Saio pelo calçadão com Júnia e Janice, vamos ao quiosque procurando sorvete e vejo Rafael sentado à sombra lendo o livro assassino causador dom meu desequilíbrio e afogamento.
Ele não levanta a cabeça e nem percebe a linda paisagem a sua frente. Olha que nem estamos falando de mim, apenas do mar maravilhoso, que quebra as suas ondas fazendo um barulho de paz e nos convidando para um mergulho.
__ Obrigada pelas flores e adorei os bombons.
Falo, me aproximando do belo rapaz de cabelos pretos e uma barba ainda em início de carreira. Uma camiseta branca e uma bermuda, jeans.
__ Oi pirralha! Você parece bem melhor do que a última vez que nos vimos.
Ele fala retirando os óculos, fechando o livro e olhando para a minha cara com um sorriso bobo.
__ Não tão pálida e respirando normal, você quis dizer.
__ Sim, corada e respirando sem a ajuda do seu pai.
__ Foi meu pai quem fez a respiração boca a boca? Eu jurava que tinha sido você!
__ Muito para frente garota! Eu ainda não sei fazer os primeiros socorros, Mas, por sorte o seu pai estava lá e te salvou.
Um ar debochado e sarcástico, dirigindo a atenção para mim, fala sério e muito preocupado.
__ Você, está se sentindo bem?
__ Estou, só não entendi. Porquê você foi embora antes mesmo de falar alguma coisa comigo ou esperar eu melhorar?
Falo sentando a sua frente enquanto Janice e Júnia escolhem um sorvete no quiosque.
__ Eu fiquei com medo.
__ Medo do meu pai?
__ Não, de você morrer.
Eu levo um choque por sua franqueza e dou um sorriso sem graça.
__ Eu não teria uma morte tão estúpida, preciso de um pouco mais de ‘glamour’ para fazer essa passagem, tipo: Romeu e Julieta ou Titanic.
__ Você é engraçada, quer uma morte romântica.
__ Você não?
Ele fica sem graça e não entendo o que eu falei demais.
__ O seu Romeu está te chamando, é melhor você ir.
Viro-me em direção a praia e Antônio está com os meninos me chamando para jogarmos vôlei. Sou totalmente desajeitada nesse esporte, mas não rejeito a um desafio.
__ Vem com a gente! As meninas contra os meninos.
Ele olha-me desacreditado e recusa o meu convite.
__ Não! Eu preciso estudar, farei a prova para medicina daqui pouco tempo e tenho que me preparar.
__ Se você resolver, está de pé o desafio.
Saio correndo pela areia e os meninos vem ao meu encontro.
Arthur vem ao e beija o meu rosto dizendo:
__ Você está conversando com o seu algoz?
__ Ele não teve culpa, eu estava distraída e esbarrei nele e me desequilibrei, estão prontos para perder? Vocês serão derrotados pelas meninas mais lindas da praia e ainda terão que pagar o açaí da vitória.
Ele ri do meu comentário e eu corro com Júnia, deixando ele e Janice para trás como dois pombinhos.
De um lado estamos eu, Janice, Júnia, Sarah, Sandra e Alice. Do outro lado, Sandro, José, Arthur e Antônio.
Estamos ganhando de lavada e chego a rolar na areia de tanto rir. Caio igual a uma abóbora podre na areia e fecho meus olhos sentindo a maresia.
Abro os meus olhos ainda caída na areia quente e vejo o lindo rapaz sem camisa, me olhando com deboche e dizendo:
__ Pirralha, quero ver vocês ganharem comigo na equipe.
Eu rio dele e jogo uma mão de areia nas suas pernas e levantando-me com um impulso dos seus braços e ele diz:
__ Uma única partida, não tenho tempo para essa meninada. Agora levanta e joga como uma garotinha.
__ Você não nos desafia, somos as estrelas do vôlei de praia e vamos ganhar de novo.
Jogamos cinco partidas e paramos porquê estávamos com fome e o jogo não estava rendendo como antes.
Perdemos de três a dois, mas teremos desforra em breve. Falo me sentindo exausta e até de boca aberta. O meu nome mudou essa manhã de Sabrina para pirralha. Estou ficando com raiva desse apelido, mas até Antônio está me chamando assim.
Rafael se enturmou com os outros, apesar da diferença de idade estamos todos nos dando bem. São brincadeiras saudáveis e os assuntos estão fortalecendo as nossas amizades.
Passamos o resto da semana num grupo de amigos onde não queríamos separar-nos em momento algum.
Fomos ao parque, andamos de bote e lancha, passeamos no shopping e nas feiras de artesanato local.
Eu entreguei o livro assassino para a madrinha Marina esconder até ele voltar para a capital. Ele ficou com raiva, mas não conseguiu me convencer da sua ira. Pois, ele sabe ser simpático quando quer.
Não dei sossego para ele conseguir estudar. Antônio e Arthur até tiveram ciúmes da nossa amizade, eu fingi que não estava percebendo.
No último dia, a minha mãe recebeu uma ligação do meu avô, ela está preocupada e não quer dizer o que está acontecendo. O meu pai foi embora com o padrinho Calebe e madrinha Laila ficou para ir com a gente.
Eu percebi que tem alguma coisa acontecendo, e não é nada bom, ninguém toca no assunto. Eu ligo para a vovó Cida e ela não atende. Ligo para o vovô e o telefone está desligado, os meus outros avós não respondem e já liguei até para a tia Bel, que trabalha na escola e ninguém sabe o que está acontecendo na nossa família.
Chegamos em casa e a minha mãe pede para irmos tomar um banho e descansarmos da viagem, porque ela dará um pulo no hospital.
Ela sai e eu vou para o meu quarto e faço uma chamada de vídeo com minhas amigas, decidimos fazermos uma minuciosa investigação, preciso saber o que está acontecendo.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Maria Helena Pereira
Eita que tô achando que a vovó Cida tá doente
2024-07-09
2
Edileuza França
eu acho que é vovó Cida que está doente
2024-07-01
0
Maria Izabel
é muito lindo ver a amizade dessa segunda geração em breve os adolescentes vão crescer e quando menos perceber será formado pares de casal de namorados igual aos seus pais ♥️😍
2024-01-17
4