Terminei o meu curso de pós-graduação e como Júnia já está grandinha, eu decidi voltar a trabalhar, não posso viver nessas férias eternas e eu gosto de estar numa sala de aula e ter minha independência.
As crianças já estão com dois anos e a pedido das minhas amigas, irei abrir a minha própria escolinha, onde elas passarão boa parte do dia.
Vendi o meu carro e o apartamento de Ilhéus, o meu pai ajudou-me com uma quantia razoável e Elias será meu sócio. Já que ele agora foi promovido no escritório do Alex e poderá me ajudar nas burocracias da educação.
Convidei Maria para trabalhar comigo, ela está terminando sua faculdade de pedagogia e está muito empolgada. Estou fazendo algumas entrevistas e olhando alguns currículos. Quero professores capacitados e profissionais gabaritados em inclusão.
Fiz uma reunião com as minhas amigas e discutimos entre nós a necessidade das nossas crianças aprenderem a conviverem com as diferenças e terem mais facilidade para aceitar as outras pessoas, com suas limitações e proporcionar as crianças com dificuldades, um método onde, com carinho e perseverança elas vencerão os seus obstáculos.
Pensando na nossa estrelinha, estamos preparando um lugar aconchegante onde ela será acolhida e dará os primeiros passos para uma sociedade preconceituosa e sem preparo para essa convivência.
Depois do batizado ficou impossível viajarmos ou tirarmos férias. Foi a nossa última aventura em família e com os amigos. Agora a nossa vida é trabalho, dedicação ao lar e a família. Estamos todos voltados a ajudar nossa afilhada a passar por essa vida com dignidade.
As crianças estão crescendo e parece que está cada dia mais difícil nos juntarmos para qualquer evento. A festa de um ano foi uma correria, ficamos traumatizadas, não gostamos nem de lembrarmos o sofrimento que passamos com Kátia e sarah. A festa de dois anos não aconteceu e nem faremos agora. Decidimos fazer quando eles tiverem cinco anos. Eles estarão maiores e aproveitarão melhor o momento.
Sabrina ainda não fala, nem anda. Está com muitas dificuldades nas fisioterapias e, às vezes os seus pais chegam ao limite, pensando até mesmo em desistir, para não vê-la sofrendo. Ela cansa dos exercícios e da persistência do médico fisioterapeuta, ela o vê como um obstáculo e como seu carrasco, mas quando termina, cansada ela sorrir para todos na sua inocência e mostrar que tudo nessa vida fica mais leve com um sorriso e um carinho.
Calebe e Bruno estão fazendo toda a reforma do prédio onde será a escola.
Eles projetaram rampas para acessibilidade e até um elevador para o andar superior.
Salas de jogos, computação e brinquedoteca.
Quadra de esportes, biblioteca e berçário. Tudo feito com um planejamento perfeito para acolhimento de um bom grupo de alunos.
Os dias e meses passaram e está tudo pronto para a inauguração e o início das matrículas.
Teremos uma confraternização e irei receber os nossos amigos e afilhados para conhecerem as acomodações.
As crianças correm pelo imenso espaço interativo, os pais conversam entre si. Bruno e Calebe apresentam o projeto aos convidados. Kátia e Kauã pegam nas mãozinhas da pequena Sarah que já dá os seus primeiros passinhos.
Do nada, sem ser convidada, aparece a minha querida sogra e o seu esposo. Olho para Calebe que não sabe como ela ficou sabendo do evento. Kauã e Kátia ainda não viram que eles chegaram e continuam a conhecer a escola onde ela estudará a partir de fevereiro.
Calebe pega na minha mão e segurando firme, caminhamos até o casal. Eles cumprimentam-nos e elogiam a escola.
Eu agradeço e pergunto:
__ Como ficaram sabendo da escola? Nós ainda não divulgamos a inauguração.
__ André, estávamos num jantar e ele comentou que hoje seria o coquetel de inauguração.
Eu estou começando a tomar birra desse homem. Ele está sempre na hora errada e no momento errado e ainda por cima é fofoqueiro.
Calebe aperta a minha mão e eu corrijo-me:
__ Desculpe-me, eu não os convidei, porque não sabia que estavam na capital.
Percebo quando Kauã se dá conta de quem está presente e ele pega a pequena Sarah e coloca em seus braços. Kátia se aproxima e limpa as mãozinhas da menina que se sujaram com doces.
__ Ele ainda está com essa mulher? Eu pensei que já a teria largado. Pelo visto ainda não se cansou de passar vergonha.
__ A senhora está enganada, dona Isabel. Eles estão felizes e se amam muito. É só a senhora observar a alegria da sua netinha.
__ Eu não acredito que essa menina seja minha neta, ela não se parece nem um pouco com ele.
Ela sabe ser intragável, inconveniente nem se fala.
Sandro se aproxima com Sabrina em seus braços, ele cumprimenta-os com a sua simpatia e educação e os mesmos ficam incomodados com a presença da criança, que para eles, não é normal.
__ O senhor, doutor Sandro, com certeza colocará a sua filha numa escola especial para crianças com deficiência.
Calebe quer que um buraco lhe engula, sua mãe não tem limites e respeito. Mas, Sandro se sai muito bem desse tipo de preconceito:
__ A senhora está enganada, a minha filha não é deficiente, ela é especial.
Deficiência é um termo usado na medicina como: insuficiência ou ausência de funcionamento de um órgão.
A minha filha é perfeita, diferente da senhora que não tem coração.
Ele sai de perto dela e caminha brincando com a sua bonequinha que dá gargalhada. Eles dançam, brincam e se divertem nos brinquedos do pátio. Júnior e Sandra correm atrás deles e gritam o pai que lhes dá toda a atenção.
Salete, Giovana e Maria, que ouviram toda a conversa, saem com o nariz em pé e rindo da resposta que Sandro lhe deu.
Infelizmente os preconceitos são muitos e de pessoas que pensamos ter evoluído e mudado com as oportunidades que a vida ofereceu-lhes. Mas infelizmente essas oportunidades são como dar pérolas aos porcos, é jogar tempo e preciosidades ao vento.
Kauã se aproxima e os cumprimenta, ele está com Sarah nos braços e Kátia ao seu lado:
__ Boa tarde! Estão bem?
Ele fala com certo receio, o seu pai o responde com educação e fica a olhar a criança a sua frente, que brinca com uma boneca.
A sua mãe vira-se para outra direção e vai ao encontro dos pais de Sandro. Despistando finge ter que falar alguma coisa com o casal de médicos.
Calebe observando a situação, toca o ombro do irmão e diz:
__ Não fique chateado, ela um dia irá entender que, o amor vai muito além de idade, classe social ou qualquer outro obstáculo criado pelo homem.
Kauã beija a sua esposa em frente ao seu pai, que já está morrendo de amores pela pequena Sarah que parece um anjo de tão linda.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Sandra Maria de Oliveira Costa
aiiii que veia mocreia preconceituosa
nojenta
mal caráter 👊🐄🐍
2024-12-01
2
Maria Helena Pereira
Velha esquerda um escroto de ser humano
2024-07-09
2
Edileuza França
que mulher asquerosa a pessoa com uma mãe dessas não pre nem de inimigo
2024-07-01
0