Capítulo 7

Aquela sensação foi substituída rapidamente assim que mamãe adentrou o quarto e me encarou como se fosse um bicho de sete cabeças.

- Que tipo de vestimenta é essa, Aneor! - ela disse brava e falando baixo, enquanto olhava para a porta para verificar se papai se aproximava.

- Só estava querendo ficar bonita... - me sentei na cama, tentando não deixar a irritação da minha mãe me afetar.

- Não lembro de ter visto você comprar esse vestido em algum momento. Por acaso está saindo com alguém escondido de mim?

- Eu vi em algum canto do guarda-roupa, foi somente por isso que decidi vestir.

- Filha - respirou fundo - Você já é linda, não precisa usar algo tão curto para provar isso a alguém.

Senti uma onda de frustração me invadir. Era difícil para minha mãe entender que eu precisava me libertar das amarras e das expectativas que ela e papai sempre colocavam sobre mim. Aquele vestido representava mais do que um simples traje; ele era uma pequena rebelião contra a opressão que eu sentia em casa.

Se ela soubesse que cada pedrinha desse vestido vale por mais de 10 casas.

- E se seu pai te ver assim, tenho certeza de que não hesitaria em bater em cada centímetro de pele à mostra das suas pernas.

- Depois dos machucados em minhas costas, isso não vai mudar muita coisa.

A expressão de mamãe se suavizou, e eu pude perceber uma sombra de preocupação em seus olhos.

- Você se machucou? - ela perguntou, um pouco hesitante.

- A senhora acha que estou mentindo? Que estou fazendo drama para chamar atenção? Ele me bateu e me fez cair no centro! Acha que aquilo é igual aos vidros falsos de cinema?!

A dor física que senti ao ser empurrada e o terror ao ser confrontada com o olhar perverso do demônio não saíam da minha mente. Meus pais sempre se recusaram a enxergar o mal que me cercava, preferindo viver em negação sobre o que acontecia dentro de nossas próprias paredes.

- Foi só um machucado leve, tenho certeza de que não vai passar nem dois dias para sumir. Você sempre foi assim - disse ela com um tom de desdém.

As palavras de minha mãe me feriram profundamente. Eu ansiava por apoio e compreensão, mas tudo que recebia eram julgamentos e negações. Sentia saudade de quando ela realmente conseguia acreditar em mim, de quando me protegia e me ouvia.

- Sinto saudade de quando você realmente conseguia acreditar em mim, mãe. É realmente doloroso ter que olhar para sua cara enquanto você acha que vivo em um mundo cor-de-rosa e doce.

- Eu e seu pai te amamos. Deus nos presenteou com você, Aneor. Não consigo entender por que está agindo dessa forma e se envolvendo com coisas perigosas - ela murmurou, desviando o olhar.

Aquelas palavras me atingiram como uma faca. Eu sabia que era amada por meus pais, mas não podia ignorar o fato de que, muitas vezes, eles preferiam ignorar a realidade para não confrontar as sombras que nos cercavam.

- Talvez eu só precise de espaço, de liberdade para descobrir quem realmente sou - sussurrei, quase para mim mesma.

Minha mãe não respondeu, e o silêncio pesado se instalou no quarto.

- De qualquer forma tire esse vestido de puta e desça para almoçar.

As palavras ásperas de minha mãe atingiram-me como uma lâmina afiada, cortando-me profundamente. Aquela noite já estava suficientemente tensa, e eu sabia que qualquer resposta minha só pioraria as coisas. Com um suspiro resignado, desci as escadas para enfrentar o jantar em silêncio.

Ao entrar na sala de jantar, meus olhos encontraram os de minha mãe, repletos de desaprovação e desgosto. Eu sabia que ela não entendia minha busca por autenticidade e liberdade, e isso só aumentava o abismo entre nós.

Tentei não deixar as palavras dela me afetarem, mas era difícil ignorar o impacto de suas críticas. Eu ansiava por uma conexão verdadeira com minha família, mas parecia que quanto mais eu tentava ser eu mesma, mais distante ficávamos uns dos outros.

