Parte 9

• Momento presente •

As pesquisas sobre sua "nova" vida retornaram de forma assídua por Caitlyn, que se fechou por longas horas em seu escritório no bunker perguntando tudo o que havia em sua mente ansiosa para Tai, que respondia prontamente, enquanto Diana dormia.

— E o jogo de mistérios?

— Consiste em uma brincadeira sua e de Diana, onde você enche a casa de pistas muito bem escondidas e difíceis de decifrar. Todas levam a um prêmio, que pode ser doces, ou brinquedos. Em seu último aniversário, Diana descobriu um rifle idêntico ao seu feito especialmente para seu peso e altura, sendo assim mais fácil de manusear. Está na lista de presentes que ela mais gostou, mais especificamente em primeiro lugar. Demorou cinco dias e 14 horas para encontrá-lo.

— Minha nossa, isso parece tortura.

— Pelo contrário, Caitlyn. O jogo de mistérios é o passatempo favorito da Diana, ficando na frente de seus experimentos na sala dois, das viagens que fazem para caçar e também das explosões com Jinx.

Repousando a testa sobre a mesa de madeira, a xerife se permitiu respirar fundo e relaxar um pouco de olhos fechados em uma postura de derrota.

— É frustrante saber que tenho uma filha assim da noite pro dia e descobrir que não sei nada sobre ela.

— Eu compreendo. Você está sem dormir há 18 horas e 34 minutos. Deveria descansar.

• Nove anos antes •

O corpo de Caitlyn estava inerte na porta da sala ao chegar depois de sua busca por um café, assistindo as investidas da ruiva sobre Vi, que tentava recuar, mostrando ter mais caráter do que ela própria teve ao beijar Jinx. A xerife não conseguia sentir nada ao ver Miss Fortune literalmente no colo de sua namorada, nem raiva, nem ciúme, nem tesão. Por um momento, sentiu como se fossem duas estranhas ali.

Entrou deixando que o salto de suas botas fizessem barulho pelo piso chamando a atenção das outras mulheres e sentou na poltrona que havia em frente, como se nada tivesse ocorrido.

— Olha só, a xerife certinha voltou — a voz da ruiva soava quase como um sussurro em tom de deboche para Caitlyn, mas esta continuou séria.

— Sim, mas meu colo não está disponível, antes de mais nada — a caçadora cruzou as pernas e bebeu um gole do café, sem tirar seus olhos atentos de cima de Sara.

— Ah, não se preocupe, eu não pensei nisso nem por um segundo.

— Claro, eu sou certinha demais pra te foder! Acertou — respondeu impulsivamente algo como o que Jinx diria.

— Ei, eu ainda tô aqui — alertou Vi, falando um pouco mais alto que as outras duas.

— Oi, Vi — dessa vez foi Caitlyn quem exibiu um tom irônico.

— Você some e é isso o que me diz — pela primeira vez, a dona dos cabelos cor de rosa levantou, visivelmente alterada e encarando a xerife mais de perto — Me procura só como minha chefe, ou sei lá, sem nenhuma explicação, nenhum abraço, nada?

— Desculpe — a mais velha respirou fundo — Eu não tive tempo pra nada desde que voltei, mas tem razão, devia ter procurado você primeiro — deixando o café de lado, levantou para encarar melhor sua namorada raivosa — Nesse tempo eu estive com sua irmã depois de fugir da delegacia e as coisas ainda estão um pouco confusas.

— Powder?

— Jinx!

— Então você não esteve com a minha irmã.

Caitlyn literalmente jogou o corpo no sofá, terminando todo o conteúdo de seu copo de uma vez.

— Ótimo, então ao menos eu não beijei sua irmã — disparou de uma só vez.

— O quê?

Era a primeira vez que Fortune tinha sua atenção na conversa, arqueando uma sobrancelha para a policial, mas sem expressar surpresa, ou dizer uma palavra.

— Você e eu precisamos refletir sobre algumas coisas, então eu vou seguir com meus compromissos e te vejo durante a noite.

