Todo o corpo dela ficou congelado.
Ela conhecia aquela voz. Isso a aterrorizava e ela estava com muito medo de se virar e confirmar suas suspeitas. Fazia seu peito se encher de um fôlego que ela estava com muito medo de soltar. Não era o tom simpático e ensolarado de Dário. Essa voz exigia que ela parasse, quando tudo o que ela queria era correr o mais rápido que suas pernas a levassem.
“Eu paguei minha dívida.” O sussurro saiu de forma trêmula.
Ela sentiu ele se aproximar até que sua respiração quente roçou em sua nuca.
“Seu pai visitou o clube outro dia.”
Seus olhos se fecharam.
Meu Deus.
Não era uma questão de se, mas de quanto.
Sua boca de repente ficou seca como uma lixa. Suas palmas ficaram úmidas de suor e ela tinha certeza de que estavam tremendo.
“Quanto....custa?”
“Mais do que uma noite pode pagar.”
Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos. Elas embaçaram sua visão, mas ela se recusou a deixá-las cair. Lentamente, ela se forçou a se virar para trás e encará-lo. Olhos prateados encontraram os dela, encarando-a com uma alegria malévola.
“Como posso...pagar?”
Nikolai colocou seu queixo entre os dedos, inclinando sua cabeça para cima como se estivesse inspecionando se alguma coisa em seu rosto tinha mudado.
“Seja minha, Angel.”
Como ele podia dizer essas coisas tão casualmente?? Eles estavam discutindo a vida dela, mas ele não se importava com isso. Angelina engoliu em seco.
“Quantas vezes?”
“As vezes que forem necessárias.”
“E se eu recusar?”
Ele se inclinou para sussurrar em seu ouvido.
“Você é uma garota esperta, sabe que é melhor não recusar.”
Sua mandíbula se contraiu e sua respiração ficou ofegante, quando seus dentes capturaram a ponta de sua orelha, provocando-a. A jovem desejava desesperadamente ser uma daquelas pessoas que conseguem manter o rosto indiferente nessas situações.
Angelina era um livro aberto que agora exibia o medo que Nikolai tanto apreciava. Havia algo em seu olhar penetrante que demonstrava uma satisfação profunda pelo poder que ele tinha sobre ela.
Como um manipulador de marionetes, puxando os fios de sua marionete.
"Eu...entendo." A derrota ecoou na voz da garota.
Mas também havia algo mais se misturando ao tom dela: raiva. Raiva escaldante e queimando por dentro. Pela primeira vez, ela realmente se sentia como um animal encurralado.
"Mas eu preciso de tempo. Eu tenho que falar com o meu...pai." Ela cuspiu o nome sem muita emoção além de uma profunda mágoa. 'Pai' tinha se tornado pouco mais do que um rótulo nesse ponto.
Ele prometeu. E quebrou a promessa. Que espécie de pai ela tinha...
"Não vou te levar hoje. No entanto, amanhã..." Nikolai passou os dedos pelo cabelo dela. "...Um carro vai te buscar." Seu tom trazia um aviso: Não se atrase, não desobedeça, não ouse pensar em fugir.
Seus dedos se desenrolaram do cabelo dela, acariciando sua bochecha. Sem se importar, ele deu um beijo forçado em seus lábios fechados.
"Até amanhã, minha Angel." Nikolai apertou seu aperto, antes de soltá-la por completo.
Ele a deixou parada no meio da rua escura. Angelina observou o SUV preto que a seguiu sem que ela soubesse, acelerar depois que Nikolai entrou.
Finalmente, ela permitiu que as lágrimas corressem por suas bochechas geladas.
Por dentro, ela estava gritando, chutando paredes e rasgando tudo o que estava em seu caminho, mas por fora, ela se sentia anestesiada. Seus passos arrastados e as lágrimas continuavam a cair sem a sua permissão.
Por que eu? O que eu fiz para merecer isso?
Servir de brinquedo para um monstro...
Seu pai já estava em casa quando ela chegou. Ele estava sentado no sofá com uma garrafa de cerveja em uma mão e o controle remoto na outra.
"Ah! Angelina, você chegou tarde." Sua voz vinha da sala de estar, alheio ao estado de bem-estar dela.
"Como você pôde!?" A simples pergunta que saiu tão fraca de seus lábios o fez congelar e olhar para sua filha, que agora o encarava com olhos vazios.
"Angelina.....-"
"Você prometeu que não apostaria de novo."
"Foi só dessa vez! Juro que não farei mais isso! Fui sortudo, mas eles me enganaram! Aqueles patifes, mas eu não vou mais naquele clube ladrão, eles roubam todo mundo!"
