Notas da autora:
JINX: Quem voltou? Quem voltou? Hãn? Hãnnn? A MELHOOOOOR ATIRADORA DE TODAS!!! Euzinha aqui, claro!
CAIT: As coisas estão bem confusas. Só... Tirem essa maluca da minha frente.
JINX: Achei que a gente já tinha superado isso.
CAIT: Eu não sei do que você tá falando. Isso é tudo, espero que se divirtam.
JINX: Ah, não sabe. Coitadinha... Na hora de empinar esse rab... hmmmmm... grrr... ME SOLTA, CARALHO!
CAIT: Tchaaaau!
......................
Foi só quando Caitlyn baixou o olhar, que percebeu a tatuagem que cobria toda a parte interna de seu antebraço, um desenho de seu rifle, um relógio muito bonito e nuvens iguais as que Jinx tinha no corpo só que menores e tudo na cor preta em traços finos e delicados com muitos detalhes. Notou também seu cabelo mais comprido, cobrindo a cintura no mesmo tom azul escuro. Seu olhar buscava respostas ao encarar Jinx novamente, também prestando atenção em tudo de diferente que conseguia encontrar.
— Por que você tá me olhando assim, Cait? Quer brincar de polícia e ladrão de novo — perguntou a mais nova, já abrindo os botões de sua camisa.
— Não! Não! Não me chama assim! Se afasta!
Em um ato desesperado, Caitlyn foi até o outro lado da cama, se enrolando no enredom branco, mas sem demorar a escapar dele e ficar de pé, espalmando uma das mãos na direção da outra mulher pra que não se aproximasse. Olhou para o próprio braço e o mordeu em alguns pontos, observando as marcas dos dentes levemente decorando sua pele e todas as sensações que tinha com aquilo.
— Você tá me deixando preocupada, amor. O que você tá fazendo — Jinx tentou mais uma vez se aproximar.
— FICA AÍ! E PARA DE ME CHAMAR ASSIM!
— Sabe que me dá muito tesão quando fica séria assim, me faz querer toda essa raiva em cima de mim — mais uma vez um sorriso cheio de malícia moldou a face da de cabelos claros, que lançou seu olhar ameaçador sobre o corpo de Caitlyn em cada curva.
— Não, para com isso — a voz da xerife foi mais fraca, quando encostou na parede de lado, cobrindo o rosto com as mãos e se inclinando pra frente até abaixar e sentar no chão completamente, já não conseguindo controlar a respiração ao sentir seu sistema nervoso tomar o controle — Sai... Sai daqui...
— Tá bem, eu preciso ir — com um suspiro baixo, Jinx deixou o quarto, mas parou na porta para um último aviso — Vou ficar fora por dois dias. Espero que você fique bem. Sei lá o que aconteceu, mas espero que tire esse tempo pra descansar. A Diana vai ficar com o Jayce e a Ana.
O nome de Jayce foi um conforto para a mulher em meio a tantas coisas estranhas que tinha visto e ouvido. Assim que se viu sozinha no quarto, começou a observar e mexer em tudo, embora aquele não parecesse o seu quarto, mas sim um lugar completamente desconhecido. Reconheceu suas roupas, mesmo tendo algumas diferentes em seu guarda roupa, reconheceu também o seu rifle, o qual nunca trocaria. Encontrou também uma caixa com muitos papéis, que certamente lhe dariam pistas sobre aquela confusão. O primeiro foi uma carta com sua própria caligrafia muito bem desenhada, o que significava certo empenho em escrever onde se lia:
"Custava muito a acreditar que o que sentia era paixão de verdade, mas você, Jinx, me despertou inúmeras outras coisas muito melhores do que paixão. De alguma forma, passei a viver de verdade apenas depois de mergulhar fundo na insanidade junto com você, depois de segurar sua mão e pular em queda livre para uma vida muito mais nua, sem conceitos já prontos sobre coisas que eu julgava tão certas.
Quando estou com você não é carência, não é desejo, não são só instintos humanos básicos, é como se fôssemos duas almas despidas, que se fundem em muito mais do que outros podem ver. Parece inacreditável, mas você me levou para uma dimensão que eu não fazia ideia que existia, mesmo vivendo em meio a ela.
É engraçado pensar agora no começo, nas minhas reações de surpresa, desespero, mas curiosidade. Na primeira vez que transamos naquela mistura de desejo e ódio, quando você cortou o meu lábio com um tapa e eu jurava que uma luta se iniciaria ali, mas em vez disso, passou a beijar enlouquecidamente cada parte do meu corpo. Era um sentimento de estranheza, mas com uma adrenalina absurda, no mesmo instante que me arrependi de ter deixado me algemar, constatei que foi a melhor coisa que poderia ter feito ao ver a expressão de prazer no seu rosto, seus olhos vidrados em mim, como se fosse sua caça. Tão violenta, mas sabendo exatamente onde tocar e como. Tinha razão, era muito normal antes de você, era até sem graça, se for colocar em comparação.
