Tive de conter o nervosismo dentro de um quarto solitário, roendo as unhas movendo de um lado para o outro.
Jamais imaginei essa reviravolta na vida, o fato de reencontrar meu irmão torna tudo mais difícil. Todos esses anos e nunca procurei saber dele; pior: apaguei-lhe da memória.
Quero sair do quarto correr na sua direção, dizer o quanto senti sua falta, mas sei que será difícil acreditar, dado ao fato de sequer o reconhecer. O duro foi criar uma pequena paixão pelo meu próprio irmão.
Confundindo seu apoio com interesse romântico, cogitei pedir para ser meu amante. " Grande" irmã que sou!
Além de não o reconhecer, ter pensamentos românticos. Agradeço a Deus por ter escondido esses sentimentos, antes de me tornar um completo lixo.
Meus olhos permanecem abertos durante a noite, passos quase abrindo um buraco no chão de tanta ansiedade para que o dia amanheça e tenha a chance de se explicar.
Ao amanhecer a empregada veio abrir a cortina, levando um susto comigo de pé na porta como um fantasma.
— Oh, Meu Deus! Que susto!
— Posso vê -lo agora? Preciso muito falar com ele!
— O mestre pediu para lhe chamar, é do seu desejo tomar café da manhã contigo.
Esses modos tão respeitosos, é totalmente diferente do modo de vida que tenho levado. Me alegra saber que cresceu como um príncipe nesse lugar. Sigo a mulher à frente que mostra o caminho até o salão de almoço.
Reparando bem o local, tudo está lindo, as paredes mofadas estão com uma linda pintura, janelas trocadas por vidros.
O lugar sombrio que costumava ficar tem um novo formato de modernidade. Chegando no salão, vários homens estão parados ao lado de Felipe. Seus rostos frios passam uma sensação forte de hostilidade contra mim.
Fiquei numa ponta bem longe de Felipe que comeu sua refeição, sem notar minha presença. É difícil saber o que está passando pela sua cabeça, não tenho ideia do que lhe dizer ou como iniciar uma conversa.
O silêncio na mesa é aterrador.
Suspiro diversas vezes sem achar o momento certo para iniciar as perguntas, quando finalmente tomo coragem. Uma mulher aparece toda contente subindo no colo dele.
— Carinho! — Segura seu rosto e lhe beija. — Estava morrendo de saudades.
— Isabel, já lhe pedi para não fazer isso. — Retira a mão dela do rosto com expressão séria, limpando os lábios.
— Por que é sempre cruel? Em breve vamos nos casar. — Pega uma uva do prato e come olhando diretamente nos olhos de Elisa.
— Odeio o gosto do seu gloss. — Tira ela do seu colo e se levanta.
— Vai ter que se acostumar. — Diz rindo mordiscando uma uva.
Felipe sai da mesa com os homens lhe seguindo.
A mulher olha para meu rumo com soberba, analisando meu corpo inteiro. Olhos envenenados abrindo um sorriso arrogante cheio de maldade.
— Espero que saiba seu lugar. — Diz num tão gélido em ameaça.
Ela pegou mais uma uva e saiu cantarolando atrás de Felipe. Nunca tive de enfrentar esse nível de ameaça, o que foi assustador, só conseguindo se mover após sua retirada.
Todo tempo que estou em casa, sou evitada por Felipe, tento iniciar as perguntas sendo ignoradas com sua retirada estratégica. Ele está criando uma distância entre nós, sua noiva continua vindo sem avisar cada vez mais hostil.
Continuo na sombra de todos...
Sem voz, sem ser notada, tratada da mesma maneira ao longo dos anos com Gabriel. A única diferença é o fato das empregadas garantirem que esteja tomando medicação na hora certa e sendo alimentada de três em três horas.
Nessa enorme mansão começo a sentir novamente o sufoco que me fez largar do homem que amo. As sensações ruins da infância voltando, levando a saúde embora.
Na consulta foi revelado o estado crítico que chegou à doença, necessário a cirurgia para retirada do tumor.
Felipe segurou minha mão, perguntando as estatísticas de sobrevivência após a operação.
Ele conversou com o médico sobre as sequelas que teria de enfrentar e quanto tempo estaria curada. Seu rosto apavorado implorava para o médico me salvar.
O médico garantiu fazer o possível para que possa sobreviver sem muitas sequelas. Pedindo para ter calma, pois ainda não é o fim.
Para quem não sabe, recorrer à cirurgia é como uma sentença de morte para os pacientes em estado mais avançado do tumor. As chances são muito baixas de recuperação pós-operatório, a saúde nunca será a mesma e a chance de contrair novamente é altíssima.
O corpo já está muito debilitado para o procedimento pelas altas dosagens. Geralmente, os médicos evitam o procedimento quando já estão tratando de outra maneira. Mas, meu corpo adquiriu resistência aos medicamentos, é perigoso continuar aumentando as dosagens, levando em suspender e procurar outro método.
Não foi uma decisão tomada de último momento, vários exames foram realizados, tomografias dentros outros. Vários especialistas foram convocados para discutirem uma melhor abordagem.
O tumor parou de crescer, contudo, precisa diminuir se quiser viver uma longa vida. É como um machucado que está sangrando por muito tempo, pode ter parado o sangramento, mas sem limpar a ferida e a devida cicatrização acaba se tornando um problema maior.
Ouço a discussão entre o médico e Felipe para chegar numa data rápido, mas tudo o que quero é um pouco de tempo com meu irmão, ainda não lhe pedi perdão.
Saímos do escritório em silêncio, se deparando com a família do meu ex. Todos com seus rostos hostis disfarçados pelo sorriso gentil. A noiva do Felipe, no meio deles, deixou totalmente furioso.
Felipe gritava com ela no meio do hospital, meus sogros tentando falar comigo sendo segurados pelos seguranças. Devo impedir que isso contigo, não posso estragar mais a vida da única pessoa que tenho viva na terra.
— Deixem que passe.
— Elisa! — Grita furioso, Felipe.
— Somos a família dela, como ousa tentar nos impedir? — Diz arrogante a sogra.
— Não são! — Digo explodindo com todos. — O único aqui que é minha família é o meu único irmão!
— Elisa, perdeu o juízo?! Você é uma órfã! Não tem família, somos os únicos que... — Diz cheia de empoderamento interrompido pelo grito de Gabriel.
— O que estão fazendo?! Mandei ficar fora desse assunto! — Diz puxando sua mãe e irmã. — Elisa, desculpa.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
galega manhosa
história sóbria
2025-03-18
0
Evangelina Angeli
muito confusa 😕
2025-03-03
0
Fatima Vieira
confusa estou
2024-07-14
4