Sem Saída

Angelina ficou pálida. O primeiro cara se virou para falar com o motorista e o outro olhou para os passageiros. Ela logo reconheceu quem era aquele cara em particular. O olhar frio e implacável dele caiu sobre ela, destruindo qualquer esperança de fugir.

Dog abriu caminho entre as fileiras de assentos, olhando de forma perversa para ela. Angelina se encolheu no assento, desejando que ele não a reconhecesse. Se um buraco negro aparecesse debaixo dos seus pés, ela cairia na hora.

Seus olhos azuis arregalados olharam para o chão, como se isso fosse adiantar alguma coisa. Ela não se atreveu a olhar para cima quando ele ficou ao lado dela. O olhar frio parecia perfurar sua cabeça.

"Se levanta", disse Dog com monotonia.

Responder não era uma opção.

Quando Angelina não se mexeu, ele se aproximou mais. "Não cause problemas. Vem comigo ou eu atiro em todo mundo nesse ônibus e te arrasto daqui".

Ela viu o brilho da sua arma no cinto. Sem dizer uma palavra, ela se levantou e seguiu Dog até a frente do ônibus. O motorista parecia tão assustado que quase urinava nas calças. Seja lá o que o outro homem disse, deixou o pobre homem pálido como um fantasma.

Angelina só conseguiu dar uma olhada em sua direção antes que ele agarrasse seu braço e a arrastasse para fora do ônibus.

"Entre", ordenou Dog, apontando com o queixo para um SUV preto familiar.

"E não pense em fazer nada estúpido", ameaçou, apertando seu braço como advertência.

Nervosa, Angelina entrou no banco de trás, a porta se fechando e trancando segundos depois.

"Pensei que você fosse esperta", disse uma voz familiar com forte sotaque, chamando imediatamente sua atenção.

Nikolai estava sentado ao seu lado, com uma expressão dura como pedra.

"Não que eu não estivesse esperando por isso. Mas... você realmente achou que poderia escapar de mim?" Ele não olhava para ela. Sua mandíbula permaneceu tensa, os músculos das bochechas se movendo com o apertar e soltar dos dentes.

Angelina pressionou-se firmemente contra a porta trancada do carro, tentando criar o máximo de distância possível entre ela e o imponente Nikolai.

"Você não me deixou outra escolha..."

Para sua surpresa, ela conseguiu manter a voz firme. E isso lhe deu uma inesperada dose de coragem.

"Você pensa que pode simplesmente voltar para minha vida? Tínhamos um acordo, e eu fiz a minha parte..." Seu estômago se apertou ao lembrar do doce amargo da memória. "Eu não quero mais estar envolvida nas dívidas do meu pai."

"Você prefere vê-lo morto?"

A pergunta gelou até os ossos. A resposta era simples: não. Ele não era o melhor homem ou pai, mas ainda tinha um lugar no coração dela.

Nikolai se virou para olhá-la. Ter os olhos dele sobre ela, a fez prender a respiração e arrepios se espalharem por seus braços.  

"É uma pergunta simples, Angel." Ele a encarou com uma clara exigência.

Como diabos ela poderia responder a algo assim sem ter suas asas cortadas!?

Quem estou tentando enganar... minhas asas foram cortadas há muito tempo.

"Não."

Num piscar de olhos, Nikolai estendeu a mão, capturando o queixo dela.

"Você trocou sua liberdade pela vida dele há muito tempo." O polegar dele passou pelos seus lábios inferiores.

"Tenho sido muito paciente com você, preciso puni-la por tentar quebrar nosso acordo."

O carro parou bruscamente. A adrenalina correu por suas veias, e seus olhos se arregalaram de horror.

"Por favor, não faça isso." Seu apelo humilde foi ignorado.

Nikolai soltou o queixo dela, saindo do SUV sem olhar novamente para a jovem trêmula. Angelina mal conseguiu se equilibrar quando o lado da porta foi aberto com força.

Dog a puxou do assento do carro. Ela foi empurrada para a frente por uma mão firme em suas costas.

Seu estômago se revirou ao ver um armazém sombrio e solitário na sua frente. Suas paredes de concreto, estruturas de ferro enferrujado e janelas quebradas a fizeram lembrar de um cenário de filme de terror. Ninguém ouviria seus gritos dentro daquele lugar. Ninguém correria em seu auxílio.

"Me solte, por favor, me deixe ir." Angelina sentiu o pânico congelar todo o seu corpo.

Seus cabelos loiros ao redor do rosto estavam bagunçados de tanto tentar se soltar do aperto dos capangas. Seus pés se arrastavam pelo cimento, e não importava o quanto ela tentasse manter os pés no chão, pois eles a arrastavam mesmo assim.

Nikolai caminhava calmamente à frente dela. Ele ouvia seus pedidos, mas não respondia, como se tivesse uma resposta muito melhor em mente.

A porta do armazém se abriu por dentro, revelando mais dos capangas armados.

Meu deus, ele vai me matar!

Sua luta se tornou ainda mais frenética.

