O fogo da lareira lançava um brilho alaranjado por todo o quarto escuro.
Lá estava ele, sentado numa poltrona com um copo de uísque quase caindo entre seus dedos longos. Ele o segurava tão frouxamente que poderia cair e derramar a qualquer momento. Seu rosto estava voltado para longe dela. Ela só conseguia ver o emaranhado de seus cabelos grossos e seu braço.
O felpudo carpete abafava o som de seus passos. Angelina atravessava silenciosamente o amplo quarto, sua firme determinação agora sumindo sob o peso do crime que estava prestes a cometer.
Ele não hesitou ao ordenar a morte de Dário.
Ele não hesitou quando Amanda foi espancada e quase estuprada.
A violência era tão natural para ele quanto respirar, e ali estava ela, abalada até a alma só em pensar em derramar o sangue dele com suas próprias mãos.
O desejo de vomitar e fugir aumentava a cada passo que ela dava. Mas ela não podia. Não depois de tudo o que ele tinha feito a ela... depois de tudo que ele tinha feito a todas aquelas pessoas inocentes.
Com a faca apertada em sua mão trêmula, ela contornou a poltrona. O mínimo que podia fazer era dar-lhe a cortesia de saber quem o matou. Seus olhos o encontraram.
O peito de Nikolai subia e descia com respirações superficiais. Seus olhos estavam fechados e seus traços pareciam bem mais suaves.
Ele está dormindo. Ela percebeu.
Estou prestes a matar um homem dormindo.
A ideia não lhe agradou. Essa poderia ser sua única chance, ainda assim ela hesitava em levar a faca até o pescoço dele.
Engula o medo.
Sua mão não se moveu.
Faça isso!
Uma voz sombria dentro dela insistiu.
Com muito medo, ela levou a faca até o lado do pescoço dele. Seus olhos se fecharam.
Angelina não conseguia fazer isso enquanto olhava para a expressão pacífica dele. Ele parecia tão humano naquele momento. Era mais difícil lembrar das coisas terríveis que ele tinha feito.
Mas, de repente, o rosto de Dário apareceu em sua memória, seu sorriso caloroso e depois, ele cercado de sangue.
Quantas mais vidas ele arruinaria se ela não fizesse isso?
O que aconteceria com sua própria vida se ela não fizesse?
“O que você está planejando fazer com essa faca, Angel?” Uma voz profunda e calma a interrompeu.
Perdida em seus pensamentos, Angelina não tinha percebido que os olhos dele tinham se aberto. Agora, Nikolai a encarava friamente. Seus traços haviam endurecido novamente. A expressão pacífica que ele tinha enquanto dormia desapareceu, para dar lugar a seriedade de um chefe da máfia.
Angelina congelou, ainda segurando a ponta da faca a centímetros da garganta dele.
A centímetros de sua liberdade.
Ela tinha a vantagem, e no entanto, ela não conseguia concluir o que veio fazer.
“Você matou meu amigo.” Ela disse. “Você abusou da Amanda...” Sua voz tremeu.
“Eu sei.” Para um homem com uma faca em sua garganta, ele falava com muita calma, como se soubesse que ela não levaria o ato adiante.
Isso a irritou. Muito.
“Você é um monstro maldito.”
“Eu sei.”
Ela rangeu os dentes.
“Por quê? Por que você fez isso comigo?”
Ele permaneceu em silêncio por um momento, seu olhar firme percorrendo os traços dela, como se estivesse tentando gravar cada curva sutil em sua memória.
“Eu sou um homem egoísta, Angel.”
“Isso é tudo? Essa é a melhor resposta que você pode me dar depois de matar meu melhor amigo!?” Ela rugiu.
A ponta da faca cortou um pouco a pele dele. Ele nem sequer se mexeu quando um fino fio de sangue escorreu até a gola de sua camisa.
“Eu vou te matar.” Ela realmente queria, mas sua mão ainda se recusava a se mover.
Maldição!
“É mesmo?” Um toque de diversão apareceu em seus traços. Uma sobrancelha grossa se arqueou, provocando-a.
“Eu acho que não, Angel.” Sua grande mão envolveu seu pulso.
Ele não afastou a faca de sua garganta, mas a pegada no pulso dela havia prendido seu braço para que ela não pudesse mais mexer a faca.
“Se você quisesse me matar, eu já estaria morto.”
Ela odiava como essas palavras eram verdadeiras.
"Eu te odeio." Lágrimas começaram a borrar sua visão. Ela se recusava a deixá-las cair. "Eu te odeio tanto!"
"Eu sei." Com um forte puxão, ele a puxou para seu colo. Ela montou sobre suas longas pernas, sentiu um calor perigoso irradiando de seu corpo musculoso.
"Eu devo ser odiado." Nikolai sussurrou contra seus lábios. "Você deve me odiar."
Seu aperto em seu pulso aumentou, forçando-a a largar a faca. Ela caiu no chão com um ruído surdo.