A mídia queria respostas da xerife de Piltover sobre suas aparições com Jinx, que literalmente destruía a cidade que Caitlyn deveria proteger a casa oportunidade que tinha, mas ao invés disso, receberam todo o tipo de prova sobre como as pessoas viviam na cidade baixa, mudando totalmente o foco de sua aparição para a multidão que a aguardava na praça.

Expor toda a pobreza e criminalidade da cidade vizinha faria com que os cidadãos da cidade do progresso estivessem ao menos cientes do custo de seus avanços.

Ao longe, estava a garota de cabelos azuis em cima de um prédio com sua fishbones mirando nas pequenas cabeças que se acumulavam na multidão. As palavras da xerife a tiravam um pouco de seu estado maníaco agressivamente, enquanto falava do quanto os moradores de Zaun necessitavam de auxílio em muitos aspectos.

"Não gosto disso! Não gosto nem um pouco disso! Não é como se ela pudesse colocar bondade nas pessoas, não é como se eles se importassem! Eles por acaso não sabem como é a cidade baixa? É claro que sabem, muitos descem pra lá o tempo todo, mas ninguém fala disso. O que essa idiota tá fazendo? Sai logo daí e para de bancar a burra, grrr.."

— Não consigo evitar me sentir culpada quando vejo uma criança tentando roubar por sentir fome e espero realmente encontrar uma solução rápida para toda essa bagunça — Caitlyn transmitia tristeza e cansaço em sua fala, como se estivesse falando para si mesma — E Jinx... Sei que você está aí em algum lugar querendo explodir todas essas pessoas, mas as coisas vão ser diferentes, eu prometo! Anote isso em rosa neon onde quiser!

Foi assim que a xerife deixou o palanque, sem aplausos, mas com muitos rostos reflexivos e preocupados.

— O que você acha, fishbones? Ela pode mesmo estar dentro da nossa cabeça nesse momento?

Jinx encarou o focinho de tubarão de sua arma, imaginando uma resposta dos dentes afiados de metal.

— É claro que vamos pegar aquela caixa!

Já era noite quando a maioria dos oficiais deixou a delegacia, facilitando a entrada de Jinx com um uniforme roubado, tudo pra que pudesse pegar a caixa onde todos deixaram sugestões sobre o problema com Zaun. A garota se escondeu na sala da xerife, um lugar onde não seria tão ruim ser flagrada.

— Você enlouqueceu? Caitlyn — a voz indignada de Vi foi rapidamente reconhecida em seu tom bastante alto que indicava uma discussão, chamando atenção da garota sentada sobre a mesa em seu disfarce — Não tô entendendo o que você quer de mim, sério!

— Eu não quero nada de você, não espero coisas das pessoas desde que tinha nove anos — a resposta veio de forma muito mais contida e até normal demais para quem participava de uma discussão — Mas eu estava dentro de uma cela e não a vi em nenhum momento.

— Como? Como eu poderia olhar pra você com aquela maldita foto na minha cabeça? E agora diz que foi VOCÊ quem beijou a min... A Jinx.

— Ao menos ela diz o que tem que dizer, mesmo que de maneira agressiva e estava do meu lado o tempo todo. Nós quase morremos lá fora atrás de quem queria me matar VÁRIAS vezes. Talvez ela também estivesse do seu lado, se não a tivesse abandonado.

— Eu estava presa!

— E agora? Ainda está presa?

Jinx tinha a expressão séria demais e encarava a porta de onde surgiam as vozes, por mais que não pudesse ver através dela. Algo doía ao reconhecer que Caitlyn tinha razão. Talvez não tivesse sido abandonada quando pensava que sim e Vi estava na prisão, mas era agora.

— Você é covarde demais — saindo da sala escura de luzes apagadas, a mais nova finalmente revelou sua presença ali, fazendo com que vários policiais apontassem suas armas para sua cabeça — Eu entendo também, Vidiota, entendo o motivo de ter me trocado por essa... Boneca de porcelana hora do chá com a vovó, edição limitada! Sei por que você largou tudo por ela porque eu tô quase fazendo a mesma merda! Parece que ela tem alguma coisa que faz a gente trocar de lado, ou sei lá... Mas você é covarde pra caralho e nem consegue mais me chamar de irmã. Você tá certa, a sua irmãzinha MORREU! Mas você é uma filha da puta covarde e a bonequinha aí tá fazendo tudo o que você não fez — o som dos coturnos atravessando a sala foi só o que se ouviu enquanto Jinx se dirigia até a saída em seu uniforme policial quase perfeito — Por Zaun e por mim...

