Prisioneira

O pequeno quarto apertado era preenchido por um silêncio assustador. O único som vinha da janela antiga que tremia com o vento forte lá fora.

Angelina estava sentada na beira de um colchão velho, encarando uma parede vazia como se tivesse algum significado.

“É tudo culpa minha”, ela desabafou. “Se eu não tivesse fugido, nada disso teria acontecido com você.”

Silêncio.

A garota loira respirou fundo, com os olhos voltando para a pessoa debaixo do cobertor grosso. Cabelos castanhos desarrumados se sobressaíam das cobertas, que subiam e desciam com soluços abafados. 

“Não espero que me perdoe.”

Silêncio.

“Por favor, diga algo... qualquer coisa.”

“Não é sua culpa.” Um sussurro rouco veio de debaixo das cobertas. “Eu não te culpo. É aquele monstro...” Amanda engasgou em outro soluço.

“Não consigo começar a explicar como isso aconteceu.”

“Precisamos chamar a polícia.”

O cobertor voou, revelando uma Amanda desgrenhada. Seu olho estava inchado e seu lábio tinha ficado com uma tonalidade arroxeada.

“Me passe o telefone, temos que fazer isso rápido-“

“Não.” Angelina balançou a cabeça, segurando os frágeis braços de sua amiga.

 “Não acho que a polícia vai ficar do nosso lado. Não podemos arriscar.” Angelina olhou para a janela. Ela conseguia ver o SUV preto estacionado na rua, esperando. Nikolai permitiu que ela levasse Amanda para casa dela e já tinha se passado quinze minutos dos vinte permitidos.”

“O que você está dizendo!?” Amanda puxou as mãos para si. “Eles quase me estupraram! Me sequestraram! Me espancaram! E estão fazendo todas essas coisas terríveis com você! E você não quer chamar a polícia!?” Sua voz tremia de indignação.

“Escute, se chamarmos a polícia, há uma chance de coisas muito piores acontecerem, eu vou dar um jeito, eu prometo... agora eu tenho que ir.” Angelina se levantou. “Me prometa que não vai fazer nada. Não quero te ver morta.”

Amanda ficou tensa, olhando para cima, para sua amiga. Ela não parecia convencida.

 “Está bem. Mas essa conversa não acabou. Não podemos deixar isso acontecer.” Seu rosto espancado demonstrava determinação e profunda decepção.

Milhares de pensamentos passaram pela sua cabeça de uma só vez, antes que ela parecesse se acalmar e finalmente concordasse com a amiga. Seu corpo ainda tremia, e ela parecia traumatizada.

"Eu tenho que ir." Angelina abaixou os olhos. "Eu vou ligar na primeira oportunidade."

"Promete?"

"Prometo."

"Não deixe eles fazerem nada com você..."

Angelina fechou a porta suavemente. Isso era algo que ela não poderia prometer.

Respirando fundo, saiu do apartamento de Amanda. O vento estava mais forte, batendo em suas bochechas pálidas e revirando seus cabelos loiros. Era uma curta caminhada da porta da frente até o seu inevitável destino.

Dog estava apoiado na frente do carro, com os olhos fixos nela, assim que ela saiu da casa da amiga. Nikolai havia lhes dado vinte minutos de privacidade, mas não saiu da frente da casa. O assunto deles não estava encerrado.

"Eu posso abrir minha própria porta." Angelina murmurou quando Dog apontou para o banco de trás.

O couro abraçou sua figura quando ela se sentou no carro, que era, de resto, bastante confortável.

Ela preferia olhar para o interior do carro do que para o cruel homem sentado ao seu lado.

Os olhos dele pareciam queimar buracos em sua pele. Ele olhava com a intensidade de um lobo observando sua presa.

"Você tem medo de mim, Angel?" Sua voz quebrou o silêncio no momento em que o carro começou a se mover.

"Sério que você está me perguntando isso?"

"Responda." Ele exigiu.

Angelina virou o rosto para encara-lo.

“É claro! Eu seria uma psicopata se não tivesse!”

Nikolai passou a mão por seus cabelos castanhos claros, ajeitando-os com facilidade. Nem um único fio estava fora do lugar. Ele era um monstro, mas certamente não parecia um. O homem cuidava muito bem de sua aparência exterior.

"Foi para seu próprio bem." Ele disse, de forma direta e sem culpa.

"Como assim?"