“Por favor, me deixa ir! Socorro! Socorro!” Ela foi empurrada com violência para dentro do prédio sombrio e empoeirado.

O cheiro de mofo e sangue a atingiu na hora. O ar úmido estava carregado com odores desagradáveis. Uma lâmpada solitária iluminava o amplo espaço, deixando a maior parte coberta em escuridão total.

Sob a luz fraca estavam três homens, mas não foi isso que fez o coração dela parar de bater. Entre as silhuetas escuras estava uma garota, forçada a ficar de joelhos e tremendo. Seu corpo estava nu, exceto pela roupa íntima, e cheio de inúmeros hematomas.

Sangue seco e lágrimas grudavam em suas bochechas afundadas. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, um deles com um grande hematoma quase negro. Se não fosse pelo fato de que ela conhecia essa mulher há muito tempo, talvez não reconhecesse sua forma espancada.

“Amanda!??” Angelina quase engasgou, aterrorizada.

“Tá vendo, meu Anjo”, falou Nikolai friamente, pegando uma cadeira de um canto.

“Você me forçou a fazer isso, e agora eu tenho que te ensinar uma lição.” Ele se sentou, acendendo um cigarro. Seu olhar estava ardendo como as chamas do inferno, enquanto o resto de seu rosto parecia indiferente.

“Estupr3m ela.” As palavras soaram com autoridade. Frio e brutal.

Os olhos de Angelina se arregalaram com horror absoluto.

“Não! Não faça isso! Por favor!” gritou Anglelina, completamente desesperada, olhando para a amiga naquele estado deplorável.

Dog agarrou os dois braços dela, forçando seu corpo contra o dele.

Os três homens se aproximaram de Amanda e seguraram ela. Seus gritos roucos e angustiantes, ecoavam por todo o armazém enquanto ela era forçada a se deitar no chão úmido.

O choro de sua amiga enviou um medo arrepiante pela espinha dela. Um dos homens segurava os braços de Amanda para cima, o outro segurava suas pernas, abrindo-as para que o terceiro homem se colocasse sobre sua forma particularmente nua.

“Por favor, Nikolai! Faça isso parar!” Angelina implorou. “É culpa minha, não a castigue por minhas escolhas! Eu te imploro!”

Nikolai permaneceu com o rosto inexpressivo. Ele não parecia nem um pouco perturbado pelo que estava acontecendo. Seus implacáveis olhos prateados fitavam a angustiante cena, mas ele não ordenou que seus homens parassem.

Era como se o mundo tivesse parado. Ela viu a fumaça do cigarro, ouviu os gritos distantes de sua amiga e então, tudo aconteceu de uma vez.

Como se uma força desconhecida a tivesse possuído, Angelina pisou com força no pé de Dog. Com um gemido baixo, ele a soltou de seu aperto feroz. Ela correu antes que ele pudesse agarrá-la novamente.

Então, ficando de joelhos, Angelina desabou diante de Nikolai, seus dedos se agarrando ao tecido de sua camisa, e seus olhos desesperados e cheios de lágrimas olharam para os dele.

"Por favor..." Ela implorou novamente. "Nunca mais desobedecerei a você. Sou sua, mas por favor, deixe minha amiga em paz."

Por um segundo ele a encarou antes de levantar a mão, e todo movimento atrás deles parou.

Os três homens deram um passo para trás de Amanda, deixando-a tremendo no chão.

Os olhos de Nikolai não saíram mais do rosto de Angelina, encharcado de lágrimas.

Lentamente, ele baixou o braço, acariciando sua bochecha com uma gentileza imprevista. Algo em seus olhos havia mudado, ou melhor, suavizado.

"Eu gosto de te ver de joelhos, Angel." Sua voz profunda transbordava satisfação, sua mão passando para segurar seu cabelo. Com um puxão brusco nos cabelos da nuca dela, ele inclinou seu pescoço para trás.

"Espero que você tenha percebido que não pode escapar de mim." Seus dentes se abriram em um sorriso cruel. "Você é minha, entendeu?" Ele puxou seu cabelo dolorosamente.

Angelina balançou a cabeça.

"Eu... eu entendo. P-por favor... não machuque ela... Ela é inocente." Ela soluçou.

Nikolai a observou por um longo momento, seus dedos desembaraçando-se de suas mechas douradas.

“Nunca me desafie assim novamente. Da próxima vez, não serei tão compreensivo."

De repente, ele se levantou, erguendo-se sobre ela em toda sua altura.

"Cuide da sua amiga, sairemos em dez minutos."

Mais populares

Comments

Fátima Alfiery

Fátima Alfiery

o cara é um.monstro e ela ainda vai gostar dele. cruzes

2025-02-26

0

Maria Sena

Maria Sena

Nossa, já vi muitos mafiosos fazendo cada coisa pra conseguir a mulher, mas esse tá usando de covardia. Até porque que ele só quer usar a Angelina, não é mais sobre o pai dela.

2024-11-09

2

Maria Lucilia De Souza Pereira

Maria Lucilia De Souza Pereira

Que nojento monstruoso como eu queria bater nele!

2024-10-09

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!