Sem Escolha

Meu pai pode não ter sido o melhor dos pais, mas uma coisa certa ele fez ao levar sua filha de quinze anos para aulas de defesa pessoal. Eu odiava isso naquela época e, para ser sincera, nunca fui muito boa em derrotar o manequim azul em forma de homem, mas eu aprendi algumas coisas interessantes com aquelas aulas.

 “Ai! Sua vadia de merda!”  O homem rugiu quando os nós dos dedos dela bateram em sua mandíbula com uma força que fez mais mal à mão dela do que ao rosto dele.

No segundo em que suas mãos gorduchas a soltaram para tocar sua careca dolorida, Angelina saltou de seu colo.

Desajeitadamente, ela se afastou. Um grito escapou de seus lábios quando seus saltos ficaram presos, fazendo-a cair de bunda no chão de carpete. 

 “Você vai pagar por isso, sua vagabunda!”

 De repente, seu tornozelo foi agarrado e seu corpo arrastado pelo chão. 

“Não!”  Angelina agarrou o tapete, seus olhos azuis se enchendo de lágrimas. 

“Venha aqui.”  O homem se arrastou para cima dela, agarrando facilmente seus pulsos finos. 

“Eu vou te mostrar como bater, porra.” Ele se sentou em seus quadris, raiva tingindo seu olhar escuro. Ela viu seus dentes amarelados entre os dentes rachados, que se formaram em uma carranca odiosa.

“Eu queria pegar leve com você, mas você está forçando eu pegar pesado” Ele sussurrou no ouvido dela. Sua língua áspera de uísque lambeu sua bochecha.

Lágrimas escorriam por seu rosto em um fluxo descontrolado. Suas pernas chutavam e seu corpo batia contra o chão, mas nada do que ela fazia parecia funcionar.  Ela sentiu a mão dele mais uma vez alcançar seus seios.

Impotência, desgosto, raiva. Ela sentiu tudo isso quando os dedos dele deslizaram sob o tecido fino de seu sutiã, acariciando o seu seio nu por baixo. Ele grunhiu de prazer quando a luta dela parou.

 “Boa menina. Fique quieta.”

 Angelina estava tremendo, todo o seu corpo estava paralisado debaixo dele.

É assim que vai ser?  Ele vai me estupr@r e me deixar para morrer? Isso é realmente o que o destino reservou para mim?

Ela olhou para o homem enquanto ele se movia para trás para se ajeitar entre suas pernas, a fivela de seu cinto já aberta.

Foda-se isso!

 "Aghhhh."  Sua expressão de luxúria e poder se transformou em uma cara de pura agonia quando a ponta do salto dela cravou em sua virilha com toda a força que a jovem conseguiu.

O estupr@dor uivou como um cachorro no cio, agora se enrolando todo contorcido no chão.

Angelina não ficou para vê-lo balançar para frente e para trás no chão e se mijar de dor. Rapidamente, ela se levantou e saiu correndo da sala, ofegante e com lágrimas molhando seu rosto.

O olhar frio de outro homem a cumprimentou no segundo em que ela saiu, fazendo-a parar abruptamente. Dog estava encostado na parede do corredor, observando calmamente a cena se desenrolar. Ele não disse uma palavra nem se moveu enquanto olhava para o homem caído no chão da sala, atrás dela. Pela primeira vez, desde que ela começou a trabalhar, ela viu algo parecido com surpresa em sua cara.

Ela quis gritar porque ele não foi socorrer ela, mas tudo que saiu de seus lábios entreabertos foi um soluço. Angelina abaixou a cabeça e correu pelo corredor de volta aos vestiários o mais rápido que suas pernas trêmulas permitiam.

"Angel! O que aconteceu!?"  Zoe exclamou assustada quando Angelina passou correndo por ela.

"Angel, espere!"  A ruiva não perdeu tempo e correu atrás de Angelina, mal conseguindo bloquear a porta do banheiro que quase bateu em seu rosto.

Zoe encontrou Angelina sentada no chão frio do banheiro, enrolada em uma bola com o rosto escondido por mechas de cabelo loiro bagunçado. Seus ombros tremiam com soluços violentos.

 "Angel..." Suavemente, Zoe fechou a porta atrás delas e sentou ao lado.

"O que aconteceu?"

 "Não aguento mais... não aguento! E-ele... (soluça) ele quase..."

Nada mais precisava ser dito.  Zoe puxou Angelina para um abraço.

"Shh... Isso deve ter sido terrível..." Zoe deixou Angelina chorar em seu peito e a consolou. 

"Todas nós já passamos por isso. A primeira vez é sempre a pior."  Ela falou suavemente.  Seu tom geralmente alegre, agora estava sério e compreensivo.

