Depois que a vovó caiu e quebrou a perna a minha cabeça não para de pensar na possibilidade dela partir e deixar-me aqui sozinha. Às vezes eu choro no banheiro ou na cama, quando todos pensam que estou dormindo. Eu não tenho com quem falar, pois, os meus pais também choram se eu tocar nesse assunto e eu não gosto de vê-los triste. As minhas amigas também ficam tristes porquê consideram a minha avó como delas, e os meus irmãos também não estão preparados para perdê-la.
Fiquei guardando esse sentimento no meu peito por algum tempo, pensei em ligar para o Rafael e contar para ele, mas ele está estudando e não posso encher a sua cabeça com coisas de criança. Ele se tornou um grande amigo, mas não posso incomodá-lo.
Eu não o vejo desde que chegamos, ele é muito legal, mas já é um rapaz e não pode ficar a dar atenção para uma adolescente. Foi o que a minha mãe disse quando chegamos e ela descobriu que fora ele quem nos levou até a casa da vovó.
Durante a aula eu senti o meu coração apertado, fiquei pensando em como fazer para que a minha vovó não me deixe, nada que se passou pela minha cabeça garantia que ela pudesse viver comigo para sempre, foi quando vi, a tia Bel entrando na sua sala com os braços cheios de livros. Corri até ela para ajudá-la e com a sua sensibilidade ela percebeu que eu havia chorado. Foi o momento que eu precisava, contei-lhe tudo que eu estava sentindo. Por fim a madrinha Laila chegou e deu-me um apoio que eu não esperava. Foi muito bom poder desabafar e colocar meus pensamentos em ordem.
Sai da escola e fui direto para a casa da vovó Cida, entrei correndo, passei pela vovó Eleda e pela cuidadora que o meu pai contratou. Ela ajuda o meu avô a vigiar a vovó, para que ela não saia da cama ou sofá, sozinha e vá fazer caminhada ou ioga, escondido.
__ O que aconteceu minha neta?
Vovó Cida pergunta segurando o meu corpo num abraço apertado e enchendo-me de beijos.
__ Eu estava na escola.
__ Isso eu sei, você ainda está de uniforme.
__ Mas a senhora não sabe que eu estava morrendo de saudades e queria sentir o seu cheiro de florzinha.
Ela dá uma gargalhada gostosa e o meu avô ri do meu jeito carinhoso com a vovó.
__ Eu também mereço um abraço, ou não?
Dou-lhe um beijo e um abraço apertado, e digo:
__ O senhor é muito ciumento, mas eu te amo igual amo a vovó.
__ Sei! Já deu para perceber.
Ele comenta, me apertando em seus braços grandes e fortes.
__ Agora nos diga o que devemos essa visita ilustre?
Vovó pergunta, curiosa e eu abraço-a de novo e, de novo, umas quatro vezes.
__ Eu estive conversando com a madrinha Laila e com a tia Bel, elas disseram-me que temos que aproveitar ao máximo as pessoas que amamos, então eu decidi que não vou mais à aula essa semana. Quero ficar com vocês.
__ Os seus pais, sabem disso? Hoje ainda é segunda-feira.
Vovô fala com carinho e rindo da minha decisão.
Eu passo as minhas mãos pelo rosto da vovó que está muito feliz comigo e sorrindo gostoso para mim. Beijo o seu rosto de novo, e mais umas cinco vezes. Pensando em como darei essa resposta para o vovô.
__ Eu já falei com a madrinha para mandar os meus estudos por e-mail e ainda não vi os meus pais agora à tarde. Mas o senhor pode falar com eles que vocês estão precisando de mim e que eu poderia ficar aqui para o resto da vida.
A vovó dá um grito e uma gargalhada, o vovô chora de rir da minha estratégia de aproveitar o máximo dos meus avós.
__ Pois, então, vá tomar um banho e tirar esse uniforme, eu vou ligar para o seu pai e teremos uma conversa de homem para homem.
Eu saio toda dona do meu nariz e vou direto para o quarto dos netos, onde tenho roupas, calçados e coisas pessoais. Tudo que preciso para ficar com eles o resto das nossas vidas.
Quando desço as escadas, vovó Eleda está conversando com a minha mãe e na sala estão os meus pais, os meus padrinhos, madrinhas e os meus irmãos.
A minha cabeça dá um giro e penso no que pode ter acontecido para tanta gente numa reunião de família, já que a madrinha Laila tinha reunião na escola.
Ela caminha na minha direção e diz:
__ Você bem, minha querida?
__ Eu estou, madrinha. Mas o que todos estão fazendo aqui?
__ Viemos ver a vovó e ficamos sabendo que você está de mudança.
__ Muito bem! ...Mocinha, que história é essa de mudar para a casa da sua avó?
O meu pai fala num tom alterado e a minha mãe se coloca ao seu lado, eu finjo que não estou nem aí para o chilique dos dois e vou direto para o lado da minha avó que está sentada no sofá com a perna para o alto.
__ Eu sei que as pessoas mais velhas vivem menos que os jovens, então eu preciso passar mais tempo com os meus avós, do que com vocês.
Todos estão rindo do raciocínio da garota rebelde, mas não me importo nem um pouquinho.
__ Mas eu e a sua mãe também estamos envelhecendo, graças a você que não nos dá uma folguinha.
__ Calma, Sandro! Ela não está errada, mas não será assim que a levaremos de volta para casa.
A minha mãe fala e as minhas madrinhas se colocam de pé ao seu lado e convidam-me para participar de uma reunião do clube das luluzinhas. O meu coração até erra a batida, pois é o meu sonho participar desse grupo, apesar que eu já criei o nosso próprio grupo.
Olho para o meu pai e os meus padrinhos que estão se segurando para não rirem. Padrinho Alex me diz:
__ Se você precisar de um advogado você me chama.
Ele abraça-me, beijando a minha cabeça. Padrinho Calebe e Bruno, sorriem para mim e o padrinho Júlio diz:
__ Qualquer coisa estamos aqui para te defender.
Eu sorrio para ele, que está abraçado com júnior e Sandra ao seu lado.
Estou amando a ideia de participar dessa reunião.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Edileuza França
menina essa Sabrina é uma garota muito amável
2024-07-01
1
Adriane Alvarenga
E põe danada nisso....nossa mineirice é a melhor....também sou mineira.....❤❤❤❤
2023-12-01
5
Professora Graça de Língua Portuguesa e Filosofia
Como dizem os mineiros ( no caso eu) kkk essa Sabrina é danada!
2023-11-23
1