A Proposta

"Horrível, Angelina! Aponte os dedos dos pés!"

Gotas de suor escorriam em sua testa, suas costas arqueavam sobre o braço de Dário em um movimento gracioso.

A coreografia era difícil e a noite sem dormir tinha drenado sua energia. Aqueles olhos prateados permaneciam gravados em sua memória. Toda vez que ela fechava os olhos, via aquele homem a observando.

"Não! Não pare!"

O grito da professora ecoou por todo o estúdio de dança, decepção saindo de sua voz estridente.

"Todo mundo faça uma pausa até Angelina se acertar."

A música parou, interrompendo a dança de forma estranha.

"Você está bem? Parece cansada." Amanda perguntou, se aproximando da amiga. "Você está estranhamente quieta também. Aconteceu algo na sua casa?"

"Não, estou bem, só dormi mal" Angelina limpou o suor da testa, forçando um sorriso em seus lábios cheios.

"Sabe do que você precisa?" Houve uma mudança instantânea na voz de sua amiga.

"Sexo."

"O quê!?" Aquilo quase fez Angelina cuspir a água para fora.

"Você é virgem há vinte anos. Já está na hora, além disso..."

O olhar de Amanda percorreu a sala.

"Dário tem estado de olho em você..."

Angelina virou a cabeça para olhar o belo rapaz de cabelos claros.

"Não seja boba...”

 Secretamente, o pensamento a deixou animada. Ela tinha imaginado perder sua virgindade com ele mais de uma vez. Seria romântico e gentil.

Mas...

"Nós nos veremos de novo... minha Anjinha."

A voz profunda dele ainda ecoava em sua cabeça. Seu jeito de predador, os olhos prateados, o rosto impecável, o corpo musculoso e alto... De repente, a imagem em sua mente tinha mudado. O homem que ela estava pensando não era Dário, e não era nada gentil.

Ela balançou a cabeça para se livrar dos pensamentos eróticos.

"Quero que o momento seja certo. Não sei, a primeira vez é... importante."

Angelina murmurou, corando as bochechas. Amanda suspirou.

"Só estou dizendo... Pelo menos ia te ajudar a dormir, hehe.”

A voz alta de sua professora cortou a conversa, convidando os alunos de volta ao salão de dança.

Depois da breve pausa, ficou ainda mais difícil se concentrar, Angelina continuou errando a coreografia até o fim da aula.

Não acredito que levei essa bronca...

A professora não ficou nada feliz com o meu desempenho. Com a competição tão perto, não podemos cometer erros.

"Se você quer manter a liderança, melhore, senão eu vou te substituir." Foi o que aquela bruxa velha disse.

Ela é rigorosa e implacável, uma dançarina aposentada que perdeu a fama, uma das melhores e piores por aí.

"Não fica triste. Amanhã você vai se sair melhor." Amanda encorajou.

"Vamos tomar um café?" Ela perguntou enquanto as duas saíam do campus. Estava lotado hoje, as pessoas se aglomeravam, suas vozes ecoando por todo o pátio da faculdade.

"Não tô com dinheiro sobrando não, acho que vou voltar pra casa por enquanto."

"Ah, para com isso, eu pago."

Angelina suspirou, hesitando.

"Tá bom. Mas não vamos demorar, quero dormir um pouco..."

Quero dormir antes de ter que me despir na frente de um bando de tarados...

Amanda deu um sorriso torto.

"Beleza. Porque eu tô louca pra te contar sobre aquele cara que eu conheci no bar." A amiga faladeira continuou animada, empolgada com algum homem que ela tinha conhecido.

Amanda era daquelas pessoas que não precisavam de muita resposta quando estavam empolgadas. Só precisava de alguém que balançasse a cabeça de vez em quando, escutando tudo o que ela tinha a dizer.

Religiosamente, Angelina seguia no piloto automático, enquanto seus próprios pensamentos se desviavam totalmente da conversa casual com Amanda.

O tempo passou mais rápido do que ela esperava.

Já fazia uma semana que ela estava trabalhando no Royal Club. Nos últimos dias, ela desejava mais do que nunca que uma hora se transformasse em um ano, qualquer coisa para evitar voltar para aquele lugar maldito.

Mas, nenhuma das suas orações tinha resposta.

Quando a cidade mergulhou de volta na escuridão, ela mais uma vez se viu ao lado de uma lixeira, olhando para a entrada dos fundos do clube.

Ela não estava mais dormindo direito e nenhuma quantidade de maquiagem poderia esconder as olheiras debaixo dos seus olhos.

Seus pés arrastavam, cada passo exigia um esforço gigante, enquanto ela seguia seu caminho até o camarim. A multidão familiar já estava no salão.

"Olha só! Nossa Angel chegou!" A voz animada de Zoe ecoou pelo ambiente, seus lábios se esticaram num largo sorriso.

"Conta todos os detalhes!"

Uma expressão confusa cruzou o rosto de Angelina.

 "Detalhes de quê?"

"O Dog apareceu e disse que o Chefe quer te ver de novo. Ele nunca pede para ver alguém mais de uma vez. Conta o que você fez." Jess acrescentou, com malícia.

"É óbvio. Ela está disposta a fazer de tudo pra subir na vida." Lila provocou, com um olhar maldoso.

"Levanta essa bunda gorda e sobe no palco ao invés de falar besteira." Zoe rosnou.

"Agora, Angel, conta todos os detalhes!" A ruiva parecia um filhote esperando por um osso, seus olhos grandes brilhando de vontade por fofoca.

"...não fiz nada." Angelina terminou, odiando como sua voz estava sem confiança e poder. Ela estava tímida e claramente perturbada pela notícia.

Que diabos aquele homem quer de mim?