Os agentes se movimentaram em conjunto para impedir a saída da criminosa do centro policial, mas Caitlyn levantou uma mão espalmada na direção de todas as armas, ainda sem conseguir encarar ninguém.

— Hoje não — a voz da xerife soou firme, fazendo os homens hesitarem em suas decisões — Hoje Jinx não cometeu nenhum crime e se cometer amanhã, eu mesma vou trazê-la algemada.

Vi encarava o chão com os punhos cerrados e o nariz franzido, como um cão raivoso, mas as palavras de Jinx a haviam atingido fundo.

• Momento Presente •

— Que comovente, mãe e filha juntinhas brincando de... Sei lá que porra vocês tão fazendo, mas é comovente, não fosse por... — a voz estridente indicava o comportamento descontrolado de Jinx, que invadiu a sala com os braços cruzados — Por saber que ela não é sua filha de verdade e sim MINHA filha, só minha.

A pequena estava em alerta por perceber o comportamento maníaco da mais velha, mas preferiu observar em silêncio e com curiosidade o desfecho do diálogo.

Caitlyn por outro lado, não se surpreendia nem um pouco com o ar de deboche trazido por Jinx, já que estava muito mais acostumada com isso. Manteve a expressão neutra.

— Mas é claro que você não sabe disso porque não se lembra de nada, não é — continuou a dona dos olhos violeta — Você não faz ideia de nada do que rolou nos últimos dez anos e eu tô sem nenhuma paciência pra todo esse circo.

Bastou que a atiradora avançasse em sua direção para que Kiramman recuasse dois passos para trás, embora mantesse sua expressão séria e concentrada em cada movimento de sua “adversária", estava exatamente onde Jinx queria.

Rapidamente uma pesada jaula com barras de aço despencou do teto quando o mecanismo engenhoso foi ativado e a xerife estava totalmente presa bem no meio da sala.

— Acontece que eu não tenho nenhuma vontade de te contar o que é isso aqui — a mais nova exibiu um anel dourado com uma pedra em forma de crânio que carregava em uma das mãos e se jogou contra as barras de aço, as agarrando e colocando seu rosto raivoso entre elas, mostrando os dentes como um animal — Eu não tô afim de lembrar sozinha de tudo o que aconteceu entre a gente, prefiro mil vezes explodir a sua cabeça do que ter que viver assim!

— O que é isso — perguntou Caitlyn, apontando com o queixo para o anel.

O barulho alto de um tiro interrompeu a conversa e o projétil colidiu com uma das barras de aço acima da cabeça de Jinx, provocando uma enorme faísca.

As duas mulheres voltaram sua atenção para a criança, que segurava seu rifle e ainda mirava na cabeça da visitante inesperada. Desfazendo sua postura defensiva com o braço que cobria o próprio rosto, a garota das tranças se voltou para a pequena Diana.

— O que você tá fazendo agora? Vai ficar sem sorvete! Arrrgh... Maldito clone em miniatura!

— Eu que pergunto o que você tá fazendo.

— Brincando com a polícia, como a gente sempre faz — um sorriso travesso moldou a face de Jinx ao encarar Caitlyn por um momento.

— Mas eu sou a polícia!

— Grrr... Você é uma decepção — os olhos da mais velha se voltaram com tédio para Diana — Muito boa em explodir coisas, mas uma decepção!

— Solta ela e eu tô falando sério — disparou a menor, sem sair de sua posição.

— Olha só, eu pari você pra ficar do meu lado e não contra mim, criatura adorável e sanguinária!

Caitlyn cruzou os braços com um sorriso vitorioso, embora não se lembrasse de Diana, tivera uma afeição imediata pela garota, que em tanto se parecia com ela mesma em uma versão mais moderna e letal.

 

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Maria Andrade

Maria Andrade

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2023-09-20

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