À Beira da Morte

Na TV estava passando uma notícia trágica.

Um jovem chamado Dário O’Conner foi encontrado morto perto de um posto de gasolina, brutalmente espancado, a polícia supõe que foram bandidos.

Angelina assistia ao noticiário. Eles fizeram um bom trabalho fazendo parecer que ele foi morto por um grupo de ladrões insignificantes. Levaram sua carteira e o abandonaram em um beco para ser devorado por ratos.

Alguns ladrões de rua foram presos sob suspeita de sua morte.

Se ao menos eles soubessem...

Se ao menos ela pudesse contar para alguém por que ele estava morto...

A culpa a consumia. Estava fazendo ela desmoronar em pedaços.

Amanda abandonou a faculdade, alegando que estava se mudando para Nova York com a família. Ela prometeu não dizer uma palavra do que aconteceu, pela própria segurança dela e de Angelina. E isso estava a matando.

A vida se tornou apenas uma existência tediosa dentro das paredes de mármore da mansão de Nikolai.

Seu pai tentou ligar algumas vezes, mas acabou desistindo quando Angelina não atendeu. Nunca em sua vida ela se sentiu tão sozinha.

Se o objetivo daquele monstro era esmagá-la... fazê-la sofrer... ele estava conseguindo.

“Senhorita, você precisa comer alguma coisa.” A voz de Irina quebrou o silêncio, mas Angelina não respondeu.

“Já faz uma semana...” A empregada continuou, abrindo a cortina grossa para deixar entrar um pouco de luz do sol.

O brilho repentino fez Angelina gemer como um morcego encolhido em sua caverna.

“Me deixe em paz.”

“Não posso fazer isso.” Irina se aproximou da cama onde a garota loira estava escondida sob os lençóis grossos.

“O Sr. Ivanov quer vê-la.”

“Diga a ele que não quero vê-lo.”

Por uma semana Nikolai havia pedido para jantar com ela, e ela recusou todas as vezes.

“Ele não vai tolerar mais uma desculpa, senhorita...”

“O que te faz pensar que eu me importo?” Angelina retrucou, virando o rosto para longe da obediente empregada. A lealdade de Irina àquele monstro a deixava enjoada.

“Como você pode trabalhar para ele? Depois de todas as coisas terríveis que ele fez?”

Irina sentou-se na beirada da cama. O silêncio se instalou entre as duas, até que Irina começou a falar.

“Quando eu tinha oito anos, perdi meus pais e minha casa. Não tinha para onde ir. Minha família adotiva me acolheu apenas por dinheiro. Eu estava...espancada e... Pior." Ela engoliu em seco. Sua voz estava baixa, triste.

"O Sr. Ivanov me salvou. Naquela época, ele tinha acabado de assumir o Império aos dezesseis anos. Ele já era jovem e temível." Ela riu. "Mas ele foi o único que se ofereceu para ajudar quando eu estava quase morta nas ruas. Ele me acolheu. Em troca, eu jurei lealdade."

Angelina virou-se para encarar Irina. Nenhuma palavra de conforto seria suficiente para expressar a pena que ela estava sentindo.

"Sinto muito que isso tenha acontecido com você."

Irina balançou a cabeça.

"Não precisa se desculpar. Minha vida tem sido boa desde então." Ela sorriu. "Naquela época, ele disse que eu o lembrava de alguém que ele conhecia. Ele comete muitos erros. Eu não deveria dizer isso, mas acho que... ele não sabe como fazer as coisas de maneira diferente. Ele foi criado, desde que nasceu, para ser o próximo líder da máfia russa. Não sei muito sobre o passado dele, mas posso garantir que deve ter sido pior do que o meu. Aquele homem passou por coisas que assustariam até o próprio diabo." Ela fez uma pausa, olhando timidamente para as mãos. "Acredito que ele só precisa de alguém para mostrar que as coisas podem ser diferentes. Alguém que possa...tocar no coração endurecido dele" Seus olhos se fixaram em Angelina.

"Não acredito que alguém como ele possa mudar." Suas mãos se cerraram em punhos.

