Capítulo 15

Com o coração acelerado, eu voltei para casa, sentindo-me nervosa como uma garotinha prestes a apresentar seu primeiro trabalho na frente da turma da escola. A decisão que eu estava prestes a tomar era assustadora, mas eu sabia que era necessária.

Ao chegar em casa, meus pais ainda não haviam retornado da igreja, já que precisavam resolver alguns assuntos lá. Aproveitei o momento para me acalmar e reunir coragem para enfrentá-los. Eu estava determinada a colocar um ponto final naquele ciclo de maltratos e controle sobre minha vida.

Assim que eles chegaram, eu os chamei para conversar na sala. Eles pareceram surpresos com minha seriedade, pois eu geralmente era a filha obediente e tranquila.

— O que aconteceu, Aneor? Está tudo bem? — perguntou minha mãe, preocupada.

— Não, mãe, não está tudo bem — respondi firme — Eu não posso continuar vivendo dessa forma, sendo manipulada e controlada por vocês.

Meu pai olhou para mim com uma expressão séria, enquanto minha mãe tentava me interromper para me fazer parar de falar.

— Não, dessa vez vocês vão me ouvir — continuei — Eu sou uma pessoa adulta, tenho meus próprios sonhos e desejos, e não vou mais aceitar ser forçada a seguir um caminho que não é o meu.

Minhas mãos tremiam, mas eu continuei a falar, deixando todas as palavras que eu havia guardado por tanto tempo saírem de uma vez só.

— Chega de ser maltratada, de ser diminuída e de vocês mandarem em cada detalhe da minha vida. Eu mereço ser tratada com respeito e ter o direito de fazer minhas próprias escolhas.

Meus pais me olharam em choque, como se não soubessem como reagir à minha ousadia. Mas eu estava determinada a fazer com que eles entendessem que eu não seria mais uma marionete em suas mãos.

— Eu mereço ser feliz, e vou lutar por isso. Não importa o que vocês pensem ou esperem de mim. Eu sou dona da minha vida, e vou tomar as rédeas do meu destino.

Houve um momento de silêncio tenso na sala, e eu pude ver que minhas palavras haviam atingido em cheio meus pais. Era a primeira vez que eu me colocava em primeiro lugar, e eu sabia que não seria fácil para eles aceitarem.

Meu pai finalmente falou, sua voz carregada de surpresa e, talvez, um pouco de admiração.

— Aneor, você está falando sério?

— Sim, pai, estou. Eu não quero viver uma vida que não é minha. Eu quero ser livre para ser quem eu sou e seguir meus próprios sonhos.

Minha mãe ainda parecia relutante, mas eu não iria desistir.

— Não vou aceitar isso — ela disse, quase sussurrando.

— Você não precisa aceitar, mãe. Essa é a minha decisão, e eu espero que, com o tempo, vocês possam compreender.

Enquanto eu mantinha minha postura firme, meu pai olhou para mim com uma expressão de raiva e desaprovação.

— Você não pode falar assim com a gente, Aneor! — ele disse, elevando o tom de voz.

Eu respirei fundo, tentando manter a calma diante da ameaça que se aproximava.

— Eu sei que é difícil para vocês aceitarem minhas decisões, mas eu não posso mais viver sob o controle de vocês. Preciso ser livre para tomar minhas próprias escolhas.

— Não é assim que as coisas funcionam nesta casa! — meu pai continuou, a raiva tomando conta dele.

— Talvez esteja na hora de mudar a forma como as coisas funcionam aqui — respondi, tentando me manter firme.

Nesse momento, minha mãe tentou intervir, buscando apaziguar a situação.

— Vamos conversar com calma, Aneor. Não precisa ser assim tão radical.

— Eu não estou sendo radical, estou sendo honesta. Eu não vou mais aceitar ser controlada e maltratada por vocês. Eu mereço respeito e autonomia sobre a minha própria vida.

Meu pai cruzou os braços e me olhou com um olhar desafiador.

— Se continuar com essa atitude, vai sofrer as consequências. Vou te castigar e te fazer ver que não pode desafiar a autoridade nesta casa.

Apesar do medo que aquelas palavras me causaram, eu me mantive firme. Eu sabia que não seria fácil enfrentar as consequências da minha decisão, mas eu estava disposta a enfrentá-las.

— Estou preparada para enfrentar as consequências, pai. Mas eu não vou mais viver presa em uma vida que não é minha.

E então ele me acerta com um tapa.

— DE JOELHOS! — grita e mamãe chora desesperada com a situação.

Eu hesito e ele parece ficar ainda mais irritada com isso.

— Eu mandei você se ajoelhar, Aneor! — suas mãos vão até o cinto, começando a tira-lo.

— Me bata o quanto quiser, eu não vou me casar contra minha vontade, uma coisa que sequer pude escolher! Não vou continuar vivendo na mesma casa que você...

— E para onde você pretende ir? Pretende se prostituir que nem as outras garotas da sua idade daqui?

— Não parece ser tão ruim — falei e ele pareceu ainda mais bravo.

Ele veio até mim, me puxando pelos cabelos e me arrastando pela casa até meu quarto, onde fui jogada no chão enquanto ele entrava e trancava a porta. Mamãe gritava do outro lado da porta, pedindo e implorando para que me perdoasse, que eu estava errada e que não fiz de propósito, mas ele não ouviu.

Senti medo, me senti congelar quando minha roupa foi arrancada e ele levantou o cinto até o máximo. Sentia que aquela não havia sido a primeira vez, sentia que aquela cena estava se repetindo novamente, mas eu não conseguia me mexer para tentar dizer algo, para tentar me proteger das mãos do meu pai. Eu apenas conseguia olhar pra ele com os olhos arregalados e com uma falta de ar intensa. Meu corpo inteiro tremia em antecipação.

— Eu vou mata-lo! — um rosnado feroz que quase fez o quarto tremer. Astaroth arremessou papai contra a parede, o homem caiu sem forças no chão.

O demônio parecia diferente de como se mostrava pra mim, ele era maior, bem maior que normalmente, seus músculos estavam bem mais detalhados e as tatuagens brilhavam em vermelho como se estivessem sendo marcadas a ferro quente, olhos negros e asas enormes e brilhantes, como se suas pernas fossem de lâminas.

— Astaroth, não! — tentei me levantar, mas minhas pernas estão molengas.

— Ele tocou em você! Te bateu! E ainda assim está me pedindo para não fazer nada? — ele se virou pra mim.

— Ele é o meu pai! Obrigada por me ajudar, mas eu não quero nada disso...

— Você é uma tola! Acha que ele vai mudar, mas ele não vai! Ele vai continuar te tratando como uma estranha miserável.

— Eu quero ser livre, mas não desejo mal de ninguém.

— Inacreditável — ele diz incrédulo — Faça o que quiser, Aneor.

E então desapareceu.

Fui até a porta e abri, mamãe entrou com tudo e já foi ajudar papai que estava desacordado e eu me joguei na cama, tentando ser forte e não chorar, mesmo sabendo que já estava chorando a muito tempo.

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