 "Eu não posso mais fazer isso."  Angelina sussurrou contra o ombro de Zoe, sua respiração falhando. Seus olhos estavam inchados e vermelhos de tanto chorar, e ela não parecia se acalmar.

 “Por que você veio trabalhar aqui, Angelina?” A pergunta de Zoe tinha preocupação genuína. 

“Você não parece uma daquelas garotas que procuram dinheiro fácil, então por que você está aqui?”

“Dívida do meu pai.”  Ela soluçou “Ele pegou uma grande quantia emprestada de... de Nikolai. Eles o teriam matado se... Se eu não tivesse vindo aqui.”

 Zoe respirou fundo.  “Jesus..”

 “Você tem que me ajudar. Zoe, eu não posso mais fazer isso. Eu preciso sair.”  Angelina levantou a cabeça para olhá-la nos olhos.  “Eu não sou como você. Eu não suporto isso-“

“E você acha que eu consigo?”  a ruiva franziu a testa.  “Você acha que meu sonho era me tornar uma stripper da máfia russa?”

 “Não é isso....

“Não, isso é o que você quis dizer.”  Zoe se levantou.  “Você acha que é a única vítima aqui? Cresça. Estamos todas presas e não tem saída. Nunca.”  Sua voz soava fria e cheia de mágoa.  “Não existe ingresso grátis para a vida normal, se a sua vida sempre foi uma merda.”

 “Zoe-“

 A porta se fechou atrás dela com um estrondo. Angelina foi deixada sentada sozinha, com seu rosto vermelho cheio de lágrimas. 

“Merda... merda... MERDA!”

Seus dedos trêmulos apertaram os cachos soltos ao redor de seu rosto. Ela sentiu sua visão ficar embaçada novamente.

 Outra onda de soluços sacudiu seu corpo. 

“Por que eu...”

Venda sua virgindade para mim.

Em meio ao desespero, as mesmas palavras voltaram direto para ela. De repente, uma luz, que tinha o brilho do inferno, iluminou sua mente.

Talvez houvesse uma saída.

Vou saldar a dívida do seu pai.

Aquelas palavras ecoavam na sua cabeça, como uma tentação do diabo.

Você pode quitar a dívida com uma única noite.

Lentamente, sua cabeça levantou de seu colo.

Uma noite, e eles deixariam sua família em paz. Ela nunca mais precisaria pisar naquele lugar de novo e poderia voltar a viver sua vida normal.

Ela só tinha que aceitar.

Angelina enxugou as lágrimas de seu rosto, forçando-se a se levantar. Seu coração estava batendo como um louco, dentro de seu peito.

Ela não se preocupou em se olhar no espelho, ela sabia que estava uma bagunça ambulante e não perdeu tempo para consertar isso.

Todos os olhos se voltaram para ela quando ela saiu do banheiro. Nem Lila se atreveu a dizer nada. Zoe simplesmente olhou em sua direção, mas permaneceu em silêncio enquanto a garota se aproximava dela.

 “Desculpe.” Angelina falou suavemente. “Eu conheço uma saída, e prometo, vou encontrar uma saída para você também.”

 “Angel... o que você está fazendo...” Em vez de raiva, o rosto de Zoe era de pura preocupação. Ela sabia que Angelina faria algo estúpido, mas também nunca a tinha visto tão determinada. 

“Onde você está indo?”

 “Eu preciso encontrar Dog.”  Angelina pegou um roupão no cabide e saiu apressada do vestiário.

Ela encontrou Dog entre a multidão de clientes, sentado no bar com um único copo de uísque na mão. Ele estava observando a multidão com olhos firmes e frios. Ele avistou Angelina correndo até ele no meio da multidão, mas não se moveu nem um centímetro, permanecendo indiferente.

 “Eu quero ver Nikolai.”  Angelina afirmou no segundo que chegou perto dele.

Dog a olhou de cima a baixo, tomando outro gole de sua bebida. 

“Ele não está aqui.”

“Então me leve até ele.”

“É ele quem solicita reuniões, e não o contrário.”

“Ele propôs um acordo. Quero aceitá-lo. Leve-me até ele.”  Angelina exigiu. “Por favor.”

O homem não disse uma palavra, simplesmente olhando para ela por cima da borda do copo. Finalmente, ele suspirou, como se tivesse concordado. 

“Vista-se. Você tem dez minutos."

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Comments

Maria Sena

Maria Sena

Eita, eita, eita, esse é o momento que filho chora e mãe não vê. Agora elas é que são elas.

2024-11-09

1

Solange Coutinho

Solange Coutinho

Tchammm o quê será que vem depois ?

2024-05-20

3

Gil Vania

Gil Vania

as vezes os filhos pagam pelos erros dos pais

2024-04-20

0

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