"Ele é um monstro."

"Todo mundo pode mudar, senhorita." Irina sorriu e bateu palmas.

"Mas agora, por favor, permita-me preparar um banho para você. Com todo respeito, você precisa muito disso."

Uma risada genuína escapou dos lábios de Angelina. "Suponho que sim."

Ela não havia saído da cama por muito tempo. Se não queria continuar cheirando como um gambá, realmente precisava de um banho.

A água quente funcionou como mágica. Ela se sentia renovada, como se pelo menos parte de sua tristeza tivesse sido lavada.

O icônico vestido branco estava esperando por ela quando saiu. Nikolai tinha uma obsessão em vê-la vestida de branco. Todas as noites havia um novo vestido branco preparado para ela.

Na última semana, ela os tinha empilhado em um monte no chão do quarto, recusando-se a vestir qualquer coisa além de pijamas.

Nikolai tinha dado a ela a privacidade de que precisava, e parte dela ainda queria continuar evitando-o. Mas algo lhe dizia que isso não levaria a algo bom.

Eles tinham um acordo, e ela ainda estava longe de descobrir o significado do que ele havia dito sobre "Nossa promessa".

Aquelas palavras tinham sido íntimas, faladas com sinceridade. Para ela, elas apenas aumentavam a confusão e o mistério que a mantinha trancada nessa mansão. O que Nikolai estava escondendo dela?

Um enorme SUV preto blindado estava esperando do lado de fora. Dog segurava a porta aberta, com uma expressão ameaçadora no rosto. Ninguém disse para onde a levariam.

Dava para pensar que ela já tinha se acostumado aquele tratamento. Longe disso. Seu coração batia mais alto que o rugido do motor.

Talvez ele finalmente tivesse decidido se livrar dela.

Afinal, eu tentei matá-lo. Angelina pensou.

Sentada no banco de couro, as unhas curtas dela arranhavam nervosamente as coxas, deixando marcas vermelhas.

A mansão logo desapareceu de vista. O suspense estava a matando. Não adiantava fazer perguntas. Dog e seus homens só respondiam a Nikolai, e ele não estava ali.

Uma hora torturante depois, o carro finalmente parou em frente a uma praia. O ar salgado beijava suas bochechas e o vento chicoteava seu cabelo longo. As ondas selvagens batiam contra a costa rochosa.

Ela teria prestado mais atenção à beleza daquele lugar se sua atenção não tivesse sido roubada por uma figura familiar ao longe.

Nikolai estava parado com as mãos nos bolsos da frente de sua calça preta, observando-a com olhos cinza congelantes.

A tensão dentro dela cresceu. A sensação de medo a fez prender a respiração.

"Angel..." Ele a abordou, seu olhar seguindo cada passo dela. Seus homens ficaram para trás, fumando e conversando entre eles, sem prestar atenção aos dois.

“O que é isso?” Ela perguntou.

“Gostaria de dar um passeio?”

Isso não pareceu realmente um convite e sim, quase uma ordem. O calor de sua grande mão na pequena área das costas dela fez seus nervos formigarem de nervosismo.

Ela se colocou ao lado dele, tentando não tremer com o frio cortante do vento.

“Serei a próxima a virar comida para os peixes?”

Um humor amargo passou por sua voz. Ela não ficaria muito surpresa se ele escolhesse afogá-la na água gelada, observando ela virar comida de tubarão. Ele era cruel o suficiente para atraí-la para uma falsa sensação de segurança e então atacar quando ela menos esperava.

“Seria um terrível desperdício para uma mulher tão bonita.”

Ele soltou uma risada seca, profunda e áspera como ele próprio. A mão de Nikolai saiu das costas dela para tirar o paletó do terno. Com um movimento rápido, ele o jogou sobre os ombros esguios dela.

“Não fique com frio.” Ele disse simplesmente, sem se abalar pelo vento forte.

O casaco grande ficou quente contra sua pele. Angelina sentiu suas bochechas corarem. O cheiro do perfume forte dele impregnou seus sentidos. Ele era cavalheiro para um mafioso, com certeza.

