Os olhos dela ficaram arregalados e a cor sumiu das bochechas coradas dela. O choque estampado em seu rosto fez os lábios dele se curvarem em um sorriso sarcástico. Sua Anjinha estava sem palavras.
Ela teve nojo dele, estava com medo dele. Os ombros dela estavam tensos de desconforto enquanto o encarava.
Nikolai era um homem paciente. Ele esperou aqueles lábios carnudos se abrirem para finalmente dar uma resposta. Ele viu como se abriram e fecharam sem emitir nenhum som.
“Não.” A voz dela era tímida, quase como um sussurro distante.
“Não... Eu não vou fazer isso.”
Angelina sacudiu a cabeça.
Os dedos dele se cerraram em um punho.
“Você poderia quitar a dívida do seu pai em uma noite.”
Ela balançou a cabeça como se fosse a coisa mais horrenda que ela já tinha ouvido. No entanto, havia um brilho incomum nos olhos dela, um brilho que Nikolai não suportava ver em ninguém: desafio.
“Eu vou dançar pelo tempo que for preciso. Vou quitar a dívida do meu pai. Mas,” ela se levantou bruscamente. “Eu não vou me vender para ninguém.”
Ela desejava que sua voz não tremesse como tremia quando olhava nos olhos cinzas prateados dele.
Um silêncio perigoso tomou conta da sala. Nikolai acariciou a linha dos lábios com o polegar, enquanto lançava um olhar sombrio e selvagem em direção a corajosa Angelina.
“Com licença.” os cabelos dourados dela giraram dos ombros para as costas.
Ela se virou e saiu sem dar nem mais uma palavra ou olhar para Nikolai, que ainda estava sentado no final da mesa.
A adrenalina fez suas pernas se moverem mais rápido pelo corredor, o som de seu próprio coração, bloqueando o barulho dos passos atrás dela.
Um homem baixo e robusto apareceu na porta momentos depois que Angelina saiu da sala particular.
“Quer que eu a traga de volta?” Dog questionou a Nikolai, com os braços cruzados.
“Não.” O tom sarcástico e o olhar afiado de Nikolai expuseram a natureza brutal escondida sob sua aparência bonita. Essa única palavra ecoava autoridade, aquela que a jovem Angel tinha ousado desafiar. Todos naquele lugar sabiam que não se devia desobedecer ele, e ela logo aprenderia.
“Chame a Marina. Quero vê-la em meus aposentos privados em trinta minutos.”
E prepara uma dança especial."
Ela se recusou a seguir o caminho fácil. Agora, ele não tinha escolha a não ser seguir o caminho mais difícil.
...xxx...
"Uhuu! Isso foi muito melhor do que da primeira vez!" Zoe comemorou quando Angelina saiu do palco com cerca de cem dólares espremidos entre os dedos.
"Da próxima vez, concentra menos em apontar os dedinhos dos pés e mais em subir naquele poste e mostrar o bumbum." A ruiva peituda envolveu os ombros dela com um braço magrinho. "Você enlouqueceu a plateia!”
"Isso não é verdade. Eu ainda sou um desastre nisso." O dinheiro na mão dela mal era suficiente. Já tinha se passado uma semana desde que ela chegou ao clube, e ela só tinha ganhado algumas centenas de dólares. Nesse ritmo, levaria anos para pagar a dívida do pai. Nenhuma quantidade de desculpas dele seria suficiente.
"Como eu disse, mais bunda é igual a mais dinheiro." Zoe falou, "Você pode não ter peitos, mas tem uma bundinha decente."
"Ai."
Ela já estava acostumada com os comentários. As cutucadas da Lila e os comentários amigáveis, porém insensíveis, da Zoe não se comparavam às coisas que gritavam quando ela estava lá fora, com dezenas de mãos abusando dela.
"Finalmente, cacete. Demorou pra caramba. Pelo menos a novata esquentou a plateia para o verdadeiro show." A voz estridente da Lila ecoou no camarim assim que as outras duas mulheres entraram.
Zoe revirou os olhos.
"Não tomou seu remédio ainda, Lil? Tô ficando sem desculpas pra tua grosseria."
"Te desafio a repetir isso." A morena de cabelos pretos rosnou.
Angelique sacudiu a cabeça, ignorando a briga desinteressante acontecendo ao fundo enquanto seus dedos contavam o dinheiro. Ela se jogou na cadeira próxima com um longo suspiro.
Depois daquele “jantar”, todas as noites quando ela subia naquele palco, seus olhos vagavam até os sofás aconchegantes da área vip, mas Nikolai não estava presente.
Uma parte dela estava aliviada.
Venda sua virgindade para mim.
Seus pensamentos tinham sido envenenados por aquelas palavras. Ela não podia fechar os olhos, que elas voltavam para assombrá-la com a imagem dele; a imagem daqueles olhos famintos que a comiam com um único olhar.
Angelina estremeceu, desesperada para se livrar daquelas memórias.
Ping!
Uma mensagem iluminou a tela de seu celular. O nome de Dário apareceu nas notificações.
“E aí? Amanda me deu o seu número. Eu estava pensando em praticar a coreografia um pouco mais com você. Você está livre na próxima semana para praticar e tomar um café?”