"Como você pôde fazer isso comigo!?" Sua voz se esganiçou. Ela raramente gritava, mas agora não conseguiu evitar. Todas as emoções engarrafadas transbordaram.
"Você tem ideia do que eu tive que fazer para pagar sua dívida!? E agora você fez isso de novo comigo! Agora eu não posso mais pagar!"
Lágrimas encheram os olhos de seu pai. Ele se levantou do sofá, cambaleando um pouco. Muitas garrafas de cerveja se espalharam pelo chão. Elas rolaram pelo assoalho rangente com um barulho doloroso.
“Me desculpe.... Por favor, me perdoe, filha. Eu vou dar um jeito de pagar tudo sozinho, eu juro-" Ele falava arrastado.
"Tarde demais." Ela deu um passo para trás quando ele tentou se aproximar. Bêbado e patético, assim ela se lembraria do pai. Um jogador com mais um emprego perdido.
"É tudo tarde demais..."
Angelina não esperou por mais uma desculpa, correu em direção ao seu quarto. Ela ouviu seu pai cair no chão entre as garrafas vazias, mas não se importou em ajudá-lo. Pela primeira vez, ela tinha tido o suficiente. Ela o amou durante toda a sua vida, e onde isso a levou!?
Ela arrastou uma antiga mala de viagem para fora de seu armário. Rapidamente a encheu com roupas, dinheiro que tinha economizado e algumas outras necessidades.
Se eu não fugir agora, talvez não tenha outra chance.
Uma parte dela sentia que era uma missão tola tentar escapar da máfia, mas ela se arrependeria muito mais se não tentasse. Ela nem tinha um plano adequado. Tudo o que ela sabia era que precisava agir agora e que a distância era a única coisa que importava.
Angelina fechou a bolsa de viagem, jogando-a sobre seu ombro esbelto.
Nikolai tinha a capacidade de rastreá-la se ela não fosse cuidadosa. Talvez até já houvesse alguém plantado em sua porta para garantir que o acordo não fosse quebrado.
A borda da janela tremeu quando ela a empurrou para abrir. Depois de uma rápida olhada ao redor, suas pernas balançavam para fora da janela do segundo andar. O telhado do pátio a poupou de uma queda fatal. Seu coração batia mais rápido a cada passo que ela dava. Assim que suas botas tocaram o chão enlameado, ela saiu correndo pela rua.
Algumas olhadas estranhas foram dirigidas à jovem garota, mas a maioria presumiu que ela era apenas mais uma adolescente atrasada para pegar um ônibus. Ninguém sabia do perigo real que a perseguia. O desastre que sua vida se tornara. Prédios, postes de luz e multidões passavam por ela em um borrão cinza.
Angelina alcançou por pouco um ônibus que estava saindo da cidade. Seu corpo se jogou contra o desconfortável e gasto assento, o peito ofegante. O bilhete que ela havia comprado estava amassado entre seus dedos trêmulos.
Enfim, em segurança...
A cabeça dela descansou contra a janela embaçada. Com o ronco alto do motor, o ônibus se pôs em movimento. Sua mala repousava em seu colo, dando-lhe uma sensação estranha de segurança. Apesar de tudo, ela se sentia mal por deixar seu pai daquela maneira. Ele tinha feito coisas horríveis, mas ela ainda o amava.... de alguma forma. Sua vida voltaria a ser normal um dia? Ou ela ficaria fugindo por sua vida para sempre?
O pensamento fez seu estômago se retorcer.
Com um suspiro, Angelina forçou os olhos a fecharem. Ela precisava de descanso, desesperadamente.
A conversa das pessoas sentadas atrás dela a levou a um sono leve que não estava destinado a durar, assim como sua paz. O que pareceram minutos depois, o ônibus parou bruscamente, buzinando alto para um carro que aparecera repentinamente bem na frente dele.
Angelina acordou com uma dor na testa. O motorista havia freado tão bruscamente que sua cabeça bateu no vidro frio. Com um suspiro, ela rapidamente se sentou mais reta, assim como todos os outros no ônibus, observando com confusão o que havia acontecido.
A frente do ônibus se abriu e dois homens vestidos de preto entraram. Um temor tomou conta de Angelina imediatamente.
Meu deus, não! Por favor...não!
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Atualizado até capítulo 30
Comments
morena
pqp 😡
2024-12-05
0
Maria Sena
Gente, que carma é esse que a Angelina tá carregando, que cruz pesada essa, que destino cruel. O pior é que depois ele se apaixona de verdade por ela e ainda vai ser perdoado.
2024-11-09
1
Rosangela Beretta
Que triste levar uma vida assim. Tem pais que não tem noção
2024-10-11
0