Meu pai estava sentado à mesa, perdido em seu mundo particular, alheio a tudo o que acontecia ao seu redor. Suspeitava que ele sequer notaria se eu estivesse vestida de forma conservadora ou extravagante.

O jantar seguiu em silêncio, e eu me esforcei para cumprir o pedido de minha mãe e evitar qualquer discussão. Mas por dentro, um turbilhão de emoções e pensamentos tumultuava minha mente.

Talvez fosse verdade que eu estava buscando me afirmar através da minha aparência, tentando encontrar minha própria identidade em meio às pressões da sociedade e das expectativas familiares. Mas eu não me considerava uma "p*ta", como minha mãe havia me chamado. Eu apenas queria ser eu mesma, sem medo de ser julgada ou rejeitada.

Após o jantar, subi para o meu quarto, sentindo o peso das palavras de minha mãe sobre meus ombros. Eu sabia que, no fundo, ela só queria o melhor para mim, mas suas palavras duras e julgadoras só me faziam sentir mais sozinha e incompreendida.

Sentada em frente ao espelho, olhei para o reflexo de uma jovem confusa e vulnerável.

Enquanto me encarava no espelho, envolta em pensamentos, percebi um movimento sutil atrás de mim. A imagem refletida não era apenas minha, mas de alguém mais, e eu sabia exatamente quem era.

Astaroth, o demônio invocado, estava ali, observando-me em silêncio. Seus olhos, antes carregados de desejo sombrio, agora refletiam um misto de admiração e fascínio. Ele permanecia inexpressivo, mantendo sua voz no mesmo tom áspero de antes, enquanto soltava elogios que me faziam estremecer.

- Você é uma verdadeira beleza, Aneor. Sua busca por autenticidade só realça sua essência e sua singularidade. Te deixa ainda mais gostosa.

Apesar de seus elogios, havia uma tensão no ar, um desejo oculto e inegável que ele carregava em suas falas. Ele era um demônio, e isso me deixava desconfortável e estranha, pois eu era inexperiente em lidar com esse tipo de atração.

Senti um calor subir ao meu rosto e uma sensação estranha tomar conta de mim. A intensidade de seus olhares e palavras provocava uma série de emoções conflitantes dentro de mim. Eu não sabia como reagir, pois ele era um ser sobrenatural, uma entidade proibida, e ao mesmo tempo, havia uma estranha conexão entre nós.

Seu tom sedutor me deixava em alerta, mas também me atraía de alguma forma inexplicável. Eu me sentia vulnerável, como se ele pudesse ler meus pensamentos e despertar desejos ocultos dentro de mim.

Eu sabia que precisava manter a guarda alta, que ceder às suas provocações poderia me levar por um caminho perigoso. Mas ao mesmo tempo, havia uma curiosidade em mim, um desejo de descobrir mais sobre esse ser misterioso que agora fazia parte da minha vida.

- Você fugiu depois de me beijar...

- Se eu tivesse ficado arrancaria sua virgindade alí mesmo.

Senti que minha cabeça iria explodir de tão vermelha e quente de vergonha que fiquei.

- Isso é inaceitável! - exclamei, envergonhada e indignada com as palavras provocativas de Astaroth. Minhas mãos tremiam enquanto eu tentava me recompor diante daquele demônio que claramente buscava me provocar.

Astaroth, riu com malícia, divertindo-se com o meu desconforto. Seus olhos escuros e intensos me devoravam, como se pudesse ler cada pensamento que passava pela minha mente.

- Oh, minha querida Aneor, não precisa ficar tão acanhada. Afinal, somos todos seres carnais, e é natural sentir desejos e paixões - ele disse, aproximando-se ainda mais de mim, criando um espaço pessoal mínimo que me deixava inquieta.

- Não importa! - retruquei, tentando recuperar um pouco da minha compostura. - Isso não justifica as suas palavras e a sua atitude provocadora. Eu não pedi por isso e não quero que me trate dessa forma!

