Estou muito curiosa com essa história do meu pai ter vindo na frente e a minha mãe ter que ir ao hospital agora cedo.
Já tentei falar com a minha bisa e ela não atende. A minha avó Eleda atendeu e deu uma desculpa da vovó Cida estar tomando banho. Ela não passa tanto tempo sem falar comigo, e o vovô não atende ao telefone.
Faço uma chamada de emergência no nosso grupo de amigas, Sandra vem correndo ao meu quarto saber o que está acontecendo, ela deita-se ao meu lado e ficamos olhando as meninas agruparem-se na pequena tela do meu computador.
__ O que aconteceu Sabrina? Descobriu porque a vovó Cida não está atendendo?
Janice pergunta cheia de curiosidade.
__ Não, nós ainda não sabemos de nada, a minha mãe foi encontrar com o meu pai no hospital.
Sandra responde para as meninas e Sarah entra no chat dizendo:
__ Eu ouvi o meu pai e a minha mãe conversando a respeito de que a vovó está no hospital e receberá alta agora pela manhã.
__ Mas, o que a aconteceu com a vovó?
Eu pergunto olhando para Sandra que também está assustada. As meninas não sabem o que responder, o jeito é irmos para a casa dela.
__ Mas, como faremos isso?
Janice pergunta, estando na casa da madrinha Giovana. Sarah tem uma ideia:
__ O Rafael está na casa da madrinha Marina, ele pode levar vocês. Mas, me liga contando o que aconteceu.
Uma luz acende na minha cabeça e pego o meu celular, ligo para ele e digo:
__ Rafael, você ainda está aqui no condomínio?
__ Sim, estou colocando as minhas coisas no carro para ir embora.
O carro dele estava com o padrinho Renan, por isso ele ainda não foi para casa.
__ O meu pai pediu, se você pode nos deixar na casa da vovó Cida. É que ele e a minha mãe saíram cedo.
__ Esperem no portão, eu já estou saindo daqui.
Nunca foi tão fácil arrumar uma carona. Aviso as meninas que esperam no portão das suas casas, Alice sai de casa com ele e vem parando igual Uber em dia de festa. Pegam a Júnia e a Janice e em seguida pega eu e a Sandra.
__ Não cabe esse tanto de gente no carro!
Ele fala e entramos sentando uma, no colo da outra.
__ Cabe sim e daqui na casa da vovó é um pulo.
__ Vocês são loucas! Eu não quero confusão para o meu lado.
Ele fecha a cara e saímos iguais à sardinha na lata. Mas o importante é chegarmos com vida na casa da vovó.
Ele para no portão da imensa casa no outro condomínio e eu o beijo no rosto dizendo:
__ Você foi perfeito, obrigada pela carona!
__ Ficarei longe de vocês, além de pirralhas são chaves de cadeia.
Ele fala ligando o carro e eu aperto a sua bochecha e digo:
__ Você é lindinho, te devo essa!
Saio correndo do carro e entramos na casa da vovó. Respiro fundo ao ver o carro dos meus pais na entrada da casa e preparo para o sermão.
Não nos importando com nada, entramos como cinco furacões.
__ O que fazem aqui? Quem trouxe vocês?
O meu pai pergunta bravo e encarando-nos. Eu não tenho medo e muito menos me importo com chiliques. A minha mãe arregala os olhos e espantada diz:
__ Era para estarem em casa, descansando. O que fazem aqui?
__ Já descansamos e sabemos que aconteceu alguma coisa com a vovó, precisamos vê-la agora, ou a Sandra vai começar a chorar.
Eu empurro essa bomba para Sandra, porque sei que os meus pais são traumatizados com o choro dela e que esse título de chorona ela levará pela vida.
Vovó Eleda vendo o tamanho da chantagem, entra na conversa e acalma os ânimos:
__ Tudo bem, não precisa ninguém chorar para ver a vovó, é só irem para o antigo quarto de brinquedos e a vovó estará lá.
Saímos às cinco correndo pelo corredor e indo até o quarto. Vovô está a ajudando a sentar-se e entramos como um vento tempestuoso.
Ela abre um sorriso ao nos ver e vovô Eurico diz:
__ Cida, cuidado com o que vai dizer para as crianças.
Ela sorri gostoso e abraçando uma a uma diz:
__ Que bom! As minhas netas queridas, todas vindo me visitar. Eu acho, que terei que quebrar a perna mais vezes, para tê-las todas comigo.
__ Não diga isso vovó! Eu venho aqui quantas vezes a senhora quiser.
Sandra fala a abraçando forte, eu deixo as outras meninas a abraçarem e depois me aproximo olhando sua perna com alguns ferros estranhos.
__ Como foi que a senhora quebrou a perna?
__ Eu caí, coisa de gente velha.
Não me dou por satisfeita e fico olhando seu joelho sem mobilidade, olho nos seus olhos e estou muito curiosa:
__ Onde foi que a senhora caiu?... Está doendo?
__ Eu caí no quarto e não está doendo. O vovô está cuidando de mim.
Ela passa a sua mão por meus cabelos e fico com pena dela estar nesse estado.
__ Cuidaremos da senhora, tudo que precisar é só pedir.
Assim foi o nosso final de férias, uma semana cuidando da vovó sem deixá-la sozinha. Fizemos uma escala de revezamento de duas em duas acompanhantes. O quarto virou uma sala de jogos, até o dia em que voltamos para a escola e vovó já havia se acostumado com a perna de pau.
Eu fiz uma lista do que ela poderia fazer até eu voltar da escola, deixei o vovô tomando conta dela e pedi ao meu pai para não deixar ela ficar em pé, sozinha.
De vez em quando, a vovó e o vovô dão-nos um susto, eles estão bem de idade e depois desse incidente com a perna, ela não foi mais a mesma. Ao menos no sentido de dançar pela casa e fazer acrobacias.
Os netos ficaram mais presentes e todos os dias enchiamos a sua casa com a nossa juventude. Meu pai passou a falar mais conosco a respeito de um dia termos que nos despedirmos deles. Algo que não aceitarei com facilidade, pois eles são os amores da minha vida. Por isso, temos todos os cuidados com eles e os enchemos de amor e carinho.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 98
Comments
Edileuza França
se todos os netos se preucupace assim com os avós era ótimo
2024-07-01
1
Maria Izabel
é muito lindo ver o amor carinhoso cuidar dos nossos avós
2024-01-17
4
Laura Maria Machado Carvalho
É muito difícil nos despedirmos de quem amamos.
2024-01-05
0