• Nove anos antes •
— Então vamos logo explodir tudo, chapeleira! Eu mal posso esperar pra colocar o fishbones pra funcionar no meio de todo o caos!
— Sem feridos! Sem baixas!
— Claro, pode deixar — a jovem colocou a não aberta em frente a testa, como um gesto militar, lançando uma piscadinha para a xerife, que apesar disso, não tinha muita confiança em sua “parceira".
— O que nós temos até agora — perguntou a mais velha, mirando seu rifle para o alvo, observando todos os detalhes do prédio, que até o momento estava intacto e recém evacuado.
— Eu disse que funcionaria! Eles correram como baratas com medo de que a rede elétrica provocasse um incêndio. Logo todos os documentos vão voar pelos ares — Jinx estava na parte mais alta do prédio próximo de onde vigiavam perfeitamente a torre de comunicação, tendo os pés apoiados em uma estreita parte de concreto bem na beirada, dando a todo o momento a impressão de que iria cair com todas as armas que trazia, mas Caitlyn tentou não pensar naquilo e desviar sua atenção das loucuras garota, não era hora para aquilo. — Não é incrível? Você tem que confessar que é uma sensação incrível explodir coisas! Ou estar prestes a explodir coisas, nesse caso. NÓS VAMOS DERRUBAR TUDO — a jovem deu uma pequena pirueta e parou no mesmo lugar, apontando para o prédio, animada e gesticulando bastante, o que fez a xerife finalmente voltar sua atenção para onde seu corpo esguio se movia naquela superfície onde sequer cabiam seus pés em perfeito equilíbrio.
— Antes de a gente... Possivelmente morrer — a policial hesitou um pouco em sua fala — Eu queria dizer que você também não tem medo e isso é bem incomum. O jeito que se move no alto sem nenhum medo de cair é... Assustador, habilidoso e bem esquisito! Me parece que somos destemidas em diferentes aspectos.
— É mesmo — perguntou a de cabelos claros, se abaixando perto de onde Caitlyn apoiava seus cotovelos, segurando seu rifle de alta precisão — Você acha que sou destemida por isso? Por que tenho mais equilíbrio que você — provocou com um sorriso travesso, mas a morena não deu mais tanta atenção, como Jinx queria — Eu posso fazer muitas outras coisas que você nem imagina — o cano da pistola da garota deslizava devagar pelo contorno do rosto concentrado de Kiramman, que nem assim tirou os olhos de sua lente, por mais que quisesse — Ok, vamos começar!
Voltando a ficar de pé, Jinx disparou um míssil na direção da base do prédio, sem perder seu equilíbrio nem mesmo com o recuo da enorme arma, em seguida apertou o botão que acionaria as demais bombas colocadas por toda a parte interna da estrutura, mas nada aconteceu.
— Por que não explodiu? Você apertou o botão?
— Eu tô apertando! Quem sabe quer vir aqui fazer uma coisa tão difícil, como apertar a droga de um botão — a atiradora apertou o controle repetidas vezes, chegando a morder o objeto emborrachado, expressando sua falta de paciência — Droga, eu vou ter que ir lá!
— Ir lá? Não combinamos de descer, isso não vai sair bem, não está dentro do plano.
Sem nem esperar que a xerife terminasse de falar, Jinx agarrou uma tira de couro que trazia consigo e a colocou em um fio que ligava um prédio a outro, deslizando por ele com extrema facilidade, soltando uma risada bastante à vontade, deixando claro o quanto mesmo diante da morte iminente, aquilo a divertia.
— Jinx — Caitlyn chamou em tom alto, enquanto seu corpo também subia na beira do prédio por puro impulso, sem que seu raciocínio pudesse colaborar muito e quando percebeu o quão alto estava, o frio percorreu seu abdômen em uma sensação de perigo nauseante, mas se manteve de pé com os braços ajudando em seu equilíbrio — Maluca! Grrr...
Primeiro a xerife encostou o pé no fio, o forçando um pouco para baixo, como se quisesse testar se aguentaria seu peso, mas duvidava muito que conseguiria descer da mesma forma. Quando deu por si, estava deslizando pela superfície de aço usando o couro do coldre de sua arma em uma descida rápida.
Os pés bateram com tudo na parede do prédio, mas o impacto a fez parar de forma eficiente e mentalmente a policial ainda xingava por Jinx ter um preparo melhor mesmo com seu corpo magro e menos idade.
Caitlyn se arrependeu no instante em que passou pela janela e entrou no edifício com o barulho das bombas ecoando e fazendo o concreto tremer embaixo de seus pés antes de desabar. Era como um pesadelo que não se podia evitar. Logo se viu presa a um pequeno pedaço do que restou do chão junto à parede, que mal cabia seu corpo em pé e no andar de baixo estava Jinx, presa aos braços de uma criatura de metal, completamente imobilizada.