Suas unhas na lateral do meu corpo fizeram um belo estrago e no dia seguinte, espelhos, vidros e até o meu rifle refletiam o corte no lábio e me faziam lembrar instantaneamente de todos os orgasmos explosivos, de todas as vezes que levou meu corpo a um limite que pensei que não suportaria, alternando com provocações divertidas só pra você porque eu estava sem conseguir me soltar e enlouquecendo! Minha concentração ia pelos ares em uma fração de segundo, assim que milhões de imagens invadiam minha mente.
Quero que saiba que você foi a melhor parte da minha vida e continua sendo, todos os dias. Seu sorriso, sua risada e seu jeito tão espontâneo me dão a certeza de estar no lugar certo. Eu não poderia te amar mais e não poderia amar mais ninguém.
***Sua, Caitlyn***."
A xerife precisou sentar, ao duvidar da capacidade de seu corpo se manter em pé naquele momento. Como a boa detetive que era, repassou em sua mente todas as possibilidades.
"Um lapso de memória? Estranho, mas essa realidade jamais aconteceria, não pode estar certo! Talvez seja apenas essa maluca tentando me pregar alguma peça!"
O espelho era mais uma vez seu inimigo, quando se viu nua diante dele com inúmeras marcas, mesmo que suaves, que destacavam uma interação sexual recente e tão violenta quanto descrevia a carta com marcas de unhas que desciam por suas costas e coxas. Seu corpo também estava mais forte do que conseguia lembrar e suas pernas torneadas indicavam uma rotina maior de treino físico, ainda que não tivessem roubado seus traços bastante femininos com a cintura marcada e seios fartos, a atiradora se sentia estranha. Suas unhas também estavam maiores e enfeitadas com um brilho sutil, algo que não conseguia enquanto caçava animais na floresta e logo depois criminosos nas ruas.
Os pés inquietos entregavam Jinx e seu nervosismo com movimentos repetitivos, rápidos e involuntários, algo que a pequena Diana não percebia enquanto brincava ao seu lado com um quebra cabeça, mas Jayce e seu olhar atento não deixou de notar.
— Então ela não lembra de nada?
— De alguma coisa ela lembra, já que parece me odiar — a garota de Zaun se jogou no encosto do sofá com a cabeça pra trás e fechou os olhos, bufando sem nenhuma paciência — Parecia uma TPM qualquer onde a gente tem tendência ao homicídio mútuo no começo, mas logo ela começou a encarar tudo em volta, como se visse pela primeira vez.
— Calma, eu vou tentar ligar pra ela e vamos resolver isso.
— Você é... — Jinx levantou, se jogando no outro sofá ao lado do homem que permanecia sério e envolveu os braços em seu pescoço de lado — O MELHOOOOOOR AMIGO DO MUNDO!
O jeito sério de Jayce não se desfez, mas um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. Não demorou a pegar o celular e trazer as questões com muito cuidado para a xerife.
— Oi, Cait, senti sua falta hoje. Como você está?
— Jayce, como é bom te ouvir! Na verdade eu estou... Com problemas — foi possível ouvir um suspiro do outro lado da minha — Problemas bem grandes dessa vez.
— Quer me contar o que aconteceu?
— Não gosto da ideia de te envolver nisso, mas você já deve saber que fui presa e escapei da prisão. Alguém armou pra mim, Jayce. Eu preciso descobrir quem foi, quero meu trabalho de volta.
Os olhos de Jayce encontraram os de Jinx com extrema preocupação e era perceptível que só então o rapaz conseguia entender a gravidade do que estava ocorrendo.
— Qual é a última coisa que se lembra?
— Que pergunta é essa agora? O que você está sugerindo?
— Só responde.
— Bem... — houve uma longa pausa — Eu tinha acabado de salvar Jinx depois de prendê-la por muito tempo algemada em um antigo reservatório de água em Zaun. Estava em um lugar bastante alto, então eu a trouxe de volta ao chão pra que fosse julgada pela lei corretamente.
— Preste atenção no que eu vou dizer, bastante atenção, Caitlyn.
— Você está... Me assustando. Talvez não tenha sido uma boa ideia essa conversa.
— Kiramman, é sério, bem sério. Eu preciso que me escute.
— Fala logo!
— A situação que você descreveu na torre do reservatório foi há 9 anos atrás. Você já está de volta ao seu cargo. Muita coisa aconteceu nesse tempo.
— Por favor, não brinca comigo — a policial já tinha as mãos trêmulas sem que tivesse controle — Você não...
— Estamos indo praí! Eu preciso que você descanse enquanto isso, procure um jornal, ou qualquer coisa que possa conter a data, mas tenta ficar calma. Nós vamos chamar um médico. Cait, é bom ouvir sua voz de novo.