"Você precisava entender o que significa desafiar a mim." Nikolai estendeu a mão para tocar no cabelo dela. Aqueles fios dourados o tinham encantado desde o primeiro momento em que os viu. Um homem de tamanha brutalidade... era quase um milagre que ele fosse capaz de algo que não infligisse dor.

Angelina pressionou-se ainda mais contra a porta, mas não conseguiu escapar de seu carinho.

"Sua vida não será mais a mesma," ele continuou. "É melhor você aprender rápido a aceitar isso."

Seus dedos soltaram as pontas do cabelo dela, para voltar ao seu colo.

Um silêncio desconfortável se instalou entre eles. Ela preferia isso a ter que falar com ele.

Angelina fez questão de manter seu olhar apenas na paisagem em movimento fora da janela. De vez em quando, sentia os olhos dele sobre ela, mas ignorava.

Uma hora depois, o carro estacionou em frente a um portão um tanto familiar.

Uma mansão branca pairava ao longe, enviando um arrepio pela sua espinha.

"A partir de agora, você vai viver aqui." Nikolai falou com um tom de satisfação, fazendo Angelina engolir em seco.

Criados se alinharam ao lado da grande porta de carvalho, baixando a cabeça quando eles saíram do carro, como se Nikolai fosse da realeza.

Uma sensação desconfortável se instalou em seu estômago. Com dois homens intimidantes marchando a cada lado dela, Angelina foi levada para dentro da luxuosa residência. Ela exalava riqueza e poder obtido com sangue e dor.

"Levem-na para o quarto dela." Nikolai falou para algum empregado qualquer.

Uma tímida empregada deu um passo à frente, lançando um olhar de pena para Angelina.

“Siga-me, senhorita." Ela instruiu em voz baixa.

"Descanse, Angel." Nikolai sussurrou em seu ouvido, sua mão deslizando das costas dela para empurrá-la levemente para frente.

"Eu te vejo mais tarde."

Ela sentiu seus olhos sobre suas costas.

Angelina seguiu a empregada para a escada, em direção a um quarto grande. Como tudo na casa, estava decorado como se pertencesse a alguém de sangue nobre.

Uma decoração de madeira talhada, com uma espécie de brasão vermelho rico pendia do teto, assim como molduras de madeira esculpida em torno da cama, combinando com a cor das cortinas grossas e aveludadas.

Até os fios dourados nos travesseiros espalhados sobre o colchão, pareciam ser de ouro verdadeiro. Para alguém acostumado a dormir em uma cama beliche com molas de ferro saltando para fora, isso parecia um sonho.

Ou um pesadelo...

Como uma prisioneira colocada em uma gaiola dourada...

“Espero que o aposento lhe agrade, senhorita.” A empregada falou assim que Angelina deu um passo dentro do quarto.

Sua resposta não veio imediatamente.

“Você também é uma cativa?”

A pergunta pareceu pegar a pobre empregada desprevenida.

“O que você quer dizer com isso, senhorita?”

“Você também foi forçada a vir para cá?”

“Não, senhorita. Eu trabalho para a família Ivanov desde muito jovem. Sou tratada bem, assim como todos que permanecem leais aos Ivanov.”

A empregada explicou, um pouco hesitante.

“Meu nome é Irina. Estou autorizada a ajudá-la, caso precise de algo. Por favor, me chame se houver necessidade.” Ela fez uma breve reverência antes de sair apressada pela porta.

Angelina ficou completamente sozinha com seus pensamentos e com o luxo que ela nunca pediu.

Distraída, ela se perguntou se esse seria o seu cárcere pelo resto da vida. Será que ela será libertada dele algum dia? Quem mais ele estaria disposto a machucar para fazê-la ficar presa a ele?

Sua cabeça caiu nas suas mãos. Ela queria chorar como uma criança perdida, mas nenhuma lágrima saiu. Finalmente, ela pôde chorar até o limite.

Angelina se encolheu no chão, encostando-se contra a parede mais próxima, com uma única pergunta pairando em sua cabeça.

O que aquele monstro pretende fazer comigo depois?

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Comments

Maria Sena

Maria Sena

Essa história tá mais para filme de terror no qual a pessoa não consegue dormir com medo de sonhar e ter pesadelos.

2024-11-09

1

Maria Lucilia De Souza Pereira

Maria Lucilia De Souza Pereira

Pela primeira vez uma história me deixou com vontade de bater neste monstro

2024-10-09

0

Mayara

Mayara

Mano vcs fazem um livro que a mulher é submissa e deplorável eu tinha deixado o pai morrer pois salvou da primeira vez aff

2024-10-08

0

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