As aulas voltaram, tem quinze dias e com elas os problemas escolares estão em alta. Cada dia, uma novidade, um problema pior que o outro.
A nossa escola é do maternal ao nono ano, temos que organizar a festa da família para o próximo mês com todas as turmas, já estou cansada só de pensar, a minha sorte é que tenho um corpo docente maravilhoso, que adora festas e eventos estudantis. São dedicados e vestem a camisa da nossa escola.
Marco uma reunião para depois da aula e deixo Maria na tarefa de preparar um lanche gostoso para os professores e deixar tudo arrumado para a reunião, que devera ser breve e não tomaremos muito tempo dos nossos colegas de trabalho.
Estamos na sala de reuniões e Bel ainda não chegou. Olho para Maria e pergunto se ela não virá para a reunião.
__ Ela estava na sua sala agora mesmo, eu vou chamá-la.
Maria fala e eu digo que não precisa, eu mesma vou, sinto que alguma coisa deve estar acontecendo, já que ela é a professora responsável pela educação inclusiva e todas as crianças gostam de conversar com ela.
As crianças e os adolescentes têm um grande carinho pela tia Bel , é assim que carinhosamente a chamamos. Todos confiam nela para desabafarem e até mesmo pedirem conselhos. Geralmente quando ela fica toda vida, para sair da sala, é algum problema sendo resolvido no seu precioso divã.
Chego na sua sala e antes de entrar a vejo conversando com Sabrina, que chora e está muito nervosa. Paro um pouco e escuto o término do assunto:
__ Precisa se acalmar, conversar com os seus pais e se for preciso peça-lhes para arrumarem um acompanhamento com um profissional, você precisa aprender a lidar com o medo e a ansiedade. Eu posso te ajudar, te ouvindo, mas não sou psicóloga, e agora você precisa de um. Uma terapia lhe fará muito bem.
Bel aconselha a menina que está chorando, abraçada ao seu corpo. Eu sinto ter que interromper, mas Sabrina é como uma filha para mim e não suporto vê-la nesse desespero.
__ Aconteceu alguma coisa?
Pergunto entrando devagar na sala. Sabrina continua com a sua cabeça no ombro da professora e amiga, ela vai se acalmando e aperta a tia em seus braços. Tia Bel ampara-lhe com todo carinho.
Eu me sento ao lado das duas e passo as minhas mãos pelas costas da garota que está quieta e prende a respiração para não deixar ser visto a sua fraqueza, toco seus cabelos e digo:
__ O que aconteceu meu amor, porquê você está chorando?
__ Ela está com medo de perder a vovó Cida, está assustada por ela ter caído e quebrado a perna, ainda não está andando e acha que os seus pais não estão falando a verdade a respeito da saúde dela.
Olho para a situação e percebo que é apenas uma preocupação. Mas que precisa ser resolvida com carinho e diálogo. Eu puxo-a pela mão e olho nos seus olhinhos de choro e preocupação.
__ Você não precisa ficar assim, meu amor! A vovó está bem, eu a visitei ontem, depois da aula e ela voltará a andar daqui poucos dias, quando retirarem o gesso.
__ Madrinha, mas a senhora acha que ela pode morrer por estar velha?
__ O meu amor, cada pessoa tem um tempo para passar por aqui, claro que uma pessoa que já viveu quase noventa anos tem uma probabilidade grande de ir primeiro, mas podemos ir antes dela. A vida é uma surpresa por isso não temos que gastar o nosso precioso tempo pensando em quando iremos. Precisamos gastar o nosso tempo sendo felizes e fazendo os outros felizes.
__ Eu tenho que aproveitar o tempo com ela, com meu avô e com a minha família.
Ela fala e para de chorar, olho seu rosto e está pensativa, eu olho para seu rosto e percebo que ela está maquinando alguma coisa. Ela faz o mesmo franzir da testa que o seu pai faz, quando vai aprontar alguma coisa.
__ O que está passando nessa cabecinha?
Tia Bel pergunta passando as mãos no seu rosto e limpando as marcas de choro.
__ Amanhã eu não virei a aula, eu preciso ir ver a minha avó. Madrinha, a senhora manda os meus deveres por email, eu prometo que os, trago pronto.
Ela beija-me e dá um abraço na Bel, saindo correndo até o portão onde os seus irmãos a esperam no carro com o motorista.
Bel olha-me e triste conta-me tudo que Sabrina lhe contou a respeito dos seus medos. Depois da reunião, eu ligo para a Salete e conto-lhe o que aconteceu. Ela dispõe-se a procurar uma ajuda para Sabrina, um psicólogo agora poderá ajudá-la a lidar com perdas e frustrações.
Não só a questão dos avós que estão velhos, mas a vida é cheia de contratempos, nota-se que ela tem dificuldades com mudanças, perdas e desilusões.
A reunião com os professores, foi muito produtiva e faremos uma festa voltada para as famílias na escola, onde os pais e familiares terão oportunidade de passarem uma tarde com os filhos no ambiente escolar.
Fizemos um cronograma e o levantamento dos custos. Faremos uma gincana entre os alunos. Tudo será voltado para a interação e confraternização das famílias.
Terminamos de esquematizar a festa da família em quatro dias e reunimos os alunos para dividirmos as turmas em grupos.
Logo Sabrina formou o seu grupinho e entregou-me o seu esquema de liderança. Ela é impulsiva e dinâmica. As outras meninas já estão acostumadas a seguir tudo que ela fala e logo concordam de ficarem por conta de arrecadarem brinquedos para doação no dia das crianças.
Os meninos fizeram o seu grupo e ficaram por conta de arrecadarem agasalhos. E assim por diante os outros grupos foram se dividindo e tinha arrecadação de alimentos, de fraldas e uma variedade de atividades que trazia disputa e solidariedade.
Serão duas semanas de atividades para o dia da festa.
Chego em casa depois da aula e Júnia corre para o quarto. Só ouço as conversas do grupo pelo chat, que planejam um baile para arrecadar brinquedos. Estou pasma com a atitude das meninas e pergunto de quem foi essa ideia.
Como sou inocente, essa ideia só poderia vir de uma mente dominante.
__ Mãe, essa ideia é da Sabrina, faremos um baile no salão de festas da escola e a entrada será um brinquedo ou um alimento não perecível.
Ela fala andando até a cozinha onde pega uma maçã e morde com fome e mastiga com a boca aberta. Eu tomo a fruta da sua mão e pergunto:
__ Com a autorização de quem, vocês farão esse baile?
__ Com a sua, é claro! A escola não é a nossa segunda casa?
Ela pega novamente a fruta da minha mão e com o seu olhar de dona Izabel e a sua arrogância peculiar diz:
__ Se não deixar ser na escola, nós faremos na casa do padrinho Sandro.
Estou contra a parede, agora mais esse problema para resolver. Terei que fazer outra reunião com os professores para decidirmos. Pelo visto os problemas nunca acabam.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Maria Izabel
Que bom que a Sabrina é assim com apoio da família , tem muita crianças especiais que não se desenvolve por falta de acompanhamento familiares
2024-01-17
8
Adriane Alvarenga
Sabrina é demais e as crianças com sindrome de down sabem liderar....muito linda ela... ♥ ❤ 💖 💕 😍
2023-12-01
1
Adiji Abdallah
Demais essa menina ❤️❤️❤️❤️
2023-10-19
3