não ser só um fantoche dentre tantas pessoas que vivem a minha vida por mim todos os dias.

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Comments

Jinxed

Jinxed

Quero maaaaaais

2023-10-07

1

Adriana Gomes

Adriana Gomes

9 anos perdidos da noite para o dia,
pense num negócio ruim de sabe lidar...
mesmo caty não tendo a memória de todos esses anos, ela tem as de antes do casório e de certa forma já rolava sentindo entre elas, e está começando a construir as de agora...😍😍

2023-10-04

1

Adriana Gomes

Adriana Gomes

a cada novo capítulo o enredo fica ainda mais fantástico assim como nossas personagens...
pode não parecer mais quem mais sofre no meio de uma "memória dissociativa" é a pessoa ao lado que continua com todas as memórias em dia e por mais que tente fazer de tudo o outro na volta a si no momento, é um processo lento que pode levar dias, anos ou nunca mais volta totalmente e sim parcialmente.
no caso de Caty e Jinx existe todo um rolê na história delas com um passado conturbado...

2023-10-04

2

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