"Quero ter você só para mim. Quando aquele garoto tocou em você, não pude deixá-lo viver. Você é minha." Seu nariz roçou ao lado de seu rosto. Ele inalou o cheiro dela.
"E você continua se esquecendo disso. Nossa promessa."
Os olhos dela se arregalaram.
Nossa promessa.
Isso liberou algo há muito tempo esquecido. Ela sentiu um aperto no coração, mas não conseguia se lembrar.
"Que promessa?" Ela sussurrou.
Ele não respondeu. Em vez disso, seus braços envolveram sua cintura, levantando-a ainda mais em seu colo.
"Você é minha" Ele repetiu. "Meu puro anjinho." Seus lábios roçaram sua bochecha. Isso provocou um arrepio na espinha dela.
Era errado se sentir assim por alguém que ela queria matar. Seu toque deveria ser revoltante, mas não era. Ele era gentil, murmurando coisas doces em seu ouvido.
"Você não pode escapar de mim."
Essas palavras ecoaram em sua cabeça uma e outra vez.
"Vou garantir que você não tenha ninguém para quem fugir além de mim." Ele falou, seu polegar circulando seu pulso suavemente.
"Você vai me machucar?”
"Não você. As pessoas ao seu redor."
"É a mesma coisa de me machucar." Sua voz tremeu.
Nikolai fez uma pausa, olhando profundamente em seus olhos. Seu olhar estava cheio de emoção. A máscara de um assassino cruel havia caído um pouco, revelando um homem que parecia quase... ferido. O monstro implacável que assassinou Dário tinha dor nos olhos.
"Se eu não fizesse aquilo, você fugiria de mim."
Angelina não podia negar isso. Ela correria sem olhar para trás na primeira oportunidade.
“Não entendo o que você quer de mim. Você está fazendo essas coisas horríveis para me manter perto de você, para me isolar da minha vida. Por que? Por sexo?”
"Não." Ele rosnou. "Porque eu não conheço nada melhor. Porque..." Ele parou. Sua mão acariciou seu cabelo loiro.
"Porque eu sou um demônio e você é um anjo puro. Você estaria melhor sem mim, mas eu não posso deixar você ir novamente. Não depois que o destino nos trouxe de volta depois de todos esses anos."
"Eu não entendo..." Angelina sentiu seu batimento cardíaco aumentar.
Nikolai leu a confusão em seu rosto.
"Vou mantê-la aqui até que você se lembre. Até então, você será minha e só minha." Os dedos de Nikolai percorreram o comprimento de seu cabelo. "Cada centímetro de você."
Seus olhos se arregalaram quando de repente ele agarrou a parte de trás de seu pescoço. Os lábios dele esmagaram os dela rudemente. Angelina empurrou uma mão contra seu peito, mas ela apenas colocou mais combustível no fogo ardente.
Sua língua deslizou em sua boca, aprofundando o beijo forçado. Um gemido rouco baixo trovejou em seu peito. A mão que segurava seu pulso desceu por seu corpo, envolvendo-se em torno de sua cintura fina.
Ele roubou o fôlego dela. Quando ele se afastou, ela estava ofegante, tremendo de raiva e tristeza.
"Esse é o seu castigo por tentar enfiar uma faca na minha garganta." Ele sussurrou baixinho e então a empurrou para fora de seu colo.
Angelina tropeçou, mal conseguindo manter o equilíbrio.
“Da próxima vez, não vou achar a tentativa tão fofa."
Fofa!?
"Você acha que eu tentando te matar é fofo?"
"Você foi" Lentamente, ele se levantou.
Seu corpo imponente se aproximou dela, forçando-a a recuar até que suas costas encostassem na parede. Os braços de Nikolai se acomodaram ao lado de sua cabeça, prendendo-a. Olhos cinzentos e frios a encaravam, sem qualquer sinal de diversão.
"Da próxima vez eu vou dobrar você sobre meu joelho."
Ela engoliu em seco.
"Eu não sou uma criança."
"Você age tolamente como uma. Você esqueceu quem eu sou?"
"Como eu poderia esquecer." Ela sibilou. "Depois de tudo que você fez..."
Nikolai riu, um som sem humor ou alegria. Seus olhos estavam frios como gelo.
“Você espera que eu me sinta culpado?”
“Não espero nada de você.” Angelina empurrou contra seu peito. Para sua surpresa, ele recuou. As lágrimas que ela estava segurando tão fervorosamente transbordaram, escorrendo por suas bochechas coradas.
“Eu posso ter falhado em matar você. Mas um dia... alguém vai conseguir.”
Ele permitiu que ela se afastasse, observando calmamente como seus punhos cerrados tremiam de raiva.
“E nesse dia, eu vou comemorar.”
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Fátima Alfiery
sei que uma história, mas como depois de tudo essa mulher vai gostar deste traste?
2025-02-26
0
Maryan Carla Matos Pinto
os dois vão se apaixonar e pronto
2024-10-09
0
Fátima Alfiery
só em livros ela não matou ele. Homem horrível. e depois ainda vai amar ele. sem um pi gigante de amor próprio.
2024-07-16
3