Agora o coração dela batia por uma razão totalmente diferente de medo. Ele estava chamando ela para sair? Um pequeno sorriso brotou em seus lábios enquanto ela desbloqueava a tela.
Seus dedos congelaram a poucos centímetros do aparelho quando a porta do camarim se abriu, revelando um cara que ela odiava ter conhecido.
"E aí, Dog." Lila rapidamente colocou um sorriso encantador. "É comigo?" Se ela tivesse um rabo, estaria abanando. "Por favor, me diga que é algum cara rico."
"Não é você. É a Angel." Ele falou meio irritado, olhos estreitos se fixando nela encolhida no canto.
Angelina sentiu seu coração afundar no estômago.
"Quem é?"
De repente, sua voz ficou com um tom desagradável e toda a alegria que estava sentindo antes, desapareceu completamente.
Será que é o Nikolai?
Dog ignorou a pergunta dela.
"Você tem quinze minutos," foi tudo que ele disse antes de desaparecer de volta atrás da porta de madeira.
“Parabéns, é sua primeira dança no colo!" Os lábios de Zoe se curvaram em um sorriso irônico. A mistura de pena e bondade não era muito reconfortante.
"É claro que é ela." Lila resmungou, lançando um olhar matador para Angelina. "Boa sorte."
O veneno em sua voz era perpétuo. Com um dramático movimento de cabelo, ela se virou para o espelho para colocar um batom vermelho intenso nos lábios carnudos. Aquela mulher realmente era a Miss Maldosa. Não havia dúvida de que, com "boa sorte", ela quis dizer literalmente que Angelina ia se ferrar.
"Quer ajuda com o cabelo? É minha vez depois, mas ainda tenho tempo." Zoe falou gentilmente, uma leve preocupação em suas palavras.
"Não, hum..." Angelina respirou profundamente. "Eu vou indo."
"Espera, Angel." Zoe segurou seu braço. "Não esquece do que eu te disse sobre danças no colo."
"Mais bunda?"
A ruiva começou a rir.
"Sim, isso também, mas eu me referia ao dinheiro. Quanto mais você fizer... mais vai ganhar, entendeu? Cada coisa é um preço."
“Entendi.”
Ela sorriu animadamente.
"Vai lá e arrasa, tigresa!"
Nunca deixa de me surpreender como ela pode ser tão otimista o tempo todo...
Angelina conseguiu dizer um quieto "valeu!", antes de sair pela porta.
A cada passo que dava em direção a uma das salas privadas, o nó de nervosismo em sua garganta aumentava. O pressentimento ruim pairava sobre sua cabeça.
Dog abriu a porta, convidando-a para dentro de uma pequena sala com uma única cadeira no centro. Um homem de uns trinta e poucos anos estava confortavelmente sentado na cadeira, de frente para a porta.
"Ah! Você é mais bonita de perto do que naquele palco, Angel." Ele falou assim que ela entrou na sala.
A porta se fechou atrás dela e um arrepio percorreu sua pele, quando ela se viu sozinha com o estranho. O estranho a olhava de cima a baixo como se fosse um pedaço de carne. Aquele olhar a fazia querer recuar em vez de se aproximar.
"E então? O que está esperando?" Ele instigou, se remexendo na cadeira. Ela já podia ver um volume se formando entre suas pernas abertas. Suas mãos apertavam as bordas dos braços da cadeira impacientemente.
"Eu quero o que eu paguei."
Não seja covarde, Angel...
Seus quadris se moveram com o ritmo vindo das caixas de som. Ignorando o profundo sentimento de pavor, ela se aproximou lentamente do homem. Foi preciso muito esforço para não desviar do olhar do homem claramente excitado à sua frente. Ele estava devorando ela com os olhos de uma maneira que fazia seu estômago se contorcer de nojo.
"Isso mesmo... Vem aqui, bebezinha." Ele sussurrou, com um sorriso nojento estampado no rosto.
Angelina percebeu tarde demais que tinha caído direto em uma armadilha. Assim que ficou na frente dele, suas mãos avançaram, puxando-a para o colo dele.
"Solta! Você não pode me tocar-"
"Que se dane. Posso te tocar o quanto quiser. Eu paguei por você." Ele sussurrou contra o pescoço dela. Cada pelo do corpo dela se arrepiou. A dança no colo deveria ser apenas uma provocação. O cliente não deveria tocar a dançarina, isso era a regra.
"Vou chamar os seguranças." Ameaçou Angelina, se debatendo e tentando se libertar do aperto dele. "Me solta-"
"Grita o quanto quiser, sua vadia. Ninguém vai te ajudar. Acha mesmo que eu só vou ficar olhando você dançar?" O homem zombou, segurando-a com força contra o corpo dele. De repente, ela sentiu o aperto em seus seios.
"Agora seja uma boa garota e cala essa boca. Você vai gostar disso."
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Fátima Alfiery
não tenho pena dela
2025-02-25
0
Maria Sena
Nossa, é eu pensando que ela ia se encontrar com o Nicolai, mas será que não goibo Nicolai que armou esse show pra ela ficar com medo e decidir se vender pra ele?
2024-11-09
1
Maryan Carla Matos Pinto
danou-se
2024-10-08
0