Cada pequeno passo foi angustiante, em volta o que deveria ser comemoração se tornou quase como um funeral. Passei por várias cabeças baixas que não conseguiam me olhar, estavam com pena por mim.
Eles aplaudiram para demonstrar seu apoio, mas seus aplausos são tristes e cheios de compaixão. Foi torturante passar por eles, sentir as tristezas de todos e os olhares pesados.
Na metade do caminho não aguentei a pressão e colapsei em prantos pedindo para irem embora. Foi lamentável minha situação, porém obedeceram meu desejo. Cada um pediu perdão, não julgaram ou ficaram chateados, apenas sentiram uma profunda compaixão que amarga minha alma.
Só consegui levantar quando todos se afastaram, com o rosto molhado me levantei vendo Gabriel na minha frente oferecendo as suas mãos para me erguer.
— Gabriel? — Desperto para a realidade.
Outra lembrança que veio para atormentar.
Consegui chegar na entrada do hospital, debilitada a mente que só quer paz. Novamente vejo Gabriel, correndo em minha direção, suado e em pânico. Dessa vez, ele realmente está aqui, seu abraço apertado cheio de alegria provou que não é um sonho.
— Finalmente. Graças a Deus que se recuperou, vamos para casa.
Brotando dos olhos lágrimas continuei chorando, não tenho para onde ir. Estava quase seguindo, quando ouvi a voz de um dos seguranças de Felipe. Gritavam para parar de andar, olhei para trás confusa, mas Gabriel não deu oportunidade deles se aproximarem.
— Pare! — Correm para impedir.
Gabriel ao ver dúvidas no meu rosto, pegou pelo colo levando para dentro do seu carro. Os seguranças conseguiram chegar perto, porém foram impedidos de me recuperar.
Ele me colocou dentro do carro e garantiu que ficasse presa, saiu para fora e fez um cheque para os homens de Felipe.
— Entregue a garota! — Diz o chefe da equipe em ordem.
— Vocês fizeram um ótimo trabalho, merecem ser recompensados. Aceitem esse cheque como compensação. — Diz arrogante.
— Mandei entregar a mulher. — ordena o chefe de segurança.
— A mulher que vocês querem é minha esposa, está fora de questão deixar que desconhecidos toquem nela.
— Não vai sair daqui, não vivo! Temos ordens explícitas de matar qualquer pessoa que tente lhe levar.
— Vão enfrente, tente me impedir. — Risos de deboche.
Eles entraram em confronto com os homens de Gabriel, tentaram me retirar de dentro do carro, pedi para pararem de brigar. Nenhum dos dois lados quiseram me ouvir, tentei sair porém não sei o que Gabriel fez com o cinto de segurança que travou.
Ao ver que estava tentando fugir, ele se irritou dando arranco com o carro em cima das pessoas. Mesmo os seus seguranças foram feridos no processo, sem um pingo de empatia da parte dele.
Gritei em pânico para parar, sem respostas de Gabriel.
Batendo na janela pedi perdão para aqueles homens, vendo Felipe fechar o carro, colidindo na lateral. Furioso saiu com alguns cortes na testa e uma arma apontada para a cabeça de Gabriel.
— Falei que iria te matar! — Para antes de atirar devido ao grito.
— Não! Por favor, não! — fecho os olhos gritando apavorada.
Felipe bate no rosto dele deixando desacordado, abre a porta do carro e me solta da trava. Assustada tento correr, mas ele me joga no seu ombro soltando no seu carro.
— Fica calada! Sem grito! Sem choro! Ou mato aquele canalha! Entendeu? — Diz gritando cheio de ódio.
Paralisada de medo, tampo a boca engolindo o choro, não quis deixar mais zangado do que está. Ele dirigiu por um longo trajeto, passamos por várias ruas, anoitecendo.
Então parou uma antiga mansão, era impossível não reconhecer esse lugar. Onde passei toda minha infância, apesar de estar reformada e bem bonita.
Todas as memórias do passado vieram como chumbo, estava vendo as crianças correndo enquanto olho pela janela com um livro velho na mão.
Os adultos sempre exigindo minha obediência e o quanto apaguei de mim para satisfazer seus desejos. Felipe viu meu rosto pálido e deu espaço antes de abrir a porta. Ele não tinha aparência muito boa, então notei sangramento do seu abdômen.
— Felipe! — O seguro.
Ele ri do meu pânico.
— Essa preocupação toda é comovente, porém não é hora para isso. Vamos entrar.
— Por que me trouxe nesse lugar? Quem é você?
Neste ponto não poderia ignorar a estranha sensação que tenho. Seus gestos comigo e toda sua ajuda voluntária, preciso de respostas.
— Vamos entrar. — Disse friamente.
— Vai responder as minhas perguntas? — Tento barganhar.
— Está com medo? Deveria mesmo sentir, mas é muito tarde para voltar atrás.
Ele puxou meu braço obrigando a entrar na mansão, tudo está diferente ao mesmo tempo, muito igual. Enxurradas de memórias apareceram, com um garoto grudado nas minhas pernas. Como pude esquecer dele? Como pude esquecer do meu próprio irmão?
— Não me diga que você é... — Caindo em prantos.
Médicos vieram correndo retirar a bala de Felipe, enquanto recebia um olhar cheio de frieza da sua parte.
— Senhora, venha conosco. — Empregada Dora.
Puxando levemente o meu braço me guiou para outro cômodo. Havia muitas perguntas para fazer, coisas das quais sempre me arrependi voltando de uma vez. O belo garoto chora implorando para não ser adotado, pois queria permanecer com sua irmã.
Seus pequenos braços estendidos tentando segurar nas mãos que implora para não o retirar. Tive um irmão, do qual nunca mais tive notícias, separados pela crueldade da vida.
Mas, o esqueci com passar do tempo. Era doloroso pensar nele, doloroso não ter notícias, sem saber se estava comendo, se estava chorando ou se estava com frio.
Então me lembrei de como foi parar no orfanato, minha mãe havia adoecido, não tínhamos dinheiro para tratamento, tentei buscar ajuda pelas ruas. Uma criança com pouca idade carregando seu irmão mais novo nas costas. As pessoas olhavam com maldade e frieza, tinham nojo.
Fui chutada diversas vezes por pedir dinheiro na porta das restaurantes, os donos odiava pelo fato de seus clientes no dizer deles está sendo enganados. Algumas vezes chegavam me questionando onde estava minha mãe e se sabia que estava enganando os outros.
A vida era dura, mas ainda tinha esperança de sobreviver, aguentando tudo para ter um pouco para comer.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Lucia Maria
ela não é burra é sofrida não teve amor de ninguém misericórdia
2025-03-02
0
Fatima Vieira
acho q Felipe é mafioso
2024-07-14
3
Ligia Barbosa
Com este aparato todo de seguranças em volta do Felipe, tá parecendo que ele é um mafioso ou algo parecido, e tbm rico
2023-09-19
6