— Ah, aí está você — a morena disse com alívio, mesmo em meio à paisagem destrutiva e em chamas, ao localizar a garota — O que é essa coisa?
— Isso? Grrr... — a mais nova ainda tentava escapar, mas o sistema do androide tinha sido desligado com seu corpo dentro dos enormes braços — Esse maldito lugar tinha um androide como sistema de segurança. Esperou que eu entrasse e só depois ativou as bombas. Não sei se alguém tá controlando , ou se foi programada pra isso. Eu fritei os miolos dela, mas acho que foi em um momento bem ruim e agora não consigo me soltar!
Jinx batia com sua arma na mão de aço que a segurava, sem nenhum efeito, quando a xerife apontou o seu rifle na direção da máquina, mesmo sem nenhum apoio para atirar.
— Não se mexa, fique quieta!
Dois disparos foram feitos, soltando o braço do androide e libertando uma das mãos de Jinx, que imediatamente percebeu a estrutura onde Caitlyn estava cedendo lentamente sobre sua cabeça na parede à frente.
— Você é mais doida do que eu! Sabe que esse pedaço de concreto não vai te aguentar por muito tempo, não sabe? Já viu a distância até lá embaixo? Todo o chão se foi pelos próximos quinze metros, nós vamos morrer!
Aquela tinha sido a coisa mais sensata que ouvira Jinx dizer desde que a viu pela primeira vez, mas a xerife não respondeu, só fechou os olhos e respirou fundo. As barras de ferro do seu lado saíam de dentro da parede e não iriam desabar como o resto, por isso foram o apoio que Caitlyn precisava, quando prendeu um de seus tornozelos entre os dois objetos cilíndricos e suspendeu seu corpo todo para baixo de ponta cabeça.
A garota de cabelos claros também não disse mais nada ao observar a policial em um ato tão insano como aquele, poderia ser apenas fruto de sua imaginação, de tão absurdo que parecia. Kiramman se prendeu pelos pés pra lançar o corpo pra baixo, ficando de ponta cabeça e agora mostrava um pequeno objeto brilhante, que a mais nova não conseguia identificar, mas brilhava muito mais do que o fogo que as cercava.
“Isso vai proteger você, talvez a ajudar a escapar!”
Foi o que a xerife planejou nas tantas vezes em que imaginou entregar o objeto para Jinx, mas outras palavras deixaram seus lábios diante da morte como estava, sem que tivesse controle.
— Casa comigo!
Mais silêncio veio da mente confusa da atiradora, que observava ainda o anel que Caitlyn segurava com o brilho arroxeado em seus olhos.
— Porra, se isso fosse verdade, eu gostaria de ter uma câmera, mas não dá pra filmar os pensamentos da gente, então não ia adiantar muita coisa.
Mesmo contrariada, Jinx levantou o único braço que tinha livre na direção do objeto e o pegou, sentindo o quão real ele era e isso a fez voltar para a imagem da mulher acima de si com os cabelos negros espalhados pelo ar e o rosto corado por estar de cabeça pra baixo já por algum tempo.
— Eu odeio você! Odeio você com todas as minhas forças! Arrrrgh!!! Você é... Irritante e estupidamente genial, não o suficiente pra me pegar, mas é — admitiu a mais nova, encarando o rosto da xerife com raiva, mas recebendo um sorriso fraco em resposta — Você diz isso porque vamos morrer, mas agora faço questão de sair desse buraco e tirar você daqui também pra ver se sustenta essa ideia maluca de casar comigo!
O sorriso de Jinx foi bem mais confiante, travesso e cheio de malícia. Agora com o anel no dedo, a garota girou o corpo de forma dolorosa entre as partes de metal que a prendiam, tentando alcançar a placa que comandava o androide.
Demorou um pouco, mas a voz falha e robótica demonstrou que a máquina ainda funcionava, mesmo que não tão bem quanto antes.
“— Olá, meu nome é Susan, série RTN-08...”
— Credo, que nome horrível! Não, vou chamar você de Tai! Agora o seu nome é Tai — respondeu decidida, animada com o êxito que tivera em seu plano — Resgate aquela mulher chata lá em cima e tire a gente daqui! E vê se para de me apertar, monte de lata!
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Adriana Gomes
bela maneira de pedir alguém em casamento
2023-09-27
1
Adriana Gomes
Jinx essa garota é demais😍
2023-09-27
1
Maria Andrade
agora a história está ficando emocionante 💖
2023-09-26
2