Até na sua própria mente, ela era prisioneira daqueles assustadores olhos prateados. O furacão de pensamentos a levava à beira da loucura.

"Ele disse por que quer me ver...?"

"Não. Por que ele faria isso? O Chefe gostou do seu rostinho bonito, só isso." Jess deu de ombros.

“Não se preocupe muito, ele paga bem e... ele também é o solteirão mais cobiçado que eu conheço. Tenho que admitir, ele é um gato."

Zoe assentiu concordando.

"Verdade. Mas, cuidado. Tenho certeza que não preciso te dizer o que ele realmente é."

Angelina balançou a cabeça.

"Acho que já sei."

Ele é um homem capaz de aprisionar almas.

Um cara com dinheiro e poder bruto. Mas, não era só isso. Havia algo mais sombrio nele. Ela sentia isso toda vez que ele a olhava. Seu olhar a prendia como uma presa indefesa.

Na verdade, Angelina não fazia ideia de quem ele era.

"Então você também deveria saber que ele não gosta de esperar." Jess a empurrou.

"Espere. Não vou deixar ela ir com esse cabelo assim” Zoe interrompeu, levantando-se rapidamente.

Angelina só conseguiu protestar baixinho antes de ser empurrada novamente para a cadeira. Quinze minutos depois, Zoe tinha feito maravilhas, e quase nenhum sinal de exaustão podia ser visto no rosto dela.

Ela foi enviada novamente para a mesma sala, usando uma lingerie rendada diferente e os mesmos saltos.

Seus nós dos dedos bateram na porta de madeira, nervosismo crescendo dentro dela. Ela esperava que seus nervos estourassem a qualquer momento. Distraidamente, ela se perguntou até onde poderia ir antes de ceder ao medo.

Um "Pode entrar" veio do outro lado da porta, a voz um grave familiar. Reunindo o que restava de sua coragem, Angelina entrou, encontrando uma visão um pouco diferente da de ontem.

Uma mesa com duas taças de vinho e pratos estava posta no meio da sala. Não havia sinal da mulher de ontem. Eram apenas os dois, com ela parada de forma desajeitada na porta e Nikolai sentado no final da mesa.

Seu olhar firme pousou sobre ela assim que ela deu um passo para dentro do cômodo. O homem era capaz de devorá-la com um único olhar. Ele parecia mais casual do que quando ela o viu pela primeira vez, usando uma camisa preta justa com as mangas dobradas e jeans da mesma cor. Seus cabelos castanhos claros estavam de forma bagunçada, mas ainda assim perfeitamente, dando-lhe um ar mais descontraído.

"Sente-se." O convite soou mais como uma ordem quando ele apontou para uma cadeira vazia, do outro lado da mesa.

Hesitante, ela fez o que foi mandado. O olhar dele não desviava, observando cada movimento que ela fazia.

Ela não conseguia ler o que se passava em sua cabeça, mas notou seus dedos se fechando e abrindo em um punho.

"Você está confusa, Angel?" Ele soou quase divertido ao perguntar isso, saboreando a tensão crescente.

"Estou. Por que você me chamou aqui, além de dançar?" Sua voz tremia. Ela temia a resposta dele.

"Eu quero jantar com você." Nikolai encolheu os ombros musculosos, um sorriso provocador nos lábios.

Angelina franziu a testa.

"Não pode ser tão simples assim."

Jantar inocente no inferno? Tinha algo estranho nisso.

Seu sorriso se transformou em algo amargo.

"Verdade." Uma risada baixa vibrou em seu peito. "Tenho algumas perguntas para você."

Ele se inclinou para a frente, os músculos de seus braços quase saltando para fora da camisa.

 "Você sabe quanto seu pai..."

Angelina engoliu em seco.

"Sim, eu sei."

"E você sabe o que acontece se não pagar a dívida?"

"Não é difícil adivinhar."

Seu pulso acelerou e os dedos se curvaram em sua pele por baixo da mesa.

"Você é esperta, não é?”

Nikolai recostou-se na cadeira, soltando uma risadinha.

"Não precisa ficar tão nervosa. Não vou fazer nada...ainda. Quero saber mais sobre você. Você é estudante? Ou tem um emprego?"

A pergunta casual a pegou de surpresa.

 "Sou estudante de dança." Ela respondeu com hesitação.

"Irônico, não é?" Ele não parecia muito surpreso. “Você gosta disso? Você deve ter muitos homens atrás de você com esse rosto angelical."

Angelina deixou as unhas afundarem mais em suas pernas.

 "Não, não é verdade."

"Então, você é virgem?"

Os pensamentos acelerados dela paralisaram com aquela pergunta. Ele não parecia abalado, como se fosse a coisa mais normal do mundo perguntar isso.

"Isso não é realmente da sua conta."

Suas sobrancelhas grossas se franziram, os dedos novamente se fechando em um punho.

"Apenas responda."

Sua voz era calma, ameaçadoramente calma. Não deixava espaço para desobediência.

A pressão entre os dois aumentou. O lábio de Angelina tremia antes dela morder ele. Ela realmente não tinha escolha.

"Sim...sou."

Nikolai pareceu satisfeito, os músculos relaxaram um pouco. Ele a observou com tranquilidade, deixando o silêncio pairar antes de falar novamente.

"Bom...quero que me venda isso."

"O quê?"

“Venda sua virgindade para mim e eu quito a dívida do seu pai”.

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Comments

Fátima Alfiery

Fátima Alfiery

muita humilhação

2025-02-25

0

Maria Sena

Maria Sena

Vixe, o homem é papo reto e direto, na lata. É como se tivesse comprado qualquer coisa, que não tivesse valor algum. Isso é insano.

2024-11-09

1

Maryan Carla Matos Pinto

Maryan Carla Matos Pinto

ela vai se entregar a ele.

2024-10-08

0

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