Astaroth, sorriu, ainda mais satisfeito com a minha reação. Ele parecia se alimentar do meu constrangimento e desassossego.

- Tão inocente e virtuosa, é uma combinação tão intrigante. Você nega seus desejos, mas sinto a energia que queima dentro de você, uma chama que clama por liberação - disse ele, tocando levemente meu rosto com as pontas dos dedos. - E posso lhe garantir, minha doce Aneor, que posso despertar prazeres em você que você nem sequer sabia que existiam.

Eu me afastei dele, sentindo meu coração bater acelerado. As palavras de Astarothme afetavam profundamente, despertando uma mistura de medo, curiosidade e desejo. Eu não sabia como lidar com essas emoções desconhecidas, e ele parecia se divertir ao me ver em conflito.

- Não... Eu não quero isso. Não quero ser manipulada ou usada por você - falei, tentando me manter firme diante da sua presença envolvente.

- Você não entende, Aneor. Não estou aqui para te manipular ou te usar. Estou aqui para te oferecer prazeres que você jamais experimentou, para te mostrar um mundo de sensações que vão te levar ao êxtase. Tudo o que você precisa fazer é se entregar a mim - ele disse, sua voz baixa e sedutora, enviando arrepios pela minha espinha.

Eu me vi lutando internamente, dividida entre atração e receio. O demônio me provocava de maneira tão intensa que eu mal conseguia raciocinar com clareza. Ele conhecia os desejos mais profundos da minha alma, e aquilo me assustava.

- Eu não posso fazer isso. Não posso me render a você - respondi com firmeza, tentando resistir ao seu poderoso magnetismo.

Astaroth, sorriu com um misto de malícia e desafio. - Veremos, minha doce Aneor. Eu estou aqui, à espreita, aguardando o momento em que você não conseguirá mais resistir ao chamado do prazer proibido. E acredite, esse momento chegará. Você é minha, por vontade própria ou não.

Suas palavras me atingiram como um soco no estômago, e eu fiquei atordoada com a maneira como ele jogava minha própria curiosidade contra mim. Astaroth,tinha razão, fui eu que o invoquei com o desejo de experimentar prazeres proibidos, mas agora eu me arrependia profundamente disso.

- Não esqueça que foi você que me invocou.

- Eu não sabia o que estava fazendo... Eu estava cega pela curiosidade e ignorância, mas agora percebo que cometi um erro terrível - murmurei, sentindo um misto de culpa e raiva de mim mesma por ter caído naquela armadilha.

Astaroth, se aproximou novamente, seu sorriso sádico dançando em seus lábios. - Ah, minha querida Aneor, não há como voltar atrás. As sementes do desejo foram plantadas em seu coração, e agora você é minha prisioneira.

Meu coração disparou ao ouvir aquelas palavras, e uma sensação de pânico tomou conta de mim. Eu tinha que encontrar uma maneira de me livrar desse demônio e desfazer o acordo que fizemos.

- Não, eu não sou sua prisioneira! Eu não aceito esse destino! - gritei com todas as minhas forças, tentando resistir ao seu controle sobre mim.

Astaroth, riu, achando graça na minha determinação. - Você pode lutar o quanto quiser, mas não conseguirá se libertar de mim. A atração que sente é irresistível, e em breve você estará implorando por mais. Quando esse dia chegar vou montar você e sujar esses lençóis e você vai gritar pra que seus pais ouçam que você virou a putinha de um demônio.

Ele se levou, desvanecendo-se nas sombras, deixando-me com um turbilhão de emoções e uma sensação inquietante de que estava prestes a mergulhar em um abismo de prazer e tentação, guiada pelo demônio que despertou em mim desejos incontroláveis.

E estranhamente com um desejo latejante entre minhas pernas.

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Larissa Pozzatti Desafios de um PCD

Larissa Pozzatti Desafios de um PCD

😱😱😱😱😱😱

2023-08-30

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