Não deixe um gesto carinhoso mudar seus pensamentos.

Ela se repreendeu.

Não posso baixar minha guarda. Ele é um monstro. Seja corajosa.

“Por que estou aqui?” Ela exigiu, com uma voz firme.

“Para passear.”

Angelina franziu o cenho.

“Você espera que eu acredite nisso?”

“Sim.” Nikolai afirmou simplesmente. “Você não saiu do seu quarto por uma semana. Está pálida e doente.” Ele olhou para ela.

“Você precisa de sol.”

Se ela estivesse sentada, teria caído da cadeira, completamente perplexa.

Ele está agindo como um amigo preocupado agora?!

A raiva se avolumou em suas veias.

“Isso é uma espécie de tentativa de desculpa? É isso?” Sua voz ficou feroz e irritada. “Você acha que eu vou te perdoar por tudo que fez depois de um passeio na praia!? Se sim-“

“Não estou pedindo desculpas.” Ele a interrompeu. “Aquele garoto tocou no que me pertence.”

Os dois pararam. Nesse ponto, ela estava tomada pela raiva.

"Quando você vai parar de me tratar como se eu fosse a porra da sua propriedade!?" Ela estava com muita raiva para se importar se estava gritando ou dizendo palavrão.  

Angelina estava tão furiosa que não se importava com mais nada. Todas as frustrações acumuladas transbordaram. Sem pensar, ela pegou a mão dele e encostou no seu peito.

"Sente isso!? É chamado de coração!"

As sobrancelhas de Nikolai se ergueram. Ele parecia surpreso. Ele não fez nada para puxar a mão, apenas a encarou, sentindo seu pulso acelerar sob a pele dela.

"Eu sou uma pessoa, não sua propriedade!” Angelina olhou fundo nos olhos dele. Ele não podia mais fingir ser um psicopata. Nesse momento, ela viu a emoção girar ao redor dos seus olhos cinzas, mesmo que ele escolhesse permanecer em silêncio.

Os dedos pequenos dela apertaram em torno do pulso dele. Seu pulso estava acelerado.

"Eu..." Ele começou.

BANG!

O ar estremeceu. O barulho alto fez seus ouvidos zumbirem. Foi tão rápido que não deu chance de ela reagir.

Lentamente, o olhar dela foi do Nikolai para uma mancha em seu ombro que não estava ali antes. Era molhada e escura, e continuava crescendo. Seus dedos trêmulos soltaram o pulso dele, limpando o líquido vermelho que agora escorria de um buraco escuro em sua carne.

Sangue...

E então veio a onda de dor, tão poderosa que fez os joelhos dela dobrarem. A dor se espalhou rápido por todo o corpo, queimando...

Ela sentiu dor, mas ainda não entendia o que estava acontecendo.

Dois braços fortes seguraram seu corpo caindo logo após outro estrondo seguir o primeiro. E então vieram mais tiros, mas ela não escutava mais o barulho direito. Suas pernas não tocavam mais o chão, e ela estava envolvida em algo quente. Ele a segurou bem perto dele.

"Fique acordada!” Nikolai sussurrou, parecendo nervoso. "Angel, fique acordada, porra!" Angelina ouviu sua voz profunda e cheia de emoção entre os gritos e as ordens estrondosas ao redor. Sua cabeça pendia para trás contra o ombro dele, seus olhos se fechando...

Porém, antes de desmaiar, ela ouviu algo que fez seu coração disparar. Talvez tenha sido uma ilusão de sua mente desnorteada, uma alucinação... Ela não sabia.

“Me perdoe, Angelina.”

Nikolai disse deixando cair uma lágrima sobre o rosto dela.

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Comments

Fátima Alfiery

Fátima Alfiery

a tá, agora ela vai ficar encantada por ele. Blá-blá-blá

2025-02-26

0

Maryan Carla Matos Pinto

Maryan Carla Matos Pinto

e agora,quem atirou

2024-10-09

1

Fátima Alfiery

Fátima Alfiery

muito Blá-blá-blá

2024-07-16

3

Ver todos

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