A ligação ficou muda, Caitlyn não conseguia formular qualquer palavra e mesmo que conseguisse, sua voz parecia ter sido roubada de repente. Parou os olhos mais uma vez na carta que segurava com sua própria letra, mas logo a escondeu em algum lugar em suas roupas. O uniforme policial estava quase igual e era uma das poucas coisas que a fazia sentir "em casa" sem toda a confusão em que havia se metido, mas ainda faltava o chapéu.
• Nove anos antes •
— Eu sinto cada parte do meu corpo doer, até os ossos... — Caitlyn parou de falar por um instante, recuperando o fôlego e apoiando uma das mãos no abdômen, enquanto se inclinava pra frente com a dor — Até partes que não sabia que existiam.
— Você tá mesmo mal, chapeleira. Eu por outro lado, poderia até apostar uma corrida.
Embora disfarçasse bem, Jinx também estava atordoada pela dor e estaria se sentindo pior, não fosse pela alta dose de adrenalina que a deixava em um estado psicótico.
— Você não devia ter se metido nisso, não tinha que ter me ajudado, não é assunto seu!
— VOCÊ ME SALVOU E EU NÃO QUERO ESTAR EM DÍVIDA COM UMA CRIATURA ESTÚPIDA!
— Fui salva primeiro, pelo que sei bem.
Chegaram a uma pequena comunidade ao fim de Zaun, ainda mais distante de Piltover. As casas eram amontoados de tábua e ferro e era custoso acreditar que alguém poderia estar ali dentro, menos ainda morar. As botas de Caitlyn afundavam no barro a cada passo, mas ela já não se importava.
Ao encontrar uma pedra, a xerife cedeu à vontade de sentar e acabou deitando o corpo sobre a superfície rochosa.
— Espera, só... Um pouco...
O corpo da morena pesou tanto, que pareceu ter perdido a consciência ao apagar em um sono profundo devido ao quão exausta se sentia com a dor e longos dias de caminhada.
Acordou em dentro de um desses biombos de madeira em uma cama estreita de tábua e palha. No chão, uma fogueira pequena deixava o ambiente com um cheiro gostoso de legumes e logo ao seu lado estava Jinx, ainda adormecida. A senhora com algumas marcas da idade sorriu gentilmente e estendeu uma tigela com o caldo para Caitlyn, que notou logo atrás em uma parte mais escura uma criança tímida e assustada.
— Vejo que acordou, deve tá com fome. Coma — insistiu a anfitriã.
— Desculpe, onde eu estou — a xerife segurou a tigela que lhe foi dada, mas não tomou o caldo, em vez disso, manteve os olhos atentos à mulher, mas com um sorriso de gratidão — Sinceramente não lembro como cheguei aqui.
— A outra moça trouxe você, estava fraca demais, por isso tem que comer.
Jinx acordou, também sentindo o aroma delicioso. Logo pegou a tigela que também foi oferecida a ela e começou a comer de forma animada.
A senhora se distanciou, pedindo licença e saiu para o lado de fora, dando espaço para a policial deixar seu olhar de repreensão sobre a outra garota.
— Jinx — os olhos azuis indicavam a tigela com certa pressa.
— O que foi — perguntou a mais nova, devolvendo o sussurro bem baixo — Não tá envenenado.
— Não é isso que me preocupa, mas sim que talvez essa seja a única refeição que essa família tem e mesmo assim nos oferece. Vê a panela? Parece vazia — Caitlyn ainda sussurrava.
A garota de Zaun levou seu olhar até a panela, praticamente vazia, diria que estava apenas suja e refletiu por um instante, antes de estender sua própria tigela para a morena.
— Tudo bem, eu já não estou mais com fome, podemos dividir.
O gesto, por mais simples que fosse, arrancou um sorriso da caçadora, que pegou a tigela dada por Jinx, deixando a outra de lado.
— Não me olha assim — a dona dos olhos violeta alertou — Não é como se eu fosse um monstro.
— Realmente, não é — admitiu a xerife, mesmo que quase de um jeito inaudível.
"Será que essa garota rica tem mesmo alguma noção de como as pessoas passam fome aqui em baixo? Eu achava que toda essa gente metida não tava nem aí pra o que acontecia com os outros, mas... Ela parece tão diferente. Vi seu olhar tão triste, quando acordei aqui. Será que é possível que ela realmente se importe?"
Jinx estava confusa com seus pensamentos, lembrava de ter passado fome na infância e de sua difícil realidade, mas imaginava que tal pensamento não alcançasse os mais privilegiados, até ouvir o que Caitlyn dizia sobre a comida. Logo depois, a xerife ainda deixou um colar de ouro que nunca tirava, como agradecimento. Aquilo certamente tinha valor e renderia algum tempo de alimentação para os dois que ali moravam. A de cabelos claros ficou em silêncio por um bom tempo, observando e refletindo suas ideias serem destruídas pelas atitudes da xerife bem diante de seu nariz, algo que a criminosa jamais esqueceria pelo resto de sua vida e que faria surgir inúmeras outras perguntas em sua mente inquieta.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Maria Andrade
que história, fascinante estou amando a cada capítulo uma descoberta
2023-09-16
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